Jornal de Negócios

23 março 2011

Crescer ou desaparecer (mesmo a propósito)

Alfonso Aguiló, professor, artigo em Hacer Familia:

«W. Shakespeare escreveu que o único caminho para chegar à maturidade, é aprender a aguentar os golpes da vida.

Porque a verdade é que a vida, gostemos ou não, dá-nos sempre alguns golpes. Dá egoísmo, maldade, mentiras, faltas de reconhecimento; assistimos com assombro ao mistério da dor e da morte; verificamos os defeitos e limitações dos outros, e também os verificamos em nós, todos os dias..

Toda esta experiência, dolorosa, pode fazer-nos crescer e amadurecer, se o soubermos assumir. A chave da solução é saber aproveitar as pancadas para lucrar com o valor - oculto - que encerra tudo aquilo que nos contraria; conseguir que a nós nos melhore, aquilo que a outros provoca desalento e tristeza.

E porque será que aquilo que afunda algumas pessoas, faz outras crescer e amadurecer? Depende de como se recebem estes revezes. Quando não se consegue reflectir sobre eles, ou se reflecte sem senso, sem os abordar correctamente, não só se perde uma excelente ocasião para crescer, como até pode ter o efeito contrário.


A falta de auto-conhecimento ou de capacidade de reflexão, o vitimismo, a revolta inútil, tornam as pancadas da vida mais dolorosas e delas não retiramos nenhuma aprendizagem, apenas más experiências.


A experiência de vida é inútil, se não soubermos como aproveitá-la. Só a mera passagem do tempo não transforma ninguém em sábio.  (...)


Aprender a enfrentar a realidade pressupõe aprender que há coisas que nos frustram, desejos intensos que nunca se cumprirão, amigos que são desleais, tristezas que nos caiem em cima por causa dos nossos defeitos e limites, ou dos defeitos alheios.


Por mais que os outros nos ajudem, é a nós que cabe suportar a dor destas situações e produzir o esforço necessário para superar estas frustrações.


Uma típica manifestação de imaturidade é o desejo descompensado de ser admirado. A pessoa que tem como objectivo de vida receber demonstrações de apreço, que faz disso o centro, e a angústia, dos seus dias, torna-se num dependente psicológico, cada vez mais afastado do sentido real do afecto e da amizade.


(...) Saber encaixar as pancadas da vida não significa ser insensível. Tem a ver com a aprendizagem de saber não pedir à vida mais do que ela pode dar, de saber respeitar os outros, estimando aquilo que os torna diferentes de nós, em saber ceder, e ser paciente. Isto não significa ser conformista, ou abdicar das nossas convicções. (...) 
Simplesmente é preciso ter os pés na terra para entender quer tudo o que tem valor resulta de um esforço continuado, que demora tempo. Temos que ter paciência também connosco, porque senão nunca amadureceremos. 


Mas sobretudo é preciso desenvolver uma paciência muito especial para com com o atrito da realidade que nos cerca. Se queremos que à nossa volta as coisas melhorem, precisamos se suportar muitos contratempos, sem cair na amargura. É pela paciência que nos tornamos donos de nós próprios, que conseguimos permanecer serenos, porque temos visão de futuro e conseguimos manter a alegria no meio das tempestades.»

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