
(...) «existe um grande desconforto com a responsabilidade objectiva do actual Presidente da República, que tem levado ao colo o Governo até este beco sem saída em que o país se encontra» (...)
«Desde a promulgação da lei do casamento gay, até hoje, não se tem testemunhado mudança de posição daqueles que estão resolvidos a não votar na 1.ª volta das presidenciais em Cavaco Silva. Esse facto opera-se pois com ou sem candidatura alternativa no centro-direita.
É verdade que a ponderação da actual conjuntura de emergência pode fazer com que os resultados das
próximas eleições presidenciais não permitam medir exactamente o descontentamento, Eppure, si muove ("no entanto, move-se"), como terá dito Galileu, depois de levado a retractar-se em 1633 da sua posição de que a terra se movia em torno do sol...
Uma nota mais "leve": Portugal é, de facto, um país em que ainda está vigente a cultura "do respeitinho" evidente na reacção autoritária dos donosdo centro-direita (opinion makers e alguma, pouca, da camada dirigente dos partidos). Ou na cumplicidade dos sistemas de poder na comunicação social: em aproximadamente quatro meses, não há uma sondagem em que tenha sido perguntado qual o acolhimento a algumas das pessoas que foram indicadas como possíveis candidatos alternativos a Cavaco Silva... O que, reconheça-se, sendo preocupante, não é novo nem dramático» (...)
(António Pinheiro Torres, Público de 20 de Outubro de 2010, opinião; texto completo também aqui)
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