Jornal de Negócios

18 dezembro 2011

Até eu percebo

(...) « A ideia de que um país consegue melhorar a sua balança comercial através de zero importações, é uma ideia tão estranha como a de que um governo  consegue pagar as dívidas sem ter receitas.

Vai ficar contente quando eu lhe disser que - tecnicamente - não estamos em recessão.
O consumo de uns, é o ganho de outros. A sra. Merckel, ao continuar a insistir em que os seus  principais parceiros comerciais cortem nas despesas, está a cortar à Alemanha as principais fontes do seu crescimento.» (...)
(Robert Skidelsky, Professor Economia Política, na Universidade de Warwick)

07 dezembro 2011

Um quinto da população portuguesa vive sozinha


"Um quinto da população portuguesa vive sozinha" (noticia no Público em linha). Apesar disto (e dos custos que esta situação acarreta) o IRS continua a não levar em conta a dimensão e as necessidades das famílias com filhos (violando a Constituição e os princípios da igualdade e da equidade).

Apesar da falta que nos fazem as famílias estáveis , as alterações que constam na Proposta de Orçamento para 2012 fazem com que, para duas famílias com o mesmo rendimento, o potencial de imposto a pagar aumente (em termos absolutos e relativos) muito mais consideravelmente para as famílias com filhos a cargo, tanto mais quanto maior o número de filhos.

O estudo aqui (abreviado) e aqui (completo).

05 dezembro 2011

O euro é apenas o marco (alemão)?

(...) «o que o politólogo norte-americano Walter Russel Mead definiu como a "guerra cultural do euro". Na verdade boa parte das dificuldades actuais derivam do confronto entre duas culturas económicas diferentes. De um lado está a França e os países do "Clube Med", que preferem uma economia com alguma inflação e com desvalorização da moeda, semelhante às economias que tinham antes do euro. Do outro lado está a Alemanha, que prefere uma moeda forte e uma inflação baixa, com juros também baixos. Na altura da criação do euro os franceses só conseguiram convencer os alemães a abandonarem o seu querido marco prometendo que a nova moeda obedeceria às regras alemãs e não às francesas»


(...) «quando nós próprios aderimos ao euro o que fizemos foi aderir ao marco com outro nome. Tudo isso ficou estabelecido nos tratados, pelo que uma boa parte da discussão que vai por essa Europa fora é em torno da revisão ou não desses mesmos tratados. Mais: há mesmo quem (como Viriato Soromenho Marques) defenda abertamente que se devem violar os tratados para salvar o euro. Ficamos porém sem saber o que poríamos depois no lugar desses tratados, sendo que se hoje eles ainda colocam limites à acção de Merkel ou Sarkozy, sem eles a discricionariedade da "ditadura Merkozy" seria total.» (...)

(Ainda JMF, no Público,em 2 de dezembro)

O governo central

(...) «Podemos discutir a falta de bons líderes europeus nos dias que passam, mas não podemos nem devemos tomar como modelos os líderes do passado que nos meteram no actual imbróglio. Eu sei que isto que estou a dizer é uma grande heresia, mas é bom que fique claro que chegámos onde chegámos porque criámos uma moeda única sem lhe darmos condições económicas e políticas para triunfar, o que aconteceu por responsabilidade desses líderes bem-amados.

Nigel Lawson, que na época do lançamento do projecto do euro era ministro das Finanças de Margaret Thatcher, recordou recentemente num artigo da Spectator que logo nessa altura defendeu aquilo que hoje todos dizem: não seria possível construir uma união monetária sem um governo económico conjunto, e isso em democracia exigiria sempre uma união política. Lawson, naturalmente, estava contra uma união política (que também considerava impraticável) e, por isso, opôs-se ao projecto do euro. 

Mesmo assim esses "queridos líderes" do passado, Delors, Mitterrand e Kohl, decidiram avançar com a construção de um castelo sem alicerces. 

Foi isso mesmo que ainda há poucas semanas defendeu também Joschka Fischer, alguém que está nos antípodas políticos de Lawson. Segundo o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, quando o euro foi criado "a ideia de um governo central tinha poucos apoiantes". 

Foi por isso que "essa fase da construção da união monetária foi adiada, deixando este impressionante edifício sem os sólidos alicerces necessários à manutenção da estabilidade em tempos de crise". Ou seja, tanto à direita como à esquerda se admite hoje que esses "grandes líderes" não fizeram, em tempos mais prósperos e mais fáceis, o que se pede aos líderes de hoje para serem eles a fazer, isto é, a união política. 

Pelo menos é o que pessoas como Fischer pedem abertamente. Outros, como Lawson, continuam a achar que tal não pode ser feito sem sacrifício dos princípios da democracia. É também o que eu penso, e só estranho que tantos desvalorizem este importante detalhe.» (...)
(José Manuel Fernandes, Público 2 de dezembro de 2011)

04 dezembro 2011

este homem quase me convence :-)

http://www.lauenstein.tv/balance_beyond/index.html

 

(...) «Voltemos à greve, porque a greve, para além das suas razões ou irrazões, para além de como foi ou podia ter sido, toca na intangibilidade do poder, perturba, incomoda. 
 
Num programa de televisão [eu] disse umas coisas de trivial doutrina democrática sobre o direito à greve, que, imaginem!, são muito próximas do que Sá Carneiro disse em seu tempo. Ouviram-se de imediato as bocas espumarem com "uma vez comunista, sempre comunista". 
 
Como eu nunca fui do PCP, que é o que para eles significa ser "comunista", presumo que se devem referir a Passos Coelho, que, esse sim, foi comunista de papel passado. 
Eu fui outra coisa certamente pior, maoísta, radical, ultracomunista, esquerdista, e, portanto, na versão muito comum de que há uma psicologia da patologia ideológica, uma espécie de malformação genética, como os cromossomas de Lombroso, a ideia de que uma vez uma coisa, sempre essa mesma coisa permanece firmemente entrincheirada nos ataques ad hominem
 
 
Curiosamente nunca se diz de ninguém que "uma vez fascista, sempre fascista", talvez porque à direita faz-se muito bem essa reciclagem sem memória nem culpa. Gente que andou de braço erguido e palma estendida na "saudação romana" antes e depois do 25 de Abril pelos vistos não padece desta patologia ideológica, que só existe para o lado oposto, para o lado do Mal puro.» (...)

"Dar gás"


O Presidente Obama pede ao Congresso americano que aprove mais uma baixa de impostos para relançar a economia: "agora é tempo carregar no pedal do combustível, não de de pisar no travão". ( ... mais no Wall Street Journal)

30 novembro 2011

Primeira torre eólica instalada no mar, ao largo da Póvoa de Varzim

A EDP, em parceria com a InovCapital e a Principle Power, concluiram a instalação da primeira eólica no mar, ao largo da Póvoa de Varzim. (video simulação, foto real)

26 novembro 2011

25 novembro 2011

Austeridade sozinha não nos vai tirar da crise

Quem o diz é um prémio Nobel da Economia e antigo Presidente do Banco Mundial:
«Temo que se centrem na austeridade, que é uma receita para um crescimento menor, para uma recessão e para mais desemprego. A austeridade é uma receita para o suicídio», afirmou. (...)

O antigo vice-presidente do Banco Mundial disse que as reformas estruturais europeias «foram desenhadas para melhorar a economia do lado da oferta e não do lado da procura», quando o problema real é a falta de procura." (No Publico em linha)

- escrito no telefone, com BlogPress.


24 novembro 2011

Médicos de Família (a trapalhada continua)

(...) «os médicos internos a terminar o chamado “Ano Comum” (primeiro ano após a formação universitária de seis anos) estão “revoltados” com a alteração do processo de candidatura às vagas de MGF [Medicina Geral e Familiar ], que os obriga a concorrer por agrupamentos regionais e não por unidades de saúde.

Isto tem de ser resolvido hoje, porque o prazo de candidatura começa amanhã [sexta-feira]. Há colegas que, perante esta indefinição, estão a desistir de Medicina Geral e Familiar e a equacionar outras especialidades”, disse à Lusa uma das subscritoras, Andreia Castro. (...)

No caso da MGF [Medicina Geral e Familiar ], a formação é de quatro anos e terá de ser feita sempre na mesma unidade de saúde, pelo que não há vantagens para a ACSS [Autoridade Central do Sistema de saúde, Ministério da Saúde] na restrição da candidatura a zonas geográficas.

Pelo contrário, as desvantagens para os candidatos são muitas, salientou, porque correm o risco de ficar numa unidade que não queriam (por estar no concelho que escolheram como primeira opção), vendo um colega pior classificado ficar numa unidade melhor ou até mais próxima, mas localizada no concelho vizinho. (...) 

“Este processo levanta questões em termos de seriedade e de transparência”, frisou, notando que “o primeiro mapa de vagas só foi publicado em 11 de Novembro e actualizado dia 22”, terça-feira, sem que a ACSS tivesse informado os candidatos da alteração» (...) 

(Este é um "filme" que os professores do ensino público conhecem bem, agora reeditado para a área da saúde ...)


Relatório do Grupo Tecnico para a Reforma Hospitalar




Relatório do Grupo Tecnico para a Reforma Hospitalar (21-Nov-2011): aqui (em pdf).

Futuro próximo (não declarado)

(...) «While depreciation would never be eurozone officials’ stated policy, it currently looks like all roads lead in that direction.» (...)

(Simon Johnson, professor no MIT, já foi economista no FMI e escreve aqui)

23 novembro 2011

0,2%

Apenas 0,2% das descobertas científicas anunciadas nos media, na área da doença e da genética, se confirmaram.

A afirmação é do responsável pelo grupo de investigação em cancro (epidemiologia clínica e molecular) do Hospital del Mar, em Barcelona, Dr. Miquel Porta.

"Criaram-se falsas expectativas nas pessoas, porque se exagera no modo como se divulgam as descobertas", diz. Não ficam isentos desta crítica os próprios meios de comunicação de cariz técnico: a revista JAMA (Revista da Associação Americana de Medicina), publicou no verão passado um estudo que avalia a relação entre resultados publicados de cariz optimista, e a sua não confirmação em estudos posteriores de revisão. O estudo é muito crítico da forma como as próprias revistas médicas gerem a informação. Dá como exemplo a falta de validação da relação entre a proteína C Reactiva e as doenças cardiovasculares, e da relação entre cancro do cólon e gene BRCA1.

Entrevista aqui, no Jornal El Mundo.

17 novembro 2011

Onde é que os investidores estrangeiros colocam o seu dinheiro?

Em que países é que os investidores estrangeiros se refugiam, na Europa?

fonte: ABC

o tempo que passa


(...) «Lembro-me como ri ao receber há dias uma mensagem electrónica demonstrando como o país está pior que no tempo do Salazar, sem que o autor notasse que o simples uso da Internet refutava a tese.»
(J. César das Neves, Diário de Notícias, 14 de Novembro)


16 novembro 2011

Máquina Fotográfica comestível :-)




maniqueismos (social-democratas)

(...) «Se começamos a considerar que justos só são os absolutamente pobres, e que tudo por aí acima são privilegiados – um típico ponto de vista de quem está “por aí acima” - caminhamos para a visão da sociedade que tinha António de Oliveira Salazar. Que abominava as greves, como se sabe.»
(J. Pacheco Pereira, no Abrupto)

11 novembro 2011

Quem explica?

«transformar o empobrecimento numa perspetiva estratégica de solução para um País que precisa de mais riqueza é um absurdo» (Carvalho da Silva, secretario-geral da CGTP, ao Sol)

10 novembro 2011

Não basta empurrar a dívida ...

(...) «As políticas de resposta à crise têm-se limitado até agora a fazer circular a dívida de mão em mão, sem se decidirem a atacar o fundo do problema, que é este: não há nenhuma forma de voltarmos a ter crescimento económico duradouro enquanto se persistir em exigir que a colossal dívida acumulada a nível mundial seja integralmente paga, especialmente quando, não sendo questionadas as políticas mercantilistas da China e da Alemanha que se encontram na sua origem, ela não pára de crescer.

Na antiga Lei de Moisés, a cada meio século era decretado um Jubileu de reconciliação entre os homens, remissão dos pecados e perdão universal: os escravos e os prisioneiros eram libertados e as dívidas eram anuladas. Mas o perdão das dívidas, mesmo que parcial, é hoje estigmatizado como blasfemo por ofender o poder do Dinheiro, deus verdadeiro do mundo contemporâneo.

Note-se que a anulação total ou parcial das dívidas, cancelando simultaneamente ativos e passivos, não afecta a riqueza existente, mas altera a sua distribuição. Porém, ao transferir recursos para aqueles que tem maior propensão a despendê-los, contribui para desbloquear a retoma.

Ainda que os obstáculos políticos a uma tal operação fossem superados, a renegociação caso a caso das dívidas à escala mundial envolveria uma tal complexidade e tomaria tanto tempo que teremos que reconhecer a sua inviabilidade. A solução prática para a desvalorização rápida, progressiva, generalizada e implacável das dívidas é conhecida desde tempos imemoriais e chama-se inflação. Isso consegue-se monetarizando as dívidas dos estados, coisa que, na actual crise, os EUA e o Reino Unido têm vindo a fazer com bons resultados.

Resta, no caso da Europa, uma pequena dificuldade: uma superstição bárbara e irracional proíbe o BCE de comprar directamente títulos da dívida pública nos mercados primários, o que o impossibilita de funcionar como emprestador de última instância – uma singularidade nada invejável do sistema monetário a que estamos amarrados.

Se no tempo de Moisés já houvesse banco central, é provável que a Bíblia lhe recomendasse que agisse como emprestador de última instância em caso de crise financeira adequada. Como os textos sagrados nada dizem a este respeito, resta-nos esperar que, antes da queda no abismo, Mario Draghi se atreva a interpretar de forma ousada o mandato que a União lhe atribuiu, enfrentando, se necessário, a ira dos Nibelungos. Hoje em dia nem é preciso pôr a máquina de fazer notas a funcionar – basta carregar num botão.» (João Pinto e Castro, no Jornal de Negócios)

07 novembro 2011

autocracias

(...) «Ao longo destes anos nunca tive a menor paciência para com os jornalistas, escritores, dramaturgos e demais profissionais da contestação cuja irreverência perante as democracias ocidentais em geral e o cristianismo em particular é inversamente proporcional ao silêncio que mostram perante o islão. 

E agora que a dita "primavera árabe" provocou arrebatamentos místicos em grande parte das redacções da Europa, este ataque ao Charlie Hebdo, simplesmente porque resolveu fazer humor com Maomé, a par das notícias sobre o crescimento da intolerância religiosa no Egipto, sem esquecer que as primeiras decisões do novo poder da Líbia se prendem com a instauração da poligamia, mais que justificam que trate este assunto. 

(...) nem de longe nem de perto consigo dar conta da minha perplexidade sobre a imensa tolerância que na Europa se mostra para com aqueles que apostam na extrema violência. Como são os fundamentalistas islâmicos em França ou os membros da ETA em Espanha. Estes últimos, após anos e anos em que assanharam a matar, extorquir e torturar os seus concidadãos, acham que agora lhes basta dizer que renunciam à violência para que todos se comportem como se nada tivesse acontecido e eles, os assassinos, surjam reciclados em activistas políticos. Ainda por cima com um discurso "social".» (...)

(Helena Matos, Público,  3 Nov 2011)

04 novembro 2011

O (a)normal castigo fiscal dos normalmente casados

Chamada de atenção no Jornal Economia & Finanças - «Divorcie-se por razões fiscais e deduza o dobro no IRS 2012»:

«A desvantagem fiscal entre quem está casado de papel passado e é obrigado a uma declaração conjunta de IRS e quem está casado (união) de facto (e em economia comum) mas não tem o papel passado é já um clássico do nosso sistema fiscal.

(...) a situação se manterá em 2012 com as famílias em união de facto a usufruírem do dobro dos limites de dedução em sede de IRS do que um casal casado passe o pleonasmo.

(...) em tempo de forte aperto financeiro deixar de deduzir 1250€ ou mais por estar formalmente casado pode ser um aspecto a considerar (...), tudo a bem da família naturalmente. Uma questão polémica que se eterniza.»

A petição lá continua no seu sítio: podem assinar.

28 outubro 2011

«A política é hoje uma velha arte sem ideias nem futuro»

 
(...) «A Grécia tem 11 milhões de habitantes, a Europa do euro tem 332 milhões, o que dá 3,3 % de gregos. O PIB da Grécia é de 330 biliões, o da Zona Euro de 12,5 triliões, ou seja, a Grécia vale 2,5 %. Como é que cerca de 3% da população e da economia ameaçam a Europa de forma tão dramática, ao ponto de andar tudo a dizer que o euro pode acabar e talvez mesmo o próprio projeto europeu?» (...)
 
«A Califórnia que tem um PIB semelhante ao da Itália – e corresponde a 13,5 % na economia americana –, tem andado à beira da bancarrota. Não passou pela cabeça de ninguém dizer que isso significaria o fim dos Estados Unidos, afinal uma federação, ou que o dólar ia desaparecer.» (...)
 
«Depois da crise do "subprime" nos Estados Unidos, que começa em 2006 e explode em 2008, em vez de se assumir que o "sistema financeiro" vigente não é compatível com o desenvolvimento sustentado das sociedades e, pelo contrário, é fonte de constantes crises, os governos preocuparam-se sobretudo em salvar a banca. Injetaram rios de dinheiro, aumentando brutalmente os défices, na convicção de que os bancos são o motor da economia. Daí o "instintivo" pânico local com o BPN e o enorme buraco herdado da operação.» (...)
 
«Nesse processo, não se promoveu qualquer alteração efetiva no comportamento dos "mercados" nem das políticas, nada se aprendeu, e passado pouco tempo estamos perante nova crise, desta vez das chamadas "dívidas soberanas".» (...)

(...) «não é só a política, e com ela a democracia, que definha. Os Estados, por arrasto, são um alvo a abater pelas boas e pelas más razões. Ineficazes, gastadores, clientelares, os Estados consomem a riqueza e dão cada vez menos em troca. Por via ideológica vão também perdendo a função de fiscalização e regulação essencial para equilibrar o interesse privado com o interesse público. Por isso todos clamam, e eu também, pela diminuição do papel do Estado. E os que defendem o contrário fazem-no com base numa visão arcaica, deslocada no tempo e no modo.

O rescaldo de mais esta crise não promete nada de bom. Não será, certamente, a construção de uma sociedade mais livre, justa e sustentada. Com a política convencional paralisada não há também que ter ilusões sobre os novos atores. O movimento global de indignação, que revela uma grande vaga de descontentamento e raiva, de pouco valerá face ao que objetivamente se desenha. Caminhamos para um mundo dominado abertamente (já o é na sombra) pelas grandes corporações. Corporações que não têm mandato democrático, não são escrutinadas e, em bom rigor, fazem o que lhes apetece em prole do único objetivo que conhecem, lucros e mais lucros, cada vez maiores e mais depressa, sem qualquer responsabilidade social. A democracia representativa vai dando lugar a uma tirania financeira e corporativa. » (Leonel Moura, no Jornal de Negócios)

27 outubro 2011

Sair do armário

(...) «Afinal, os armários estavam cheios de esqueletos. Temos de pagar a factura de anos e anos de irresponsabilidade na utilização do nosso dinheiro. Por isso, quem realmente nos vai agora ao bolso não é o actual Executivo, mas aqueles que, no passado mais ou menos recente, gastaram o dinheiro dos contribuintes como se ele caísse das árvores» (...

«Acontece que, no próximo ano, em princípio, já não será permitido a Portugal o recurso a medidas extraordinárias, aquelas que só valem uma vez. Por isso o Orçamento para 2012 é muito mais violento do que a troika e o próprio Governo previam há três meses. É que ficar pelos 4,5% do PIB, a meta para 2012, significa baixar para quase metade o défice real de 2011.

Justifica-se a brutalidade? Não irá a recessão ser mais profunda do que o Governo prevê (queda de 2,8% do PIB), reduzindo a receita fiscal e provocando uma espiral austeridade/recessão/défice maior/mais austeridade, como acontece na Grécia e, em menor grau, já se nota por cá?

É, de facto, um risco a espiral austeridade/recessão. Mas não o correr – isto é, falhar em 2012 a meta do défice – não seria um risco, mas uma desgraça garantida. Perderíamos a confiança das instituições que nos apoiam (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), bem como dos mercados. O Estado ficaria imediatamente sem dinheiro.» (...)

«Tem sido apontado como exemplo negativo das receitas da troika o caso da Grécia, que o é, de facto. Mas a intervenção da troika na Irlanda está a resultar, apesar da forte austeridade a que os irlandeses foram sujeitos desde há quase dois anos. É certo que o problema irlandês não foi de falta de competitividade, mas de ‘bolha’ imobiliária e loucura bancária. Mesmo assim, serve para desmentir que as intervenções do FMI, do BCE e da CE estão necessariamente condenadas ao fracasso.» 

(Sarsfield Cabral, Sol)

20 outubro 2011

Os indignados


(...) «A questão é que sair à rua, só por si, não resolve os problemas, embora possa ser uma maneira adequada de começar a abordá-los.

Mas se o défice de representação de que se acusa as instituições políticas é grande, o dos indignados é maior. O movimento dos indignados não consegue progredir a menos que crie alguma estrutura de liderança e representação, bem como os canais pelos quais toma decisões. Queira ou não, o movimento tem que tomar posição perante as atuais vias de participação política e, tarde ou cedo, terá que assumir que quer fazer parte da engrenagem do poder. Isto pode por nervosos alguns dos seus elementos, mas não querer encarar isto é remeter-se para uma utopia ou apenas para a marginalidade.


No meu entender, o maior risco que correm estes movimentos é permanecerem numa minoria de idade política. Não pela sua inexperiência, mas antes pela falta de realismo e compreensão da política. Na política, o desejável tem que estar sempre em diálogo com o possível, e a negociação faz parte do seu ADN. Isto implica uma permanente redução de expectativas e pretensões.


Talvez a maioria dos indignados não queiram "sujar-se" com um sistema que consideram corrupto, e nem sequer estejam dispostos a participar do "poder". Neste caso a indignação permanece apenas como um sentimento ou, no melhor dos casos, como uma referencia ética, como uma espécie de consciência paralela ao "sistema".

A questão então é se um fenómeno deste tipo tem pés para durar.

Na minha opinião o dilema com que se enfrentam os indignados é se querem transformar a política por dentro, ou se decidem permanecer como uma espécie de consciência ética, mas marginal. É uma disjuntiva difícil porque, ou renunciam a algumas pretensões e ao seu atual esquema de assembleias para articularem com a política "convencional"; ou instalam-se na marginalidade, correndo o risco de se diluirem» (...) (Francisco Borja, em Arvo.net)

Governar "à Sócrates"

(...) «Lançar o odioso sobre os funcionários públicos é  uma política à Sócrates. 
 
Sócrates na sua fase de "controlo do deficit"  também fez o mesmo, colocando juízes e magistrados contra o "povo", professores contra o "povo", "médicos" contra o "povo". 
 
O caso dos professores  foi paradigmático: alienou os sectores da classe favoráveis à reforma, mesmo que minoritários, colocando-os do lado dos que recusavam qualquer alteração, gerou uma forte consciência corporativa e tornou as escolas ingovernáveis. Colocar os funcionários públicos como um alvo gera exactamente os mesmo efeitos.» (...) (J. Pacheco Pereira, Abrupto)

18 outubro 2011

Os cortes nos pensionistas violam o contrato ético com o Estado

(...) «Não me parece que faça sentido concentrar em um quinto da população contribuinte os sacrifícios», afirmou o antigo governante na conferência da Antena 1 e do Jornal de Negócios, na reitoria da Universidade Nova de Lisboa.

A proposta do Orçamento do Estado para 2012 propõe cortes dos subsídios públicos dos funcionários públicos e pensionistas.

De acordo com as contas de Bagão Félix, se a austeridade fosse «generalizada a todos os vínculos de trabalho e a outras naturezas de rendimento», isso diminuiria os encargos sobre os que serão mais atingidos em 2012.

«Espalhar o esforço de um quinto era diminuir para 20 por cento esse encargo», estimou Bagão Félix, que disse estar também muito preocupado com a posição dos reformados.

«Os cortes nos pensionistas violam o contrato ético com o Estado», considerou.» (Bagão Felix, no Sol)

17 outubro 2011

Levar na cabeça

JPP, no abrupto
«O martelo-pilão abateu-se outra vez sobre os portugueses sob a forma habitual, impostos, aumentos de preços e reduções de salários.

De cada vez que se espera que seja a última, há sempre mais uma. Por isso, a coisa mais fácil de vaticinar é que esta não será a última, e se calhar nem será a mais gravosa.

Não só muitas marteladas estarão escondidas no que ainda se desconhece no Orçamento, como se está a caminhar para um ciclo de muito difícil saída.

O que de mais gravoso o primeiro-ministro escondeu na sua declaração, mas que o seu ministro das Finanças está a dizer sob reserva aos partidos, é que uma parte do descalabro orçamental deste ano e do previsível para o ano já não vem dos "buracos", mas da quebra de receitas do Estado, que torna o aumento dos impostos em grande parte ineficaz.

Ou seja, estamos a entrar num ciclo vicioso que se pode aguentar um ano ou dois e, em seguida, ficamos "gregos".» (...)

«Dito isto, a única margem de manobra previsível será ter cumprido a nossa parte de um acordo que nem é bom, nem virtuoso, mas que nos dá um espaço de sobrevivência e, se for cumprido, um espaço de negociação. Esse espaço não depende só de Portugal, mas aí é que se vai ver o que o Governo pensa e propõe sem ser em estado de absoluta necessidade. Só de necessidade.» (...)

Para as famílias o corte é "3/3"

Num blogue aqui ao lado e no Diário Económico:

Bagão Félix, ex-ministro das finanças prevê que os cortes de ordenado serão definitivos

(Pergunta - "Não acredita que seja transitório?" Resposta - "Não acredito, é como quando se anuncia um último aumento de impostos. É sempre o último antes do seguinte.") e que, para as famílias, o corte é sempre a somar - «'dois terços do lado da despesa/um terço do lado da receita' é verdade formalmente, mas são três terços do lado do rendimento disponível das famílias. Porque tanto faz aumentar impostos como diminuir prestações e vencimentos.»

16 outubro 2011

há turmas quase inteiras que saem do país por falta de emprego

«"Há quase tantas faculdades de Medicina Dentária [em Portugal] como no Reino Unido [que tem uma população] de 56 milhões". 
 
Hoje há cerca de oito mil dentistas e, por ano, saem cerca de meio milhar de licenciados, vindos de sete faculdades (quatro privadas e três públicas).
(Notícia no Público)

15 outubro 2011

Sem natalidade não há crescimento económico

Os efeitos da baixa fertilidade podem parecer favoráveis à economia. Por terem menos filhos a cuidar, cada vez mais mulheres se integram no mercado laboral, os adultos trabalhadores concentram-se mais em gerar riqueza e aumenta o consumo de bens e serviços. Igualmente, por serem poucos, cada filho recebe maior investimento.
   

Mas quando o número de nascimentos deixa de ser suficiente para renovar as gerações , os efeitos negativos anulam esta prosperidade.

Surgem consequências mais graves: contraceção da força de trabalho, aumento progressivo da população dependente e redução da população jovem, desaceleração do mercado (especialmente de sectores que dependem do consumo das famílias), falta de incentivos endógenos para a inovação tecnológica e científica, diminuição do empreendedorismo (concentrado sobretudo na população jovem), crescimento económico mais lento, e sobrecarga do erário público para o pagamento de pensões de reforma.

Claro que agora é a própria ONU a acender os alertas vermelhos, por causa da crise económica que se agrava pela baixa natalidade, mas esta organização continua a promover o controle de natalidade por meios químicos agressivos e inclusive o controle de natalidade pelo aborto. Ou seja, vamos continuar a pagar a elevada fatura da nossa incoerência.

E Portugal já sente este peso.
(Relatório "The sustainable demographic dividend: What fertility and family have to do with the economy" (SDD), publicado pelo National Marriage Project da Universidade da Virgínia, com o patrocínio do Social Trends Institute)

Estação de Osaka

(Demora cerca de 4 minutos, mas vale a pena esperar.)



12 outubro 2011

Ninguém vai chorar pelos gestores dos hedge funds

«O mundo despediu-se do co-fundador da Apple como o empresário mais admirado nesta época da sociedade da informação. (...) O chefe com quem muitos gostariam de trabalhar. Com empresários como ele, o capitalismo mostra a sua força de inovação, o mercado consagra os produtos de mais qualidade e a liberdade de empresa é utilizada para estabelecer uma sintonia com os clientes como poucos conseguiram antes da Apple.

Pelo contrário, os convocados pelo "Ocupa Wall Street" e os indignados de outros países protestam contra os desmandos do capitalismo financeiro que está na origem da crise económica. Abrigado numa desregulação crescente, o sector financeiro assumiu riscos de crédito cada vez maiores, com "inventos" que aumentaram grandemente o volume de transacções com que os bancos podiam fazer dinheiro. 
 
 
Não era o risco do empresário que aposta num produto inovador. Era o risco do especulador, de quem procura um lucro máximo a curto prazo sem se preocupar com o que pode vir depois.

Steve Jobs soube dar ao público produtos que respondiam com novas soluções a necessidades reais, instrumentos fiáveis, bem feitos. E conseguiu que esses produtos fossem simples de utilizar, uma tecnologia "de rosto humano" e design atraente.

O capitalismo financeiro também fez gala de uma grande inovação na mesma época em que a Apple se desenvolvia. Até demasiada. 
 
Mas os seus produtos não estiveram ao serviço das necessidades do cliente, mas da multiplicação dos lucros dos financeiros, frequentemente com activos tóxicos. Tal como os produtos da Apple se caracterizavam pela simplicidade de utilização, os das finanças eram cada vez mais opacos e complexos, para disfarçar muitas vezes o engano. 
 
Com instrumentos financeiros sofisticados que entendiam cada vez menos (swaps, obrigações de dívida colaterizadas, derivados,...) faziam-se circular quantidades de dinheiro superiores ao PIB da economia real. Por fim, a "alavancagem" foi a pique, revelando a magnitude da ficção financeira.

O que mais dói e o que atiça a indignação é que muitos dos que levaram ao desastre o sector financeiro saíram muito bem parados, com bónus chorudos e indemnizações generosas, que não poucas vezes se concederam a si próprios. 
 
Steve Jobs também era um multimilionário, mas tinha feito o seu dinheiro vendendo produtos de excelência, não hipotecas sub prime. Se na última década as acções da Apple subiram uns 3.500% no Nasdaq não foi por simples manobras financeiras, mas pela confiança dos investidores em produtos reais que o público esperava com avidez.»  (...) (Em Aceprensa)

O aborto selectivo de meninas chega à Europa

O aborto seletivo chega à Europa: a deputada socialista Doris Stump (Suíça) apresentou uma proposta de resolução ao Conselho da Europa por causa do desequilíbrio de nascimentos entre rapazes e meninas.

De facto a desproporção de nascimentos, por causa da discriminação do sexo dos bebés abortados, nalguns países europeus é equivalente à que se encontra na China e na Índia, onde há muito tempo a prática do aborto seletivo é usada.

Foi pedido aos países membros do Conselho que desenvolvam protocolos que impeçam que o pessoal de saúde "revele" o sexo dos bebés no útero com o objetivo de evitar o aborto seletivo de meninas.

29 setembro 2011

empregabilidades ...

«Segundo o Boletim do Emprego Público, no último ano, a Administração Central do Estado perdeu sobretudo professores, educadores de infância, enfermeiros e médicos.

Os ministérios da Educação e da Saúde foram os que mais contribuíram para a redução de mais de 16 mil postos de trabalho entre Junho deste ano e o período homólogo de 2010.

O segundo ministério com maior quebra no número de funcionários foi o da Saúde, registando uma diminuição de 4.049 profissionais nas instituições públicas de saúde, dos quais 1.003 eram enfermeiros e 232 eram médicos.» (2011-09-27, no Jornal de Negócios)

15 setembro 2011

Um homem coerente ...


«Os fundamentalistas religiosos têm razão numa coisa: sem Deus, não há moralidade. Acontece porém que, do meu ponto de vista, não têm razão noutra: a existência de Deus. Daí que, em minha opinião, não haja moralidade.»

Escrito em 21 de Agosto de 2011, pelo Prof. Joel Marks, da Universidade de New Haven e membro do Centro Interdisciplinar de Bioética da Universidade de Yale, aqui.

08 setembro 2011

"Cada um acha que as suas acções não afectarão os demais"

Wolfgang Munchau, citado no Economia & Finanças (artigo original do Finantial Times, traduzido no Diário Económico):
 
 
(...)«E como é típico na zona euro, cada país comporta-se como uma qualquer pequena economia aberta no outro extremo do mundo. Cada um acha que as suas acções não afectarão os demais.

Mas quando a França, Espanha e Itália contraem as suas posições orçamentais ao mesmo tempo, juntamente com a Grécia, Portugal e Irlanda, o resultado é uma contracção orçamental coordenada. Apesar de alguns destes países terem um problema orçamental, a zona euro no seu todo não. O rácio da sua dívida face ao PIB é mais baixo do que o dos EUA, Reino Unido ou Japão. Se a zona euro tivesse passado para uma união orçamental há alguns anos atrás, o seu ministro das Finanças estaria agora em posição de agir. Em vez disso, o actual sistema de políticas não coordenadas conduziu a uma austeridade contagiosa e um abrandamento contagioso.

Isto porque, enquanto não houver união orçamental, os Estados membros da zona euro não terão outra opção que não seja coordenarem-se entre si. 
 
Eu iria mais longe e defenderia um estímulo orçamental na Alemanha, Holanda e Finlândia para compensar a austeridade no Sul da Europa. 
 
O que importa é a posição orçamental da zona euro no seu todo. Existe ainda pouco reconhecimento nas capitais da zona euro de que o abrandamento económico constitui uma ameaça à existência da mesma. E acho que este abrandamento económico vai atingir fortemente a zona euro sem que esta se possa defender. E quando isso acontecer, a crise da zona euro vai acentuar-se e as coisas vão ficar muito feias.”» (...)

05 setembro 2011

O grande assalto *dos* bancos ...

Artigo de Nassim N. Taleb, professor da Universidade de Nova Iorque, especialista em engenharia do risco (autor de "O Cisne Negro"):

(...) «Parece-me bastante iníquo que os bancos, que ajudaram a causar as atuais dificuldades económicas e financeiras, são precisamente os únicos que não sofrem com isso - de facto, em muitos casos até estão a beneficiar com isso.

Os bancos que dominam o mercado são estranhos em muitos aspectos. Não é segredo (agora) que eles operaram como esquemas sofisticados de compensação que mascararam as probabilidades de baixo risco, os eventos de alto impacto tipo "cisnes negros", beneficiando da implícita almofada gratuíta das garantias do Estado.


Os lucros que têm obtido não resultam tanto das suas competências, como da alavancagem excessiva; lucros que depois são distribuídos de modo desproporcionado pelos seus próprios quadros, enquanto as perdas - por vezes maciças - são suportadas pelos acionistas e pelos contribuintes.

Por outras palavras, os bancos assumem riscos, reservam para si o eventual lucro mas, quando há perdas, transferem-nas para os acionistas, para os contribuintes e, até, para os pensionistas.» (...)

Eu sei que está na moda bater no sistema bancário, mas este senhor não costuma escrever por acaso e estes argumentos merecem discussão, parece-me ...

28 agosto 2011

E como chegar lá? ...

(...) «A ministra do Trabalho alemã, a cristã-democrata Ursula von der Leyen, considera que a crise da zona euro só pode ser superada fortalecendo a união política do continente com a criação dos "Estados Unidos da Europa". (...) «a moeda única europeia não é suficiente para fazer face à competição global.» (...)

Um debate a seguir

Artigo no The Lancet, Volume 378, Issue 9793, Page 755, 27 August 2011:

O Parlamento da Hungria acaba de aprovar, para entrar em vigor a 1 de Setembro próximo, uma taxa especial a incidir sobre os alimentos pouco saudáveis. Esta medida foi desencadeada pela percepção de que o país está numa situação de "epidemia" de obesidade, com 1 em cada 2 cidadãos a acusar excesso de peso ou obesidade.


As medidas irão ser aplicadas aos alimentos pré-embalados que contenham teores elevados de sal e açúcar, incluindo as batatas fritas, aperitivos salgados, chocolate, doçaria,
biscoitos, sorvetes e bebidas energéticas.


A Fundação do Coração já se pronunciou de modo positivo, pela voz do seu presidente, Andras Nagy: "Batalhámos muito por isto. Estamos optimistas em relação aos resultados."
O Primeiro Ministro afirmou que o dinheiro recolhido irá ser usado para apoiar o Serviço Nacional de Saúde que está em fortemente endividado e justifica a medida afirmando que "aqueles que têm hábitos pouco saudáveis devem contribuir mais para o sustento do SNS".

Mas os críticos, entre os quais se encontram os industriais de alimentos, desvalorizam a iniciativa. Dizem que ao discriminar apenas alguns produtos, irão empurrar as pessoas para comprarem no estrangeiro e prejudicar o comércio local. Acrescentam que pessoas pobres, que têm uma percepção errada acerca do valor alimentar destes alimentos, irão ser afectadas de modo desproporcionado.

O governante responde que "estas taxas não interferem com a pobreza dado que os alimentos que são taxados são alimentos de capricho e são dispensáveis".


A posição da OMS, através do coordenador do Departamento para a Promoção da Saúde é cautelosa: "A OMS recomenda aos estados membros que devem incluir as políticas fiscais na promoção da saúde, mas que essas políticas necessitam de ser avaliadas para identificar os riscos de efeitos não desejados nas populações vulneráveis. Em geral, a maioria dos estudos têm indicados que as taxas [sobre alimentos gordos] têm um efeito regressivo sob o ponto de vista da equidade."

Outros estados europeus têm aplicado medidas semelhantes

- Noruega: taxa sobre o açúcar e o chocolate;
- Dinamarca: vai introduzir uma taxa sobre as gorduras saturadas, neste ano;
- Finlândia: já têm taxas sobre refrigerantes, sorvete e chocolate; vão introduzir taxa sobre gorduras saturadas;
- Roménia: chegou a estar em proposta uma taxa sobre todos os alimentos que utilizassem gorduras e sobre todas as "fast-food"; se tivesse sido aprovada, seria a legislação mais radical e avançada da UE; a proposta caiu depois de protestos da Federação da Indústria Alimentar que argumentou com a perda de mais de 30 mil postos de trabalho, num país em que o rendimento médio das famílias é de 300 €.


Na Hungria alguns críticos dizem que a legislação é demasiado leve por não incluir todos os produtos gordos, mas apenas alguns alimentos, no que são corroborados pela OMS que chama a atenção que as taxas que apenas incidem sobre um leque limitado de produtos não produzem resultados - as pessoas simplesmente utilizam outros produtos semelhantes, igualmente pouco saudáveis.

Outros, como o nutricionista privado de uma clínica de Bucareste, são cépticos em relação ao poder de mudança que as taxas têm: "Se alguém quer usar um determinado alimento, não adianta proibi-lo. O que o Estado tem que fazer é investir na educação das famílias para que expliquem porque é que certas escolhas não são inteligentes, e não restringir o acesso".

27 agosto 2011

"as mulheres sustentam metade do céu"


Na prestigiada revista de medicina The Lancet (Volume 378, Issue 9793, Page 742, 27 August 2011) este articulista diz o seguinte:

«O líder Chinês Mao Zedong uma vez disse que "as mulheres sustentam metade do céu". A China actual corre o risco de que o céu lhes caia em cima. O censo de 2010 mostra que o numero de raparigas nascidas tem vindo a diminuir progressivamente ao longo da última década, atingindo a relação de 118 rapazes nascidos por cada 100 raparigas, o desequilíbrio de sexos mais alto de todo o mundo.

Na China, só o Tibete e a província de Xinjiang têm ratios equilibrados de sexo ao nascimento.

Os problemas sociais avolumam-se com cerca de 30 milhões de chineses incapazes de encontrar mulher no ano de 2013.» (...)

O problema é idêntico noutros países, segundo a agência de notícias Aceprensa, «Na Índia nascem 112 meninos por cada 100 meninas, o que, segundo o censo de 2001, traz como consequência haver 93,3 mulheres por cada 100 homens.
Isto supõe um défice de cerca de 35 milhões de mulheres, cifra nunca antes alcançada nesse país. Atendendo a que esse défice se acentua nas gerações mais jovens, isso significa que a o número de raparigas eliminadas tem crescido.»


O curioso é que «Contra o que seria de esperar, a rejeição das raparigas e o recurso ao aborto não se pode imputar à pobreza, ao subdesenvolvimento e ao analfabetismo, mas antes à prosperidade.

Os grupos sociais mais hostis às meninas não são os pobres mas sim as classes médias, para as quais o custo da festa e o dote de uma filha representam um obstáculo à ascensão social» (...)

«Quase se poderia dizer – escreve Mainer – que um feto feminino tem mais oportunidades de vir ao mundo num bairro de lata do meio rural do que num bairro de classe média.»

«As autoras feministas que [como Mainer] defendem o direito ao aborto, vêem com angústia que este foi transformado numa arma contra as mulheres.

E, embora evitem utilizar uma linguagem que se assemelhe à que usam os grupos pró-vida, não podem evitar que muitas das suas propostas e reacções se assemelhem.


Será preciso ir à Índia para ouvir uma feminista dizer: “É pura e simplesmente o grau máximo de violência contra as mulheres: é-lhes negado precisamente o direito de nascer.”

Sem porem em questão o aborto, o que as feministas condenam nesta situação é que a ecografia e a interrupção da gravidez, que em princípio deveriam representar um progresso para as mulheres, se tenham ‘desvirtuado’ para se virarem contra elas.

Contudo, pela lógica do direito ao aborto, pouco se pode objectar.

Se o feto pode ser eliminado por qualquer motivo que o torne indesejado para a mulher (económico, social, psicológico …), porque não com fundamento no sexo? As mulheres indianas, bem como os maridos, preferem filhos varões, aos quais, entre outras coisas, não é necessário dar um dote.»

Ou seja, esta gente que diz defender a "opção das mulheres", o que fará "quando as mulheres desaparecerem"?

26 agosto 2011

Prémio da descoberta da pólvora :-)

«O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, afirmou esta quinta-feira que os países da zona euro vão necessitar, no futuro, de uma política financeira comum.» (...) No Sol.

24 agosto 2011

A questão ...

(...) «Os 19 anos do Tratado de Maastricht, que criou simultaneamente a União Europeia e o Euro, mostraram que os limites [do endividamento] não são traváveis.
Os países que geralmente violam estes limites vão continuar a fazê-lo sempre que lhes for politicamente conveniente.
Mesmo com uma crise a aproximar-se, haverá sempre espaço para excepções, discursos, e uma fila de compradores para novas emissões de dívida.
Portanto a questão não é o que fazer quando a dívida atinge o limite, seja ele alto ou baixo. A questão é o que deve fazer-se para que a dívida nem sequer se aproxime desse limite, excepto em circunstâncias muito extremas e excepcionais.
Para isso, precisam de regras fiscais.»(...)

Escrito pelo homem que conseguiu que o Chile atravessasse incólume uma recessão equivalente à europeia.

22 agosto 2011

O credor chinês

Cerca de um terço das reservas de dinheiro da China estão investidas em titulos da dívida dos EUA. Por isso ...
 
(...) "Num tom sarcástico que começa a ser utilizado pelos altos funcionários chineses, o comentário da agência de imprensa chinesa, Xinhua, gerida pelo governo, «censurava» Washington: «Os dirigentes políticos dos Estados Unidos têm de aceitar o doloroso facto de que acabaram de vez os bons velhos tempos, em que podiam apenas pedir emprestado, para sair dos problemas em que eles próprios se tinham metido». A China diz que os Estados Unidos devem apertar o cinto e curar-se da sua «dependência da dívida», para «viver pelos seus próprios meios».

A empresa estatal, Xinhua, apontava, inclusivamente, onde poderiam reduzir as despesas. Deviam ser feitos cortes «nos elevadíssimos custos da segurança social» e nas suas «gigantescas despesas militares». Estas representam cerca de 4% do PIB americano, enquanto, na China - que aumentou as despesas militares - é de 1,4%.

Mais do que um conselho, a agência oficial chinesa fazia uma exigência: «A China, credor maioritário da maior potência mundial, tem todo o direito de pedir aos Estados Unidos que «resolva» os seus problemas estruturais da dívida e que garanta que os activos chineses em dólares estão seguros»." (...

Citado de aceprensa.pt

21 agosto 2011

mais lucidez ...

No sitio do feroz Sindicato Independente dos Médicos, pode ler-se:

«19-08-2011 Por: Carlos Arroz
Durante meses fomos bombardeados com uma lógica ideológica causa efeito irrefutável: a esquerda defende o SNS, a direita, através da privatização, apenas pretende desmantelá-lo.
Durante anos assistimos a juras ao SNS e a um imobilismo estúpido. Qualquer tentativa de mudança por via de racionalização de recursos ou de oferta de serviços era entendido como um ataque ao âmago, ao sagrado. Venderam-se loas e martelaram-se números. Esconderam-se défices obscenos. Mentiu-se descaradamente sobre a falência dos Centros de Saúde e o avassalador crescimento de utentes sem acesso a Médico de Família. Chutou-se borda fora a experiência e a competência dos médicos portugueses em troca de indiferenciados da América Latina. Susteve-se reforma para não atrapalhar candidaturas a deputados de quem deveria ser executivo.

Agora um Governo de coligação de partidos à direita do espectro político e um Ministério da Saúde onde pontificam, segundo a imprensa, homens conotados com a Opus Dei, ambos zelosos no cumprir de compromissos rubricados com entidades financeiras e políticas internacionais, decidem, em dois singelos meses:
- acabar com a experiência das PPP na área da Saúde e reavaliar as existentes
- racionalizar a capacidade instalada no SNS quanto a Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica, dando uma machadada de dimensões ainda difíceis de calcular nos convencionados
- fazer um cerco à prestação de serviços no SNS
- introduzir Normas de Orientação Clínica
- obrigar à redução das horas extra o que levará, obrigatoriamente, ao encerramento e fusão de serviços, incluindo Urgências
Não sabemos o que se seguirá embora o guião seja conhecido.
Todas as medidas listadas defendem objectivamente o SNS e foram tomadas por quem foi acusado de o ir destruir.
Conhecem, na História recente, maior ironia ideológica?»

18 agosto 2011

É difícil ser mais claro ...


JPP, no Abrupto:

(...) «com Sarkozy balbuciando umas coisas que parece notoriamente não conhecer bem, e Merkel ameaçando Portugal e a Grécia; e o conteúdo, um diktat de dois países da União com um anúncio de medidas à margem de qualquer dos tratados que regem a União Europeia. Dizem o que vão fazer os dois, criam uma instituição (uma a mais que não vem nos Tratados), nomeiam o seu presidente e fazem imposições constitucionais a todos os membros da União.

Bastava esta última imposição, que atinge o coração da soberania dos estados membros, para percebermos que já não há União, mas uma Europa servil a amos mais fortes. O que está em causa, tenho-o dito, é a soberania.

Estas imposições constitucionais já não atingem somente a soberania, mas também a liberdade. É que a autonomia constitucional, na sua raiz parlamentar, está no cerne da liberdade dos povos.» (...)

08 agosto 2011

A UE na visão de JPP


(...) «A culpa não é da senhora Merkel, nem dos tenebrosos senhores da Moody"s, mas de todos os que fecharam os olhos a um alargamento rápido e que ninguém estava disposto a pagar (na Polónia, por exemplo), a fraudes consentidas como os mil e um truques que países como a Grécia e Portugal aplicavam nas suas contas públicas, na aplicação dúplice do critério dos 3% de défice, ou nas habilidades que a França fez e faz para manter o controlo nacional sobre as suas grandes companhias estatais e para-estatais. Nós vamos acabar com as golden shares, e abrir as privatizações completamente ao exterior, mas nem a França, nem o Reino Unido, nem a Alemanha o fazem. Todos sabiam que a dracma não estava em condições para entrar para o euro, mas fecharam os olhos. Todos sabiam que havia países no centro e leste da Europa que não tinham (e não têm) sólidas instituições democráticas, sistemas judiciais independentes, imprensa livre e independente do poder. Todos sabiam e sabem que não pode haver diplomacia que conte, sem forças armadas, mas avançaram com o Serviço Europeu de Acção Externa, e diminuíram drasticamente os seus orçamentos de defesa. Todos querem uma Europa "forte", mas nos momentos decisivos são os EUA e o braço transatlântico da OTAN que têm o músculo que faz a diferença. É por isso que a Europa acaba por ter que traduzir, muitas vezes mal, as opções dos EUA, que tendem a ser geoestratégicas, mas são difíceis de compatibilizar com a lentidão de um projecto que vai mais longe do que a segurança comum. Eles pensam OTAN, nós fazemos NAFTA. E, por fim, todos sabiam que o modelo de uma Europa que tende a corresponder às suas fronteiras geográficas tem que ter uma política para a Federação Russa, para a Turquia e para o Médio Oriente, e não tem. Só bavardage e asneiras, que tornaram a Europa anti-israelita, empurraram e empurram a Turquia para o instável mundo islâmico e convivem mal com uma Rússia que, pouco a pouco, retoma a diplomacia tradicional das suas áreas de influência.

A única salvação da UE é andar para trás, e não acelerar para a frente. É voltar, se ainda é possível, a um terreno mais sólido de equilíbrio e igualdade nacional, garantindo que todos os países possam ver os seus interesses nacionais vitais protegidos, abandonar a retórica do upgrade europeu (que agora calha bem para os países pobres que estão do lado do receber, se houver federalismo orçamental) e explorar os modelos de consenso que funcionaram bem até à década de 90, mas que se esfacelaram na engenharia política europeísta.» (JPP, no Abrupto)

pagam os mesmos de sempre ...

(...) « Para o mesmo preço do petróleo e com um câmbio que é mais favorável ao euro, verifica-se que o gasóleo aumentou de preço de forma muito significativa (antes de impostos); cerca de 27,3%. Por mais afinamentos e precisões que estas contas possam merecer julgo que estaremos a falar apenas de detalhes, ou seja, a subida dos preços finais descontando os impostos só se pode explicar por um aumento muito importante dos custos de produção alheios ao custo da matéria-prima e/ou por um aumento da margem comercial. Com a gasolina o aumento entre Novembro de 201 e Agosto de 2011 terá ultrapassado os 30%.» (...)

«esta discrepância entre a evolução da preço da principal matéria prima e do produto final antes de impostos justifica-se em quê exactamente?» (No Economia & Finanças)

04 agosto 2011

Medicina regenerativa

Na revista científica Cell, investigadores da Universidade da Columbia (EUA) publicam o successo da conversão de células da pele em neurónios funcionais (prosencefálicos), a partir de células adultas.

Usaram a reprogramação como método, mais fácil e produtivo, para produzir neurónios destinados a doentes com Doença de Alheimer, a partir das suas próprias células da pele.

A investigação ainda está na fase de testes em animais, mas abre uma nova via para obtenção, rápida, de células para tratamentos de reparação.

03 agosto 2011

"2083 - Declaração de Independência Europeia"

(...) «Para algumas pessoas, a vastidão da Internet é letal. Para haver pensamento crítico, para se conseguir optimizar uma série de dados confusos acerca do funcionamento do mundo, é preciso ter uma personalidade madura. Breivik não tinha, e deixou-se absorver pela Internet, de tal maneira que a sua inteligência se foi dissolvendo, transformando-se num simples nódulo virtual.

É no contexto da família que a maior parte das pessoas absorve uma visão do mundo coerente e ordenada. Breivik não teve família. O pai, Jens Breivik, saiu de casa quando ele tinha um ano e não conseguiu obter a custódia do filho; aquele casamento era, para ele, o segundo de três. A mãe também teve três parceiros conjugais, e Breivik tinha múltiplos meios-irmãos.

Quem ele realmente é, o que realmente sente, é um mistério. Mas há uma afirmação reveladora sobre as pessoas que se conformam com os valores noruegueses contemporâneos: «A maior parte das pessoas que vão por aí compreendem, a determinada altura, que a vida que levam é uma existência oca. E anseiam por algo melhor, mas encontram-se limitadas pelas "regras do jogo" propagadas por todos os elementos da sociedade. Ao chegar a essa altura, um homem tem 30-40 e não tem família, não tem filhos.»

Trata-se de um retrato que se aplica a Anders Behring Breivik.

Andar pela Internet permite-nos aceder a factos, mas não nos proporciona os valores. A moral e o auto-conhecimento não se aprendem no Google; só se aprendem nas relações com os outros. Numa altura em que as famílias estão a dissolver-se e em que muitas crianças não se relacionam com os pais, quantos Breiviks estarão a preparar-se para emergir um dia?» (Michael Cook, em aceprensa.pt)

01 agosto 2011

Assim não dá

(...) «Por agora o meu objectivo é simplesmente expressar o meu intuito de administrativamente me tornar pobre ou rica para assim deixar de fazer parte do grupo a quem o Estado manda aguentar e pagar os Estaleiros de Viana, os custos da insularidade, as televisões públicas e privadas.

As portagens das Scut, os espantosos contratos celebrados pelo Estado com os concessionários das Scut e os pórticos destruídos nas Scut. Os governadores civis, os maquinistas da CP, o Metro Sul do Tejo (com tanto milhão de prejuízo sairia mais barato oferecer um automóvel aos pouquíssimos utilizadores desse metro), os bairros sociais que em dois meses passam a problemáticos, o pessoal de cabina da TAP, os especialistas na acumulação do RSI com pensões, subsídios, abonos, apoios, complementos e bonificações.

Não quero mais fazer parte desse grupo que paga as hipotecas aos bancos e respectivas comissões mais as universidades onde estudam muitos daqueles que acham que o melhor será partir as montras dos bancos e, como não podia deixar de ser, ainda acaba a pagar também as montras partidas dos mesmos bancos.»

(...) «O Estado é em Portugal paternalista com os pobres, servil com os ricos, absolutamente indulgente consigo mesmo e de uma exigência sem limites para com aquele grupo a que põe ao peito a medalha da classe média mas em que na prática se incluem agregados familiares com rendimentos mensais a partir dos 2 mil euros.

Os jornalistas sonham com revoluções requentadas do marxismo, com muitas praças cheias de gente, montras partidas, acampamentos, capuzes e slogans. Mas aquilo que pode colocar literalmente o nosso mundo em causa não é essa gente. Tenhamos medo sim do dia em que a classe média perca não o medo mas sim a vergonha de não cumprir e ao anúncio de mais impostos responda "Assim não dá".» Helena Matos, Público 21 de Julho de 2011. Citado em O Povo.

31 julho 2011

Números

Sítio da Direcção Geral da Saúde: estatísticas de Portugal

- Taxa de Natalidade Bruta    (2009): 9,4 / 1000 habitantes
- Taxa de Mortalidade Bruta (2009): 9,8 / 1000 habitantes

Sem palavras ...

28 julho 2011

Desafios demográficos

(...) De acordo com o Eurostat há  «sete países onde a população está a diminuir em termos globais (incluindo Portugal e Alemanha) e oito onde nascem menos habitantes do que aqueles que morrem, número idêntico ao dos países com saldo migratório negativo.

Mas há países com saldo altamente positivo, «na esfera de influência da União (e potenciais futuros membros). Entre estes destaca-se a Turquia, país que apenas é superado em número de habitantes pela Alemanha e que regista taxas de crescimento populacionais impressionantes face ao contexto europeu. Em 2010, a Turquia aumentou a sua população em 1 161 700 habitantes, o que corresponde a 84,5% do crescimento registado em todos os 27 países da União Europeia. Este número é ainda mais significativo se considerarmos que o maior contributo para o crescimento foi endógeno, ou seja, fez-se por via de um número de nascimentos muito superior ao dos óbitos. 

De facto, o saldo natural turco correspondeu a 159,5% do crescimento populacional da globalidade da União Europeia.» (...)
(citado do jornal Economia & Finanças)