Jornal de Negócios

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08 setembro 2011

"Cada um acha que as suas acções não afectarão os demais"

Wolfgang Munchau, citado no Economia & Finanças (artigo original do Finantial Times, traduzido no Diário Económico):
 
 
(...)«E como é típico na zona euro, cada país comporta-se como uma qualquer pequena economia aberta no outro extremo do mundo. Cada um acha que as suas acções não afectarão os demais.

Mas quando a França, Espanha e Itália contraem as suas posições orçamentais ao mesmo tempo, juntamente com a Grécia, Portugal e Irlanda, o resultado é uma contracção orçamental coordenada. Apesar de alguns destes países terem um problema orçamental, a zona euro no seu todo não. O rácio da sua dívida face ao PIB é mais baixo do que o dos EUA, Reino Unido ou Japão. Se a zona euro tivesse passado para uma união orçamental há alguns anos atrás, o seu ministro das Finanças estaria agora em posição de agir. Em vez disso, o actual sistema de políticas não coordenadas conduziu a uma austeridade contagiosa e um abrandamento contagioso.

Isto porque, enquanto não houver união orçamental, os Estados membros da zona euro não terão outra opção que não seja coordenarem-se entre si. 
 
Eu iria mais longe e defenderia um estímulo orçamental na Alemanha, Holanda e Finlândia para compensar a austeridade no Sul da Europa. 
 
O que importa é a posição orçamental da zona euro no seu todo. Existe ainda pouco reconhecimento nas capitais da zona euro de que o abrandamento económico constitui uma ameaça à existência da mesma. E acho que este abrandamento económico vai atingir fortemente a zona euro sem que esta se possa defender. E quando isso acontecer, a crise da zona euro vai acentuar-se e as coisas vão ficar muito feias.”» (...)

05 setembro 2011

O grande assalto *dos* bancos ...

Artigo de Nassim N. Taleb, professor da Universidade de Nova Iorque, especialista em engenharia do risco (autor de "O Cisne Negro"):

(...) «Parece-me bastante iníquo que os bancos, que ajudaram a causar as atuais dificuldades económicas e financeiras, são precisamente os únicos que não sofrem com isso - de facto, em muitos casos até estão a beneficiar com isso.

Os bancos que dominam o mercado são estranhos em muitos aspectos. Não é segredo (agora) que eles operaram como esquemas sofisticados de compensação que mascararam as probabilidades de baixo risco, os eventos de alto impacto tipo "cisnes negros", beneficiando da implícita almofada gratuíta das garantias do Estado.


Os lucros que têm obtido não resultam tanto das suas competências, como da alavancagem excessiva; lucros que depois são distribuídos de modo desproporcionado pelos seus próprios quadros, enquanto as perdas - por vezes maciças - são suportadas pelos acionistas e pelos contribuintes.

Por outras palavras, os bancos assumem riscos, reservam para si o eventual lucro mas, quando há perdas, transferem-nas para os acionistas, para os contribuintes e, até, para os pensionistas.» (...)

Eu sei que está na moda bater no sistema bancário, mas este senhor não costuma escrever por acaso e estes argumentos merecem discussão, parece-me ...

28 agosto 2011

E como chegar lá? ...

(...) «A ministra do Trabalho alemã, a cristã-democrata Ursula von der Leyen, considera que a crise da zona euro só pode ser superada fortalecendo a união política do continente com a criação dos "Estados Unidos da Europa". (...) «a moeda única europeia não é suficiente para fazer face à competição global.» (...)

26 agosto 2011

Prémio da descoberta da pólvora :-)

«O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, afirmou esta quinta-feira que os países da zona euro vão necessitar, no futuro, de uma política financeira comum.» (...) No Sol.

24 agosto 2011

A questão ...

(...) «Os 19 anos do Tratado de Maastricht, que criou simultaneamente a União Europeia e o Euro, mostraram que os limites [do endividamento] não são traváveis.
Os países que geralmente violam estes limites vão continuar a fazê-lo sempre que lhes for politicamente conveniente.
Mesmo com uma crise a aproximar-se, haverá sempre espaço para excepções, discursos, e uma fila de compradores para novas emissões de dívida.
Portanto a questão não é o que fazer quando a dívida atinge o limite, seja ele alto ou baixo. A questão é o que deve fazer-se para que a dívida nem sequer se aproxime desse limite, excepto em circunstâncias muito extremas e excepcionais.
Para isso, precisam de regras fiscais.»(...)

Escrito pelo homem que conseguiu que o Chile atravessasse incólume uma recessão equivalente à europeia.

18 agosto 2011

É difícil ser mais claro ...


JPP, no Abrupto:

(...) «com Sarkozy balbuciando umas coisas que parece notoriamente não conhecer bem, e Merkel ameaçando Portugal e a Grécia; e o conteúdo, um diktat de dois países da União com um anúncio de medidas à margem de qualquer dos tratados que regem a União Europeia. Dizem o que vão fazer os dois, criam uma instituição (uma a mais que não vem nos Tratados), nomeiam o seu presidente e fazem imposições constitucionais a todos os membros da União.

Bastava esta última imposição, que atinge o coração da soberania dos estados membros, para percebermos que já não há União, mas uma Europa servil a amos mais fortes. O que está em causa, tenho-o dito, é a soberania.

Estas imposições constitucionais já não atingem somente a soberania, mas também a liberdade. É que a autonomia constitucional, na sua raiz parlamentar, está no cerne da liberdade dos povos.» (...)

18 julho 2011

A UE existe? (2)

E também no Jornal de Negócios, Helena Garrido:

” (…) Os bancos portugueses tiveram de se sujeitar a um teste de resistência que é muitíssimo mais exigente do que o aplicado, por exemplo, aos bancos alemães. E, mesmo assim, um banco alemão chumbou, tendo-se dado ao luxo de não autorizar a divulgação dos seus resultados. Imagine-se o que não teria acontecido se alguma instituição financeira grega, irlandesa, portuguesa, italiana ou espanhola tivesse também recusado a publicação dos seus números. (…)

Os testes de stress somam-se às alterações das regras de contabilização das contas públicas ou às declarações autenticamente assassinas de alguns líderes europeus sobre os países em dificuldades, como a Grécia, Irlanda e Portugal. Com amigos assim, antes os ditos inimigos da teoria da conspiração. Afinal, Obama já diz que não é Portugal.(...) "

A UE (união) existe?

(...) «Querem toda a verdade? Cá vai ela, mas não se queixem se doer. É certo que os países sob ataque não podem permanecer no euro nem podem sair dele. Aí reside a esperança germânica de que a Zona Euro não se desmoronará.

Mas não é preciso que eles saiam do euro, basta que o euro saia deles. Um dia, todos entenderão que um euro depositado em Portugal, em Espanha ou na Itália não vale o mesmo que um euro depositado na Alemanha ou na Holanda.

As multinacionais que ainda não o fizeram, todas as grandes empresas e os cidadãos titulares de um património significativo carregarão num botão e, de um dia para o outro, secarão as tesourarias dos bancos locais. Nesse momento, vários países estarão na verdade fora da Zona Euro.» (...) (João Pinto e Castro, no Jornal de Negócios)

18 maio 2011

Aviso aos ingénuos

JPP, irritante e lúcido: 
 
«Existe com Louçã a deferência de que ele é quem mais sabe de economia, dadas as suas qualificações académicas, e por isso toma-se a sério o que diz quando fala de economia. 
 
É um erro considerável, dado que o problema com Louçã e o BE é político e não económico. As propostas do BE não mostram qualquer especial saber económico; se as pensarmos no quadro da economia de mercado, são pura e simplesmente estapafúrdias, irrealistas e absurdas. 
 
Nenhuma proposta do BE é exequível no quadro de uma economia de mercado ou, para usar as palavras como se deve, em capitalismo. 
 
Não é difícil fazer um exercício sobre o que aconteceria ao país se o BE pudesse governar em seis meses aplicando o seu programa: o que mudava era o regime político, sair-se-ia da democracia e entrar-se-ia numa variante qualquer de ditadura.»

17 maio 2011

"As causas não se devem à moeda única"

(...) «Jean-Claude Juncker considera que a crise económica da Grécia é mais difícil de resolver do que as de outros membros da Zona Euro. No entanto, considera incorrecto comparar os problemas económicos de Atenas com os de Lisboa ou de Dublin. “As causas, em cada um deles, são muito diferentes e não podem ser atribuídas à moeda única”, sublinhou.» (No Jornal de Negócios)

14 abril 2011

O presidente do FMI é socialista

(...) «O presidente do FMI, Dominique Strauss Kahn é um líder socialista, não é um conservador nem é um neoliberal.» (...)

Quem o disse foi Mário Soares: afinal está tudo bem, fica tudo em família :-( 
 
Só ainda não entendi como é que o malandro do líder da oposição que, segundo o PM foi o responsável pela vinda do FMI, foi buscar um socialista?! Ainda acabo a emigrar para a Madeira para poder votar no Dr. Jardim ("Tá tudo louco" no contnente)!

12 abril 2011

Quem nos avisa ...

No i (entrevista a um professor de economia, grego, da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa):

(...) «Mesmo que tudo corra bem, e no melhor dos cenários, em 2013 a Grécia terá uma dívida de 160% do PIB. É impossível que isto funcione.

Por isso eu acho que a Grécia a certa altura vai ter de restruturar a dívida. A questão é perceber se é melhor reestruturar agora ou mais tarde. O que mais me preocupa é que os cortes salariais e o aumento de impostos lançaram o país numa recessão mais profunda que o esperado.

As receitas fiscais e as contribuições sociais baixaram e é preciso pagar mais em benefícios para o desemprego. Isto criou mais pressão para conseguir mais dinheiro, o que leva a um novo aumento de impostos e a mais recessão.

É um círculo vicioso. Falta um incentivo para a promoção de crescimento.» (…)

06 fevereiro 2011

Baixar salários pode ser uma má ideia?

Entrevista no i a Keith Wade (Schroeders´s) em Novembro de 2010:
(..) «A possibilidade de redução de salários é uma discussão que está a ser tida em Portugal. Essa estratégia não resulta?

Há o perigo de se entrar num ciclo vicioso. A competitividade que se ganha por reduzir os custos de produção pode não chegar suficientemente depressa para cobrir os resultados negativos. Pode-se cortar nos salários, mas a economia vai atingir um novo equilíbrio, muito fraco, com taxas de desemprego elevadas e sem voltar necessariamente ao pleno emprego. Esta era uma das teorias de Keynes. Algumas pessoas acham que o poder de reconquistar competitividade é tão forte que se esquecem da importância do consumo interno. O problema é que a economia global não está suficientemente forte, caso contrário levantaria toda a gente. Enfraquecer o consumo interno não resolve o problema e, se resolver, demora muito tempo. Pode demorar até cinco anos.


E não é garantido que funcione?
Não. Pode ajudar, mas numa altura de fraco crescimento é perigoso e pode criar problemas de desemprego estrutural e défice estrutural.


Os países periféricos acabarão por ter de sair do euro para resolver os seus problemas estruturais e afastar as pressões do mercado?
A questão é se estes resgates vão continuar com base em vontade política. Agora há um ponto de interrogação em relação à vontade da Alemanha de continuar a fazer estas transferências. E países como a Grécia e Portugal vão aceitar a perda de soberania de ver o seu orçamento controlado? Isto pode levar os países a abandonarem o euro.


Mas acha que na prática isso vai mesmo acontecer?
Pode muito bem acontecer. A ideia de aumentar a competitividade através da deflação é um caminho muito difícil e não estou convencido que resulte. No final de tudo isto, o povo português pode dizer: “Tivemos cinco anos de austeridade e ainda não controlamos o nosso orçamento, então para quê estar no euro?”


É possível ter dois euros? Um para o Norte e outro para o Sul?
É possível. Mas já não seria uma zona euro. Seriam precisos dois bancos centrais para duas moedas.


Mas a solução seria melhor para os periféricos do que voltar às suas moedas?
Não sei. De certa forma é a mesma coisa. Seria uma moeda fraca, cuja desvalorização poderia ajudar a competitividade. Seria complicado, porque seria necessário organizar toda uma estrutura institucional.


Acha que o euro vai acabar?
Não consigo responder a isso com sim ou não. Mas há uma forte probabilidade de a composição do euro ser diferente daqui a alguns anos.» (...)

02 fevereiro 2011

Escolher entre a cura e a doença


«O prémio Nobel da Economia [Joseph Stiglitz] considera que as medidas de austeridade adoptadas por alguns países europeus são "excessivas" e "desastrosas" e vão provocar um forte abrandamento económico.

Joseph Stiglitz afirmou, numa conferência que está a decorrer hoje em Moscovo, que a Europa está a enfrentar a actual crise da dívida pública com políticas de austeridade "desastrosas".

O prémio Nobel da Economia considera que as medidas de austeridade adoptadas por alguns países europeus são "excessivas" e "desastrosas" e vão provocar um forte abrandamento económico.

Joseph Stiglitz afirmou, numa conferência que está a decorrer hoje em Moscovo, que a Europa está a enfrentar a actual crise da dívida pública com políticas de austeridade "desastrosas".
O economista defendeu que países como Reino Unido não precisam de medidas de austeridade tão "excessivas" como as que foram adoptadas. 

"Já estamos a assistir às consequências destas medidas de austeridade. A implicação mais óbvia é que o crescimento vai abrandar", afirmou Joseph Stiglitz. 

O economista não antecipa uma nova recessão económica mas garante que o crescimento económico vai ser mais lento. "As economias europeias vão ser afectadas pelos cortes públicos, que visam reduzir os défices orçamentais, e pela subida das taxas de juro", alertou o prémio Nobel. 

Além das medidas de austeridade, a Europa será ainda penalizada pelas pressões inflacionistas provocadas pela subida dos preços dos alimentos e das matérias-primas, acrescentou Joseph Stiglitz.» (...)