Jornal de Negócios

27 fevereiro 2011

Rebeldias pouco rebeldes

(...) «Não há nenhum atavismo que impeça os países árabes muçulmanos de serem democracias plenas, mas existem enormes dificuldades de ordem social, cultural e religiosa que não podem ser ignoradas pelo bem-avontadismo multicultural ocidental, que é o pano de fundo de muitas das maiores asneiras desta narrativa comunicacional.

Uma delas, e talvez a maior de todas, é a da condição feminina. Pode parecer estranho que comece por aqui, mas a história mostra que em todas as genuínas tentativas de modernização quer autocráticas (como a do Xá do Irão) ou a de Atatürk, ou protodemocráticas, vindas de movimentos de opinião laicos, nacionalistas ou influenciados por eventos internacionais (por exemplo, a influência considerável da Revolução Francesa no império otomano e no Egipto), a condição da mulher foi o ponto limite, que barrou qualquer desenvolvimento e motivou o retrocesso de movimentos reformistas. A situação da mulher como património dos homens, tanto do pai, dos irmãos, como do marido, e a sua real submissão a um mundo masculino, torna impossível uma democracia, porque, mesmo que muitas feministas o esqueçam em nome da multiculturalidade, não há democracia sem igualdade entre homens e mulheres.» (...)

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