Jornal de Negócios

09 julho 2011

Que tipo de integridade moral exigimos aos nossos líderes

«Ninguém é perfeito. Todos podemos ser fracos quando a ocasião se apresenta. Mesmo os transgressores que regularmente infringem a moral vigente podem ser tratados com indulgência; afinal, eles são apenas humanos e, além disso, são geralmente divertidos ou admiráveis em certas facetas, ou tiveram um passado difícil, ou... 

Algumas pessoas pensam assim sobre o temperamental e eticamente instável Mel Gibson; bastantes californianos votaram em Arnold Schwarznegger para o fazerem governador, embora sabendo da sua abordagem hollywoodesca sobre o amor e a união; e Dominique Strauss-Kahn era reconhecido como um notório mulherengo muito antes dos chefões europeus o porem à cabeça do FMI.


Então porque é que os lapsos morais dos Gibsons, Schwarzneggers e Dominique Strauss-Kahns continuam a fazer manchetes de primeira página e causar debates públicos, investigações de alto nível e - muitas vezes - demissões? Estas figuras públicas estão a portar-se pior do que os inúmeros cidadãos comuns? O que se poderia esperar que eles fizessem?  (...) 

«Enquanto a tinta quase secou a escrever histórias sobre a suite do chefe do FMI no hotel de luxo em Nova York, os britânicos estão irados devido aos gastos perdulários da Comissão Europeia em jactos, festas, resorts e todo o tipo de despesas - 8 milhões de libras nos últimos anos -, tudo isto agravado pelo pedido de aumento do orçamento.

A mensagem desta indignação moral é que - à parte as celebridades - esperamos mais dos nossos representantes e funcionários públicos do que se fossem personagens de folhetins televisivos ou de filmes sobre ditadores obcecados pelo poder, e esperamos que se nivelem por padrões éticos. Mas quais são esses padrões?» (...)

«O resto da sociedade, no entanto, terá de dar uma ajuda a situações como a do FMI. As organizações (que se pressupõem democráticas) são pelo menos tão boas eticamente, como as pessoas que representam. Cada um de nós é capaz dos maiores males; da mesma maneira, os povos que elegem os Schwarzneggers e os Berlusconis, bem como os governos que apoiam os Strauss-Kahn. Tudo isto nos deve causar uma profunda preocupação. E nessa frente ética há muito trabalho a fazer.

Uma nova sondagem do instituto Gallup sobre as questões morais mostra que, embora a grande maioria dos americanos se oponha a relações extra-conjugais (o dano é demasiado pessoal para ignorar), há uma considerável tolerância de comportamento que prejudica o matrimónio e a família - incluindo pornografia, sexo e parentalidade fora do casamento. Além disso, a tolerância para essas matérias é maior entre os jovens adultos do que nos grupos etários mais velhos. É duvidoso que as coisas sejam muito diferentes nos outros países ricos.

Também é difícil ver como podemos ter líderes com altos padrões de ética, quando o terreno em que eles assentam se está a desmoronar»

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