«A aceitabilidade de quaisquer relações sexuais é a pedra angular, o dogma intocável deste supostamente novo progressismo. (...) seja anátema quem falar contra! E se, no início, se fala de relações entre adultos, livremente consentidas, a prática leva a que se rebaixe sistematicamente a idade de consentimento legal para ter relações sexuais.
Na Holanda, as propostas apontam para os 11 anos, por ser esta a idade - ironicamente - que a lei holandesa prevê para consentimento de menores em caso de eutanásia.
Quase todas as reivindicações desta esquerda de 68 se relacionam - com lógica política - com exigências de liberdade sexual.
Isto é bastante evidente no caso do aborto: o movimento pró-abortivo ganha força, no Ocidente, nos anos 70, na esteira de alguns movimentos dos anos 60.
Uma sociedade sexualmente libertada precisa do aborto livre como rede de segurança contraceptiva para as falhas e esquecimentos, inevitáveis, dos contraceptivos.
O mesmo se diga dos chamados "novos modelos de família": a normalização das relações homossexuais que pressupõe a liberalização do que seja a "normalidade", alargada a um sector minoritário da população; as "novas" famílias monoparentais, recompostas, etc., que são na realidade fragmentos de famílias "tradicionais", destroçadas frequentemente por um desejo de maior liberdade sexual, ou de um uso adúltero dessa liberdade; as uniões de facto, não só reconhecidas, mas sobretudo promovidas, para que se apresentem como modelo de desfrute sexual sem o compromisso do casamento ...»
Na Holanda, as propostas apontam para os 11 anos, por ser esta a idade - ironicamente - que a lei holandesa prevê para consentimento de menores em caso de eutanásia.
Quase todas as reivindicações desta esquerda de 68 se relacionam - com lógica política - com exigências de liberdade sexual.
Isto é bastante evidente no caso do aborto: o movimento pró-abortivo ganha força, no Ocidente, nos anos 70, na esteira de alguns movimentos dos anos 60.
Uma sociedade sexualmente libertada precisa do aborto livre como rede de segurança contraceptiva para as falhas e esquecimentos, inevitáveis, dos contraceptivos.
O mesmo se diga dos chamados "novos modelos de família": a normalização das relações homossexuais que pressupõe a liberalização do que seja a "normalidade", alargada a um sector minoritário da população; as "novas" famílias monoparentais, recompostas, etc., que são na realidade fragmentos de famílias "tradicionais", destroçadas frequentemente por um desejo de maior liberdade sexual, ou de um uso adúltero dessa liberdade; as uniões de facto, não só reconhecidas, mas sobretudo promovidas, para que se apresentem como modelo de desfrute sexual sem o compromisso do casamento ...»
Toda uma imensa cartilha - obrigatória e dogmática - de pensamento único, com o recurso à demolição personalizada dos que discordarem: uma nova e mediática inquisição pos-moderna que queima a personalidade dos "hereges" políticos.
«Mesmo a hostilidade militante contra a Igreja Católica só se torna inteligível nesta perspectiva: a Igreja é um obstáculo porque se recusa a reconhecer a licitude moral das relações sexuais fora do casamento e, portanto, tampouco as suas consequências lógicas (aborto, reconhecimento legal das relações extra-conjugais, dos pares homossexuais, etc.)
A virulência das reacções às palavras do Papa em África, também se enquadra nesta lógica política. Dizer que a SIDA não se pode vencer apenas com preservativos coincide com os factos epidemiológicos. São os países que também apostaram em campanhas que promovem a fidelidade que estão com melhores resultados. Isso mesmo é reconhecido pela própria OMS e seus responsáveis.
A reacção irada a estas afirmações do Papa não decorre de que estejam convencidos de que Bento XVI desconheça a realidade. É precisamente ao contrário: saberem que os dados científicos dão razão ao Papa é intolerável, porque põe em causa o dogma sessentaeoitista da liberdade sexual ilimitada. Este dogma está no centro da sua visão do mundo e não é questionável.»
(Traduzido e adaptado do artigo do Prof. Francisco Contreras, Catedrático de Filosofia do Direito, Universidade de Sevilha)






