(...) «Procurando numa prateleira de um alfarrabista que oferecia livros a três e cinco euros, e nem sabendo que o Tartarin era do meu homónimo Afonso Daudet os meu dedos catam o Tartarin nos Alpes numa edição portuguesa. Que coincidência! Mas logo mais à frente, o que me interessou foi o Elogio da Loucura de Erasmo de Roterdão que logo agarrei por cinco euros.E segui para outra editora. Estava eu muito concentrado a ler as lombadas de vários livros em saldo quando - de repente – um berro soprado como se fosse uma vuvuzela soou a vinte centímetros do meu ouvido, vindo por trás de mim: SOPA!
Com o susto, dei um salto para o lado com coração em arritmia e levantei o braço direito para me defender do ataque. O Elogio da Loucura era o meu escudo.
Os olhos pretos nas órbitas brancas de uma mulher louca fixavam-me com um brilho de animal selvagem e a boca desdentada e escura como um buraco voltou a berrar: SOPA! UMA SOPA!
As mãos da doida agarraram-me os braços como se ela se estivesse a afogar. Eu recuava e defendia-me com o Elogio da Loucura e perguntei: quanto custa uma sopa? A louca gritou: um euro e cinquenta!» (...) Ler mais no blogue de António Mexia Alves