Jornal de Negócios

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19 junho 2013

Filmes sobre fenómenos extraordinários ...

Os reclusos de Guantánamo vivem num espécie de limbo legal, sem os direitos dos prisioneiros de guerra nem os dos presos comuns: Murat Kurnaz, um jovem turco-alemão, esteve internado quase cinco anos no campo de prisioneiros de Guantánamo. 

Submetido a tortura e isolamento, Kurnaz reitere uma e outra vez a sua inocência; finalmente é libertado sem ter feito nenhuma confissão.

"Depois dessa época, aprendi a valorizar as coisas simples, como poder usar meias contra o frio." ...

Quem entra numa prisão destas, sem ser terrorista, pode sair terrorista. No entanto Murat Kurnaz,  não ficou com nenhum sentimento de vingança ... Porquê?


Realizador:Stefan Schaller. Argumento: Stefan Schaller. Intérpretes: Sascha Alexander Gersak, Ben Miles, Marc Hodapp.

03 maio 2012

O moralismo iluminado


(...) «Quando ouço falar do "festim do crédito", quem é que é responsável pelo "festim"? 
Quem deu a festa para recolher lucros, ou participou nela para ter vida mais fácil? A resposta justa é: pelo menos os dois. 
A injustiça da resposta é que só um aparece como "culpado" do "festim", e só um lhe paga os custos. 
E se falarmos mesmo dos muitos milhares de milhões que constituem a dívida nacional, que hoje é apontada como um fardo moral para os pobres que "viveram acima das suas posses", com esse plural majestático do "nós", em "nós vivemos acima das nossas posses", eles não foram certamente para o bolso das pessoas comuns que hoje lhes pagam o custo. 
Não foram os pobres, nem os funcionários públicos, nem a classe média baixa que fez as PPP. 
O discurso do poder é todo feito para culpabilizar os de baixo, enquanto quase pede desculpa para moderar um pouco os de cima. A resposta dos de baixo é uma rasoira populista e igualitária, que também não promete nada de bom para o futuro.» (...)

30 março 2012

"Não é o Estado que está mais fraco, é o cidadão que está mais débil."

 JPP, no Abrupto

(...) «o que se está  a passar é mais uma redistribuição do poder, do que uma libertação da sociedade,

O Estado está mais pobre, deixou de ter dinheiro para muito que fazia? Verdade, mas isso não significa que esteja mais fraco, significa apenas que tem menos dinheiro.
Está o Estado-providência a encolher, com uma progressiva retirada do Estado de muitas funções sociais? Verdade, mas a substituição de um Estado-Providência por um estado assistencialista não diminui o seu papel "providencial", apenas muda a concepção do seu lugar e função, substituindo-se um mundo regulado de direitos colectivos (e de expectativas) por um mundo mais pontual de protecção individualizada aos pobres.
Está o Estado a recuar de algumas das suas prerrogativas de decisão em matéria de economia, de sociedade, de vida das pessoas? Não está. Bem pelo contrário. Continua a ser impossível fazer um grande negócio em Portugal, sem o beneplácito do Governo, e, a um nível mais localizado, sem o apoio da autarquia, processos como as privatizações continuam a ser feitos de forma discricionária, ao mesmo tempo que a regulação não existe ou está subordinada aos interesses dos sectores regulados.
Mudou-se significativamente a subsidiodependência, em áreas como a cultura? Não, apenas não há dinheiro para manter os subsídios e mesmo assim não todos. Como acontece em muitas áreas, a falta de dinheiro impede a manutenção dos velhos hábitos de "encosto" ao Estado, principalmente para os pequeno e médio-subsidiados, mas o princípio não foi alterado. Quando tornar a haver dinheiro, ele correrá pelas mesmas valas para os mesmos campos.» (...)

«O Estado acabou com abusos de vencimentos e desigualdades escandalosas nos salários e prebendas que paga? Não, passou a haver "excepções" para regras cada vez menos gerais e isso ainda reforça mais o poder de quem decide.

Os exemplos são muitos e a continuidade com o Governo anterior uma regra, embora a crise acentue a fragilização do cidadão face ao Estado e essa seja uma diferença importante.

Não é o Estado que está mais fraco, é o cidadão que está mais débil. O navio-almirante continua a ser as Finanças, cujo poder vai muito para além da lei (para os remediados e pobres)» (...)

21 março 2012

O país encolhido

J Pacheco Pereira, sobre o atual governo: 
 
(...) «A deslocação à direita foi tão violenta, sem rigor nem memória, que hoje um moderado do PSD que tente reformular no actual contexto algumas preocupações que fazem parte do gene do PSD parece um adversário do capitalismo e da liberdade económicos.» (...)

07 dezembro 2011

Um quinto da população portuguesa vive sozinha


"Um quinto da população portuguesa vive sozinha" (noticia no Público em linha). Apesar disto (e dos custos que esta situação acarreta) o IRS continua a não levar em conta a dimensão e as necessidades das famílias com filhos (violando a Constituição e os princípios da igualdade e da equidade).

Apesar da falta que nos fazem as famílias estáveis , as alterações que constam na Proposta de Orçamento para 2012 fazem com que, para duas famílias com o mesmo rendimento, o potencial de imposto a pagar aumente (em termos absolutos e relativos) muito mais consideravelmente para as famílias com filhos a cargo, tanto mais quanto maior o número de filhos.

O estudo aqui (abreviado) e aqui (completo).

18 março 2011

«Só as ditaduras se justificam pelo "conteúdo"» ...

«O eng. Sócrates comprometeu Portugal em Bruxelas com o PEC IV, sem comunicar coisa alguma ao Parlamento, ao Presidente da República, aos partidos da oposição e aos parceiros sociais.

Quando umas tantas pessoas protestaram, o eng. Sócrates respondeu, indignadamente, que o que lhe importava não era a "forma", era o "conteúdo" do que fizera.

Só em Portugal esta explicação poderia ter passado sem um escândalo maior, ou mesmo sem a demissão imediata do primeiro-ministro. (...) A democracia é "forma". Só as ditaduras se justificam pelo "conteúdo".» (...) Vasco Pulido Valente, no Público.


07 fevereiro 2011

sexos há 2, "géneros", 5

No Público de sábado, 5 de Fevereiro, Pedro Vaz Patto:

(...) «O sexo representa a condição natural e biológica da diferença física entre homem e mulher. O género representa uma construção histórico-cultural. Há apenas dois sexos: o masculino e o feminino. Há cinco géneros (ou até mais, de acordo com outras versões): o heterossexual masculino e feminino, o homossexual masculino e feminino e o bissexual. 

O sexo é um facto empírico, real e objectivo que se nos impõe desde o nascimento. A identidade de género constrói-se através de escolhas psicológicas individuais, expectativas sociais e hábitos culturais, e independentemente dos dados naturais. Para estas teorias, o género assim concebido deve sobrepor-se ao sexo assim concebido. 

E como o género é uma construção social, este pode ser desconstruído e reconstruído. As gender theories sustentam a irrelevância da diferença sexual na construção da identidade de género e, por consequência, também a irrelevância dessa diferença na relações interpessoais, nas uniões conjugais e na constituição da família. 

Daqui surge a equiparação entre uniões heterossexuais e uniões homossexuais. Ao modelo da família heterossexual sucedem-se vários tipos de "família", tantos quantas as preferências individuais e para além de qualquer "modelo" de referência.» (...)

«Pretende-se impor esta ruptura desde cima, desde as instâncias do poder. Ela não surge espontaneamente da sociedade civil e da mentalidade corrente. 

Pretende-se transformar através da política e do direito essa mentalidade. E o que está em causa não é um aspecto secundário, mas referências culturais fundamentais relativas à relevância da dualidade sexual. 

Admitir que a Lei sirva propósitos destes, numa pretensa engenharia social, revela tendências mais próprias de um Estado totalitário do que de um Estado respeitador da autonomia da sociedade civil.» (Público, 5 de Fevereiro)