Julián Marías, sociólogo, filósofo, ensaísta, pensador, morreu em Dezembro passado, com 91 anos. O seu olhar lúcido e bem humorado sobre a realidade atraíu-lhe admiradores (e alguns detractores também) de todos os quadrantes.Nos 40 anos da morte de Ortega y Gasset, de quem foi amigo e discípulo, numa entrevista à revista "Espéculo", da Faculdade de Ciencias da Informação da Universidade Complutense de Madrid:
(...)
«P - Acha que Ortega acreditava na verdade?
- Claro, acredita que tudo o que é verdade, é absolutamente verdade. O que é relativo, não é a verdade, mas a realidade, porque é relativa em relação à perspectiva. Quando vejo uma coisa, vejo-a a partir de um ponto de vista e, isso que eu vejo, é absolutamente verdade. O que acontece é que não é toda a realidade. Verdade e perspectiva são inseparáveis. Aí reside a grande originalidade de Ortega.
P - Esta noção de perspectiva, que ele situa no indivíduo, leva ao relativismo?
- Não, pelo contrário. A verdade é absoluta: aquilo que vejo é absolutamente verdade; o que vejo é verdade para sempre, até para Deus. O que acontece é que enquanto Deus está em todo o lado, a minha verdade é parcial. A minha verdade não esgota a realidade. Portanto Ortega destroi o relativismo. » (...)
Obrogada. Não conhecia. Tomei nota.
ResponderEliminarObrigada.
ResponderEliminarEstes lapsos de teclas...
Ortega com "o" - é um obrigado ortegiano :-)
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