Jornal de Negócios

07 agosto 2008

momentos en el freezer (cont.)

(... continuando ...)
Se soubéssemos o que perdemos quando desperdiçamos, directa ou indirectamente, os momentos de convívio com aqueles de quem mais gostamos.
Muitas vezes este desperdício é fuga activa, porque se pensa que são essas pessoas, ou essas circunstancias exteriores, que causam o nosso aborrecimento, ou ansiedade, ou ...

Não entendemos que somos nós próprios que somos, por vezes, inadaptados sociais.

Se soubéssemos o que perdemos quando deixamos escapar-se o momento que passa, como se fosse fumo; mesmo que pareçam momentos desgastantes e cansativos. São a oportunidade de descobrir o valor nos outros, de perceber como os valorizamos (ou não ...), de ser capaz de descobrir o carinho que recebemos, mesmo que seja apenas na forma de um cumprimento amável, ou até de alguém que está ausente e a pensar em nós.

Muita gente sente-se acompanhada, mesmo estando sozinha, porque dá valor ao que estrutura a sua vida. E muitos sentem-se sós, mesmo rodeados de gente, porque apenas valorizam o que satisfaz as suas pretensões.

Será que para aprender o valor do momento presente é preciso estar, pelo menos uns dias, num campo de concentração?

Podemos perfeitamente ficar simplesmente à espera do momento, passivamente, sem perceber que o momento surge se o alimentamos. Isto é, se praticamos (como se fosse para competir nos Jogos) actos (presentes, reais) de entrega aos outros, aumentando ainda mais o valor desses momentos. Não digo que se faça de vez em quando, mas em todos os segundos (os 60 ...) do minuto.

Por favor, tenham cuidado. Lembrem-se que a alguns dos que perderam a capacidade de viver, isto é de dar valor a tudo e todos, o coração congelou-se e, pior ... também a alma.


(mal traduzido e plagiado de «Momentos en el freezer», do arquitecto argentino Gabriel Mario Castagneto.)

06 agosto 2008

continuando a tra(i)(du)ção ...


(...) continuando do ultimo post

Tradução livre (muuuuito livre e com links da minha responsabilidade ...) de «Momentos en el freezer», do arquitecto argentino Gabriel Mario Castagneto. (...)


«Já pensaram seriamente nos momentos de aparente banalidade que vivemos diariamente?

Esses bocadinhos de tempo que vivemos à vontade, livres de usá-los como queiramos. Em que podemos transmitir (ou não ...) aos outros os nossos sonhos. Momentos em que podemos simplesmente desfrutar de viver com as pessoas a quem devemos afecto. E, por vezes, como desperdiçamos esses momentos, como os desvalorizamos. Como nos escorre o tempo por entre os dedos, como se fosse areia. Podemos até protestar pelo tempo que os outros nos ocupam, tão apressados e atarefados que estamos a caminho daquela tarefa importantíssima que nos faz sentir realizados.

Repenso todos esses momentos, compostos de pessoas e circunstancias, que só têm força quando sei como valorizá-los. Como sempre, valorizo mais o que não tenho e quando tenho ...


Já houve quem dissesse que as estátuas e os monumentos são a nossa má consciência
perante os mortos a quem, em vida, não demos valor. Mas é tarde. Nem sequer serve para muito gastar dinheiro na madeira do ataúde e nos cromados das pegas ... Também aí já era tarde.


Há coisas que não são recuperáveis. Não se recuperam os momentos felizes quando se revivem na memória de modo amargo e nostálgico, cobrando facturas a nós próprios e aos outros pelo remake
(impossível) do passado. Também não se recuperam esses momentos embebendo em lágrimas as fotos antigas.

Viver de recordações é uma forma de perder tempo, tempo que nos falta para viver o presente, presente que (pateticamente) recordaremos com amargura quando passar ... E, claro, volta a ser tarde. A isto é que se pode chamar ser "velho" no sentido pejorativo do termo. Porque não é um problema de idade, é um (irredimível) problema espiritual.

(continua)



Fugir do congelador (leituras vadias para férias)


Tradução livre (muuuuito livre e com links da minha responsabilidade ...) de «Momentos en el freezer», do arquitecto argentino Gabriel Mario Castagneto.


Ainda não nos esquecemos do que sentiram e viveram as pessoas (tantas ...) que foram detidas em campos de concentração nazis. Fica-se preso ao que nos conta, em primeira pessoa, o psiquiatra e médico neurologista vienense Victor Frankl, o preso número 119.104 de Auschwitz.

Mas não é disto que quero falar. Reparem no seguinte: aquelas pessoas, passaram grande parte da sua vida à espera. À espera da libertação, que é o que todo o preso espera, como se sabe, por exemplo, dos relatos do vietnamita-francês, François Nguyen van Thuan, que nos deixou a sua experiência de 13 anos em cadeias da Coreia do Norte. Treze anos preso, dos quais 9 na solitária, onde escreveu aquele livro espantoso de optimismo (O Caminho da Esperança) em pequenas folhas de calendário, trazidas às escondidas.




Mas retomemos a nossa questão. Pensem no seguinte: no momento em que a Guerra acabou, com a fuga dos nazis dos campos de concentração, todas aquelas pessoas passaram, de repente, a poder mover-se. A poder sair, ir para fora do campo, ir-se embora, recomeçar a sua vida.

Quiseram reencontrar a sua terra, a casa, os parentes, os amigos. No momento da sua detenção, todas as imagens importantes das suas vidas, os seus afectos, os seus sonhos, tinham ficado como que congeladas, no coração e na mente, até que chegou a libertação. Mas a verdade é que ... quase não encontraram nada. Muitas das pessoas relevantes da sua vida, já tinham morrido, ou mudado de sítio, ou simplesmente tinham-nos considerado mortos e ausentaram-se para parte desconhecida. As circunstancias do mundo tinham mudado tanto, que esses momentos congelados na memória, esfumavam-se no cinzento do passado.

A frustração era imensa. Toda a força das recordações, que os tinha mantido vivos durante a prisão e a tortura, desaparecia agora que estavam em liberdade.»

(continua no proximo post...)