
(...)
« - É um conceito chocante a ideia de que o Deus criador do Universo poderia andar à procura de companhia, de uma relação verdadeira com pessoas, mas o que verdadeiramente me mantém de joelhos é a diferença entre a Graça e o Karma.»
«-E o que vem a ser isso?
-No centro de todas as religiões está a noção de Karma. Estás a ver? Aquilo que fazes retorna para ti: olho por olho, dente por dente? Ou, se quiseres, nas leis da física, cada acção desencadeia uma reacção, igual ou oposta. Entretanto surge esta ideia chamada a Graça que acaba com tudo isto... Se quiseres, o amor interrompe as consequencias das tuas acções, o que no meu caso realmente é uma boa notícia porque fiz muitos disparates.
-Que disparates?-Essa é uma questão entre mim e Deus. Mas digo-te que teria sérios problemas se o meu juiz fosse o tal Karma. Não estou a fugir dos erros que cometi, simplesmente acolho-me à Graça. Refugio-me em Jesus que carregou com os meus pecados sobre a Cruz porque sei quem sou e, portanto, não espero depender da minha própria religiosidade.
-O Filho de Deus que lava os pecados do mundo ... Gostava muito de poder acreditar nisso (comenta Assayas).
-O sentido da morte de Cristo é que Cristo assumiu todos os pecados do mundo, de forma que aquilo que fazemos não regressa contra nós de ricochete. A nossa natureza pecadora já não acarreta a morte de modo inevitável: não são as nossas boas obras o que nos abre as portas do Céu.-Não se pode negar que essa é uma ideia grandiosa. Uma esperança assim é maravilhosa, mas está perto da loucura na minha opinião (diz Assayas). Cristo tem certamente o seu lugar entre os grandes homens, pensadores do mundo, mas ... Filho de Deus... não é excessivamente difícil de crer?
-Repara que isso foi sempre, mais ou menos, o que responderam os laicistas à história de Cristo... "Era um grande profeta, um tipo muito interessante, disse umas coisas com conteúdo tal como outros profetas desde Isaías a Maomé, Buda ou Confúcio".
Mas a realidade é que é o próprio Cristo que te desautoriza nisto, não consegues safar-te assim. Ele diz: não, Eu não digo que sou um Mestre, não me chameis Mestre. Não estou a dizer que sou um profeta. Digo: "sou o Messias". Digo: "Eu sou o Deus Encarnado". De modo que ficas nesta situação: ou Cristo era quem dizia ser, ou era completamente chalado. A ideia de que o curso da civilização de metade do planeta mudou, deu uma reviravolta total, por causa de um chalado... Para mim isso é que é difícil de crer.» (...)
Sem comentários:
Enviar um comentário