Jornal de Negócios

18 dezembro 2011

Até eu percebo

(...) « A ideia de que um país consegue melhorar a sua balança comercial através de zero importações, é uma ideia tão estranha como a de que um governo  consegue pagar as dívidas sem ter receitas.

Vai ficar contente quando eu lhe disser que - tecnicamente - não estamos em recessão.
O consumo de uns, é o ganho de outros. A sra. Merckel, ao continuar a insistir em que os seus  principais parceiros comerciais cortem nas despesas, está a cortar à Alemanha as principais fontes do seu crescimento.» (...)
(Robert Skidelsky, Professor Economia Política, na Universidade de Warwick)

07 dezembro 2011

Um quinto da população portuguesa vive sozinha


"Um quinto da população portuguesa vive sozinha" (noticia no Público em linha). Apesar disto (e dos custos que esta situação acarreta) o IRS continua a não levar em conta a dimensão e as necessidades das famílias com filhos (violando a Constituição e os princípios da igualdade e da equidade).

Apesar da falta que nos fazem as famílias estáveis , as alterações que constam na Proposta de Orçamento para 2012 fazem com que, para duas famílias com o mesmo rendimento, o potencial de imposto a pagar aumente (em termos absolutos e relativos) muito mais consideravelmente para as famílias com filhos a cargo, tanto mais quanto maior o número de filhos.

O estudo aqui (abreviado) e aqui (completo).

05 dezembro 2011

O euro é apenas o marco (alemão)?

(...) «o que o politólogo norte-americano Walter Russel Mead definiu como a "guerra cultural do euro". Na verdade boa parte das dificuldades actuais derivam do confronto entre duas culturas económicas diferentes. De um lado está a França e os países do "Clube Med", que preferem uma economia com alguma inflação e com desvalorização da moeda, semelhante às economias que tinham antes do euro. Do outro lado está a Alemanha, que prefere uma moeda forte e uma inflação baixa, com juros também baixos. Na altura da criação do euro os franceses só conseguiram convencer os alemães a abandonarem o seu querido marco prometendo que a nova moeda obedeceria às regras alemãs e não às francesas»


(...) «quando nós próprios aderimos ao euro o que fizemos foi aderir ao marco com outro nome. Tudo isso ficou estabelecido nos tratados, pelo que uma boa parte da discussão que vai por essa Europa fora é em torno da revisão ou não desses mesmos tratados. Mais: há mesmo quem (como Viriato Soromenho Marques) defenda abertamente que se devem violar os tratados para salvar o euro. Ficamos porém sem saber o que poríamos depois no lugar desses tratados, sendo que se hoje eles ainda colocam limites à acção de Merkel ou Sarkozy, sem eles a discricionariedade da "ditadura Merkozy" seria total.» (...)

(Ainda JMF, no Público,em 2 de dezembro)

O governo central

(...) «Podemos discutir a falta de bons líderes europeus nos dias que passam, mas não podemos nem devemos tomar como modelos os líderes do passado que nos meteram no actual imbróglio. Eu sei que isto que estou a dizer é uma grande heresia, mas é bom que fique claro que chegámos onde chegámos porque criámos uma moeda única sem lhe darmos condições económicas e políticas para triunfar, o que aconteceu por responsabilidade desses líderes bem-amados.

Nigel Lawson, que na época do lançamento do projecto do euro era ministro das Finanças de Margaret Thatcher, recordou recentemente num artigo da Spectator que logo nessa altura defendeu aquilo que hoje todos dizem: não seria possível construir uma união monetária sem um governo económico conjunto, e isso em democracia exigiria sempre uma união política. Lawson, naturalmente, estava contra uma união política (que também considerava impraticável) e, por isso, opôs-se ao projecto do euro. 

Mesmo assim esses "queridos líderes" do passado, Delors, Mitterrand e Kohl, decidiram avançar com a construção de um castelo sem alicerces. 

Foi isso mesmo que ainda há poucas semanas defendeu também Joschka Fischer, alguém que está nos antípodas políticos de Lawson. Segundo o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, quando o euro foi criado "a ideia de um governo central tinha poucos apoiantes". 

Foi por isso que "essa fase da construção da união monetária foi adiada, deixando este impressionante edifício sem os sólidos alicerces necessários à manutenção da estabilidade em tempos de crise". Ou seja, tanto à direita como à esquerda se admite hoje que esses "grandes líderes" não fizeram, em tempos mais prósperos e mais fáceis, o que se pede aos líderes de hoje para serem eles a fazer, isto é, a união política. 

Pelo menos é o que pessoas como Fischer pedem abertamente. Outros, como Lawson, continuam a achar que tal não pode ser feito sem sacrifício dos princípios da democracia. É também o que eu penso, e só estranho que tantos desvalorizem este importante detalhe.» (...)
(José Manuel Fernandes, Público 2 de dezembro de 2011)

04 dezembro 2011

este homem quase me convence :-)

http://www.lauenstein.tv/balance_beyond/index.html

 

(...) «Voltemos à greve, porque a greve, para além das suas razões ou irrazões, para além de como foi ou podia ter sido, toca na intangibilidade do poder, perturba, incomoda. 
 
Num programa de televisão [eu] disse umas coisas de trivial doutrina democrática sobre o direito à greve, que, imaginem!, são muito próximas do que Sá Carneiro disse em seu tempo. Ouviram-se de imediato as bocas espumarem com "uma vez comunista, sempre comunista". 
 
Como eu nunca fui do PCP, que é o que para eles significa ser "comunista", presumo que se devem referir a Passos Coelho, que, esse sim, foi comunista de papel passado. 
Eu fui outra coisa certamente pior, maoísta, radical, ultracomunista, esquerdista, e, portanto, na versão muito comum de que há uma psicologia da patologia ideológica, uma espécie de malformação genética, como os cromossomas de Lombroso, a ideia de que uma vez uma coisa, sempre essa mesma coisa permanece firmemente entrincheirada nos ataques ad hominem
 
 
Curiosamente nunca se diz de ninguém que "uma vez fascista, sempre fascista", talvez porque à direita faz-se muito bem essa reciclagem sem memória nem culpa. Gente que andou de braço erguido e palma estendida na "saudação romana" antes e depois do 25 de Abril pelos vistos não padece desta patologia ideológica, que só existe para o lado oposto, para o lado do Mal puro.» (...)

"Dar gás"


O Presidente Obama pede ao Congresso americano que aprove mais uma baixa de impostos para relançar a economia: "agora é tempo carregar no pedal do combustível, não de de pisar no travão". ( ... mais no Wall Street Journal)