Jornal de Negócios

31 janeiro 2012

Galinhas ...

Na RR on-line, por Aura Miguel:

«Há quem perca a casa por causa da crise, mas as galinhas europeias têm que ter um ninho, um poleiro e terra para esgravatar e desgastar as unhas.
A decadência da Europa está aí, à vista de todos e com problemas sem fim: crise financeira, endividamento das famílias, insolvências, desemprego, fome.


Há famílias que perdem a sua casa por causa das dívidas. É grande a desorientação sobre as prioridades, há muita confusão sobre os valores da família e educação... Já para não falar na solidão e desespero de tantos, nos idosos que morrem abandonados, nos rostos tristes ou apreensivos de muitos que se cruzam connosco, no desencanto que nos espera no próximo futuro.

Mas a razão destas minhas palavras sobre a decadência da Europa não tem a ver com o que disse até agora, porque problemas sempre os haverá. Tem, sim, a ver com a maneira como as nossas instituições, nomeadamente, ao nível europeu, enfrentam tudo isto.

Então não é que ontem mesmo a Comissão Europeia ameaçou multar Portugal por não cumprir uma directiva com indicações fundamentais para galinhas felizes?! Sim: a Europa quer galinhas poedeiras felizes e quem não lhes der um espaço com 750 cm2, uma cama, um ninho, um poleiro e terra para esgravatar e desgastar as unhas será multado...»

A "crise" no Banco de Portugal

Num blogue aqui ao lado aponta-se o dedo ao Banco de Portugal por uma despesa de 5000 € em equipamento de golfe ... É o mesmo banco que não sabe se deverá cortar nos subsídios de natal e férias, como foi feito para os restantes trabalhadores do Estado ...

24 janeiro 2012

Voltamos ao tempo da resistência


JPP: «No meio do exercício de absoluta banalidade,-  o poder gosta da banalidade, - em que tudo foi mau, as declarações irrelevantes, a música mal ensaiada, o tipicismo de uma cozinheira angolana destinado a dar cor local, num hotel de luxo que seria um melhor retrato da realidade angolana, e de umas conversetas sobre “cultura” ao nível daquelas galerias de arte que vendem reproduções de um menino a chorar, lá houve uma pergunta mais que estudada, mais que prudente, mais que temerosa, sobre a corrupção, quase como se se pedisse desculpa de a fazer.
Que a pergunta era um proforma, provavelmente negociado com o ministro (ele próprio envolvido em vários casos de corrupção),  está na forma artificial como tudo se desenvolveu, como se tudo fosse apenas um problema de “percepção” de estrangeiros que não conhecem Angola. Sim, havia de facto alguma corrupção, mas isso devia-se à burocracia. Sim, havia de facto alguma corrupção, mas isso devia-se à juventude do país e à guerra. Sim, era um “problema doméstico”, mas já há umas leis excelentes e duras que permitem combatê-la. 

Na sala estavam vários exemplos de gente que ganha umas centenas de dólares de salário formal e detêm fortunas de milhões. Isto num país em que a maioria da população vive na miséria e em que não há verdadeira indústria, apenas rendimentos de petróleo ou diamantes, controlados na sua distribuição pelo MPLA e pelo Presidente da República e a sua entourage.» (...) No Abrupto.

23 janeiro 2012

«Qual é o teu valor de mercado?»

«Qual é o teu valor de mercado, mãe? Desculpa escrever-te uma pequena carta, mas estou tão confuso que pensei que escrevendo me explicava melhor.

Vi ontem na televisão um senhor de cabelos brancos, julgo que se chama Catroga, a explicar que vai ter um ordenado de 639 mil euros por ano na EDP, aquela empresa que dava muito dinheiro ao Estado e que o governo ofereceu aos chineses.

Pus-me a fazer contas e percebi que o senhor vai ganhar 1750 euros por dia. E depois ouvi o que ele disse na televisão. Vai ganhar muito dinheiro porque tem o seu valor de mercado, tal como o Cristiano Ronaldo. Foi então que fiquei a pensar. Qual é o teu valor de mercado, mãe?

Tu acordas todos os dias por volta das seis e meia da manhã, antes de saíres de casa ainda preparas os nossos almoços, passas a ferro, arrumas a casa, depois sais para o trabalho e demoras uma hora em transportes, entra e sai do comboio, entra e sai do autocarro, por fim lá chegas e trabalhas 8 horas, com mais meia hora agora, já é noite quando regressas a casa e fazes o jantar, arrumas a casa e ainda fazes mil e uma coisas até te deitares quando já eu estou há muito tempo a dormir.

O teu ordenado mensal, contaste-me tu, é pouco mais de metade do que aquele senhor de cabelos brancos ganha num só dia. Afinal mãe qual é o teu valor de mercado? E qual é o valor de mercado do avozinho? Começou a trabalhar com catorze anos, trabalhou quase sessenta anos e tem uma reforma de quinhentos euros, muito boa, diz ele, se comparada com a da maioria dos portugueses. Qual é o valor de mercado do avô, mãe? E qual é o valor de mercado desses portugueses todos que ainda recebem menos que o avô? Qual é o valor de mercado da vizinha do andar de cima que trabalha numa empresa de limpezas?

Ontem à tardinha ela estava a conversar com a vizinha do terceiro esquerdo e dizia que tem dias de trabalhar catorze horas, que não almoça por falta de tempo, que costumava comer um iogurte no autocarro mas que desde que o motorista lhe disse que era proibido comer nos transportes públicos se habituou a deixar de almoçar. Hábitos!

Qual é o valor de mercado da vizinha, mãe? E a minha prima Ana que depois de ter feito o mestrado trabalha naquilo dos telefones, o “call center”, enquanto vai preparando o doutoramento? Ela deve ter um enorme valor de mercado! E o senhor Luís da mercearia que abre a loja muito cedo e está lá o dia todo até ser bem de noite, trabalha aos fins de semana e diz ele que paga mais impostos que os bancos?

Que enorme valor de mercado deve ter! O primo Zé que está desempregado, depois da empresa onde trabalhava há muitos anos ter encerrado, deve ter um valor de mercado enorme! Só não percebo como é que com tanto valor de mercado vocês todos trabalham tanto e recebem tão pouco! Também não entendo lá muito bem – mas é normal, sou criança – o que é isso do valor de mercado que dá milhões ao senhor de cabelos brancos e dá miséria, muito trabalho e sofrimento a quase todas as pessoas que eu conheço!

Foi por isso que te escrevi, mãe. Assim, a pôr as letrinhas num papel, pensava eu que me entendia melhor, mas até agora ainda estou cheio de dúvidas. Afinal, mãe, qual o teu valor de mercado? E o meu?» (Francisco Queirós)

19 janeiro 2012

tropeçando nos próprios pés

(...) «Os pais temem que os filhos venham a ficar em casa sozinhos, caso seja aplicado o novo regime que elimina o sábado como dia de descanso, por falta de estruturas capazes de acolher as crianças.»


«O que vai acontecer é que muitos filhos vão ficar sozinhos em casa, porque o mercado vai tentar dar resposta às mudanças, mas neste momento o país não está preparado, não tem estruturas para deixar os alunos», alertou Rui Martins, secretário da CNIPE.

O representante da CNIPE lembrou à Lusa que esta mudança implica ter os estabelecimentos a funcionar ao fim-de-semana, mas também ter transportes para as crianças: «Há muito tempo que deixou de haver escola ao sábado e, depois, também não há transportes. É preciso não esquecer que há muitas escolas que são distantes de casa dos alunos, que estão a muitos quilómetros de distância», lembrou Rui Martins.» (No Sol, 19 de Janeiro)

(maus) negócios

(...) «As Barrigas de Aluguer não são um bom negócio para as pessoas envolvidas. Parece, mas não. 

Queres ser durante nove meses apenas uma barriga? Poder, podes, mas estou a pedir-te o que ninguém merece. Estamos fartos de saber que o dinheiro não paga tudo e que brincar com os sentimentos, as fragilidades humanas, não abona em favor do humano. Ousa saber, sim! Agora, ousa fazer, nem sempre.

 Mesmo que eu deseje muito uma coisa, é preciso atender a todos os interesses envolvidos, e, principalmente, chamar as coisas pelos nomes, e tratar as pessoas como pessoas. Por muito que se insista em "pedir" uma barriga, por muito que se insista em "dar" a barriga, temos assistido ao filme, e à Medicina que assim se comporta. E também às leis que tudo enquadram. Não é famoso. 

Como gosta de repetir uma amiga minha: é um quadro de miséria. Mortal, mesmo. Sim, mesmo que eu seja a generosa amiga que empresta a barriga (e outros "cenários" reais poderia aqui referir), é caso para cantar a música pimba: "E quem é, quem é, e quem é, quem é, a avó da criança?" 

Mais, o bebé já crescidinho, transportando em si "carne" que é também de terceira (os médicos explicam melhor esta parte das interacções e transformações biológicas nos nove meses), estremecerá sempre ao ouvir Caetano Veloso perguntar: "Onde está você agora?". E não será seguramente o único a ter gravada essa pergunta, que é uma ferida no coração.» (Fátima Pinheiro, Público, 19 de Janeiro)

16 janeiro 2012

gente confusa

(...) «Quem diz acreditar na ressurreição de Jesus Cristo como filho de Deus não pode ser maçon, visto que a maçonaria nega nos seus pressupostos e sempre no seu pensamento e na sua acção, o Deus que se revela pessoalmente: o Deus humanado que vem servir e não ser servido, que padeceu, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia e que fundou a Igreja una, santa, católica e apostólica.
Grande confusão de Sá Fernandes, portanto, a induzir confusão.
Ou se é maçon, o que é uma pena, ou se é católico.»

13 janeiro 2012

coerencia


(...) «Um católico, consciente da sua fé e que celebra a Eucaristia não pode ser maçon. E se o for convictamente, não pode celebrar a Eucaristia. E a incompatibilidade reside nas visões inconciliáveis do sentido do homem e da história.» (...)
(Nota Pastoral do Cardeal Patriarca de Lisboa)

10 janeiro 2012

Receitas para o crescimento

«Não é possível melhorarmos enquanto país se não melhorarmos enquanto pessoas. E este elemento de mudança não está ao alcance de nenhum governo.

Um país para ser verdadeiramente livre e próspero terá de fomentar a autocrítica e o pensamento, defender uma consciência moral, assumir que existe um bem-comum e que todos nós somos responsáveis pela sua conquista.» (...)

(...) «aqueles que ontem foram as vítimas, se tiverem oportunidade, convertem-se amanhã em carrascos. Impera o principio justificativo “ todos fazem assim...”. E quando alguém deixa de acreditar nos princípios é porque deixou de os ter. A corrupção não se combate apenas com leis gerais, numa planificação em grande escala. 
A corrupção só se combate eficazmente quando o indivíduo reconhece que o mal está dentro de si próprio. Mas como será possível alcançar este objectivo se apenas se promove o auto-endeusamento?» (...)

Pedro Afonso, Psiquiatra

09 janeiro 2012

África: celeiro do mundo?

«Países que exportam capital mas importam alimentos estão a transferir a sua produção agrícola para países com necessidade de capital ou com terra de sobra.»


(...) «Michael Ochieng Odhiambo, [é o] autor do relatório "Pressões comerciais sobre terras em África", que realizou a pedido da Coligação internacional para o Acesso à Terra. Odiambo é também advogado ambientalista e diretor executivo de um instituto para resolução de conflitos sobre recursos sediado no Quénia, e acrescenta que tal fenómeno equivale a uma expropriação, precisamente porque nem a população nem os costumes locais são levados em conta.

Um belo dia chegam tratores que lhes começam a lavrar a terra e quando perguntam às autoridades locais o que se passa respondem-lhes que ninguém sabe; foi tudo secretamente acordado com alguns funcionários governamentais corruptos, sem que nenhum habitante local tivesse sido consultado.»

Desenvolvimento ou apropriação?

«As empresas estrangeiras e as multinacionais que investem em terrenos em África refutam tais acusações e asseveram que estão a fornecer novas sementes, nova tecnologia e novas alfaias agrícolas, para além de proporcionarem dinheiro. A companhia britânica New Forest Company, que a Oxfam acusa de ter expulsado das suas terras 20.000 pessoas no Oeste do Uganda, afirma ter um historial impecável de investimentos sociais e de desenvolvimento, tendo também criado 2.000 postos de trabalho em zonas remotas do país, tornando maior o acesso a atendimento médico, à educação e a água depurada.

Os seus opositores afirmam que argumentos como o da criação de emprego e o fomento do desenvolvimento económico não são senão "patranhas" do governo, e que tais companhias são "roubos" neocoloniais, que apenas enriquecem as elites locais.

A resposta de Odhiambo é que ninguém nega que o modo como essas extensões de terra são usadas possa melhorar, e que tais intervenções nada têm de mau. A queixa consiste no modo como tem decorrido o processo. São normalmente ignorados por completo os direitos das comunidades locais, cujo sustento se baseia nesses terrenos. Em alguns casos, empresas chinesas, por exemplo, trazem os seus próprios trabalhadores e desalojam os habitantes das suas terras ancestrais ou comunitárias. Os governos corruptos e a falta de leis e normas adequadas agravam a injustiça.

Lorenzo Cotula, do Instituto Internacional do Meio Ambiente e do Desenvolvimento, afirma que nenhum país africano exige legalmente o consentimento livre e informado das pessoas afectadas por estes acordos sobre terras.

Alguns países desenvolvidos sentem-se atraídos pelo facto de faltarem em África instituições democráticas que funcionem devidamente; e por serem poucas ou inexistentes as leis reguladoras das condições laborais, da protecção do ambiente ou da propriedade comunal da terra. Muitos governos africanos consideram-se proprietários de toda a terra e agem como se não existisse propriedade comunal.»

Mas ...

«Nenhuma rapariga que hoje em dia vá à escola quer passar o resto da vida a cultivar a terra. Ela viu quanto a mãe sofreu e vê que se lhe oferecem melhores oportunidades; os rapazes, menos ainda. Para eles, a capital ou o centro urbano mais próximo são a terra prometida, mesmo se isso supuser uma vida de miséria a realizar trabalhos temporários numa obra durante uma temporada» (...)

Então?

(...) «Qual é então para a agricultura africana o caminho do progresso? Se os seus habitantes fossem consultados e tiveram voz e voto, e se estrangeiros e africanos trabalhassem juntos, poder-se-ia desenvolver a agricultura, tomando os africanos gradualmente conta dela e pondo-se um freio ao abandono da terra?» (...)

Ler mais em aceprensa.pt.

05 janeiro 2012

Gato escondido, com rabo de fora

J. Pacheco Pereira, no seu blogue

«Antes, no PSD, falava-se à vontade contra a Maçonaria, muitas vezes com ignorância, mas sempre colocando a Maçonaria do lado do inimigo, das forças da conspiração que o partido era suposto combater. Agora, que alguns dos seus principais dirigentes pertencem a uma Maçonaria, o assunto tornou-se tabu.»