(...) «a experiência de países que legalizaram a eutanásia demonstra que assim que se admite a ideia de que há vidas que não merecem ser vividas, a voluntariedade do paciente passa a ser algo secundário.Se a idade avançada, a doença ou a deficiência se consideram razão suficiente para ajudar alguém a morrer, a mensagem é que os velhos, os incuráveis e os deficientes são prescindíveis, quer o saibam ou não. Alguém decide por eles.
Assim o decidiu o encarregado do Lar de 3ª idade, "La Caridad" em Olot, Espanha, que confessou ter matado três idosas, porque "tinha muita pena delas", uma vez que viviam numas condições que ele "não poderia suportar". Para o ilibar, o seu advogado declara que o cuidador "pensou que tinha de o fazer porque lhes estava a fazer um bem e gostava delas". Enfim, um típico "anjo da morte" cheio de bons sentimentos. (...)
Esta pessoa confessou diante do juiz que num momento de "euforia" julgava "que era Deus" e que para ajudar as idosas as enviava "para a plenitude". Mas, considerando o que fez ao administrar-lhes lexívia e outros produtos corrosivos, falar de "boa morte" neste caso, não é senão um eufemismo. (...)
O estudo que está publicado no British Medical Journal, revela que, na Flandres, só 52,8% dos casos de eutanásia foram declarados às autoridades.
Nos outros casos, os médicos não consideraram que o acto cometido fosse eutanásia, preferiam não informar por causa da burocracia, temiam não ter cumprido todos os requisitos legais ou consideravam que a eutanásia é um assunto a resolver entre o doente e o médico. Em resumo, em quase metade dos casos não há registo de que a eutanásia tenha sido solicitada pelo doente.
Também na Holanda, na investigação da Comissão Remmelink, 27% dos médicos indicaram que tinham acabado com a vida de algum paciente por decisão própria, porque nem o paciente nem os familiares estavam em condições de o fazer.» (...)
(em aceprensa.pt)
Sem comentários:
Publicar um comentário