Jornal de Negócios

28 outubro 2009

a esquerda que parou em 68 ...


Adaptado do artigo de J. Contreras (Catedrático de Filosofia, Universidade de Sevilha)


(...)

Há uma esquerda que fracassou ao longo do século XX: a que tinha por bandeira as aspirações clássicas de nacionalizar os meios de produção e de substituir o capitalismo pelo socialismo.

De facto o que aconteceu foi exactamente o contrário, com largo apoio de faixas crescentes da população.

Esta esquerda não desapareceu, simplesmente mudou de bandeira: substituiu a revolução social e económica pela revolução sexual.

No campo económico, a diferença entre esquerda e direita foi-se atenuando.

Das direitas veio uma cada vez maior tendencia a confiar no mercado, em detrimento da empresa individual; da esquerda, uma reclamação à intervenção reguladora do Estado. A esquerda já não contesta globalmente o capitalismo (já nem sequer usa o termo), e até propõe políticas económicas claramente apostadas no mercado.

A direita reclama o abaixamento de impostos, o que costuma provocar uma reactivação do crescimento e a criação de postos de trabalho; a esquerda tende a aumentar a pressão fiscal, aumentando o emprego público, o que traz alguma desaceleração do crescimento e gera desemprego privado, mas tudo isto dentro de uma certa parcimónia mercantilista.

Ou seja, esta esquerda clássica está privada do seu projecto habitual, e necessita de novas bandeiras. Não querendo alinhar com as esquerdas mais liberais, ou as "terceiras vias", precisa de uma bandeira simples que possa usar como elemento de identificação.

Encontrou-o facilmente na amálgama da ideologia libertária freudiano-marxista que também explodiu em 68, aquilo a que poderíamos chamar o "sessentaeoitismo" - a ideologia de género, a permissividade sexual, o aborto livre, o questionamento da "família tradicional", a hostilidade ao cristianismo, o pacifismo radical, o multiculturalismo assimétrico, o ecologismo anti-humano ...


Em paralelo, a direita foi-se afunilando numa míopia (típica), perante esta mutação sessentaeoitista. Foi propalando que se tatava de meras "cortinas de fumo", lançadas por estes grupos de esquerda para distrair dos problemas reais.

Foi berrando que medidas como a legalização do "casamento" gay, a liberalização total do aborto, a imposição escolar de disciplinas ideológicas como a educação cívica, ou os crescentes ataques à Igreja, eram meros "fait-divers".


Tal com existe uma esquerda, presa no tempo, também esta direita continua a operar com um velho modelo de trabalho que herdou do século passado, em que a fractura entre esquerda e direita era mais óbvia e relacionada com a maneira de organizar os sistemas de produção.

Esta direita não consegue entender que o centro de gravidade do combate ideológico já não passa pela economia, mas pela cultura:
- pela diferença entre mulheres e homens e pelo seu relacionamento;
- pelos "direitos reprodutivos";
- pelo modelo de família;
- pela atitude perante o início e o fim da vida humana;
- pelo papel social da religião ...

Não entende, ou não quer entender para não ter que tomar posição ...

À medida que esta esquerda aumenta o seu campo, isto é, à medida que a esquerda se "sessentaeoitiza" mais, há como que um triunfo póstumo dos profetas de 68 - Reich, Marcuse, A. Kinsey ...

Reich é um caso de sucesso. Foi o grande teórico da revolução sexual. Sustentou que a repressão sexual era o mecanismo essencial sobre o qual assentava a ordem burguesa; propôs como táctica político-revolucionária a superação dos tabús e inibições sexuais. Uma sociedade sem classes seria a consequencia da libertação sexual.

Claro que para obter a total liberdade da líbido, seria preciso eliminar a família. A família, por definição, cria restrições à liberdade sexual. Também o aborto livre é necessário: só assim a mulher pode desfrutar da sua sexualidade sem o entrave da gravidez. (Basta ler, em diagonal, REICH, W., The Function of the Orgasm [1942], Condor Books, 1979; REICH, W., The Sexual Revolution [1945], Vision Press, Londres, 1951.)

(continua ...)

26 outubro 2009

Em Madrid, manifestação de rua contra o aborto


Em Madrid, mais de um milhão de pessoas saíram à rua manifestando-se contra o aborto. A Câmara Municipal reconhece que foram cerca de 1 milhão e 200 mil os manifestantes (dois milhões, segundo a organização).

A manifestação ampliou as divisões dentro do PSOE espanhol, tal como anteriormente já tinha criado divisões no Comitê de Bioética do governo.

Entretanto continuam as denuncias de que o aborto é cada vez mais um negócio, internacional.

"claustrofobia democrática"


Pacheco Pereira no Público (24 Out. 2009) e no seu blogue:
(...)
«Seria interessante perguntar o que é que mudou para melhor, desde que Rangel fez o seu discurso, na "claustrofobia democrática"? Mudou, só que para pior.

Os dois órgãos de comunicação que o primeiro-ministro atacou publicamente estão abatidos. O Jornal Nacional da TVI encerrou como espaço crítico do Governo, e o PÚBLICO está sujeito a uma campanha para mudar a sua linha editorial e o seu director.

Somaram-se os assuntos tabu, a começar pelas investigações que envolvem o primeiro-ministro, como o caso Freeport e outros, em que ninguém se interroga como é que uma imprensa livre aceita tão grande condicionamento ao ponto de tornar "excessivo" quem tem coragem de falar. Fosse no Reino Unido ou nos EUA e veriam se era assim.

É também porque há um coro de "folclore transmontano" que ninguém se incomoda em perguntar porque razão é que Portugal baixou de 16º para 30º no índice de liberdade de imprensa. Pelos vistos os Repórteres Sem Fronteiras acham que sempre há "asfixia democrática". Por cá, tudo a assobiar para o lado.»
(...)

16 outubro 2009

Ping-pong viral (ainda a gripe)

(...) «As pessoas responsáveis, perante o cenário visível, situam-se num ponto equilibrado: nem tocam alarmes, nem pregam conspirações mundiais que não são passíveis de demonstração (e que implicariam a todos os governos do mundo, os laboratórios farmacêuticos e os meios de comunicação).

As outras atitudes são próprias das extremas, direita e esquerda, que procuram sistematicamente, ao longo da história, confabulações construídas contra os seus sistemas.

Obviamente que o facto de que a chamada gripe A não seja uma conspiração, com motivações económicas, não inibe que as empresas farmacêuticas vejam nela um filão de negócio.

A leitura que faz Teresa Forcades, de que a Organização Mundial de Saúde (OMS) e os laboratórios se juntaram numa conspiração para enriquecer é um pouco triste, sobretudo numa pessoa que se consagrou à vida religiosa.

(...)
Além disso incorre em erros na sua comunicação: por exemplo, o de que a vacina é obrigatória; ou que a OMS obriga os países a vacinar.

A OMS não tem poder legal para obrigar nenhum país a vacinar, nem tem poder para fazer legislação em matéria sanitária sobre os países.


Também não pode multar ou impor sanções aos cidadãos que sejam contrários à vacinação contra a gripe A.» (...)

(traduzido do Forum Libertas)

12 outubro 2009

Comitê de Bioética de Espanha confirma que a vida humana começa na fecundação


A Comissão de Bioética espanhola , instituição pública agregada ao Ministério da Ciência e Inovação, confirma num parecer publicado que a vida humana começa na fecundação:

(...) «a fecundação dos gâmetas dá lugar a uma entidade biológica nova, com a dotação genética característica da espécie humana» (...) (noticia Europa-Press)

No entanto, o mesmo parecer suporta o agravamento da nova lei do aborto, com o aumento dos prazos para abortar e a possibilidade das menores abortarem sem consentimento parental.

Dos doze membros, um deles, César Nombela, catedrático de Microbiología da Faculdade de Farmácia da Universidade Complutense, recusou assinar o texto porque considera que é contraditório uma vez que reconhece que a vida começa na fecundação mas mantém a possibilidade de "acabar com ela, de modo voluntário" nas primeiras 14 semanas de gestação."

05 outubro 2009

"Há muitas toneladas de talento feminino que estão a ser desperdiçadas"

Feminista, mulher de negócios, uma das mulheres que está no top-ten management do mundo dos estudos sobre empresas e empreendedorismo.

Speaker
na conferencia do Trinity College (o mesmo, onde esteve S. Beckett) sobre Mulheres e Ambição.

Nuria Chinchila escreve sobre como é possível conciliar a vida profissional, familiar e pessoal. É Doutorada em Economia e Direcção de Empresas
.

A outra co-autora do livro, Maruja Moragas, também esteve em Portugal a promover o livro e ambas explicaram porque é que os portugueses trabalham muito e produzem pouco.

"Há muitas toneladas de talento feminino que estão a ser desperdiçadas por não se flexibilizarem os horários de trabalho. " afirmam. (Entrevista no DN em Maio 2009)



Senhores do nosso destino
Alêtheia ed., Lisboa, 2009