Jornal de Negócios

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28 fevereiro 2013

Prender os suspeitos do costume

J. Pacheco Pereira, no Abrupto:


(...) «o combate à evasão fiscal tem sido ineficaz onde deveria ser. 

O furor do Estado volta-se contra as cabeleireiras, os mecânicos de automóveis e as tabernas, mas ignora os esquecimentos de declaração de milhões de euros, que só são declarados quando descobertos e não merecem uma palavra de condenação nem do ministro das Finanças, nem do Banco de Portugal, nem de ninguém dos indignados com a factura dos cafés. 

E é exactamente porque o combate à evasão fiscal falha, ou porque a economia está morta, ou porque os Monte Brancos são mais numerosos do que todas as montanhas dos Alpes, dos Andes, do Himalaia, que se assiste a uma espécie de desespero fiscal que leva o Estado (os governos) a entrar pela liberdade e individualidade dos cidadãos comuns de forma abusiva e totalitária. 

Digo totalitária, mais do que autoritária, porque a tentação utópica de "conhecer" e controlar a sociedade e os indivíduos através da monotorização de todas as transacções económicas é de facto resultado de mente como a do Big Brother. 
(...)

«A nossa indiferença colectiva face ao continuo abuso do Estado, que nada melhor nos dias de hoje revela do que o fisco, vai acabar por se pagar caro. Muitos tentaram fugir ao fisco? É verdade, muitos inclusive nunca pagaram impostos e vivem numa economia paralela, mas a sanha contra eles, que face ao fisco não tem direitos, nem defesa, nem advogados, contrasta com a complacência afrontosa com a fraude fiscal com os poderosos. É que também nisso, na perseguição aos pequenos, se revela o mundo totalitário de 1984 e do Triunfo dos Porcos, em que alguns são mais iguais do que outros. E pelo caminho, para garantir que os pequenos sejam apanhados na malha, pelo desespero de um fisco que quer sugar uma economia morta de recursos que ela não tem, é que se usa o número de contribuinte como número único, cruzado nos computadores das finanças, muito para além do que é necessário e equilibrado, numa ameaça às liberdades de cada português.» (JPP, no Abrupto)


13 setembro 2012

"Ordenhar vacas magras como se fossem leiteiras"

(...) «Não é a derrapagem do défice que mata a união que faz deste um território, um país. É a cegueira das medidas para corrigi-lo. É a indignidade. O desdém. A insensibilidade. Será que não percebem que o pacote de austeridade agora anunciado mata algo mais que a economia, que as finanças, que os mercados - mata a força para levantar, estudar, trabalhar, pagar impostos, para constituir uma sociedade?»

(...) «Alternativas? Havia. Ter começado a reduzir as "gorduras" que o Governo anunciou ontem que vai começar a estudar para cortar em 2014 (!). Mesmo uma repetição do imposto extraordinário de IRS que levasse meio subsídio de Natal, tirando menos dinheiro aos trabalhadores e gerando mais receita ao Estado, seria mais aceitável. O aumento da TSU é uma provocação. É ordenhar vacas magras como se fossem leiteiras.»


(...) «Não foi a austeridade que nos falhou, foi a política que levou ao corte de salários transferidos para as empresas, foi a política fraca, foi a política cega, foi a política de Passos Coelho, Gaspar e Borges, foi a política que não é política.

Esta guerra não é para perder. Assim ela será perdida. Não há mais sangue para derramar. E onde havia soldados já só estão as espadas.»
(Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios)

07 junho 2012

Como adaptar-se às novas formas de trabalho e emprego

A Mudança, ensaio de Lynda Gratton
A Mudança: O futuro do trabalho já chegou é um ensaio, escrito por Lynda Gratton, que coordenou a colaboração de cerca de duzentos participantes de todo o mundo, de 21 empresas. 

O livro descreve muitos casos práticos que refletem as variadísismas formas (de sucesso) no trabalho atual.
 Rigoroso e acessível mesmo ao leitor pouco habituado ao tema.

14 maio 2012

Mudar de vida (outra vez)

J César das Neves, no Diário de Notícias

(...) « boa parte da nossa economia é balofa, produzindo a preços exagerados coisas que ninguém quer.
Assim o que hoje se sofre não é apenas a travagem de consumo gerada pela austeridade financeira. 

Largas centenas de milhar de trabalhadores terão de mudar de vida, porque os seus empregos artificiais nunca vão voltar, mesmo que o crescimento retome. 

Milhares de empresas têm de fechar ou mudar de sector porque o negócio acabou. Importante percentagem da sociedade terá que encontrar actividades realmente úteis. Portugal sofre uma das crises mais dolorosas e exigentes: a forçada reestruturação de quase vinte anos de distorção produtiva.

O debate político passa ao lado. As vozes que se levantam a pedir programas de crescimento não compreendem a questão. Portugal não precisa de crescer, mas de corrigir a estrutura produtiva para permitir um desenvolvimento sustentável.» (...

30 abril 2011

"a desigualdade invisível"


No Correio da AESE, 19 de Abril de 2011:

(...) «Em grande parte, as desvantagens laborais das mulheres não se devem ao sexo, mas à maternidade.

Acontece em muitos países aquilo que se veio a comprovar nos Estados Unidos: as mulheres ganham em média 80% da média masculina em empregos a tempo inteiro; mas, se se compararem as jovens licenciadas solteiras com os homens de igual condição, a diferença desaparece.» (...)

12 abril 2011

Quem nos avisa ...

No i (entrevista a um professor de economia, grego, da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa):

(...) «Mesmo que tudo corra bem, e no melhor dos cenários, em 2013 a Grécia terá uma dívida de 160% do PIB. É impossível que isto funcione.

Por isso eu acho que a Grécia a certa altura vai ter de restruturar a dívida. A questão é perceber se é melhor reestruturar agora ou mais tarde. O que mais me preocupa é que os cortes salariais e o aumento de impostos lançaram o país numa recessão mais profunda que o esperado.

As receitas fiscais e as contribuições sociais baixaram e é preciso pagar mais em benefícios para o desemprego. Isto criou mais pressão para conseguir mais dinheiro, o que leva a um novo aumento de impostos e a mais recessão.

É um círculo vicioso. Falta um incentivo para a promoção de crescimento.» (…)

04 abril 2011

Realidades

Silva Peneda, ao Diário Económico: 

(...) «O presidente do Conselho Económico e Social (CES) considerou hoje "erradas" as políticas de redução da procura interna da UE e do FMI.

"Não concordo com as políticas de redução da procura interna, que é receita da União Europeia (EU) e do Fundo Monetário Internacional (FMI)", já que "a pressão sobre o desemprego será enorme", afirmou Silva Peneda, na Conferência 'Novas Vestes da União Europeia?', na faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

"A redução da procura interna será irresponsável", frisou.

Para o responsável a disciplina orçamental de cada Estado-membro tem de ser feita com alguns cuidados: "Sendo necessária uma forte disciplina orçamental, não pode ir ao ponto de impedir o crescimento económico", afirmou Silva Peneda, que se mostrou preocupado com a situação que vive Portugal mas também a União Europeia.

"O meu 'rating' passou de preocupado a desesperado", garantiu.

Para o responsável, a saída para a crise que o país atravessa passa pelo impulso à produção de bens e serviços transaccionáveis, o que deve mesmo passar pela concessão de benefícios. »(...)

17 março 2011

"Portugal é o país da europa onde os homens se reformam mais tarde"

«Portugal é o país da Europa onde os homens se reformam mais tarde, aos 67 anos e dois anos depois da idade legal de reforma, segundo o relatório da OCDE 'Pensions at a Glance', hoje divulgado.

Para este cálculo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) utilizou a idade média de reforma efectiva entre 2004 e 2009 dos 30 países que integram a organização.» (...) No Sol.

06 fevereiro 2011

Baixar salários pode ser uma má ideia?

Entrevista no i a Keith Wade (Schroeders´s) em Novembro de 2010:
(..) «A possibilidade de redução de salários é uma discussão que está a ser tida em Portugal. Essa estratégia não resulta?

Há o perigo de se entrar num ciclo vicioso. A competitividade que se ganha por reduzir os custos de produção pode não chegar suficientemente depressa para cobrir os resultados negativos. Pode-se cortar nos salários, mas a economia vai atingir um novo equilíbrio, muito fraco, com taxas de desemprego elevadas e sem voltar necessariamente ao pleno emprego. Esta era uma das teorias de Keynes. Algumas pessoas acham que o poder de reconquistar competitividade é tão forte que se esquecem da importância do consumo interno. O problema é que a economia global não está suficientemente forte, caso contrário levantaria toda a gente. Enfraquecer o consumo interno não resolve o problema e, se resolver, demora muito tempo. Pode demorar até cinco anos.


E não é garantido que funcione?
Não. Pode ajudar, mas numa altura de fraco crescimento é perigoso e pode criar problemas de desemprego estrutural e défice estrutural.


Os países periféricos acabarão por ter de sair do euro para resolver os seus problemas estruturais e afastar as pressões do mercado?
A questão é se estes resgates vão continuar com base em vontade política. Agora há um ponto de interrogação em relação à vontade da Alemanha de continuar a fazer estas transferências. E países como a Grécia e Portugal vão aceitar a perda de soberania de ver o seu orçamento controlado? Isto pode levar os países a abandonarem o euro.


Mas acha que na prática isso vai mesmo acontecer?
Pode muito bem acontecer. A ideia de aumentar a competitividade através da deflação é um caminho muito difícil e não estou convencido que resulte. No final de tudo isto, o povo português pode dizer: “Tivemos cinco anos de austeridade e ainda não controlamos o nosso orçamento, então para quê estar no euro?”


É possível ter dois euros? Um para o Norte e outro para o Sul?
É possível. Mas já não seria uma zona euro. Seriam precisos dois bancos centrais para duas moedas.


Mas a solução seria melhor para os periféricos do que voltar às suas moedas?
Não sei. De certa forma é a mesma coisa. Seria uma moeda fraca, cuja desvalorização poderia ajudar a competitividade. Seria complicado, porque seria necessário organizar toda uma estrutura institucional.


Acha que o euro vai acabar?
Não consigo responder a isso com sim ou não. Mas há uma forte probabilidade de a composição do euro ser diferente daqui a alguns anos.» (...)

22 novembro 2010

O Portugal que luta

  • No i: «"As instituições estão no limite", diz ao i Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome»
 (...) «A falta de alimentos vai-se tornando endémica: 20% diz não ter comida até ao final do mês e 32% refere que isso acontece "às vezes". Se a comida falta, as contas mantêm-se: 31%, e sobretudo jovens, adianta ter um empréstimo para pagar»
(...) «41% são pessoas que nunca foram pobres, e que agora se sentem como tal, destaca Isabel Jonet»
(...) «Nos novos pedidos de apoio destacavam-se situações de desemprego, endividamento e divórcio ou abandono do lar, esta última com um peso de 42,6%»
liderados por quadros qualificados desempregados com mais de quarenta anos de idade. 
  • Zita Seabra escreve sobre este tema no JN,  citanto Nuno Fernandes Thomaz:
«"se vive hoje cerca de 80 anos e, inexplicavelmente, se alguém for despedido com 40 - nem é preciso mais - certamente terá a maior dificuldade em arranjar novo emprego. Com tudo o que isto significa de dramático em termos pessoais e familiares e, não menos significativo, com o que em termos económicos representa de delapidação de valiosos recursos humanos. E essa é a mensagem principal desta iniciativa: por um lado, impedir que pessoas com tanto para dar à nossa economia sejam desaproveitadas e esquecidas e, por outro, desafiar quantos caiam no desemprego a recusar pôr um ponto final na sua vida profissional".»


«Quando temos a sensação de que tudo se afunda no país, e o desespero e o medo substituem a esperança, há sempre projectos exemplares, pioneiros, que nascem e que rompem caminhos num país desgastado pela falta de valores, onde se vive com a sensação de que se atola no meio da corrupção, dos carros de alta cilindrada, dos comités e das comissões, dos institutos públicos e dos lugares fáceis. O Fundo tem rostos diversos de gente boa. Assinalo quatro nomes: António Pinto Leite, actual presidente, Jorge Líbano Monteiro, secretário-geral, padre Mário Rui Leal Pedras, assistente eclesial, e o ex-presidente João Alberto Pinto Basto, o homem que foi um dos fundadores de um importante Banco - o Banco Alimentar Contra a Fome - e que na ACEGE deixa um notável trabalho. No meio da crise, percebe-se que este país triste e deprimido tem gente boa para a qual vale a pena olhar.» (Zita Seabra)

06 outubro 2010

"Crescimento: Fazendo Acontecer"

"Crescimento: Fazendo Acontecer".

Conselhos para gestores na Revista do IESE
(...)

«Está cansado de ouvir as mesmas histórias gastas cerca de Steve Jobs e do iPod, ou as crianças no Google?
Não é um guru high-tech, nem trabalha para uma organização notoriamente favorável à inovação?

É um gerente comum numa empresa comum, executando a sua parte do negócio e lutando para encontrar ideias e recursos? Onde estão então as histórias para o ajudar?

É assim que começa o professor Darden Jeanne Liedtka no seu artigo repleto de histórias de gestores normais que alcançaram um crescimento extraordinário tornando-se "catalisadores" - pessoas que aprendem a navegar dentro das organizações, provocando como que reacções químicas que geram resultados significativos e crescimento sustentável .

Muitos gestores estão programados para pensar de forma corporativa, para procurar segurança e precisão, e dependem de dados para prever e planear.

Esta abordagem é mortal quando se trata do mundo imprevisível do crescimento, diz Liedtka. O que se deve recomendar é fazer algumas apostas rápidas, pequenas, obtendo feedback rápido do mercado.

Isto requer uma nova forma de pensar, um ponto sublinhado pelos professores do IESE, Julia Prats e Sosna Marc, no seu artigo sobre como os líderes se devem adaptar constantemente no passeio esburacado do crescimento.

A capacidade de mudança do modelo de crescimento para o modelo de crise, e vice-versa, requer um forte conjunto de competências pessoais, escrevem eles.

Há 4 áreas chave:

1. Quando as pessoas se lhe opõem, a tendência natural é lutar contra. Não faça isso. Escute-os. As soluções que procura podem vir dos seus opositores.

2. Não queira ser herói. Os líderes de crescimento bem sucedidos não se consideram todo-poderosos, mas sim como elementos que tentam estimular reacções positivas, utilizando as variáveis já existentes.

3. Coloque toda a gente no mesmo fuso horário: um CEO contou-nos que almoçou diariamente com a sua equipa de gestão, em vez de ler os seus relatórios. Só assim reparou que o diretor de produção estava preocupado e que o diretor de marketing estava a lutar sozinho.

Em vez de longas e cansativas reuniões, faça grupos de trabalho numa sala de reuniões, sem cadeiras em que cada um possa expor todos os seus problemas a céu aberto, e receber feedback, numa questão de minutos.

4. Mantenha-se dentro da estrada, isto é, mantenha uma visão equilibrada das coisas, senão estará simplesmente a saltar de uma crise para outra. Como? Ter uma vida fora da empresa ajuda, assim como ouvir conselheiros confiáveis. Muitas vezes os CEO's vivem rodeados não por pessoas, mas por bolhas. É responsabilidade do CEO criar a cultura e o espaço em que as pessoas se sentem com poder suficiente para lhe dizer quando está a fazer uma coisa errada.

(...) e ainda:

Os incentivos têm que ser criados, tal como na Índia, onde os salários e as condições de trabalho são muito superiores à média.
Deixar de lado os seus indivíduos mais talentosos e criativos não é a melhor base para promover o crescimento.» (...)