Jornal de Negócios

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21 agosto 2011

mais lucidez ...

No sitio do feroz Sindicato Independente dos Médicos, pode ler-se:

«19-08-2011 Por: Carlos Arroz
Durante meses fomos bombardeados com uma lógica ideológica causa efeito irrefutável: a esquerda defende o SNS, a direita, através da privatização, apenas pretende desmantelá-lo.
Durante anos assistimos a juras ao SNS e a um imobilismo estúpido. Qualquer tentativa de mudança por via de racionalização de recursos ou de oferta de serviços era entendido como um ataque ao âmago, ao sagrado. Venderam-se loas e martelaram-se números. Esconderam-se défices obscenos. Mentiu-se descaradamente sobre a falência dos Centros de Saúde e o avassalador crescimento de utentes sem acesso a Médico de Família. Chutou-se borda fora a experiência e a competência dos médicos portugueses em troca de indiferenciados da América Latina. Susteve-se reforma para não atrapalhar candidaturas a deputados de quem deveria ser executivo.

Agora um Governo de coligação de partidos à direita do espectro político e um Ministério da Saúde onde pontificam, segundo a imprensa, homens conotados com a Opus Dei, ambos zelosos no cumprir de compromissos rubricados com entidades financeiras e políticas internacionais, decidem, em dois singelos meses:
- acabar com a experiência das PPP na área da Saúde e reavaliar as existentes
- racionalizar a capacidade instalada no SNS quanto a Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica, dando uma machadada de dimensões ainda difíceis de calcular nos convencionados
- fazer um cerco à prestação de serviços no SNS
- introduzir Normas de Orientação Clínica
- obrigar à redução das horas extra o que levará, obrigatoriamente, ao encerramento e fusão de serviços, incluindo Urgências
Não sabemos o que se seguirá embora o guião seja conhecido.
Todas as medidas listadas defendem objectivamente o SNS e foram tomadas por quem foi acusado de o ir destruir.
Conhecem, na História recente, maior ironia ideológica?»

14 abril 2011

A ditadura mole

Henrique Raposo, no Expresso:
(...) «Portugal, 2011: uma jornalista da Lusa foi saneada depois de ter recusado cumprir uma ordem de um assessor de José Sócrates. 
O meu país em 2011: uma jornalista foi demitida por não ter noticiado uma coisa que, vejam bem, ainda não tinha acontecido. Este é o último episódio de uma longa lista que comprovam uma coisa: José Sócrates é um perigo para a liberdade de imprensa. 

Mas o que é ainda mais perigoso é o silêncio dos jornalistas em relação a estes casos. Ontem, os telejornais não colocaram este caso em destaque (e, se calhar, nem sequer falaram do caso), e os jornais de referência (no online) não falaram do assunto. O dito assunto só circulou nas redes sociais. 

Ora, uma jornalista é saneada por razões políticas, e os outros jornalistas não falam disto? O que se passa aqui? Expliquem isto como se eu fosse muito burro.» (...)