«As taxas cobradas em contrapartida pela prestação de serviços das administrações públicas estão a sofrer agravamentos brutais. É uma forma, menos visível do que os impostos, de deitar a mão a uma fatia cada mais elevada dos rendimentos dos contribuintes. E, tal como a inflação, é um expediente cego porque não distingue rendimentos baixos, médios ou elevados. Paga toda a gente por igual e sem alternativa.O descalabro das finanças públicas é o motivo que explica a situação. Tem conduzido a sucessivos aumentos da carga fiscal sobre as famílias e as empresas. O problema é que o Estado deixou subir as suas despesas a um ritmo tão desenfreado que as receitas dos impostos nunca chegam para suportar tudo aquilo com que se comprometeu. Em desespero, o Governo descobriu, agora, outra fonte de rendimentos e parece que nada escapa à voracidade dos cofres públicos.
No levantamento das taxas que vão sofrer, ou já sofreram, agravamentos, e que o Negócios publica hoje, é fácil perceber que os mesmos serviços vão passar a custar muito mais para quem a eles tenha de recorrer. Há aumentos de preços que, em variação percentual, atingem quatro dígitos, uma prática que, no sector privado, certamente chamaria a atenção de reguladores e entidades de defesa do consumidor que não andassem a dormir. A questão é que os comportamentos que o Estado exige aos outros, dispensa-se a si próprio de observar, mantendo uma triste tradição portuguesa em que os serviços públicos não servem os cidadãos, são estes que os têm que servir, sem apelo, nem agravo. » (...) No Jornal de Negócios ...
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