Jornal de Negócios

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24 novembro 2011

Médicos de Família (a trapalhada continua)

(...) «os médicos internos a terminar o chamado “Ano Comum” (primeiro ano após a formação universitária de seis anos) estão “revoltados” com a alteração do processo de candidatura às vagas de MGF [Medicina Geral e Familiar ], que os obriga a concorrer por agrupamentos regionais e não por unidades de saúde.

Isto tem de ser resolvido hoje, porque o prazo de candidatura começa amanhã [sexta-feira]. Há colegas que, perante esta indefinição, estão a desistir de Medicina Geral e Familiar e a equacionar outras especialidades”, disse à Lusa uma das subscritoras, Andreia Castro. (...)

No caso da MGF [Medicina Geral e Familiar ], a formação é de quatro anos e terá de ser feita sempre na mesma unidade de saúde, pelo que não há vantagens para a ACSS [Autoridade Central do Sistema de saúde, Ministério da Saúde] na restrição da candidatura a zonas geográficas.

Pelo contrário, as desvantagens para os candidatos são muitas, salientou, porque correm o risco de ficar numa unidade que não queriam (por estar no concelho que escolheram como primeira opção), vendo um colega pior classificado ficar numa unidade melhor ou até mais próxima, mas localizada no concelho vizinho. (...) 

“Este processo levanta questões em termos de seriedade e de transparência”, frisou, notando que “o primeiro mapa de vagas só foi publicado em 11 de Novembro e actualizado dia 22”, terça-feira, sem que a ACSS tivesse informado os candidatos da alteração» (...) 

(Este é um "filme" que os professores do ensino público conhecem bem, agora reeditado para a área da saúde ...)


Relatório do Grupo Tecnico para a Reforma Hospitalar




Relatório do Grupo Tecnico para a Reforma Hospitalar (21-Nov-2011): aqui (em pdf).

21 agosto 2011

mais lucidez ...

No sitio do feroz Sindicato Independente dos Médicos, pode ler-se:

«19-08-2011 Por: Carlos Arroz
Durante meses fomos bombardeados com uma lógica ideológica causa efeito irrefutável: a esquerda defende o SNS, a direita, através da privatização, apenas pretende desmantelá-lo.
Durante anos assistimos a juras ao SNS e a um imobilismo estúpido. Qualquer tentativa de mudança por via de racionalização de recursos ou de oferta de serviços era entendido como um ataque ao âmago, ao sagrado. Venderam-se loas e martelaram-se números. Esconderam-se défices obscenos. Mentiu-se descaradamente sobre a falência dos Centros de Saúde e o avassalador crescimento de utentes sem acesso a Médico de Família. Chutou-se borda fora a experiência e a competência dos médicos portugueses em troca de indiferenciados da América Latina. Susteve-se reforma para não atrapalhar candidaturas a deputados de quem deveria ser executivo.

Agora um Governo de coligação de partidos à direita do espectro político e um Ministério da Saúde onde pontificam, segundo a imprensa, homens conotados com a Opus Dei, ambos zelosos no cumprir de compromissos rubricados com entidades financeiras e políticas internacionais, decidem, em dois singelos meses:
- acabar com a experiência das PPP na área da Saúde e reavaliar as existentes
- racionalizar a capacidade instalada no SNS quanto a Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica, dando uma machadada de dimensões ainda difíceis de calcular nos convencionados
- fazer um cerco à prestação de serviços no SNS
- introduzir Normas de Orientação Clínica
- obrigar à redução das horas extra o que levará, obrigatoriamente, ao encerramento e fusão de serviços, incluindo Urgências
Não sabemos o que se seguirá embora o guião seja conhecido.
Todas as medidas listadas defendem objectivamente o SNS e foram tomadas por quem foi acusado de o ir destruir.
Conhecem, na História recente, maior ironia ideológica?»