(...) «Louçã e companhia, na sua falta de gratidão e respeito pelo passado, gostariam de esconder os antigos combatentes, fechá-los num armário para que eles não apareçam, porque são a memória de um tempo iníquo. E dizem-se eles democratas e liberais. Não vejo onde.» (Pedro Lomba, no Público, de 17 de Março)
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21 março 2011
18 março 2011
«Sair do socialismo com dor»

No Jornal de Negócios, Fernando Braga de Matos:
«este socialismo de ventre mole que não compete com o capitalismo de Estado da China, nem com a social democracia de mercados altamente competitivos, nem com o liberalismo americano»
(...) «Sabemos agora, de maneira extremamente penosa mas definitiva, que este modelo esclerótico não funciona e que já caminhava para a ruptura há 15 anos, como demonstrava o famoso gráfico de Medina Carreira, exibido vezes sem conta pelo ecrã de TV para todos verem o despudor: economia catatónica + despesa em crescimento anual de vários pontos percentuais = falência.
Para sair dolorosamente da nossa cruz, ouço falar de novos paradigmas salvadores, mas como já estão todos vistos ao longo da História do mundo, muito em particular nos últimos 200 anos, deve tratar-se de alguma religião nova, tipo Cientologia, trazida do espaço sideral por seres verdes, mas não necessariamente ecologistas.
Para mim, cidadão monótono e pouco dado à fantasia, basta-me a evidência empírica para assegurar que resulta o que resultou, falha o que falhou, arranja-se o que é susceptível de arranjo, e o resto são fantasias.
Querem saber quais são os nove países mais avançados do mundo, no Índice do Instituto Legatum (citado por Fareed Zacaria, na Time), o qual considera a riqueza material e a qualidade de vida? Noruega, Dinamarca, Finlândia, Austrália, Nova Zelândia, Suécia, Canadá, Holanda e Suíça , por esta ordem (1).
Em todos eles há mercados fortemente competitivos, intervenção mínima do Estado na economia, cheques-ensino, estímulo a sistemas mistos de saúde, sistemas de Segurança Social com base também na capitalização, a chamada flexisegurança, horrores a que aqui chamam neoliberalismo. (...)
(1) Os EUA são o 10º.
«Só as ditaduras se justificam pelo "conteúdo"» ...
«O eng. Sócrates comprometeu Portugal em Bruxelas com o PEC IV, sem comunicar coisa alguma ao Parlamento, ao Presidente da República, aos partidos da oposição e aos parceiros sociais.
Quando umas tantas pessoas protestaram, o eng. Sócrates respondeu, indignadamente, que o que lhe importava não era a "forma", era o "conteúdo" do que fizera.Só em Portugal esta explicação poderia ter passado sem um escândalo maior, ou mesmo sem a demissão imediata do primeiro-ministro. (...) A democracia é "forma". Só as ditaduras se justificam pelo "conteúdo".» (...) Vasco Pulido Valente, no Público.
17 março 2011
"Portugal é o país da europa onde os homens se reformam mais tarde"
«Portugal é o país da Europa onde os homens se reformam mais tarde, aos 67 anos e dois anos depois da idade legal de reforma, segundo o relatório da OCDE 'Pensions at a Glance', hoje divulgado.Para este cálculo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) utilizou a idade média de reforma efectiva entre 2004 e 2009 dos 30 países que integram a organização.» (...) No Sol.
09 março 2011
Para ler
JPP, no Abrupto, irritante como de costume, mas realista:
(...) «As condicionantes que hoje existem para Sócrates serão as mesmas que terá Passos Coelho na governação, as mesmas ou piores. Basta pensar um pouco, exercício que não faz muita gente no PSD que acha que as portas dos ministérios estão escancaradas à sua frente a cada sondagem favorável e que não percebe por que é que não se entra já por aí dentro para ocupar os gabinetes e os carros do Estado e acrescentar um título pomposo aos cartões-de-visita novos em folha para distribuir na terra.
Pensando-se, chega-se à conclusão de puro bom senso que, mesmo que haja algum estado de graça num novo Governo e alguma distensão sem Sócrates, e, na possibilidade de haver uma maioria absoluta de dois partidos, um passo muito positivo para a governação, tudo o resto que condiciona a governação hoje continuará na mesma.
Em particular continua na mesma a necessidade de fortes programas de austeridade, com as consequentes efeitos de agitação e perturbação social, potenciados por uma esquerda ainda mais enraivecida e um PS ressabiado pela queda. Ou será que alguém pensa, no PSD, que se vai mentir nas eleições, prometendo qualquer "esperança" virtual no fim próximo do túnel? Pelo contrário, a única linguagem séria é falar verdade aos portugueses, essa palavrinha que tanto irritava Sócrates e os seus aliados no PSD contra Ferreira Leite.
A única alteração qualitativa neste cenário seria um acordo consistente, duradouro, firmemente ancorado no voto popular e parlamentar, que comprometesse PSD, PS e CDS, algo hoje muito improvável, mesmo na situação desesperada actual.
A única alteração qualitativa neste cenário seria um acordo consistente, duradouro, firmemente ancorado no voto popular e parlamentar, que comprometesse PSD, PS e CDS, algo hoje muito improvável, mesmo na situação desesperada actual.
Por isso, este vosso autor que sempre se opôs a qualquer variante de "bloco central" (e que obviamente entende que não é isso que está a propor), tem poucas dúvidas de que, sem um entendimento desta natureza de boa-fé e sólido que compreenda questões constitucionais, de governação, de reorganização administrativa do país, de mudanças profundas na justiça, na legislação do trabalho, na fiscalidade e nos impostos, ou seja, em quase tudo o que pode ser bloqueado ou pelo PS ou pelo PSD na oposição, não vamos lá. Nem nós, nem eles, nem todos. Xeque-mate em meia dúzia de jogadas, ou alguém atira os tabuleiros ao chão e a parte democrática do jogo soçobrará na demagogia e depois na anarquia. Já estivemos mais longe»
Nem tudo vale no Carnaval
(...) »Na 2ª feira, confrontado com a entrada de um grupo de jovens da "geração à rasca" na sala onde decorria um encontro com militantes do PS, José Sócrates, surpreendido, ainda conseguiu dizer: "É Carnaval, ninguém leva a mal".
(...) revelam miopia face a problemas graves da sociedade. No caso da "geração à rasca", a tentação da classe política (não apenas o PS) tem sido para desvalorizar os protestos.
Com excepção do BE, que percebeu a oportunidade mas não tem sabido surfar a onda.Voltemos à "geração à rasca". A tentação é não ligar a uma força difusa, cuja "cola" que a une é a contestação aos políticos que construíram uma sociedade onde eles não têm emprego e onde vão viver pior que as gerações anteriores. O alheamento da classe política é preocupante. Porque aos poucos começa a notar-se um crescendo, acelerado pela canção dos "Deolinda".
E embora estejamos num país onde os jovens mais radicais são meninos de côro quando comparados com os seus congéneres franceses, gregos e até espanhóis, um dia a corda parte. Com estrondo. Porque o problema é tão grave que não há "quick fixes" que o resolvam.»
(...) revelam miopia face a problemas graves da sociedade. No caso da "geração à rasca", a tentação da classe política (não apenas o PS) tem sido para desvalorizar os protestos.
Com excepção do BE, que percebeu a oportunidade mas não tem sabido surfar a onda.Voltemos à "geração à rasca". A tentação é não ligar a uma força difusa, cuja "cola" que a une é a contestação aos políticos que construíram uma sociedade onde eles não têm emprego e onde vão viver pior que as gerações anteriores. O alheamento da classe política é preocupante. Porque aos poucos começa a notar-se um crescendo, acelerado pela canção dos "Deolinda".
E embora estejamos num país onde os jovens mais radicais são meninos de côro quando comparados com os seus congéneres franceses, gregos e até espanhóis, um dia a corda parte. Com estrondo. Porque o problema é tão grave que não há "quick fixes" que o resolvam.»
14 fevereiro 2011
Weimar
JPP no Abrupto:
(...) «o ar começa a ser o mesmo, mais moderno e tecnológico, mas o mesmo. Como nos anos de Weimar, os grandes partidos moderados estão muito fragilizados, PS e PSD alimentam-se cada vez mais das suas oligarquias internas e menos da influência pública. "Eles são todos iguais". Como nos anos de Weimar, a democracia e as suas instituições estão desgastadas e impotentes, a começar pelo Parlamento. Existe a percepção (e a realidade) que o país é mandado do exterior, seja por "agiotas", na versão do BE, seja pelos "mercados" na versão da direita. A crise económica e social não se revela nas notas de 1.000.000 de marcos, nem nos selos com sobrecargas sucessivas para resistir à inflação galopante, mas num euro cada vez mais forte para o cidadão comum.
A prostituição cresce nas páginas dos jornais e nos espíritos. A fome é muita, os bens são escassos, os empregos não abundam, e somos todos primos uns dos outros. O reino das cunhas mantém-se intacto. Cunhas, patrocinato, obediência, silêncios, respeitinho, "gestão de carreiras". Nos partidos políticos que têm lugares para oferecer, é a lei de ferro. As oligarquias partidárias e os grandes interesses estão demasiados habituados ao tráfico de influências e à corrupção, que arrastam atrás de si a imagem da gente honesta para a mesma lama. "Eles são todos uns ladrões".» (...)
A prostituição cresce nas páginas dos jornais e nos espíritos. A fome é muita, os bens são escassos, os empregos não abundam, e somos todos primos uns dos outros. O reino das cunhas mantém-se intacto. Cunhas, patrocinato, obediência, silêncios, respeitinho, "gestão de carreiras". Nos partidos políticos que têm lugares para oferecer, é a lei de ferro. As oligarquias partidárias e os grandes interesses estão demasiados habituados ao tráfico de influências e à corrupção, que arrastam atrás de si a imagem da gente honesta para a mesma lama. "Eles são todos uns ladrões".» (...)
07 fevereiro 2011
sexos há 2, "géneros", 5
No Público de sábado, 5 de Fevereiro, Pedro Vaz Patto:
(...) «O sexo representa a condição natural e biológica da diferença física entre homem e mulher. O género representa uma construção histórico-cultural. Há apenas dois sexos: o masculino e o feminino. Há cinco géneros (ou até mais, de acordo com outras versões): o heterossexual masculino e feminino, o homossexual masculino e feminino e o bissexual.
O sexo é um facto empírico, real e objectivo que se nos impõe desde o nascimento. A identidade de género constrói-se através de escolhas psicológicas individuais, expectativas sociais e hábitos culturais, e independentemente dos dados naturais. Para estas teorias, o género assim concebido deve sobrepor-se ao sexo assim concebido.
E como o género é uma construção social, este pode ser desconstruído e reconstruído. As gender theories sustentam a irrelevância da diferença sexual na construção da identidade de género e, por consequência, também a irrelevância dessa diferença na relações interpessoais, nas uniões conjugais e na constituição da família.
Daqui surge a equiparação entre uniões heterossexuais e uniões homossexuais. Ao modelo da família heterossexual sucedem-se vários tipos de "família", tantos quantas as preferências individuais e para além de qualquer "modelo" de referência.» (...)
«Pretende-se impor esta ruptura desde cima, desde as instâncias do poder. Ela não surge espontaneamente da sociedade civil e da mentalidade corrente.
Pretende-se transformar através da política e do direito essa mentalidade. E o que está em causa não é um aspecto secundário, mas referências culturais fundamentais relativas à relevância da dualidade sexual.
Admitir que a Lei sirva propósitos destes, numa pretensa engenharia social, revela tendências mais próprias de um Estado totalitário do que de um Estado respeitador da autonomia da sociedade civil.» (Público, 5 de Fevereiro)
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06 fevereiro 2011
Baixar salários pode ser uma má ideia?
Entrevista no i a Keith Wade (Schroeders´s) em Novembro de 2010:
(..) «A possibilidade de redução de salários é uma discussão que está a ser tida em Portugal. Essa estratégia não resulta?
Há o perigo de se entrar num ciclo vicioso. A competitividade que se ganha por reduzir os custos de produção pode não chegar suficientemente depressa para cobrir os resultados negativos. Pode-se cortar nos salários, mas a economia vai atingir um novo equilíbrio, muito fraco, com taxas de desemprego elevadas e sem voltar necessariamente ao pleno emprego. Esta era uma das teorias de Keynes. Algumas pessoas acham que o poder de reconquistar competitividade é tão forte que se esquecem da importância do consumo interno. O problema é que a economia global não está suficientemente forte, caso contrário levantaria toda a gente. Enfraquecer o consumo interno não resolve o problema e, se resolver, demora muito tempo. Pode demorar até cinco anos.
E não é garantido que funcione?
Não. Pode ajudar, mas numa altura de fraco crescimento é perigoso e pode criar problemas de desemprego estrutural e défice estrutural.
Os países periféricos acabarão por ter de sair do euro para resolver os seus problemas estruturais e afastar as pressões do mercado?
A questão é se estes resgates vão continuar com base em vontade política. Agora há um ponto de interrogação em relação à vontade da Alemanha de continuar a fazer estas transferências. E países como a Grécia e Portugal vão aceitar a perda de soberania de ver o seu orçamento controlado? Isto pode levar os países a abandonarem o euro.
Mas acha que na prática isso vai mesmo acontecer?
Pode muito bem acontecer. A ideia de aumentar a competitividade através da deflação é um caminho muito difícil e não estou convencido que resulte. No final de tudo isto, o povo português pode dizer: “Tivemos cinco anos de austeridade e ainda não controlamos o nosso orçamento, então para quê estar no euro?”
É possível ter dois euros? Um para o Norte e outro para o Sul?
É possível. Mas já não seria uma zona euro. Seriam precisos dois bancos centrais para duas moedas.
Mas a solução seria melhor para os periféricos do que voltar às suas moedas?
Não sei. De certa forma é a mesma coisa. Seria uma moeda fraca, cuja desvalorização poderia ajudar a competitividade. Seria complicado, porque seria necessário organizar toda uma estrutura institucional.
Acha que o euro vai acabar?
Não consigo responder a isso com sim ou não. Mas há uma forte probabilidade de a composição do euro ser diferente daqui a alguns anos.» (...)
Fazer
O problema da maior parte dos nossos políticos que enchem a boca com o discurso do "estado social" é que não sabem o que é prestar um serviço gratuitamente a quem está ao seu lado. Esta é talvez a maior diferença entre os políticos de agora, com grande dificuldade em aderir à realidade, e a primeira geração de políticos do pós 25 de Abril, como Ernâni Lopes, Sá Carneiro, Amaro da Costa ou António Guterres, com uma enorme sensibilidade social.
(...) «Dedicar livremente uma parte do nosso tempo a prestar um serviço, seja ele qual for, à comunidade é uma experiência fundamental para qualquer homem ou mulher.
O desafio que este ano propõe é para todos e devia ser mais do que um discurso para a classe política.
O voluntariado que fizeram, tal como o que fez Obama, dá aos homens políticos um outro olhar sobre a realidade, permite-lhes falar de coisas que as pessoas reconhecem e tomar medidas mais adequadas. Não é por acaso que nas sociedades mais Nas sociedades evoluídas o voluntariado é uma parte integrante do curriculum.
Seria uma aposta ganha se, este ano, em vez de discursos, a nossa classe política decidisse arregaçar as mangas e dedicar algum do seu tempo, gratuitamente, a ajudar quem mais precisa. Quem sabe não encontrariam mais facilmente resposta para a crise.» (Raquel Abecassis, na RR on-line 31-01-2011)
18 janeiro 2011
Mais do mesmo (até quando?)
«As taxas cobradas em contrapartida pela prestação de serviços das administrações públicas estão a sofrer agravamentos brutais. É uma forma, menos visível do que os impostos, de deitar a mão a uma fatia cada mais elevada dos rendimentos dos contribuintes. E, tal como a inflação, é um expediente cego porque não distingue rendimentos baixos, médios ou elevados. Paga toda a gente por igual e sem alternativa.O descalabro das finanças públicas é o motivo que explica a situação. Tem conduzido a sucessivos aumentos da carga fiscal sobre as famílias e as empresas. O problema é que o Estado deixou subir as suas despesas a um ritmo tão desenfreado que as receitas dos impostos nunca chegam para suportar tudo aquilo com que se comprometeu. Em desespero, o Governo descobriu, agora, outra fonte de rendimentos e parece que nada escapa à voracidade dos cofres públicos.
No levantamento das taxas que vão sofrer, ou já sofreram, agravamentos, e que o Negócios publica hoje, é fácil perceber que os mesmos serviços vão passar a custar muito mais para quem a eles tenha de recorrer. Há aumentos de preços que, em variação percentual, atingem quatro dígitos, uma prática que, no sector privado, certamente chamaria a atenção de reguladores e entidades de defesa do consumidor que não andassem a dormir. A questão é que os comportamentos que o Estado exige aos outros, dispensa-se a si próprio de observar, mantendo uma triste tradição portuguesa em que os serviços públicos não servem os cidadãos, são estes que os têm que servir, sem apelo, nem agravo. » (...) No Jornal de Negócios ...
17 janeiro 2011
Elogio do voto coerente
No Público de hoje, Gonçalo Portocarrero:
«O voto numa candidatura sem possibilidades reais de vitória ou a abstenção afiguram-se ser as opções mais coerentes.
Em tempos de eleições presidenciais, legislativas ou autárquicas, é recorrente o recurso ao argumento do voto útil. Na gíria política, entende-se por voto útil a escolha do candidato ou do partido que, mesmo não reunindo as condições que o eleitor desejaria sufragar, é, no entanto, o menos mau dos candidatos com hipóteses de ganhar. Na perspectiva eleitoral, o voto num partido ou candidato que nunca poderá vencer é sempre um voto perdido ou, pior ainda, um voto nas candidaturas que ficariam beneficiadas com a inutilidade prática desse voto idealista.
À medida que se aproxima um acto eleitoral, esfumam-se os axiomas éticos e os princípios, que cedem o seu lugar à pressão das sondagens e das conveniências do momento, quase sempre apresentadas como inadiáveis exigências de salvação nacional. À conta desses pretensos imperativos de ordem pública, engolem-se não poucos sapos e conspícuos cavalheiros travestem-se ideologicamente, em malabarismos de rara acrobacia e discutível moralidade. E quem não se disponibilizar para uma tal cambalhota eleitoral e decidir não vender, nem hipotecar, o seu voto, é certo e sabido que pagará cara a factura da sua verticalidade: à partida é, pelo menos, um utópico e, à chegada do desastrado resultado eleitoral que a sua atitude propiciou, é um cúmplice do inimigo, um traidor.
É sabido que a história do voto útil tem barbas. Nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, o voto útil funcionou a favor de duas grandes forças extremistas. Quando a Alemanha se encontrava numa muito delicada situação interna e externa, os nazis apareceram como a força mais eficaz para deter o triunfante bolchevismo, que ameaçava a liberdade alemã e europeia. É certo, em termos históricos, que muitos dos apoiantes de Hitler o fizeram à conta do voto útil: mesmo não concordando com as teses nazis, entenderam que essa era a única força política capaz de deter o comunismo internacional e, por isso, deram-lhe o seu voto. Em sentido contrário, o voto útil também funcionou a favor do bolchevismo que, para muitos antinazis, parecia ser o mal menor ou, pelo menos, a única estrutura partidária com força suficiente para se opor, com eficácia, ao nacional-socialismo. Mas é óbvio que tanto uns como os outros, quer votando de olhos fechados em Hitler, quer dando o seu contrariado voto aos seguidores de Estaline, favoreceram as respectivas tiranias e votaram contra a liberdade, a democracia e o bem comum. Os seus votos foram úteis, sem nenhuma dúvida, mas para o mal.

Não é só na vida privada que o crime não compensa, porque também na vida política essas leviandades pagam-se caras, como sabem os que sofreram a ditadura nazi na Alemanha, ou os que padeceram os horrores do comunismo na Rússia e nos outros países que também viveram, ou ainda vivem, sob a ditadura do proletariado. Na realidade, tanto os que sufragaram Hitler como os que apoiaram Estaline perderam, porque a vitória moral e política foi daqueles "inúteis" que souberam privilegiar uma atitude de coerência ética, sem se deixarem intimidar pelos falsos argumentos de uma suposta utilidade nacional ou internacional.
Se, por absurda hipótese, houvesse que escolher entre Estaline e Hitler, seria caso para dizer que venha o diabo e que escolha porque, por mais útil que fosse votar em Hitler, para que Estaline não pudesse ganhar, ou votar em Estaline, para que Hitler não saísse vencedor, seria sempre uma escolha dos diabos. E a quem o não seja, só lhe resta uma hipótese digna: não votar em nenhum dos dois, por mais inútil que uma tal atitude pudesse parecer.
Em Portugal, Hitler e Estaline não vão a votos, felizmente, e portanto é moralmente lícita a votação num candidato que, mesmo sendo defectível, é o menos mau dos possíveis ganhadores. Mas o voto numa candidatura sem possibilidades reais de vitória ou a abstenção, quando são escassas as garantias de idoneidade moral dos prováveis eleitos, afiguram-se ser as opções mais coerentes para quem, na sua vida pessoal e na sua actuação pública, não se pauta por conveniências contingentes, mas por princípios e valores permanentes.»
(Gonçalo Portocarrero, Licenciado em Direito e doutorado em Filosofia. Vice-presidente da Confederação Nacional das Associações de Família (CNAF))
03 janeiro 2011
29 dezembro 2010
O presidente da EDP e os pobres
Zita Seabra, no DN, de 28 de Dezembro:
«Três dias antes do Natal, assistia calmamente ao Telejornal da RTP1 quando vi a grande notícia da noite. Entre os atentados em Bagdade e as agências de rating, uma voz off anuncia o que as câmaras filmam: o presidente da maior empresa pública portuguesa a levar dois saquinhos de papel com roupa usada e um brinquedinho (usado) para uns caixotes de cartão, cheios de coisas usadas para oferecer no Natal.
Fiquei comovida. Que imagem de boa pessoa, que gesto bonito: pegar num fatinho usado do seu guarda-vestidos que deve ter uns 200 e num pequeno brinquedo de peluche, e depositar tudo no caixote de cartão para posteriormente ser redistribuído? À administração da empresa? Não, a notícia explica que é para oferecer aos pobrezinhos, que estão a aumentar com a crise. A RTP, Telejornal à hora nobre, filma o comovente gesto. Em off, o locutor explica o sentido dizendo que alguém vai ter no sapatinho um fato de marca. Olhando para os sacos de papel, percebe-se que esse alguém também receberá umas meias usadas e talvez mesmo uma camisa de marca usada.
Primeiro, pensei que estava a dormir e um pesadelo me fizera voltar ao tempo de Salazar, à RTP a preto e branco ou à série da Rita Blanco «Conta-me como foi».
Mas não, eu estava acordada e a ver o presidente da EDP no Telejornal da RTP 1 (podem ver o filme na net) posar sorridente para as câmaras, a levar um saquinho a um caixote, que não era de lixo, mas de oferta. Por acaso, estava à porta da EDP a RTP a filmar o gesto. Iam a passar e filmaram, certamente, porque para os pobres os fatos em segunda mão de marca assentam como uma luva.
Um velhinho num lar de Vila Real vestido Rosa & Teixeira sempre é outra coisa. Ou o homeless na sopa dos pobres com Boss faz outra figura, ou o desempregado com Armani numa entrevista do fundo de desemprego... Mentalidade herdada do Estado Novo, foi a minha primeira análise, teorizando imediatamente que os ricos em Portugal, os que recebem prémios de milhões em empresas públicas e ordenados escandalosos e que puseram o mundo e o país como se vê, são os mesmos com a mesma mentalidade salazarenta. Mas nem é verdade, pois, mesmo nesse tempo, as senhoras do regime organizavam enxovais novos nas aulas de lavores do meu liceu para dar no Natal aos pobres que iam nascer.
Tantos assessores de imprensa na EDP, tantos assessores na Fundação EDP, milhões de euros gastos em geniais campanhas de marketing, tantas cabeças inteligentes diariamente pagas para vender a imagem do presidente da EDP, tudo pago a preço de ouro, e não concebem nada melhor do que mandar (!?) filmar, no espaço do Telejornal mais importante do país, um gesto indigno, triste, lamentável, que envergonha quem vê. Não têm vergonha? Não coraram? E a RTP que critérios usa no Telejornal para incluir uma notícia?
Há uns meses escrevi ao presidente da EDP e telefonei-lhe mesmo, a pedir ajuda da empresa para reparar a velha instalação eléctrica, gasta pelo uso e pelo tempo, de uma instituição, onde vivem 40 adultas cegas e com deficiências e que têm um dos mais ricos patrimónios culturais do país. A instituição recebeu meses depois a resposta: a Fundação EDP esclarecia que esse pedido não se enquadrava nas suas atribuições.
Agora percebi. Pedia-se fios eléctricos, quadros eléctricos novos e lâmpadas novas. Devia-se ter escrito ao senhor presidente da maior empresa (pública) portuguesa, com os maiores prémios de desempenho, cujo vencimento é superior ao do presidente dos Estados Unidos, para que oferecesse uma lâmpada em segunda mão, que ainda acendesse e desse alguma luz. Talvez assim mandasse um dos seus motoristas, com um dos geniais assessores de imprensa e um dos fantásticos directores de marketing, avisar a RTP (a quem pagamos uma taxa na factura da luz) para virem filmar a entrega da lâmpada num saquinho de papel.
2011 anuncia-se um ano duro para os portugueses e sê-lo-á tanto mais quanto os responsáveis pelo estado a que se chegou não saírem da nossa frente.»
«Três dias antes do Natal, assistia calmamente ao Telejornal da RTP1 quando vi a grande notícia da noite. Entre os atentados em Bagdade e as agências de rating, uma voz off anuncia o que as câmaras filmam: o presidente da maior empresa pública portuguesa a levar dois saquinhos de papel com roupa usada e um brinquedinho (usado) para uns caixotes de cartão, cheios de coisas usadas para oferecer no Natal.
Fiquei comovida. Que imagem de boa pessoa, que gesto bonito: pegar num fatinho usado do seu guarda-vestidos que deve ter uns 200 e num pequeno brinquedo de peluche, e depositar tudo no caixote de cartão para posteriormente ser redistribuído? À administração da empresa? Não, a notícia explica que é para oferecer aos pobrezinhos, que estão a aumentar com a crise. A RTP, Telejornal à hora nobre, filma o comovente gesto. Em off, o locutor explica o sentido dizendo que alguém vai ter no sapatinho um fato de marca. Olhando para os sacos de papel, percebe-se que esse alguém também receberá umas meias usadas e talvez mesmo uma camisa de marca usada.
Primeiro, pensei que estava a dormir e um pesadelo me fizera voltar ao tempo de Salazar, à RTP a preto e branco ou à série da Rita Blanco «Conta-me como foi».
Mas não, eu estava acordada e a ver o presidente da EDP no Telejornal da RTP 1 (podem ver o filme na net) posar sorridente para as câmaras, a levar um saquinho a um caixote, que não era de lixo, mas de oferta. Por acaso, estava à porta da EDP a RTP a filmar o gesto. Iam a passar e filmaram, certamente, porque para os pobres os fatos em segunda mão de marca assentam como uma luva.
Um velhinho num lar de Vila Real vestido Rosa & Teixeira sempre é outra coisa. Ou o homeless na sopa dos pobres com Boss faz outra figura, ou o desempregado com Armani numa entrevista do fundo de desemprego... Mentalidade herdada do Estado Novo, foi a minha primeira análise, teorizando imediatamente que os ricos em Portugal, os que recebem prémios de milhões em empresas públicas e ordenados escandalosos e que puseram o mundo e o país como se vê, são os mesmos com a mesma mentalidade salazarenta. Mas nem é verdade, pois, mesmo nesse tempo, as senhoras do regime organizavam enxovais novos nas aulas de lavores do meu liceu para dar no Natal aos pobres que iam nascer.
Tantos assessores de imprensa na EDP, tantos assessores na Fundação EDP, milhões de euros gastos em geniais campanhas de marketing, tantas cabeças inteligentes diariamente pagas para vender a imagem do presidente da EDP, tudo pago a preço de ouro, e não concebem nada melhor do que mandar (!?) filmar, no espaço do Telejornal mais importante do país, um gesto indigno, triste, lamentável, que envergonha quem vê. Não têm vergonha? Não coraram? E a RTP que critérios usa no Telejornal para incluir uma notícia?
Há uns meses escrevi ao presidente da EDP e telefonei-lhe mesmo, a pedir ajuda da empresa para reparar a velha instalação eléctrica, gasta pelo uso e pelo tempo, de uma instituição, onde vivem 40 adultas cegas e com deficiências e que têm um dos mais ricos patrimónios culturais do país. A instituição recebeu meses depois a resposta: a Fundação EDP esclarecia que esse pedido não se enquadrava nas suas atribuições.
Agora percebi. Pedia-se fios eléctricos, quadros eléctricos novos e lâmpadas novas. Devia-se ter escrito ao senhor presidente da maior empresa (pública) portuguesa, com os maiores prémios de desempenho, cujo vencimento é superior ao do presidente dos Estados Unidos, para que oferecesse uma lâmpada em segunda mão, que ainda acendesse e desse alguma luz. Talvez assim mandasse um dos seus motoristas, com um dos geniais assessores de imprensa e um dos fantásticos directores de marketing, avisar a RTP (a quem pagamos uma taxa na factura da luz) para virem filmar a entrega da lâmpada num saquinho de papel.
2011 anuncia-se um ano duro para os portugueses e sê-lo-á tanto mais quanto os responsáveis pelo estado a que se chegou não saírem da nossa frente.»
28 dezembro 2010
A esquerda actual cedeu demasiado
Livro de Tony Judt: Um tratado sobre os nossos actuais descontentamentos.
Última obra de Tony Judt, que faleceu em Agosto passado, com 62 anos.
Judeu pouco convencional, chegou a defender para o Médio Oriente um Estado comum a judeus e palestinianos. Homem de esquerda, seguiu pormenorizadamente a evolução desta sensibilidade nos últimos decénios, tomando nota do abandono de ideais, do pragmatismo, da desorientação e da dispersão.
(...) «a esquerda actual cedeu demasiado face aos defensores do mercado livre, sem combater as suas injustiças manifestas.» (...)
«nos últimos 30 anos as diferenças entre pobres e ricos, em vez de se suavizarem, se acentuaram.»
(...)
«os seres humanos necessitam de uma linguagem em que possam exprimir os seus instintos morais»
"Se faltar a justiça, que são os reinos senão grandes latrocínios?" (Comentário de Aceprensa. Mesmo a calhar ...
07 dezembro 2010
verdades inconvenientes
Resumo do comunicado dos Bispos católicos em Portugal:
(...) “a crise não só tornou mais patentes as grandes carências das pessoas e famílias pobres e excluídas, como aumentou, gravemente, o número das que, por via do desemprego, perderam os seus níveis de rendimento e o seu estatuto social, caindo em situações que, outrora, não se imaginavam possíveis”.
(...) “a crise não só tornou mais patentes as grandes carências das pessoas e famílias pobres e excluídas, como aumentou, gravemente, o número das que, por via do desemprego, perderam os seus níveis de rendimento e o seu estatuto social, caindo em situações que, outrora, não se imaginavam possíveis”.
“Por esse ou outros motivos, cresceu, a um nível preocupante, o número dos «novos pobres» forçados à humilhação de assim se exporem, uma situação que muitos têm dificuldade quase inultrapassável de superar”, lamenta a mensagem colectiva dos Bispos.
Entre as causas das crises, o documento aponta “os poderosos interesses incontroláveis, nacionais e transnacionais, a falta de coragem e verdade governativas, os exagerados interesses individuais, a desregulação dos mercados, a circulação descontrolada de capitais”.
O texto lamenta atitudes e situações como “injustiças e desigualdades gritantes, desemprego e frustrações pessoais e colectivas, pobreza e exclusão social que «bradam aos céus», manifestações de violência doméstica e colectiva, propensão difusa para o derrotismo, cultura do individualismo, falta de aplicação ética no domínio público”.
A CEP aponta ainda o dedo a “muitas forças” que se limitam à “contestação sistemática da ordem vigente”, sem formularem “propostas consistentes e sem experimentarem, no concreto, as suas opções, tornando a governação do mundo e do país muito difícil”.
Perante o actual cenário de crise, os bispos pedem respostas “a partir do nível local”, promovendo “o conhecimento de todas as situações de carência” e “a procura das respectivas soluções, mesmo provisórias”. (...)
25 novembro 2010
Há quem diga que faltam Médicos de Família ...
«Chegados ao mês de Novembro, é possível confirmar que muitos recém-especialistas em Medicina Geral e Familiar (MGF) cujo período de especialização terminou em Janeiro/Fevereiro deste ano não tiveram ainda a possibilidade de assinar um contrato com a sua entidade empregadora, ou seja, com a respectiva Administração Regional de Saúde (ARS).» (...)
19 novembro 2010
ONU deixa de condenar explicitamente a execução de gays, Portugal e Espanha votam a favor, EUA abstêm-se
Desde há mais de 10 anos que a Assembleia Geral da ONU aprova, cada dois anos, uma resolução em que condena as execuções sumárias, extra-judiciais ou arbitrárias, condenando igualmente os estados e organismos que o toleram, e instando-os a que ponham cobro à situação.
Nesta resolução é dito de forma explícita que se condenam as execuções perpetradas com motivação na "preferência sexual das vítimas", "motivos raciais, nacionais, étnicos, religiosos ou linguísticos", ou contra "os refugiados, povos indígenas ou outros grupos".
Este ano, neste mês de Novembro, Marrocos e o Mali, em representação dos "países africanos e islâmicos", opuseram-se e estas referências foram retiradas.
Nenhum país votou contra. Portugal votou a favor, a Espanha também. Os EUA abstiveram-se.
Os resultados da votação estão disponíveis aqui, no sítio da ONU.
14 novembro 2010
"Os políticos estão presos de si mesmos"
J. César das Neves, no Destak, em 10 de Novembro:
«Escolas abrem ao fim de semana para matar a fome aos alunos.»
«Apesar da crise política, campanha presidencial e urgência dos juros da dívida, o Expresso escolheu este para título principal do último sábado. Foi uma excelente opção jornalística. Este é sem dúvida o verdadeiro problema do momento: volta a haver fome generalizada entre nós. Tudo empalidece ao lado disto.
Mas este título mostra também um outro facto ainda mais importante. Perante a incapacidade do Estado, a sociedade enfrenta a emergência. «Mesmo quando não há apoios extras do município ou do Ministério da Educação, muitos estabelecimentos de ensino fazem tudo para minimizar as carências alimentares de algumas crianças. [...] Notámos que havia alunos que não comiam o pão do almoço ou a sandes do lanche [...] iam discretamente ao pátio dar o que não comeram a um colega que lhes tinha pedido para poder levar para casa.» (p. 22)
Há várias décadas que, com custo de milhões, os sucessivos governos nos asseguraram que a sua política eliminaria a pobreza. Proclamaram o sucesso várias vezes. Agora, quando é mesmo preciso, tudo se desmorona. Parece que nos 80 mil milhões de euros do Orçamento de Estado não há dinheiro suficiente para alimentar crianças. Compreende-se, é preciso acorrer ao TGV e outras prioridades.
Os políticos estão presos de si mesmos. Felizmente ainda restam as escolas, paróquias, IPSS, serviços camarários, ou simplesmente os vizinhos e colegas. Esta é a grandeza de Portugal e, enquanto existir, a crise dos políticos não nos vence.» (Destak)
05 julho 2010
"os bancos convencionais, vão atrás dos mais ricos, nós vamos atrás dos mais pobres"

Conferência de Muhammad Yunus, no campus da Universidade de Barcelona, no Programa de Educação Contínua do IESE. "As pessoas perguntam-me qual foi o factor essencial na criação deste banco, e a resposta é que não sei nada sobre banca e, se soubesse, teria seguido as regras habituais".
Yunus fundou o Banco Grammeen no Bangladesh dando um grande desenvolvimento ao conceito de micro-crédito e micro-financiamento.
"Fiz o oposto ao que habitualmente se faz, e deu resultado. Os bancos convencionais correm atrás dos clientes mais ricos, nós corremos atrás dos clientes mais pobres. Os mais pobres são o nosso ponto de partida, as pessoas que não têm nada."
Acrescentou ainda que o mundo dos negócios está organizado de modo errado, por se ter focado inteiramente no lucro, e não na resolução dos problemas.
Sublinhou que a crise actual não é só financeira, mas ambiental e social. Todos querem correr em direcção à solução, disse, mas era melhor parar para consertar o sistema. "Os economistas construíram todo um sistema baseado na teoria do egoísmo, mas os seres humanos também são altruístas. Porque é que não se pode criar um negócio na base do altruísmo, em que tudo é para os outros e nada para mim?"
M. Yunus fundou 40 empresas dedicadas a resolver problemas como a malnutrição, a falta de telecomunicações ou a escassez de pessoal de enfermagem, e não tem qualquer quota em nenhuma delas.
O Grameen Bank, que ele fundou em 1976, empresta actualmente a 8 milhões de clientes no Bangladesh, dos quais 97% são mulheres. Todos os fundos são constituídos por dinheiro do banco, ou seja, o banco aceita depósitos e empresta dinheiro.
Abriu sucursais em Nova Iorque, no meio de cepticismo generalizado que dizia que as pessoas fugiriam com o dinheiro. Mas, segundo ele, 99% dos empréstrimos são pagos. Este banco é a única opção para milhões de americanos pobres que nem sequer podem abrir uma conta num banco normal e que são presa fácil de especuladores. O Reino Unido também está na mesma linha. (Notícia original aqui. )
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