
Gary Stanley Becker, prémio
Nobel da Economia (
1992): a família é a base da economia.
Becker parte de três conceitos básicos da economia:
- Os agentes económicos: pessoas e organizações que procuram trocar entre si bens e serviços;
- O mercado: lugar onde se realizam as trocas entre os agentes;
- Os factores de produção (terra, trabalho e capital): aquilo com que se produzem os bens.
E por que é que se produzem bens e se trocam? Porque as pessoas sentem necessidades e procuram satisfazê-las obtendo esses bens. O facto de valorizarem esses bens, cria a "riqueza", o valor.
Mas como os recursos são limitados (ao contrário das necessidades que não têm limite), a sociedade procura tornar mais eficiente o processo de produção e troca de bens e serviços.
É aqui que a família, como organização humana básica e fundamental, pode contribuir para que essa eficiencia se torne operativa.
De facto, há ainda um outro factor de produção, importantíssimo, o
capital humano, isto é, as pessoas e a sua capacidade de inovar e agir.
- A família faz um grande investimento em capital humano. É feito pelos pais quando, por exemplo, investem nos filhos em áreas como a saúde e a educação. É um enorme investimento, com um retorno muito pequeno se considerarmos apenas a dimensão económica. De facto, para este nível de "rentabilidade" só mesmo os pais têm coragem para investir. Nem os governos, nem as empresas se atreveriam. Este investimento é tão pesado que geralmente implica o desinvestimento noutras áreas: turismo, automóveis, lazer, etc. Segundo Becker, os pais conseguem investir neste "capital de risco" porque são "altruístas", isto é, para eles o altruismo é um valor superior.
- A sociedade não cresce nem se desenvolve se não investe em capital humano. Se os pais não se interessassem pelo bem-estar dos filhos, não teria havido - por exemplo - a entrada em massa de jovens na Universidade. Do ponto de vista estritamente financeiro e imediato, teria sido mais "rentável" pô-los a trabalhar ...
A partir deste tipo de observações, Becker sustenta o carácter essencial da família para as economias saudáveis e sustentáveis. É este nexo positivo família-economia que também requer o casamento, como instituição de estabilidade que permite o crescimento saudável dos filhos.
Porque sem filhos, não há pessoas, ou seja sem capital humano, não se gera riqueza. O Brasil , por exemplo, tem algumas
iniciativas nesta área.
Sem familias numerosas não é possível combater a pobreza, atreve-se a sustentar este Nobel.