Poderia ser uma espécie de apelo político, mas é apenas uma decisão técnica tomada pelo Instituto de Medicina Regenerativa da Califórnia.Considerado durante anos como líder na investigação com células embrionárias, este Instituto decidiu passar a usar células estaminais adultas, a partir do momento em que os seus investidores declararam que queriam mais resultados e menos promessas.
Não foi por uma questão ética (deixar de manipular embriões humanos), mas por uma questão prática: é que as células adultas têm possibilitado tratamentos e resultados objetivos, enquanto as células extraídas à custa da morte de embriões não saem, há muitos anos, e apesar de muito dinheiro gasto, da fase de experimentação.
Em Espanha, o número de embriões humanos congelados continua a aumentar, como resultado das técnicas de procriação assistida.
Na Catalunha, a única Comunidade autónoma com registo, há 61.000 embriões congelados, quatro vezes mais que em 2001. O jornal El País (22de Abril), diz que os responsáveis das clínicas de fertilização se queixam que o número aumenta e que não sabem que fazer com estes embriões.
A lei espanhola (2006) previa quatro possíveis destinos para os embriões excedentários dos processos de fecundação in vitro. O casal podia escolher: guardá-los para uma futura utilização, doá-los para adopção, destiná-los à investigação,ou destruí-los.
A opção menos usada é a destruição, menos de 10%.
A adopção por casais também não é bem aceite, nem por parte dos pais, nem dos possíveis adoptantes.
A doação para investigação (com a consequência da destruição do embrião) foi o novo caminho aberto na reforma legal de 2006. Pensava-se que a ciência ganharia com isso e que, também, as clínicas resolviam um problema.
Julgava-se que os investigadores estavam ansiosos por dispor destas células.
Mas agora acontece que, contra todos os prognósticos, não há qualquer pedido de embriões para investigação, a julgar pelo que diz a citada reportagem.
"O entusiasmo pelas células estaminais embrionárias diminuiu, agora há outras opções", reconhece Joaquim Calaf, do Centro de Reprodução Assistida da Fundación Puigvert.
Podemos quase chegar a pensar que a investigação com células estaminais embrionárias deixou de ter interesse ou já não é prioritária, se se pode dispor de células adultas ou das adultas reprogramadas.
Em qualquer caso, a experiência destas clínicas é que, apesar de que, entre 5 % e 10 % dos casais estariam dispostos a doar os seus embriões para investigar, não há um interesse correspondente entre os cientistas.