Na prestigiada revista de medicina The Lancet (Volume 378, Issue 9793, Page 742, 27 August 2011) este articulista diz o seguinte:
«O líder Chinês Mao Zedong uma vez disse que "as mulheres sustentam metade do céu". A China actual corre o risco de que o céu lhes caia em cima. O censo de 2010 mostra que o numero de raparigas nascidas tem vindo a diminuir progressivamente ao longo da última década, atingindo a relação de 118 rapazes nascidos por cada 100 raparigas, o desequilíbrio de sexos mais alto de todo o mundo.
Na China, só o Tibete e a província de Xinjiang têm ratios equilibrados de sexo ao nascimento.
Os problemas sociais avolumam-se com cerca de 30 milhões de chineses incapazes de encontrar mulher no ano de 2013.» (...)
O problema é idêntico noutros países, segundo a agência de notícias Aceprensa, «Na Índia nascem 112 meninos por cada 100 meninas, o que, segundo o censo de 2001, traz como consequência haver 93,3 mulheres por cada 100 homens.
Isto supõe um défice de cerca de 35 milhões de mulheres, cifra nunca antes alcançada nesse país. Atendendo a que esse défice se acentua nas gerações mais jovens, isso significa que a o número de raparigas eliminadas tem crescido.»
O curioso é que «Contra o que seria de esperar, a rejeição das raparigas e o recurso ao aborto não se pode imputar à pobreza, ao subdesenvolvimento e ao analfabetismo, mas antes à prosperidade.
Os grupos sociais mais hostis às meninas não são os pobres mas sim as classes médias, para as quais o custo da festa e o dote de uma filha representam um obstáculo à ascensão social» (...)
«Quase se poderia dizer – escreve Mainer – que um feto feminino tem mais oportunidades de vir ao mundo num bairro de lata do meio rural do que num bairro de classe média.»
«As autoras feministas que [como Mainer] defendem o direito ao aborto, vêem com angústia que este foi transformado numa arma contra as mulheres.
E, embora evitem utilizar uma linguagem que se assemelhe à que usam os grupos pró-vida, não podem evitar que muitas das suas propostas e reacções se assemelhem.
Será preciso ir à Índia para ouvir uma feminista dizer: “É pura e simplesmente o grau máximo de violência contra as mulheres: é-lhes negado precisamente o direito de nascer.”
Sem porem em questão o aborto, o que as feministas condenam nesta situação é que a ecografia e a interrupção da gravidez, que em princípio deveriam representar um progresso para as mulheres, se tenham ‘desvirtuado’ para se virarem contra elas.
Contudo, pela lógica do direito ao aborto, pouco se pode objectar.
Se o feto pode ser eliminado por qualquer motivo que o torne indesejado para a mulher (económico, social, psicológico …), porque não com fundamento no sexo? As mulheres indianas, bem como os maridos, preferem filhos varões, aos quais, entre outras coisas, não é necessário dar um dote.»
Ou seja, esta gente que diz defender a "opção das mulheres", o que fará "quando as mulheres desaparecerem"?
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