Finalmente a cigarra é que tinha, mesmo, razão e La Fontaine, cheio de boas intenções, só nos enganou. Qual formiga, qual carapuça! »
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06 junho 2013
IRS (Impossível Resistir nesta Situação) ...
Helena Sacadura Cabral, no seu blogue
: (...) «desse trabalho anual, sete meses vão para o Estado, governo, o que seja, sem sombra de retorno.
25 março 2013
A simplicidade do desnorte
JPP, no Abrupto: «Sempre que o governo falha os seus objectivos, há mais um pacote de austeridade.
Cada vez que há um novo pacote de austeridade, o governo falha os seus objectivos.
Enquanto não sairmos deste círculo vicioso, daqui não saímos.
No fundo, é simples.»
01 outubro 2012
fazer de conta (sem fazer as contas ...)
(...) «Este Governo não teve coragem, por exemplo, de fazer uma verdadeira reforma administrativa que reduzisse efectivamente o número de concelhos.
No século XIX, em 1836 o Governo de então, com muito menos meios, foi mais audaz, ambicioso e eficaz, realizando uma verdadeira reforma administrativa que implicou a redução do número de concelhos – de 800 passaram para 385 - numa época em que as acessibilidades eram muito inferiores às actuais, os automóveis ainda não existiam, e Portugal rural era muito mais povoado.
O actual Governo limitou-se a encerrar algumas freguesias e não teve coragem para enfrentar o lobby dos autarcas, não ousando tocar nas suas nomenklaturas locais, perante as quais cedeu.
Em relação às fundações, também as nomenklaturas partidárias e dos amigos, familiares e enteados falaram mais alto e a montanha pariu um rato: eliminaram-se apenas três ou quatro fundações, quando simplesmente se impunha o encerramento de todas as fundações públicas ineficazes e sorvedoras de dinheiros públicos e a cessação de transferências do Estado para as fundações privadas.
Enfim, tudo isto nos mostra que esta gente não vai reformar coisa nenhuma, vai antes saquear o que puder.» (...)
(AMCD, no Os Trabalhos e os Dias)
19 setembro 2012
O moralismo político
JPP, no Abrupto:
Passos dizia que as pessoas "simples" percebiam isto, porque de facto para ele as coisas são assim simples. Então como é que nos devemos "cruzar com os nossos credores"? De alpergatas, vestidos de chita, trabalhando dez horas por um salário de miséria? É que não é preciso andar muito tempo para trás para ter sido assim. Ainda há quem se lembre. Deve ser por isso que é preciso "ajustar".
(...) «No meio disto tudo, Passos Coelho fornece outro produto, mais à sua dimensão de executante, mas que também transporta alguma desta raiva. É quando Passos Coelho diz que "não estamos a exigir de mais", como se fosse pouco o que se está a "exigir" e ainda não levaram em cima com a dose toda.
É quando avança com mais uma comparação moral que mostra o imaginário onde estamos metidos; não podemos correr o risco de nos cruzar com os nossos credores "nos bons restaurantes e boas lojas". É mesmo isso que os portugueses andaram a fazer nos últimos anos, a comprar malas Vuitton e sapatos Jimmy Choo!
Passos dizia que as pessoas "simples" percebiam isto, porque de facto para ele as coisas são assim simples. Então como é que nos devemos "cruzar com os nossos credores"? De alpergatas, vestidos de chita, trabalhando dez horas por um salário de miséria? É que não é preciso andar muito tempo para trás para ter sido assim. Ainda há quem se lembre. Deve ser por isso que é preciso "ajustar".
(...) Em alturas de mudança social profunda, neste caso associada à destruição da classe média e ao empobrecimento generalizado, quem não percebe isto, não percebe nada.» (...)
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13 setembro 2012
"Ordenhar vacas magras como se fossem leiteiras"
(...) «Não é a derrapagem do défice que mata a união que faz deste um território, um país. É a cegueira das medidas para corrigi-lo. É a indignidade. O desdém. A insensibilidade. Será que não percebem que o pacote de austeridade agora anunciado mata algo mais que a economia, que as finanças, que os mercados - mata a força para levantar, estudar, trabalhar, pagar impostos, para constituir uma sociedade?»
(...) «Alternativas? Havia. Ter começado a reduzir as "gorduras" que o Governo anunciou ontem que vai começar a estudar para cortar em 2014 (!). Mesmo uma repetição do imposto extraordinário de IRS que levasse meio subsídio de Natal, tirando menos dinheiro aos trabalhadores e gerando mais receita ao Estado, seria mais aceitável. O aumento da TSU é uma provocação. É ordenhar vacas magras como se fossem leiteiras.»
Esta guerra não é para perder. Assim ela será perdida. Não há mais sangue para derramar. E onde havia soldados já só estão as espadas.»
(Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios)
09 março 2012
Mais do mesmo ...
Na revista Visão, em 8 de Março:
«Respostas vagas, incompletas ou mesmo recusa de informação foi o que conseguimos da maioria dos ministérios. Tal como a Associação Sindical dos Juízes, que levou o caso a tribunal.As instâncias judiciais deram-lhe razão, mas a atitude mantém-se: no que toca a despesas dos gabinetes, a palavra de ordem parece ser «quanto mais opaco, melhor».
Do gabinete do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, responderam prontamente que dispunham de um fundo de maneio de 30 mil euros mensais, com o qual se pagam coisas tão diversas como o papel ou as deslocações.
Dos 13 gabinetes contactados, dois - Saúde e Economia - não deram sequer resposta. Os restantes remeteram para legislação ou prestaram informação incompleta.»
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07 março 2012
Fácil e difícil
(...) «"Fácil, fácil é aumentar impostos e cortar salários. Difícil, difícil é enfrentar os grupos económicos, os grandes poderes, que tem de ser enfrentados nas PPP (parcerias público-privadas) e na energia", afirmou ontem à SIC Notícias Manuela Ferreira Leite, ex-ministra das Finanças e ex-líder do PSD.» (...)
04 novembro 2011
O (a)normal castigo fiscal dos normalmente casados
Chamada de atenção no Jornal Economia & Finanças - «Divorcie-se por razões fiscais e deduza o dobro no IRS 2012»:«A desvantagem fiscal entre quem está casado de papel passado e é obrigado a uma declaração conjunta de IRS e quem está casado (união) de facto (e em economia comum) mas não tem o papel passado é já um clássico do nosso sistema fiscal.
(...) a situação se manterá em 2012 com as famílias em união de facto a usufruírem do dobro dos limites de dedução em sede de IRS do que um casal casado passe o pleonasmo.
(...) em tempo de forte aperto financeiro deixar de deduzir 1250€ ou mais por estar formalmente casado pode ser um aspecto a considerar (...), tudo a bem da família naturalmente. Uma questão polémica que se eterniza.»
A petição lá continua no seu sítio: podem assinar.
27 outubro 2011
Sair do armário
(...) «Afinal, os armários estavam cheios de esqueletos. Temos de pagar a factura de anos e anos de irresponsabilidade na utilização do nosso dinheiro. Por isso, quem realmente nos vai agora ao bolso não é o actual Executivo, mas aqueles que, no passado mais ou menos recente, gastaram o dinheiro dos contribuintes como se ele caísse das árvores» (...)
«Acontece que, no próximo ano, em princípio, já não será permitido a Portugal o recurso a medidas extraordinárias, aquelas que só valem uma vez. Por isso o Orçamento para 2012 é muito mais violento do que a troika e o próprio Governo previam há três meses. É que ficar pelos 4,5% do PIB, a meta para 2012, significa baixar para quase metade o défice real de 2011.
Justifica-se a brutalidade? Não irá a recessão ser mais profunda do que o Governo prevê (queda de 2,8% do PIB), reduzindo a receita fiscal e provocando uma espiral austeridade/recessão/défice maior/mais austeridade, como acontece na Grécia e, em menor grau, já se nota por cá?
É, de facto, um risco a espiral austeridade/recessão. Mas não o correr – isto é, falhar em 2012 a meta do défice – não seria um risco, mas uma desgraça garantida. Perderíamos a confiança das instituições que nos apoiam (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), bem como dos mercados. O Estado ficaria imediatamente sem dinheiro.» (...)
«Tem sido apontado como exemplo negativo das receitas da troika o caso da Grécia, que o é, de facto. Mas a intervenção da troika na Irlanda está a resultar, apesar da forte austeridade a que os irlandeses foram sujeitos desde há quase dois anos. É certo que o problema irlandês não foi de falta de competitividade, mas de ‘bolha’ imobiliária e loucura bancária. Mesmo assim, serve para desmentir que as intervenções do FMI, do BCE e da CE estão necessariamente condenadas ao fracasso.»
(Sarsfield Cabral, Sol)
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20 outubro 2011
Governar "à Sócrates"
(...) «Lançar o odioso sobre os funcionários públicos é uma política à Sócrates.
Sócrates na sua fase de "controlo do deficit" também fez o mesmo, colocando juízes e magistrados contra o "povo", professores contra o "povo", "médicos" contra o "povo".
O caso dos professores foi paradigmático: alienou os sectores da classe favoráveis à reforma, mesmo que minoritários, colocando-os do lado dos que recusavam qualquer alteração, gerou uma forte consciência corporativa e tornou as escolas ingovernáveis. Colocar os funcionários públicos como um alvo gera exactamente os mesmo efeitos.» (...) (J. Pacheco Pereira, Abrupto)
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17 outubro 2011
Levar na cabeça
JPP, no abrupto:
«O martelo-pilão abateu-se outra vez sobre os portugueses sob a forma habitual, impostos, aumentos de preços e reduções de salários.
De cada vez que se espera que seja a última, há sempre mais uma. Por isso, a coisa mais fácil de vaticinar é que esta não será a última, e se calhar nem será a mais gravosa.Não só muitas marteladas estarão escondidas no que ainda se desconhece no Orçamento, como se está a caminhar para um ciclo de muito difícil saída.
O que de mais gravoso o primeiro-ministro escondeu na sua declaração, mas que o seu ministro das Finanças está a dizer sob reserva aos partidos, é que uma parte do descalabro orçamental deste ano e do previsível para o ano já não vem dos "buracos", mas da quebra de receitas do Estado, que torna o aumento dos impostos em grande parte ineficaz.
Ou seja, estamos a entrar num ciclo vicioso que se pode aguentar um ano ou dois e, em seguida, ficamos "gregos".» (...)
«Dito isto, a única margem de manobra previsível será ter cumprido a nossa parte de um acordo que nem é bom, nem virtuoso, mas que nos dá um espaço de sobrevivência e, se for cumprido, um espaço de negociação. Esse espaço não depende só de Portugal, mas aí é que se vai ver o que o Governo pensa e propõe sem ser em estado de absoluta necessidade. Só de necessidade.» (...)
«Dito isto, a única margem de manobra previsível será ter cumprido a nossa parte de um acordo que nem é bom, nem virtuoso, mas que nos dá um espaço de sobrevivência e, se for cumprido, um espaço de negociação. Esse espaço não depende só de Portugal, mas aí é que se vai ver o que o Governo pensa e propõe sem ser em estado de absoluta necessidade. Só de necessidade.» (...)
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Para as famílias o corte é "3/3"
Num blogue aqui ao lado e no Diário Económico:
Bagão Félix, ex-ministro das finanças prevê que os cortes de ordenado serão definitivos
(Pergunta - "Não acredita que seja transitório?" Resposta - "Não acredito, é como quando se anuncia um último aumento de impostos. É sempre o último antes do seguinte.") e que, para as famílias, o corte é sempre a somar - «'dois terços do lado da despesa/um terço do lado da receita' é verdade formalmente, mas são três terços do lado do rendimento disponível das famílias. Porque tanto faz aumentar impostos como diminuir prestações e vencimentos.»
(Pergunta - "Não acredita que seja transitório?" Resposta - "Não acredito, é como quando se anuncia um último aumento de impostos. É sempre o último antes do seguinte.") e que, para as famílias, o corte é sempre a somar - «'dois terços do lado da despesa/um terço do lado da receita' é verdade formalmente, mas são três terços do lado do rendimento disponível das famílias. Porque tanto faz aumentar impostos como diminuir prestações e vencimentos.»
07 maio 2011
27 abril 2011
Os tapumes da pobreza
No Economia & Finanças:
(...) «na pior conjuntura económica em muitos anos, se olhássemos apenas para a despesa do Estado em apoios sociais teríamos uma imagem completamente distorcida da realidade nacional.
Na altura em que mais era necessário o Estado estar presente, esse mesmo Estado sai de cena mais rapidamente do que em tempo de vacas menos magras. Esta é uma das perversões da má gestão da coisa pública.
Além de podermos discutir que o Estado não cortou primeiro onde devia, parece também evidente que os cortes
terão de ser generalizados, limitando a possibilidade de ser o estabilizador social que se desejava.
Vale a pena ter em mente estes números sempre que algum grupo, corporação ou beneficiado vier apresentar as suas sãs razões para ser poupado à melhor gestão dos dinheiros públicos.
O referencial de comparação deve ser este: o dos portugueses que estão hoje em situação de penúria total ou muito próximo disso.» (...)
(...) «na pior conjuntura económica em muitos anos, se olhássemos apenas para a despesa do Estado em apoios sociais teríamos uma imagem completamente distorcida da realidade nacional.
Na altura em que mais era necessário o Estado estar presente, esse mesmo Estado sai de cena mais rapidamente do que em tempo de vacas menos magras. Esta é uma das perversões da má gestão da coisa pública.
Além de podermos discutir que o Estado não cortou primeiro onde devia, parece também evidente que os cortes
terão de ser generalizados, limitando a possibilidade de ser o estabilizador social que se desejava.Vale a pena ter em mente estes números sempre que algum grupo, corporação ou beneficiado vier apresentar as suas sãs razões para ser poupado à melhor gestão dos dinheiros públicos.
O referencial de comparação deve ser este: o dos portugueses que estão hoje em situação de penúria total ou muito próximo disso.» (...)
14 abril 2011
O presidente do FMI é socialista
(...) «O presidente do FMI, Dominique Strauss Kahn é um líder socialista, não é um conservador nem é um neoliberal.» (...)
Quem o disse foi Mário Soares: afinal está tudo bem, fica tudo em família :-( Só ainda não entendi como é que o malandro do líder da oposição que, segundo o PM foi o responsável pela vinda do FMI, foi buscar um socialista?! Ainda acabo a emigrar para a Madeira para poder votar no Dr. Jardim ("Tá tudo louco" no contnente)!
A ditadura mole
Henrique Raposo, no Expresso:
(...) «Portugal, 2011: uma jornalista da Lusa foi saneada depois de ter recusado cumprir uma ordem de um assessor de José Sócrates.
O meu país em 2011: uma jornalista foi demitida por não ter noticiado uma coisa que, vejam bem, ainda não tinha acontecido. Este é o último episódio de uma longa lista que comprovam uma coisa: José Sócrates é um perigo para a liberdade de imprensa.
Mas o que é ainda mais perigoso é o silêncio dos jornalistas em relação a estes casos. Ontem, os telejornais não colocaram este caso em destaque (e, se calhar, nem sequer falaram do caso), e os jornais de referência (no online) não falaram do assunto. O dito assunto só circulou nas redes sociais.
Ora, uma jornalista é saneada por razões políticas, e os outros jornalistas não falam disto? O que se passa aqui? Expliquem isto como se eu fosse muito burro.» (...)
05 abril 2011
Diagnóstico e prognóstico imediato
No Jornal de Negócios, Pedro Santos Guerreiro:
O Estado faliu (já se sabia)
No Sol:
Os líderes dos maiores bancos portugueses reuniram ontem no Banco de Portugal e decidiram que não vão emprestar mais dinheiro ao Estado.
(...) «de acordo com o Jornal de Negócios, agora são os bancos nacionais que estão indisponíveis para comprarem mais dívida.
(...) A banca apresenta, contudo, uma alternativa: nos próximos dias, o Estado deverá pedir um empréstimo intercalar de 15 mil milhões de euros à Comissão Europeia.
Este auxílio será suficiente até ao fim de Junho, altura em que o Governo que sair das próximas legislativas deverá solicitar a ajuda do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (ao qual o Fundo Monetário Internacional está associado).» (...)
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28 março 2011
Abissus abissum
(...) «José Sócrates e o PS foram os grandes escavadores do abismo. Não fizeram outra coisa nos últimos seis anos, com ajuda de outros escavadores nos últimos quinze.
O gigantesco buraco que escavaram ficou a olhar para cima com uma pantagruélica, incomensurável boca, na qual um dente de falso ouro, engana os que o olham de cima, atraídos pela luz escassa, que ilude o escuro das profundezas. Luz que parece prometedora, a luz do poder. T
ambém já foi dito: quando alguém olha para o abismo, o abismo olha também de volta. Invocat. Chama. E O PSD atirou-se, iludido pelo falso ouro, e pelas vozes. Duvido que alguém saiba muito bem o que está lá no fundo. » (...) (JPP, no Abrupto)
06 fevereiro 2011
Baixar salários pode ser uma má ideia?
Entrevista no i a Keith Wade (Schroeders´s) em Novembro de 2010:
(..) «A possibilidade de redução de salários é uma discussão que está a ser tida em Portugal. Essa estratégia não resulta?
Há o perigo de se entrar num ciclo vicioso. A competitividade que se ganha por reduzir os custos de produção pode não chegar suficientemente depressa para cobrir os resultados negativos. Pode-se cortar nos salários, mas a economia vai atingir um novo equilíbrio, muito fraco, com taxas de desemprego elevadas e sem voltar necessariamente ao pleno emprego. Esta era uma das teorias de Keynes. Algumas pessoas acham que o poder de reconquistar competitividade é tão forte que se esquecem da importância do consumo interno. O problema é que a economia global não está suficientemente forte, caso contrário levantaria toda a gente. Enfraquecer o consumo interno não resolve o problema e, se resolver, demora muito tempo. Pode demorar até cinco anos.
E não é garantido que funcione?
Não. Pode ajudar, mas numa altura de fraco crescimento é perigoso e pode criar problemas de desemprego estrutural e défice estrutural.
Os países periféricos acabarão por ter de sair do euro para resolver os seus problemas estruturais e afastar as pressões do mercado?
A questão é se estes resgates vão continuar com base em vontade política. Agora há um ponto de interrogação em relação à vontade da Alemanha de continuar a fazer estas transferências. E países como a Grécia e Portugal vão aceitar a perda de soberania de ver o seu orçamento controlado? Isto pode levar os países a abandonarem o euro.
Mas acha que na prática isso vai mesmo acontecer?
Pode muito bem acontecer. A ideia de aumentar a competitividade através da deflação é um caminho muito difícil e não estou convencido que resulte. No final de tudo isto, o povo português pode dizer: “Tivemos cinco anos de austeridade e ainda não controlamos o nosso orçamento, então para quê estar no euro?”
É possível ter dois euros? Um para o Norte e outro para o Sul?
É possível. Mas já não seria uma zona euro. Seriam precisos dois bancos centrais para duas moedas.
Mas a solução seria melhor para os periféricos do que voltar às suas moedas?
Não sei. De certa forma é a mesma coisa. Seria uma moeda fraca, cuja desvalorização poderia ajudar a competitividade. Seria complicado, porque seria necessário organizar toda uma estrutura institucional.
Acha que o euro vai acabar?
Não consigo responder a isso com sim ou não. Mas há uma forte probabilidade de a composição do euro ser diferente daqui a alguns anos.» (...)
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