Algumas pessoas pensam assim sobre o temperamental e eticamente instável Mel Gibson; bastantes californianos votaram em Arnold Schwarznegger para o fazerem governador, embora sabendo da sua abordagem hollywoodesca sobre o amor e a união; e Dominique Strauss-Kahn era reconhecido como um notório mulherengo muito antes dos chefões europeus o porem à cabeça do FMI.
«O resto da sociedade, no entanto, terá de dar uma ajuda a situações como a do FMI. As organizações (que se pressupõem democráticas) são pelo menos tão boas eticamente, como as pessoas que representam. Cada um de nós é capaz dos maiores males; da mesma maneira, os povos que elegem os Schwarzneggers e os Berlusconis, bem como os governos que apoiam os Strauss-Kahn. Tudo isto nos deve causar uma profunda preocupação. E nessa frente ética há muito trabalho a fazer.
Então porque é que os lapsos morais dos Gibsons, Schwarzneggers e Dominique Strauss-Kahns continuam a fazer manchetes de primeira página e causar debates públicos, investigações de alto nível e - muitas vezes - demissões? Estas figuras públicas estão a portar-se pior do que os inúmeros cidadãos comuns? O que se poderia esperar que eles fizessem? (...)
«Enquanto a tinta quase secou a escrever histórias sobre a suite do chefe do FMI no hotel de luxo em Nova York, os britânicos estão irados devido aos gastos perdulários da Comissão Europeia em jactos, festas, resorts e todo o tipo de despesas - 8 milhões de libras nos últimos anos -, tudo isto agravado pelo pedido de aumento do orçamento.
A mensagem desta indignação moral é que - à parte as celebridades - esperamos mais dos nossos representantes e funcionários públicos do que se fossem personagens de folhetins televisivos ou de filmes sobre ditadores obcecados pelo poder, e esperamos que se nivelem por padrões éticos. Mas quais são esses padrões?» (...)
«O resto da sociedade, no entanto, terá de dar uma ajuda a situações como a do FMI. As organizações (que se pressupõem democráticas) são pelo menos tão boas eticamente, como as pessoas que representam. Cada um de nós é capaz dos maiores males; da mesma maneira, os povos que elegem os Schwarzneggers e os Berlusconis, bem como os governos que apoiam os Strauss-Kahn. Tudo isto nos deve causar uma profunda preocupação. E nessa frente ética há muito trabalho a fazer.Uma nova sondagem do instituto Gallup sobre as questões morais mostra que, embora a grande maioria dos americanos se oponha a relações extra-conjugais (o dano é demasiado pessoal para ignorar), há uma considerável tolerância de comportamento que prejudica o matrimónio e a família - incluindo pornografia, sexo e parentalidade fora do casamento. Além disso, a tolerância para essas matérias é maior entre os jovens adultos do que nos grupos etários mais velhos. É duvidoso que as coisas sejam muito diferentes nos outros países ricos.
Também é difícil ver como podemos ter líderes com altos padrões de ética, quando o terreno em que eles assentam se está a desmoronar»
(Em MercatorNet e Aceprensa)