Jornal de Negócios

24 junho 2011

Produtividades

No Economia & Finanças:

«a diferença entre a produtividade laboral portuguesa e a alemã tem vindo a reduzir-se significativamente desde 1997.

Com base em dados do Eurostat actualizados a 21 de Junho de 2011
(...)

«em 1995 a índice português estava 45,3 ponto abaixo do alemão tendo essa diferença vindo a diminuir com particular intensidade entre 1997 e 2000 e, depois, entre 2005 e 2010. Para ajudar a visualizar melhor estes números apresentamos um gráfico.»

21 junho 2011

Quando ao problema se chama solução ...


(...) Não basta que «os economistas se limitem a propor: “É preciso incrementar o empreenderorismo, é preciso aumentar a produtividade!” Ou seja, devolvem-nos o problema intacto, mas chamam-lhe solução.

Não é possível entender-se a economia quando só se entende de economia. Porém, fazendo a síntese neoclássica ponto de honra de isolar a economia das restantes ciências sociais, os estudantes são estimulados a ignorar a história económica e política, a história das doutrinas económicas, a filosofia política, a sociologia e a antropologia.

Basicamente, o mundo caminhou desprevenido para a situação em que se encontra porque confiou ingenuamente nas doutrinas económicas dominantes. Por que raio deveria agora acreditar que essas mesmas ideias conseguirão tirá-lo do buraco em que se encontra, quando elas persistem num tão grande desconhecimento das realidades das economias contemporâneas? » (João Pinto e Castro, no Jornal de Negócios)

17 junho 2011

Adoptar a SIDA ...


A cadeia de televisão americana, NBC, noticia que há cada vez mais famílias nos EUA que decidem adoptar crianças infectadas com HIV.

Uma das mães, Margaret Fleming que adoptou três destes menores, relata que "estas crianças são os leprosos dos tempos actuais".

E o risco de contágio? Como se sabe, não há risco excepto do "contágio" do carinho com que os acolhem.


Video em inglês.
Fonte: NBC, 04-03-2011

16 junho 2011

Malabarismo numérico

Num artigo publicado na Nature, o jornalista inglês Fred Pearce, especialista em temas de desenvolvimento, defende que a ONU está a fazer projecções de população ocultando os dados reais:

(...)
«Embora ainda não tenha sido tornado público o Relatório sobre a População que se realiza de dois em dois anos, as Nações Unidas avançaram alguns dos dados da última revisão. O que chamou mais a atenção dos especialistas foi a projecção demográfica para 2100: segundo a ONU, prevê-se que no final do próximo século a população mundial alcance os 10.100 milhões de habitantes.

Diversamente de outras revisões, na actual, a estimativa é feita para mais de 50 anos e é significativamente mais elevada do que a anterior, que previa um máximo de 9.150 milhões de pessoas até meados do século. Agora, para 2050, prevêem-se 9.300 milhões sem diminuição posterior.


Segundo Fred Pearce, a última revisão prevê uma nova "bomba demográfica" e obedece "mais a critérios políticos que a uma análise científica".


Com efeito, se "hoje as taxas de fecundidade são ligeiramente mais baixas que as estabelecidas nas anteriores estimativas", a pergunta é qual o motivo de "se projectarem agora taxas de crescimento significativamente mais elevadas do que há dois anos". À falta da publicação completa do relatório, a ONU veio a terreiro pronunciar-se sobre esta divergência, argumentando que se deve a "uma revisão em alta das previsões de fecundidade", embora, como se encarrega de recordar Pearce, essa revisão não tenha em conta que as taxas estão a baixar rapidamente.

A diferença entre as estimativas anteriores e a actual corresponde, segundo o autor, a uma decisão que não resiste a provas empíricas. Neste sentido, deve ter-se em conta que nas projecções demográficas a longo prazo, é utilizada uma variante média convergente. "Durante muitos anos -explica Pearce- os demógrafos pensavam que a fecundidade mundial se dirigia inexoravelmente para a taxa de substituição de gerações dos países desenvolvidos (2,1 filhos por mulher)".

No entanto, as taxas de fertilidade nos últimos trinta anos caíram em grande parte do mundo, sobretudo nos países desenvolvidos, o que obrigou a modificar o valor da média utilizada. Como indica Pearce, a divisão da ONU encarregada das análises demográficas decidiu em 2003 que a variante média deveria situar-se em 1,85. "Tratava-se de um compromisso -conta Pearce-. Alguns argumentavam a favor da manutenção de 1,6, enquanto outros queriam conservar 2,1. Este último grupo pensava que uma estimativa para a baixa enviaria a ‘mensagem errada' de que já não tínhamos que nos preocupar com o aumento da população".

Assim, enquanto nas últimas revisões demográficas se utilizou uma variante média convergente de 1,85, para a projecção demográfica de 2011, a ONU regressou a 2,1. Deste modo, prevê-se "que nos países com taxas de fecundidade mais elevadas, estas irão reduzir-se até 2,1, pelo menos, enquanto os países com níveis mais baixos irão aumentar o seu nível até chegar ao de substituição de gerações".


Para Pearce, todavia, não existe nenhum dado empírico que justifique a mudança de valor da variável. Apesar disso, a ONU insiste em que as suas novas previsões são mais verosímeis, pois se optou por um enfoque "mais probabilístico". A análise baseia-se na ideia de que a longo prazo, as taxas de fecundidade irão alcançar o nível de substituição das gerações, mas como as tendências demográficas desafiam esta suposição, Pearce conclui que se trata de uma decisão política.

Mas porque são tão relevantes em termos políticos estas estimativas? "Os planos para enfrentar uma série cada vez maior de problemas mundiais -concretamente, a mudança climática e a política alimentar- baseiam-se nas projecções demográficas que a ONU realiza". E se, tendo em conta os dados anteriores, os especialistas duvidavam da possibilidade de alimentar 9.000 milhões de pessoas, as dúvidas agora vão multiplicar-se. A existência de uma possível bomba demográfica justificaria em última análise algumas políticas anti-natalistas.» (...)

Em aceprensa.