Jornal de Negócios

13 janeiro 2006

O nono dia - o nazismo revisitado a partir da pequena história

"Há falta de valentia no cinema alemão, quando se trata de filmar campos de concentração. Felizmente que agora há uma geração nova que se atreve a fazê-lo sem inibições."

É o que diz Volker Schlondorff um realizador comprometido que, juntamente com Herzog e Fassbinder, é um dos novos nomes do cinema alemão desde a década de 70.

"Hoje em dia, com filmes de crítica social não se vai a lado nenhum", continua a dizer. Mas
Schlondorff diz que "continuarei a fazer arte, face ao cinema comercial".
"Na Europa, conseguir fazer hoje em dia um filme assim é um verdadeiro privilégio.".

"Tenho consciência de que os meusfilmes são um grão de areia dentro da grande indústria do cinema, mas são a razão porque gosto de fazer cinema".

'O rebelde', 'A honra perdida de Katharina Blum', são algumas das suas obras anteriores; "O Tambor", valeu-lhe a Palma de Ouro e o Óscar (1979) de melhor filme.

Com a película "O nono dia" ("el noveno dia" na tradução em espanhol) este realizador aproxima-se do tema tabu, para os alemães, do nazismo e dos seus campos de morte. O filme baseia-se em factos reais.

Realizador:Volker Schlöndorff. Guião: Eberhard Görner, Andreas Pflüger. Intérpretes: Ulrich Matthes, August Diehl, Hilmar Thate, Bibiana Beglau, Germain Wagner.

98 min. Classificado para jóvens e adultos. Algumas cenas são violentas, sobretudo do ponto de vista emocional.

6 comentários:

  1. Não m admira que eles sejam tímidos qt a recordar isso.. quer se queira, quer não é uma parte negra da história deles da qual eu não me orgulharia se fosse alemã. Mas acho que devem encarar porque..ACONTECEU mesmo! Mas pronto..não podemos julgar um Alemão por tdos e pelos erros d boa parte deles...;)

    Bom blog! Parabens!

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  2. Não só da história deles. De todos nós. A maior parte de nós tem alguém queimado na fogueira...
    Foi o percurso que a humanidade fez ao longo dos séculos que permitiu o holocausto. Não meramente o povo Alemão. Todos nós.

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  3. Essa é que é grande questão. Quem fez o holocausto foi gente como nós... O que significa que pode voltar a acontecer (sob outras formas, mas pode).

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  4. É que já voltou. A Sérvia e a Croácia foram exemplos disso.E, já agora, há algo que me deixou profundamente perturbada...Aquando da minha leitura do Paciente Inglês, o autor (através da personagem Kip - um indiano), que o lançamento das Bombas Atómicas (sobre cidades japonesas) só aconteceu porque se tratava de um povo oriental... que tal nunca aconteceria com um povo ocidental(por exemplo, se a Alemanha não se tivesse rendido). Tal deixou-me pensativa...

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  5. Há uns anos fiz um trabalho acerca da educação no 3º Reich e passou-me pelas mãos um livro do T. W. Adorno (que agora não consigo precisar o título) acerca do preconceito em relação aos judeus.
    Se o requisitei porque pensei que diria respeito aos anos anteriores à 2ª grande Guerra, fiquei surpreendida por constatar que se referia à década de 50 nos Estados Unidos. Chocante como deixamos borbulhar o preconceito no nosso seio, nas mais pequenas coisas... E quem diz relativamente aos judeus, também diz em relação aos ciganos, negros, asiáticos, indianos, sul-americanos, romenos... (e poderia não terminar a lista).
    Peço desculpa pela extensão do comentário. E pela reincidência.

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  6. Igualdade e diferença estão sempre em contraponto: qdo insistimos na igualdade, esmagamos a diferença, se queremos diversidade, assustamo-nos com a perspectiva da desigualdade.
    Há um livro interessantíssimo - Educación: libertad y compromiso. Pamplona, 1992, de José Luis González Simancas - que espelha muito bem este (difícil) equilíbrio e como poderíamos mudar o mundo, simplesmente mudando a nossa cultura (o que, por sua vez, tem a ver com modelos de comportamento).

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