Jornal de Negócios

16 julho 2010

afinal o sexo não vende

O canal americano ABC despediu um actor por se ter negado a rodar cenas de sexo. O actor é Neal McDonough de 44 anos, bastante conhecido por ter entrado em vários filmes : Relatório Minoritário, As Bandeiras dos Nossos Pais e séries da TV : Band of Brothers e Donas de Casa Desesperadas. Estava a começar a rodagem de Scoundrels, uma nova série da ABC, quando se recusou a interpretar uma cena de sexo explícito com Virginia Madsen. O canal decidiu substitui-lo por outro actor.


A notícia deu pé a inúmeros comentários e explicações. Os media publicaram o motivo da recusa: McDonough é católico, com firmes convicções religiosas, tem mulher e três crianças pequenas. Por isso se nega a interpretar este tipo de cenas.

Nos meios digitais - mais propícios a estes debates - milhares de internautas apoiaram massivamente a decisão do actor. A julgar pelos comentários feitos à notícia, positivos na sua esmagadora maioria, deduz-se que a coerência continua a ser um valor em alta.

São em maioria as pessoas que louvam a decisão de McDonough e elogiam o facto de ter sido capaz de perder um milhão de dólares (foi o que deixou de receber) por actuar em consciência e por respeito à mulher e à família. (...)

Quando perguntaram recentemente ao espanhol Patxi Amezcua por que é que no seu filme 25 kilates havia pouco sexo e poucos palavrões, comentou que «não era preciso dizer "filho da puta" para que se note que o personagem está zangado ... E a maior parte das vezes o sexo confunde».


De facto, as pessoas que vêm muito cinema, como por exemplo, os críticos chegam à conclusão de que, salvo raras excepções, o excesso de sexo num filme pode obedecer a dois motivos: ou é uma exigência publicitária do filme para se falar dele por ser escandaloso ou um modo de tentar salvar um mau guião.» (...)

Quanto ao espectador, quererá o espectador médio ver sexo no grande ecrã? A julgar pelos resultados de bilheteira parece que não. Entre os 10 filmes mais vistos em 2009 só um - A Ressaca - tem conteúdos sexuais.

Em resumo, toda esta história revela que uma das frases cunhadas no mercado do cinema - o sexo vende - não é no fundo verdadeira e que o sexo nos ecrãs tem mais inconvenientes que vantagens. Faz perder dinheiro aos produtores e distribuidores, rotula os actores, incomoda o espectador, não ajuda a criatividade dos realizadores e não convence os críticos.» (...) citado por aceprensa.

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