Jornal de Negócios

26 julho 2010

O estadão




(...) «Sócrates sempre foi defensor de uma forma particular de Estado: aquele que é utilizado para garantir o poder e que serve para colocar a mão visível no mundo económico e social.




Lamenta-se o equívoco: governar Portugal não é mandar em tudo. É confiar na sociedade, nas pessoas e nas empresas.




Para Sócrates o Estado é a mesa do banquete da Família Adams. É por isso que é trágico vê-lo como inocente defensor do Estado contra os delírios neo-liberais que o PSD deixou escorrer a conta-gotas. »(...) (Fernando Sobral, no Jornal de Negócios)

21 julho 2010

a poluição também entope as artérias

Para além dos engarrafamentos nas estradas, o trânsito também contribui para entupir as artérias do corpo, por causa da poluição que provoca.

Um estudo feito pelo Centro de Investigação em Epidemiologia Ambiental, de Barcelona, levou a Sociedad Española de Cardiologia e a Fundación Española del Corazón a advertir os cidadãos que o morar perto de uma estrada de grande circulação, leva a uma deterioração das artérias ao dobro da velocidade a que normalmente ocorreria.

Nas artérias carótidas (pescoço) das pessoas que foram observadas no estudo, a acumulação de gordura e o aumento de espessura foram maiores do que no grupo de controle (pessoas não expostas a poluição).

A advertência estende-se a todos os locais que tenham níveis de poluentes acima do recomendado pela OMS ( 25 a 30 mcg / m3).

vidas (pouco) gay

No JN:

(...) « Segundo fonte policial, o arguido terá mantido um relacionamento amoroso com o jovem que terá abandonado a ligação homossexual para iniciar um relacionamento heterossexual. Num contexto de desolação amorosa, Francisco Leitão terá assassinado a jovem e, pouco depois colocou termo à vida do antigo companheiro, por alegadamente, este ter descoberto o crime. Em Março deste ano, terá feito nova vítima, num cenário semelhante. O alegado homicida terá mantido um outro relacionamento homossexual, mas também desta vez o companheiro acabou por finalizar a relação para iniciar uma outra com uma mulher, motivando a vingança» (...)

Em Espanha são as próprias organizações militantes dos grupos pro-homossexualidade que denunciam que existe violência em "32,2% deste tipo de relações", e que é preciso "acabar com o mito de que não existem maus-tratos nas relações homossexuais" (notícia Publico.es e Sevilla.com)

19 julho 2010

Cuba

Representantes da hierarquia da Igreja Católica em Cuba visitaram o dissidente Guilherme Fariñas, empenhado desde Fevereiro numa greve de fome exigindo a libertação de uma dezena de presos que, segundo diz, se encontram "gravemente doentes".
(...)

«A Igreja cubana, comprometida na procura do bem comum, não estabelece um aliança com o governo - "a possibilidade de actuar na sociedade, de servir os homens e as mulheres que vivem no nosso país, não depende de um pacto social expresso ou tácito entre a Igreja e o Estado", assinalou o cardeal cubano -, mas faz um esforço profundo por diminuir as tensões e assume o papel de interlocutora eficiente.

(...)
A Igreja cubana, à qual o governo do presidente Raúl Castro pediu pela primeira vez mediação para apresentar uma oferta às Damas de Branco (esposas dos presos processados em Março de 1998, que aos Domingos costumam desfilar em grupo por uma vistos avenida da capital), aposta no diálogo. De facto foi esse um dos tópicos dominantes na X Semana Social Católica recentemente concluída, na qual académicos residentes no pais e outros emigrados, assim como leigos da várias dioceses cubanas, acordaram em que demograficamente, os grupo pró-diálogo na margem norte do estreito da Florida vão ganhando terreno. Cedem as raivas antigas.» (Álvaro Rojas, em aceprensa)

16 julho 2010

afinal o sexo não vende

O canal americano ABC despediu um actor por se ter negado a rodar cenas de sexo. O actor é Neal McDonough de 44 anos, bastante conhecido por ter entrado em vários filmes : Relatório Minoritário, As Bandeiras dos Nossos Pais e séries da TV : Band of Brothers e Donas de Casa Desesperadas. Estava a começar a rodagem de Scoundrels, uma nova série da ABC, quando se recusou a interpretar uma cena de sexo explícito com Virginia Madsen. O canal decidiu substitui-lo por outro actor.


A notícia deu pé a inúmeros comentários e explicações. Os media publicaram o motivo da recusa: McDonough é católico, com firmes convicções religiosas, tem mulher e três crianças pequenas. Por isso se nega a interpretar este tipo de cenas.

Nos meios digitais - mais propícios a estes debates - milhares de internautas apoiaram massivamente a decisão do actor. A julgar pelos comentários feitos à notícia, positivos na sua esmagadora maioria, deduz-se que a coerência continua a ser um valor em alta.

São em maioria as pessoas que louvam a decisão de McDonough e elogiam o facto de ter sido capaz de perder um milhão de dólares (foi o que deixou de receber) por actuar em consciência e por respeito à mulher e à família. (...)

Quando perguntaram recentemente ao espanhol Patxi Amezcua por que é que no seu filme 25 kilates havia pouco sexo e poucos palavrões, comentou que «não era preciso dizer "filho da puta" para que se note que o personagem está zangado ... E a maior parte das vezes o sexo confunde».


De facto, as pessoas que vêm muito cinema, como por exemplo, os críticos chegam à conclusão de que, salvo raras excepções, o excesso de sexo num filme pode obedecer a dois motivos: ou é uma exigência publicitária do filme para se falar dele por ser escandaloso ou um modo de tentar salvar um mau guião.» (...)

Quanto ao espectador, quererá o espectador médio ver sexo no grande ecrã? A julgar pelos resultados de bilheteira parece que não. Entre os 10 filmes mais vistos em 2009 só um - A Ressaca - tem conteúdos sexuais.

Em resumo, toda esta história revela que uma das frases cunhadas no mercado do cinema - o sexo vende - não é no fundo verdadeira e que o sexo nos ecrãs tem mais inconvenientes que vantagens. Faz perder dinheiro aos produtores e distribuidores, rotula os actores, incomoda o espectador, não ajuda a criatividade dos realizadores e não convence os críticos.» (...) citado por aceprensa.

15 julho 2010

A austeridade vista no Reino Unido

Artigo de Joanna Bogle (tradução portuguesa de aceprensa)

(...) «o Governo [inglês] tem vindo a gastar dinheiro dos contribuintes que, na verdade, não tem, para várias coisas de que, na realidade, não precisa.

Atrevo-me a afirmar que o Governo não vai efectuar cortes na despesa pública relativamente aos projectos mais absurdos e desnecessários, mas - oh - quem me dera que os fizesse... Será que precisamos de posters - como os que estão afixados na minha zona - a incentivar mais lésbicas a adoptar crianças? Será que precisávamos de um programa que incentivasse mais crianças a comprar contraceptivos em noites de festa? E quanto aos donativos a grupos excêntricos que promovem várias formas de actividade sexual fora do casamento heterossexual? Nada disto foi útil. A taxa de gravidez na adolescência tem vindo a aumentar à medida que mais e mais jovens têm vindo a adquirir contraceptivos - da mesma forma, as doenças sexualmente transmissíveis duplicaram, triplicaram e quadriplicaram (especialmente entre os adolescentes mais jovens), de modo que a expressão "epidemia" é a mais comumente usada entre os médicos acerca deste problema.

Seria de esperar que, numa altura de constrangimento financeiro, fosse aberta uma via de discussão sobre tais assuntos, mas mais vale esperar sentado. É verdade que o primeiro-ministro, David Cameron, tornou bem claro o seu compromisso para com o casamento e a vida familiar e que os seus discursos ecoaram imediatamente ao chegarem a Downing Street, reafirmando palavras como "responsabilidade" e "compromisso". O vice-primeiro-ministro, Nick Clegg, também falou recentemente sobre a importância de proteger as crianças e de garantir uma boa infância para a próxima geração. Os dois homens têm filhos e casamentos felizes - no caso de Cameron, é esperado um bebé para o final deste ano e foi extremamente encantador verificar que a primeira coisa que fez ao chegar a Downing Street foi sair do carro e dirigir-se para o lado do passageiro para abrir a porta à esposa. É um autêntico cavalheiro e os seus modos são naturais e genuínos.

Mas (e é um grande "mas") será que o Sr. Cameron estabelece mentalmente a ligação - ditada pelo senso comum - entre a necessidade de disciplina e de restrição dos gastos públicos e a importância da coesão social? Será que ele já percebeu que, se se aproximam tempos difíceis, vai ser crucial ter famílias fortes e unidas? Será que ele acha que os jovens que se reunem nas ruas e nos centros comerciais das nossas cidades nestas quentes noites de Verão a beber e a vomitar e a gritar vão ser capazes de, a seu tempo, gerir um lar com um orçamento apertado, de alimentar os filhos com refeições nutritivas preparadas em casa e de partilhar passatempos familiares e interesses numa atmosfera alegre e aprazível? » (...)

«As aptidões são aprendidas em família e perpetuadas através da cultura familiar numa sociedade em que tais relações são prezadas e valorizadas. Os casamentos estáveis e seguros ensinam coisas como gerir-se, perdoar, lidar com relações difíceis, olhar em frente, encontrar esperança e coragem nas pequenas coisas.» (...)

«a forma mais simples de promover aptidões socialmente úteis, de ajudar as pessoas a gerirem-se em tempos difíceis, de garantir que ninguém passa fome e de estimular a moral nacional passa por adoptar, através de todos os meios disponíveis, uma cultura de apoio aos casamentos heterossexuais, de respeito por estruturas familiares tradicionais e de sentido de auto-estima entre os jovens à medida que atingem a maioridade e pensam em seguir em frente.» (...)

12 julho 2010

emagrecer o Estado


No Jornal de Notícias, do dia 9 de Julho:

(...) «"Não podemos, quando reduzimos a despesa, cortar naquilo que é a essência da vida das pessoas e manter absolutamente incólume o aparelho do Estado", sublinhou na quinta feira Bagão Félix, ao considerar que se a crise atual constitui "uma dificuldade é também uma oportunidade".

Em declarações aos jornalistas, antes de uma conferência sobre solidariedade que marcou o arranque das festas do Espírito Santo de Ponta Delgada, o antigo ministro acrescentou que, funcionando como o "verdadeiro imposto", a despesa não é toda igual.

"Uma coisa é despesa social -- aquela que se faz com desempregados, com reformados, com os doentes - e outra é a despesa do aparelho do Estado, que, por vezes, tem institutos a mais, empresas públicas a mais, conselhos de administração excessivos, vícios de contratação", considerou Bagão Félix.

Além de insistir na necessidade da manifestação da solidariedade de um Estado que se deve "dar ao respeito", sendo "contido e austero", o ex-ministro alertou para a necessidade no cenário actual de um comportamento solidário "de baixo para cima e não de cima para baixo".» (...)

Zig-zag (aviso à navegação)

No i:

notícia: «Os hospitais estão a contratar médicos recém-especializados como prestadores de serviços, "apesar de existirem vagas para serem integrados no Sistema Nacional de Saúde (SNS)", acusa a Federação Nacional dos Médicos. Estarão nesta situação, garante o dirigente sindical Sérgio Esperança, "20% a 30%" dos médicos que terminaram o internato de especialidade desde Fevereiro» (...)

notícia: «nos últimos anos o número de alunos nos cursos de Medicina foi dos que mais cresceu. Este ano serão admitidos 1661 estudantes, o que representa um aumento de 40% desde 2004, anunciou ontem o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior» (...)

notícia: (...) «A ministra da Saúde, Ana Jorge, admitiu à Lusa que "é muito difícil" que os mais de mil estudantes portugueses de medicina espalhados pela Europa possam completar o último ano do curso em Portugal» (...)

Tudo "lógico" ...

11 julho 2010

O PREC reciclado

No Público de 8 de Julho (Helena Matos):

(...) «o socialismo de Estado que nos rege precisa desesperadamente que a actividade privada pague os impostos indispensáveis quer à manutenção da mitologia do Estado providência, quer à prosperidade da oligarquia que faz negócios, gere e manda como se o Estado fosse coisa sua.

Neste PREC(*) contemporâneo a igualdade nos bens materiais não é assunto que mobilize as massas, até porque estas foram percebendo, à sua dolorosa custa, que quanto mais igualdade lhes prometem, mais pobres ficam. O homem novo pode ser pobre ou rico, tudo depende da sua relação com o Estado e não com o capital. O desígnio da igualdade transferiu-se do capital para o corpo (...)

«Portugal levou os últimos meses pendente desse enorme combate que foi o do fim da desigualdade dos homossexuais que não se podiam casar. Agora que se celebrou o extraordinário cômputo de 18 casamentos entre pares homossexuais já nos foi anunciado que vai ser atacada a enorme desigualdade que recai sobre os casais homossexuais ao não se lhes permitir que se altere a filiação das crianças de modo a que estas tenham dois pais ou duas mães.

Como boa parte deste nosso PREC actual é decalcado do espanhol, nomeadamente a governamentalização e controlo pelos partidos socialistas no poder em ambos os países das associações que dizem combater as desigualdades, não é muito difícil perceber o que aí vem: sob o lema da Diversidade Afectivo-Sexual a disciplina de Educação Sexual vai ser palco de inúmeras polémicas nas escolas sobre o modelo de família que se deve apresentar às crianças.

Como os tempos vão de crise não teremos por enquanto cursos de masturbação para adolescentes como aconteceu em Espanha, por sinal numa das zonas mais pobres daquele país e em que o desemprego entre os jovens atinge os valores estratosféricos de 44 por cento. Mas teremos certamente uma enorme atenção às pessoas transgénero que agora se descobriu que devem poder mudar de género por via administrativa.

Nada disto se traduz em mais direitos ou mais respeito para com estas pessoas, pela mesma razão por que também não acabámos um país rico em 1975: o que se pretende não é melhorar a vida das pessoas. É sim servir-se delas (...

(texto integral no Povo)

(*) Processo Revolucionário Em Curso

10 julho 2010

consentimento informado

«O governo de Valência acordou ontem que imagens do feto serão mostradas às mulheres que tomem a decisão de abortar.

Informar-se-á a mulher da “transcendência ética da decisão de abortar” com “informação visual” sobre o processo de interrupção da gravidez.

Qualquer formato gráfico como ecografias a três dimensões vai poder acompanhar um relatório escrito sobre “as consequências médicas, psicológicas e sociais” do aborto, confirmou à Agência Efe Paula Sánchez, porta-voz do governo valenciano.

Ao mesmo tempo, será criada uma Unidade para resolver os problemas provocados pela nova lei, como por exemplo a possibilidade de menores de 16 anos decidirem abortar e apenas um dos progenitores dar o consentimento.» (notícia no i)

06 julho 2010

liberdade mirrada

(...) «Há no estado português uma pulsão para uma espécie de Big Brother pobre, que se torna cada vez mais absoluto sem verdadeiramente querer ser absoluto, movido pela necessidade e pelos maus hábitos e por uma imensa, gigantesca falta de cultura de liberdade e de respeito pelos cidadãos.

A que se soma a apatia generalizada dos cidadãos. Agora tudo parece justificado pela crise, impostos retroactivos, impostos sem autorização parlamentar, espionagem bancária, etc., etc., mas na verdade começou quando o fisco e a ASAE se tornaram armas do Primeiro-ministro para mostrar um show de determinação que se revelou pouco mais do que o autoritarismo da asneira e o vigor da amoralidade.

Cada dia, há menos liberdade e a história mostra que, em tempos como estes, essa falta de liberdade, meia abusiva, meia consentida, está para lavar e durar.» (...) JPP, no Abrupto

05 julho 2010

"os bancos convencionais, vão atrás dos mais ricos, nós vamos atrás dos mais pobres"


Conferência de Muhammad Yunus, no campus da Universidade de Barcelona, no Programa de Educação Contínua do IESE. "As pessoas perguntam-me qual foi o factor essencial na criação deste banco, e a resposta é que não sei nada sobre banca e, se soubesse, teria seguido as regras habituais".

Yunus fundou o Banco Grammeen no Bangladesh dando um grande desenvolvimento ao conceito de
micro-crédito e micro-financiamento.


"Fiz o oposto ao que habitualmente se faz, e deu resultado. Os bancos convencionais correm atrás dos clientes mais ricos, nós corremos atrás dos clientes mais pobres. Os mais pobres são o nosso ponto de partida, as pessoas que não têm nada."

Acrescentou ainda que o mundo dos negócios está organizado de modo errado, por se ter focado inteiramente no lucro, e não na resolução dos problemas.

Sublinhou que a crise actual não é só
financeira, mas ambiental e social. Todos querem correr em direcção à solução, disse, mas era melhor parar para consertar o sistema. "Os economistas construíram todo um sistema baseado na teoria do egoísmo, mas os seres humanos também são altruístas. Porque é que não se pode criar um negócio na base do altruísmo, em que tudo é para os outros e nada para mim?"

M. Yunus fundou 40 empresas dedicadas a resolver problemas como a malnutrição, a falta de telecomunicações ou a escassez de pessoal de enfermagem, e não tem qualquer quota em nenhuma delas.


O Grameen Bank, que ele fundou em 1976, empresta actualmente a 8 milhões de clientes no Bangladesh, dos quais 97% são mulheres. Todos os fundos são constituídos por dinheiro do banco, ou seja, o banco aceita depósitos e empresta dinheiro.


Abriu sucursais em Nova Iorque, no meio de cepticismo generalizado que dizia que as pessoas fugiriam com o dinheiro. Mas, segundo ele, 99% dos empréstrimos são pagos. Este banco é a única opção para milhões de americanos pobres que nem sequer podem abrir uma conta num banco normal e que são presa fácil de especuladores. O Reino Unido também está na mesma linha.
(Notícia original aqui. )

Só falta multar as grávidas


Segundo noticia o Público, a empresa pública dos aeroportos de Portugal (ANA) não paga o subsídio de assiduidade às mães trabalhadoras que amamentam. Ou seja, depois de uma geração de esforços para conseguir que as mães voltem a amamentar os seus filhos, depois de planos e programas do Ministério da Saúde, em Hospitais e Centros de Saúde, pagos pelo contribuinte, destinados a incentivar a amamentação materna, agora faz-se exactamente o oposto.

Fica a dúvida se os que se oponham ao aborto livre, com o argumento de que isso apenas favorecia os patrões, não terão afinal razão ...

Ainda por cima num país que tem mais óbitos do que nascimentos.

As boas notícias é que a China rondará os 1400 milhões de pessoas, dentro em breve, portanto podemos ir aprendendo a comer com pauzinhos: é o futuro.

Pessoa


O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...


Alberto Caeiro

02 julho 2010

já começou ...


O jornal espanhol "El País", noticia que uma empresa de TV foi multada por usar o termo "gente normal e corrente" num anúncio, em contraposição ao dia do orgulho Gay.

O debate fica aberto: há assuntos de discussão proibida em público?

realismo

«Era preciso dizer ao Governo que a coisa não está a resultar.

Era bom alguém informar o Parlamento que já ninguém acredita.

Era conveniente avisar as autoridades que estão a destruir-se a si próprias.

Não vale a pena repetir cerimoniais pomposos de dignidade, fundamento e justificação se a credibilidade se esfumou.

Não serve de nada compor retóricas elegantes e juras indignadas, porque ninguém as leva a sério. É inútil representar uma comédia que perdeu a graça.
Podem convencer-se a si mesmos e aplaudir correligionários, mas o público já nem sequer se indigna.

Limita-se a bocejar. » (...)

(J César das Neves, no DN, 28 de Junho)

marketing

Quatro, em cada dez telemóveis "smartphones" (os mais sofisticados) vendido no mundo, são Nokia. No entanto a percepção do mercado é que é a Apple que domina ... (apesar de ficarem atrás em termos de facilidade de uso e funcionalidades).

Notícia aqui, no Jornal Económico.

as medidas de poupança do Ministério de Saúde

(...) «viram as medidas de poupança do Ministério de Saúde? Poupar em papel higiénico e sabonete... quando podia poupar milhões de euros por ano? (...)

No Público.

"Fui demitida por motivos políticos" (Entrevista a Paula Nanita)


Foram os próprios hospitais associados do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) que boicotaram a central de compras, lamenta a ex-presidente do conselho de administração, Paula Nanita. Depois de a ministra ter renovado a sua comissão de serviço em 2009, foi demitida há uma semanas por incompetência pelo secretário de Estado da Saúde - que invocou como fundamento conclusões de uma auditoria do Tribunal de Contas (TC) ainda não concluída. Paula Nanita contrapõe que foi afastada por "motivos políticos" e, indirectamente, por interesses de empresas concorrentes.

Qual é a sensação de ser demitida por incompetência?

Não fui demitida por incompetência. Fui demitida por motivos políticos. Sou independente. E foi preciso pôr aqui uma pessoa do PS. É um facto.

O secretário de Estado da Saúde nunca lhe deu a entender que a ia demitir?

Nunca me comunicou. E tenho a firme convicção de que o senhor secretário de Estado não tem competência legal para demitir o conselho de administração (CA) do SUCH porque esta é uma associação privada com uma tutela que é remota, que tem o poder de nomear o presidente e o vice-presidente do CA, mas os estatutos não prevêem que os possa destituir.

(...)
Interessa a quem?

Pode interessar a muita gente. Pode interessar a concorrentes de áreas tradicionais que perderam quota de mercado. Se alguém acabar com o SUCH, há concorrência que partilha 50 por cento de quota de mercado que fica em situação de monopólio. Houve cartéis de formação de preços e o SUCH ficou de fora porque somos intransigentes. Houve tentativas de canibalização pela concorrência das áreas tradicionais do SUCH, tentativas de cartelização. E crescemos nas áreas tradicionais quase 80 por cento.

Mas a quem é que interessa o SUCH?

Não imaginam os milhares de reuniões que tive ao longo destes quatro anos, de abordagens de concorrentes para parcerias e não imaginam quantas vezes ouvi membros do Governo dizer que foram abordados por esses mesmos concorrentes a dizer que, se o SUCH for dissolvido, quero ficar com essa quota de mercado.

Está a dizer que o secretário de Estado foi permeável a interesses?

Não. O secretário de Estado disse num workshop que, na primeira semana [como governante], recebeu representantes de duas empresas concorrentes do SUCH que lhe foram dizer que, quando o SUCH for dissolvido, queriam ficar com aquela quota de mercado.

O que é que os associados ganharam com os seus quatro anos da sua gestão?

A criação da plataforma [de serviços partilhados]. Não a tinham e passaram a ter.

O que falhou?

Durante um ano e meio, estivemos à espera para poder arrancar [com a plataforma]. Já a central de compras não tem nada a ver com isto. Tem uma outra explicação. São feitas com três centros hospitalares cuja adesão estava prevista e que representam 17 por cento das compras do SNS. Mas [estes] boicotaram a central.

Mas isto é bizarro... Não só não contribuem como boicotam.

É completamente bizarro. Uma coisa é garantida: não foi nenhuma incompetência nossa.

Os auditores não só não contribuíram como boicotaram... Os auditores do TC alegam que não conheciam as idiossincracias do sector da saúde. O SUCH nunca fez outra coisa e, quando foi desafiado para avançar noutras áreas, fez parcerias com quem sabia. Mas houve imensas surpresas. O conselho de administração do SUCH percebeu logo em 2008 que a coisa não ia lá com liberdade de adesão e que é preciso corrigir a estratégia. Portanto, propusemos a criação de uma empresa pública que supostamente tinha de arrancar até 1 de Junho. Preocupa-me muito que ainda não tenha arrancado. É angustiante. Vocês viram as medidas de poupança do Ministério de Saúde? Poupar em papel higiénico e sabonete... quando podia poupar milhões de euros por ano.

(...)

Mas tem dinheiro para contratar consultores e fazer estudos e planos estratégicos.

Para pagar os salários não faltou dinheiro para nada. Fizemos tudo.

Qual é o peso das despesas com pessoal face ao total?

Em 2006, era de 48 por cento. Em 2009, era de 41 por cento. A produtividade aumentou 23 por cento. O aumento de salários de 2008 para 2009 é de 3 por cento quando o aumento do volume de negócios é de 12,7 por cento.

E quanto ao aumento das remunerações do CA?

Posso-lhe dizer que as remunerações são definidas pela comissão de vencimentos e aprovadas em AG. O CA anterior tinha menos um elemento e isso pesa alguma coisa. Mas a diferença são só 7 por cento. Ninguém aqui se auto-remunerou.»

01 julho 2010

um truque que funciona (por enquanto)

No Economia e Finanças:

(...) «O sistema consistente em pôr o público a trabalhar gratuitamente (ainda por cima pagando para isso) está generalizado na televisão e na rádio, cuja programação consiste cada vez mais em fóruns, reality shows, talk shows, concursos e entrevistas de rua. É o modelo Tom Sawyer de pintar a cerca da Tia Polly cobrando à garotada da rua maçãs ou berlindes pelo direito a dar umas pinceladas.

O aumento de produtividade de parte do sector dos serviços consiste em grande medida em persuadir-nos a suportarmos uma carga de trabalho cada vez maior; trabalho esse que, deixando de ser feito por empregados, assegura às empresas poupanças muito significativas. Inevitavelmente, porém, cada vez dispomos menos de genuíno tempo livre.

Toda a gente se queixa de que esteve muito ocupada no fim de semana. A fazer o quê? Ora, a percorrer os corredores do supermercado, a lavar o carro, a fazer transferências bancárias, a esperar na bicha do fast food, a ensinar às crianças o que não aprenderam na escola, a reparar a impressora seguindo as instruções do call-center ou a montar estantes. Tanta modernidade deixa-nos esgotados.» ()

impostos e neurónios

«não aparece um político que acredite que há eleitores com neurónios dentro da caixa craniana»

Escrito em Maio, no Economia e Finanças, a propósito do aumento de impostos ("Vai ou não haver aumento de impostos?"). O facto de o PM estar a dizer que não haveria aumento de impostos, ao mesmo tempo que o governo se preparava para os aumentar (através da redução das deduções conforme se explica aqui).

Continua actual: aqui , depois da publicação da lei que aumenta os impostos (os tais que não iam aumentar).