Jornal de Negócios

07 fevereiro 2006

"Geração precária"

Em França existe, há algum tempo, uma "nova profissão": estagiário. Em média, um jovem diplomado demora cerca de 8 a 11 anos a encontrar um emprego estável. As empresas multiplicam os estágios, os empregos temporários e os contratos a termo. Alguns voltam à escola, não para melhorar a sua formação, mas apenas como expediente para manter o estatuto de "aprendiz", o único que lhe permite ser aceite pelas empresas de trabalho temporário. É caro e difícil alugar uma casa. Os filhos adultos eternizam-se em casa dos pais. No dizer de uma deputada, a juventude francesa é uma promessa sem futuro, e toda a França é, ela própria, uma dúvida.
Cerca de um ano depois de concluída a formação profissional, 1 em cada 5 jovens continua desempregado. Os jovens organizam-se em torno de uma associação a que chamaram "geração precária" para denunciar os abusos do mercado de trabalho, sobretudo no que respeita ao eternizar dos "estágios" gratuítos, ou pagos simbolicamente, como forma de reduzir os custos de mão-de-obra.

Vem-me à memória aquela frase popular que fala em "pôr as nossas barbas de molho, quando o vizinho tem as dele a arder"; ou em economês, "empresas socialmente responsáveis" precisam-se (se o governo permitir, e os políticos não se distraírem...)

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