Jornal de Negócios

Mostrar mensagens com a etiqueta eleições. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta eleições. Mostrar todas as mensagens

27 abril 2012

avisos à navegação

«Marine Le Pen surpreendeu nas eleições em França. Os 20% da candidata da Frente Nacional deixaram a generalidade da imprensa europeia em choque. Mas será que este choque higiénico nos serve alguma coisa para compreendê-la? Dizer que Marine Le Pen significa o regresso da "extrema-direita", da "ameaça fascista" ou da "xenofobia" na Europa pode funcionar como dramatização e apelo à memória. Mas passa ao lado das verdadeiras causas. Os trabalhadores votaram em Marine Le Pen. Porquê? (...)


Foi a França que criou as categorias políticas a que nos últimos 200 anos temos vindo a chamar esquerda e direita. Mais, foi em França que as múltiplas correntes da esquerda e da direita se encontraram num laboratório de ideias e experiências. 
 Por isso, quando ouvimos Marine Le Pen dizer "nós explodimos o monopólio dos dois partidos, dos bancos, das finanças e das multinacionais", só por falta de cultura política se pode pensar que este pensamento contra as finanças e contra as multinacionais é apanágio das esquerdas 
(...) no pensamento continental, a direita francesa foi sempre a que mais activamente recusou a economia como categoria fundante do político.

A recusa do "império da economia" permite-lhe mais facilmente conquistar o voto dos jovens precários, dos insatisfeitos e dos trabalhadores.
(...) o apelo ao patriotismo económico e a formas de proteccionismo hábil contra a concorrência desleal dos países com mão-de-obra barata e empresas deslocalizadas é exactamente aquilo que os trabalhadores querem ouvir. Entra num território importante para a esquerda. Nenhum político lhe pode ser indiferente.

Além disso, este foi o discurso de uma mulher divorciada, mãe de três filhos, que conhece o mundo do trabalho e nunca se desviou de uma linguagem simples e eficaz. 
O sucesso de Marine Le Pen representa a ascensão de uma direita radical de colarinho branco que, por todas as formas sofisticadas, tentará tirar partido da enorme ânsia de protecção e segurança dos cidadãos nacionais. 
Aquilo que estes dramaticamente pedem ao Estado é que os proteja. Da economia, da Ásia, dos outros. Ausente algumas décadas, o proteccionismo está de volta.» (Pedro Lomba, no Público, de 24 de Abril)

05 abril 2011

O Estado faliu (já se sabia)

No Sol:  
(...) «de acordo com o Jornal de Negócios, agora são os bancos nacionais que estão indisponíveis para comprarem mais dívida.
Os líderes dos maiores bancos portugueses reuniram ontem no Banco de Portugal e decidiram que não vão emprestar mais dinheiro ao Estado.

(...) A banca apresenta, contudo, uma alternativa: nos próximos dias, o Estado deverá pedir um empréstimo intercalar de 15 mil milhões de euros à Comissão Europeia.

Este auxílio será suficiente até ao fim de Junho, altura em que o Governo que sair das próximas legislativas deverá solicitar a ajuda do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (ao qual o Fundo Monetário Internacional está associado).» (...) 

04 abril 2011

Eleições: campanha custo zero


«O Movimento Esperança Portugal (MEP) anunciou hoje que vai apresentar listas às próximas legislativas em todos os círculos eleitorais e que lançou uma petição para que os partidos prescindam da subvenção pública para a campanha eleitoral.» (...) No i.

17 janeiro 2011

Elogio do voto coerente

No Público de hoje, Gonçalo Portocarrero:


«O voto numa candidatura sem possibilidades reais de vitória ou a abstenção afiguram-se ser as opções mais coerentes.

Em tempos de eleições presidenciais, legislativas ou autárquicas, é recorrente o recurso ao argumento do voto útil. Na gíria política, entende-se por voto útil a escolha do candidato ou do partido que, mesmo não reunindo as condições que o eleitor desejaria sufragar, é, no entanto, o menos mau dos candidatos com hipóteses de ganhar. Na perspectiva eleitoral, o voto num partido ou candidato que nunca poderá vencer é sempre um voto perdido ou, pior ainda, um voto nas candidaturas que ficariam beneficiadas com a inutilidade prática desse voto idealista.

À medida que se aproxima um acto eleitoral, esfumam-se os axiomas éticos e os princípios, que cedem o seu lugar à pressão das sondagens e das conveniências do momento, quase sempre apresentadas como inadiáveis exigências de salvação nacional. À conta desses pretensos imperativos de ordem pública, engolem-se não poucos sapos e conspícuos cavalheiros travestem-se ideologicamente, em malabarismos de rara acrobacia e discutível moralidade. E quem não se disponibilizar para uma tal cambalhota eleitoral e decidir não vender, nem hipotecar, o seu voto, é certo e sabido que pagará cara a factura da sua verticalidade: à partida é, pelo menos, um utópico e, à chegada do desastrado resultado eleitoral que a sua atitude propiciou, é um cúmplice do inimigo, um traidor.

É sabido que a história do voto útil tem barbas. Nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, o voto útil funcionou a favor de duas grandes forças extremistas. Quando a Alemanha se encontrava numa muito delicada situação interna e externa, os nazis apareceram como a força mais eficaz para deter o triunfante bolchevismo, que ameaçava a liberdade alemã e europeia. É certo, em termos históricos, que muitos dos apoiantes de Hitler o fizeram à conta do voto útil: mesmo não concordando com as teses nazis, entenderam que essa era a única força política capaz de deter o comunismo internacional e, por isso, deram-lhe o seu voto. Em sentido contrário, o voto útil também funcionou a favor do bolchevismo que, para muitos antinazis, parecia ser o mal menor ou, pelo menos, a única estrutura partidária com força suficiente para se opor, com eficácia, ao nacional-socialismo. Mas é óbvio que tanto uns como os outros, quer votando de olhos fechados em Hitler, quer dando o seu contrariado voto aos seguidores de Estaline, favoreceram as respectivas tiranias e votaram contra a liberdade, a democracia e o bem comum. Os seus votos foram úteis, sem nenhuma dúvida, mas para o mal.

Não é só na vida privada que o crime não compensa, porque também na vida política essas leviandades pagam-se caras, como sabem os que sofreram a ditadura nazi na Alemanha, ou os que padeceram os horrores do comunismo na Rússia e nos outros países que também viveram, ou ainda vivem, sob a ditadura do proletariado. Na realidade, tanto os que sufragaram Hitler como os que apoiaram Estaline perderam, porque a vitória moral e política foi daqueles "inúteis" que souberam privilegiar uma atitude de coerência ética, sem se deixarem intimidar pelos falsos argumentos de uma suposta utilidade nacional ou internacional.

Se, por absurda hipótese, houvesse que escolher entre Estaline e Hitler, seria caso para dizer que venha o diabo e que escolha porque, por mais útil que fosse votar em Hitler, para que Estaline não pudesse ganhar, ou votar em Estaline, para que Hitler não saísse vencedor, seria sempre uma escolha dos diabos. E a quem o não seja, só lhe resta uma hipótese digna: não votar em nenhum dos dois, por mais inútil que uma tal atitude pudesse parecer.

Em Portugal, Hitler e Estaline não vão a votos, felizmente, e portanto é moralmente lícita a votação num candidato que, mesmo sendo defectível, é o menos mau dos possíveis ganhadores. Mas o voto numa candidatura sem possibilidades reais de vitória ou a abstenção, quando são escassas as garantias de idoneidade moral dos prováveis eleitos, afiguram-se ser as opções mais coerentes para quem, na sua vida pessoal e na sua actuação pública, não se pauta por conveniências contingentes, mas por princípios e valores permanentes.»
(Gonçalo Portocarrero, Licenciado em Direito e doutorado em Filosofia. Vice-presidente da Confederação Nacional das Associações de Família (CNAF))

14 janeiro 2011

evidências


Vasco Pulido Valente: 
(...) «anteontem, na improvável cidade da Guarda, o dr. Cavaco depois de anos de generalidades, resolveu mudar de táctica. Agora, prometeu que seria um Presidente activo no próximo mandato e avisou que pode haver "uma crise grave em Portugal, não apenas no plano económico e no plano social, mas também no plano político".» (...) « coisa que decerto surpreendeu os circunstantes, porque manifestamente implicava que até ali o dr. Cavado tinha feito vista grossa ou, pior ainda, consentido os desvarios do PS e de Sócrates, sem qualquer tentativa decidida e pública para acabar com eles.»

José Manuel Fernandes: 
(...) «Não foram os "mercados" que nos aprisionaram, fomos nós que nos colocámos na posição de depender da sua boa vontade depois de anos e anos de farra orçamental, pagamentos a clientelas e gastos lunáticos».

14 novembro 2010

hora de vazio

No Público, em 8 de Novembro, José Tomaz Castello Branco(*):

«O Senhor Presidente da República anunciou, finalmente, aquilo que já se esperava: a recandidatura a Belém. Foram 25 minutos de um discurso monótono na forma e vazio no conteúdo. Se o PR é o representante oficial e símbolo da República Portuguesa, então estamos conversados: aquela é a face visível do estado do Estado; é, desafortunadamente, um retrato fiel do país em que vivemos. Um país que se encontra visivelmente cansado e sem força anímica para mudar de vida.
E como era precisa uma promessa de mudança! Ao invés, fica a promessa da estabilidade. O discurso da estabilidade poderia fazer sentido no início da década de 90. Agora, parece, no mínimo, desadequado. Há uma boa parte do eleitorado português que não se revê neste retrato e que, muito provavelmente, encontrou na promessa do candidato de não afixar um único cartaz a única boa notícia daquele discurso. 

Este é o eleitorado do chamado centro-direita. Um eleitorado que já deu provas de grande responsabilidade democrática, nunca se furtando às lutas que entendia por bem travar, mesmo quando os partidos políticos existentes não as quiseram assumir como suas.

Este é um eleitorado que, não obstante, perante as alternativas que se lhe colocam nesta próxima eleição, não tem outro remédio senão começar a orientar o seu sentido de voto para o mal menor.

Creio, porém, que o mal menor comece a parecer insustentável. Tradicionalmente órfão de representação, este eleitorado pode agora estar cansado da sua condição de refém - que perdura desde a invenção desse extraordinário instrumento chamado "voto útil". Não seria de espantar que este eleitorado procurasse uma qualquer forma de reacção e que mostrasse a sua indignação perante um PR que, só no último ano, desprestigiou seriamente o cargo que desempenha com toda aquela trapalhada que ficou conhecida como as "escutas de Belém" e que abalou seriamente a relação de confiança que mantinha com este eleitorado quando, ao chancelar o chamado "casamento gay", minou gravemente os alicerces de uma instituição tão fundamental como a família.

A opção que resta a este eleitorado pode, afinal, estar reduzida à seguinte equação: engrossar as fileiras daqueles que se revêem nesta recandidatura, contribuindo para a recondução triunfal do PR logo à primeira volta, ou, pelo contrário, encontrar uma forma de se fazer ouvir, forçando o seu putativo tribuno a lutar por uma segunda volta.

Perguntar-se-á porquê? Porquê não despachar logo o inevitável à primeira? Porquê forçar o país aos custos de uma segunda volta? Por uma simples razão, porque este eleitorado tem o direito e o dever de se fazer ouvir. Mais: tem o poder de o fazer.

Resta a questão de como o fazer. A abstenção não serve. A abstenção é um mero encolher de ombros e este não é um eleitorado apático nem irresponsável. Este é um eleitorado que vai às urnas e que preza o exercício do direito que democraticamente lhe assiste. Mas ele pode usar o seu boletim de voto para nele expressar um rotundo "não". Anulando o voto, ele está também a expressar um sentido de voto. Mais: este é um voto que, simbolicamente, nunca pode ser confundido como um "cheque em branco".
E, já agora, nesta fase conturbada da nossa vida, não é aconselhável andar por aí a passar cheques em branco.»

(*) Professor de Ciência Política (josetomaz.castellobranco@gmail.com)