Jornal de Negócios

31 janeiro 2008

Mais do mesmo


No Público
31-01-2008 (citando a Ag. Lusa)


«A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) acusou hoje a política do Governo de José Sócrates de "irresponsável" e de "discriminar de forma inconcebível as famílias formalmente constituídas".

A associação reagia ao aumento de 20 por cento no abono de família para as famílias monoparentais, que o executivo anunciou quarta-feira no Parlamento, e em relação à qual a APFN afirmou estar "totalmente contra".

Em declarações à agência Lusa, Fernando Castro, presidente da direcção da APFN, acusou o Governo de "promover um estado civil, discriminando os outros".

"A medida foi apresentada por um lado como incentivo à natalidade, quando não o é, e por outro como combate à pobreza. Nesse caso o apoio tem de ser dado em função do rendimento per capita da família, nunca do estado civil dos pais", declarou Fernando Castro.»
(...)

«
há famílias monoparentais riquíssimas, tal como famílias formalmente contituídas paupérrimas".

"Há imensas circunstâncias para uma família se expor à pobreza. Qualquer critério para definir o apoio às famílias que não seja o rendimento per capita é completamente idiota - e neste caso é uma política contra as famílias numerosas e contra as famílias formalmente constituídas", continuou Fernando Castro.


Para um governo que considera as crianças produtos descartáveis, e com prazo de validade (de 10 semanas, para já ...), é lógico (embora estúpido).

23 janeiro 2008

revolução sexual


"A primeira revolução sexual transformou a política em sexo; a segunda, transformou o sexo em política; agora a política é política sexual".

Jesús Trillo-Figueroa. Una revolución silenciosa.
Libroslibres. Madrid (2007)

22 janeiro 2008

"embriões" híbridos (a treta do costume)


Foi notícia, há algum tempo, que o organismo regulador da fertilidade, no Reino Unido teria autorizado a produção de "embriões" híbridos humano-animal, a partir de ovocitos de vaca desnucleados aos quais se acrescentaria um núcleo (património genético) humano. Como de costume, o objectivo seria a investigação e tratamento de doenças humanas. As tais que andam há décadas a serem "curadas" nos jornais, com células estaminais, embora até à data, só tenham curado as acções em Bolsa das respectivas empresas.

De facto, por esta via pouco se tem conseguido, como o reconhece até o director do banco de células estaminais do Reino Unido: "
No Reino Unido gastámos milhões num banco de células embrionárias que contém cerca de seis linhas celulares diferentes, e nenhuma delas serve para transplante".

Ou estas peritas em Biologia Molecular:

«Transferindo o núcleo de uma célula humana adulta para um óvulo humano, sem núcleo, obtem-se um material celular com uma dotação genética determinada. De facto isto tem sido feito, em investigação, repetidas vezes, sem qualquer resultado positivo. Gastaram-se milhões de óvulos humanos, sem se conseguir obter as famosas células totipotentes. Também não se conseguiu nada usando óvulos de coelha".

«O que agora se diz que os investigadores do King’s College de Londres, e da Universidade de Newcastle, vão fazer é usar óvulos de vacas mortas, para o mesmo efeito. São as mesmas instituições que, até agora, fracassaram que anunciam, com grande aparato e como se fosse novidade, o uso do mesmo método, com óvulos de vaca.»

«Já veremos como é que conseguem pôr em andamento o desenvolvimento embrionário de material genético humano, usando óvulos de vaca. Já veremos se conseguem criar um embrião humano. É muito duvidoso, para não dizer tão improvável que será impossível. E mesmo que algum dia o consigam, certamente não terá condições para ser usado para tratar seja quem for».

«Penso que se está a confundir os meios de comunicação e a sociedade, tentando fazer passar como híbrido humano-vaca, um tipo de célula híbrida, com núcleo humano e citoplasma de vaca, que será o máximo que se poderia obter. A isto, não há ninguém que se oponha. Para isto não é preciso nenhuma autorização especial.»

«Também se está a alimentar a confusão - como vem sendo hábito - quando se chama "embriões híbridos" (que eticamente seriam proibidos) àquilo que se cria com óvulo animal e esperma humano, ou vice-versa. A isto, não se chama embrião, chama-se ficção.»

(Santiago, Carlos de Miguel, M. J. López-Zabalza and Natalia López-Moratalla. International Journal of Molecular Medicine 1: 95-103 ,1998 ; LOS QUINCE PRIMEROS DIAS DE UNA VIDA HUMANA (2ª ed, 2007).)
de
LOPEZ MORATALLA, NATALIA e IRABURU ELIZALDE, MARIA J., Casa del Libro)



19 janeiro 2008

Desclassificada



Juashaunna Kelly, campeã de atletismo no distrito de Columbia (EUA) correu, como de costume, com o equipamento de sempre: um fato de fibra sintética com capuz, que cobre a cabeça, as pernas e os braços.

O equipamento foi fabricado de acordo com as suas instruções, e é azul e alaranjado.

Os árbitros desclassificaram-na com pretexto na violação dos regulamentos da prova, no que respeita aos equipamentos. "No ano passado, não houve qualquer problema com o equipamento, mas este ano sim", desabafou o treinador.
(El Pais, 19-01-2008)

16 janeiro 2008

"A derrota dos laicos"


A maioria dos lideres políticos italianos criticaram asperamente a atitude da minoria de alunos e professores que provocaram o cancelamento da visita do Papa à universidade romana.

O Presidente da República italiana, Giorgio Napolitano, considera que "são inadmissíveis as manifestações de intolerância, e as declarações ofensivas, que criaram um clima incompatível com um diálogo sereno e livre". (La Republica, 16-01-2008)

O Primeiro Ministro, Romano Prodi, sublinhou que "nenhuma voz deve ser silenciada no nosso país, muito menos a do Papa". (Corriere della Sera, 15-01-2008)

"É uma ferida que humilha a universidade e a Itália", afirmou Berlusconi.
(IGN, 15-01-2008)

É uma perda para a nossa cultura liberal, diz o líder do Partido Democrático da Esquerda, Walter Veltroni, Presidente da Câmara de Roma. (Republica.it e KataWeb news, 15-01-2008)

Muitos reclamaram contra o que chamam o "laicismo obrigatório" (Corriere della Sera). "A obrigação da preferência pública pela irreligiosidade" (...) é a antecâmara do nepotismo."(Disal, Ernesto Galli della Loggia)

En La Stampa, um artigo de opinião intiula-se "A derrota dos laicos": "é a laicidade, enquanto tal, que entra em declínio ao não ser capaz de defender os seus próprios princípios" de tolerancia e diálogo plural.

N(euróni)o Cego


(...) comunicado da Associação "Juntos pela Vida"

«As últimas declarações, divulgadas hoje pela Lusa, sobre a aplicação da lei do aborto são escandalosas e preocupantes:

1. "O aborto clandestino diminuiu": um exercício de lógica elementar capta a falta de sentido realístico do ministro Correia de Campos. Partindo do que foi dito há um ano a esta parte, podemos inferir o raciocínio das premissas agora reveladas: A) O aborto é clandestino (argumento do SIM durante a campanha para liberalizar o aborto); B) O que é clandestino não pode ser conhecido nem determinado (uma das razões mais repetidas para a ausência de meios para conhecer e combater as causas do aborto, que justificariam numa lógica utilitarista a legalização do aborto); C) Eu sei que o aborto clandestino diminuiu. Magnífica conclusão, mas imperceptível do ponto de vista da razoabilidade.

Senhor ministro: se o aborto diminuiu diga-nos em quanto e qual o actual nível!

2. "Não há a pretensão do Ministério para de repente acabar com as situações clandestinas". Como é aceitável num Estado de Direito democrático que um elemento do Governo faça tais declarações e se mantenha na impunidade? Manterá o Primeiro-ministro um ministro que abjectamente declara que não pretende acabar com o aborto ou a fazê-lo vai ser devagarinho??? Para quê? Para permitir às clínicas manter mais alguns anos de lucros ilegais e imorais? Então, afinal em que ficamos? Agora já o aborto clandestino não é um terrível problema da sociedade portuguesa. Parece agora mais evidente que o ministro, ao contrário do que propagandeou, não queria acabar com o aborto mas tão só promover o "negócio"

Senhor ministro: diga-nos então como e quando tenciona acabar com o aborto clandestino. Ao menos ficamos a saber.

3. Se o aborto já não é clandestino em Portugal diga-nos, Senhor Ministro, os números reais e verdadeiros do aborto em Portugal! É um imperativo de justiça, baseado nas suas declarações sobejamente conhecidas acerca desta questão. E mais. É um direito das mulheres a quem feriu o corpo e o coração oferendo-lhes o aborto.»

(...)

Nem só de S.I.D.A. se morre em África



David Halperin, professor de Saúde Pública de Harvard, chama a atenção para a disparidade de financiamento de programas contra a SIDA em África, em comparação com os fundos disponíveis para água potável e saneamento.

Um dos maiores contribuintes, os EUA, doaram no ano anterior 3 000 milhões de dólares para a luta contra a SIDA e apenas 30 milhões em saneamento básico.

«
Este desequilíbrio de quase 100 para 1 [no financiamento] é de uma desastrosa falta de equidade, sobretudo se se levar em conta que em África são os países mais ricos e desenvolvidos que têm mais casos de SIDA. A maioria das nações [mais pobres] têm taxas de infecção que rondam os 3% ou menos».

Um quinto do total das mortes mundiais por diarreia ocorre em 3 países africanos (Congo, Nigéria e Etiópia), que apesar de terem baixas taxas de infecção por VIH/SIDA, recebem anualmente milhões para programas de combate à infecção e praticamente nada, para lutar contra a diarreia, que está entre as principais causas de morte; e que seria fácil de evitar.

Anualmente, morrem de doenças evitáveis, nos países subdesenvolvidos, 10 milhões de crianças e meio milhão de mulheres.

No New York Times, 1 de Janeiro de 2008


12 janeiro 2008

Orquestra Figomaduro


Madalena e os quatros filhos. A divulgação dos clássicos (e dos menos clássicos) pelo calor das vozes e da presença desta família.




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11 janeiro 2008

Não é magia!



Nada se parece menos com a magia do que as acções sobrenaturais de Deus. Não só os seus dons requerem sempre a aceitação voluntária da pessoa,como Deus nunca fará aquilo que nós podemos (devemos ...) fazer.

Inspirado em Chevrot, Georges, Em Segredo, Ed. Quadrante, S. Paulo, Brasil.

08 janeiro 2008

Progresso


Do Portugal Diário, 17 de Dezembro de 2007:

"Foi inaugurada esta segunda-feira, em Odivelas, a primeira Loja do Cidadão de 2ª geração. O primeiro-ministro, José Sócrates, que descerrou a lápide do espaço, situado num centro comercial, disse que no próximo ano vão abrir mais 30 semelhantes, que têm como principal novidade balcões multiserviços, onde podem ser tratados vários assuntos. À entrada do Odivelas Park, um grupo de cidadãos manifestou-se contra o fim de o serviço de apoio domiciliário a doentes."


(...)

"Enquanto dentro do espaço climatizado os governantes explicavam o modelo de proximidade e eficiência da «nova administração pública», na rotunda que está situada à frente da entrada do centro comercial, com o termómetro uns graus centígrados abaixo, um grupo de cidadãos locais manifestava-se contra o fim dos cuidados continuados e paliativos de idosos em Odivelas.

«Querem acabar com os cuidados continuados e deixar de ir ao domicílio prestar cuidados aos idosos, que terão de se deslocar aos hospitais. Isto vai originar perturbações a qualquer família que tenha este tipo de pessoas a seu cargo», disse ao PortugalDiário Carlos Figueiras, um dos participantes.

«Os doentes têm duas hipóteses: ou vão aos hospitais, os que tiverem disponibilidade financeira para isso, ou deixam-se ficar até acabarem com a vida», apontou. Quanto a pessoas nesta situação, Maria Figueiras, outra das manifestantes, garantiu: «São mais de 400 doentes»."


Lá, como cá



Claro que cá somos menos frontais. O castigo é pela via fiscal (muito mais eficaz).

Assim o governo até pode dizer que não tem nada a ver com o assunto (até "dá" umas esmolas disfarçadas de abonos e subsídios às crianças).