Jornal de Negócios

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12 julho 2012

Poemas Imperfeitos

Todos os dias escrevo
com a tenção desmedida
de construir um poema
que sempre me surpreenda
como me surpreende a vida

(Hugo de Azevedo, Poemas Imperfeitos)

26 novembro 2011

27 julho 2011

Mais resultados e menos promessas ...

Poderia ser uma espécie de apelo político, mas é apenas uma decisão técnica tomada pelo Instituto de Medicina Regenerativa da Califórnia.

Considerado durante anos como líder na investigação com células embrionárias, este Instituto decidiu passar a usar células estaminais adultas, a partir do momento em que os seus investidores declararam que queriam mais resultados e menos promessas.

Não foi por uma questão ética (deixar de manipular embriões humanos), mas por uma questão prática: é que as células adultas têm possibilitado tratamentos e resultados objetivos, enquanto as células extraídas à custa da morte de embriões não saem, há muitos anos, e apesar de muito dinheiro gasto, da fase de experimentação.

Em Espanha, o número de embriões humanos congelados continua a aumentar, como resultado das técnicas de procriação assistida.

Na Catalunha, a única Comunidade autónoma com registo, há 61.000 embriões congelados, quatro vezes mais que em 2001. O jornal El País (22de Abril), diz que os responsáveis das clínicas de fertilização se queixam que o número aumenta e que não sabem que fazer com estes embriões.

A lei espanhola (2006) previa quatro possíveis destinos para os embriões excedentários dos processos de fecundação in vitro. O casal podia escolher: guardá-los para uma futura utilização, doá-los para adopção, destiná-los à investigação,ou destruí-los.

A opção menos usada é a destruição, menos de 10%.

A adopção por casais também não é bem aceite, nem por parte dos pais, nem dos possíveis adoptantes.


A doação para investigação (com a consequência da destruição do embrião) foi o novo caminho aberto na reforma legal de 2006. Pensava-se que a ciência ganharia com isso e que, também, as clínicas resolviam um problema.

Julgava-se que os investigadores estavam ansiosos por dispor destas células.

Mas agora acontece que, contra todos os prognósticos, não há qualquer pedido de embriões para investigação, a julgar pelo que diz a citada reportagem.

"O entusiasmo pelas células estaminais embrionárias diminuiu, agora há outras opções", reconhece Joaquim Calaf, do Centro de Reprodução Assistida da Fundación Puigvert.

Podemos quase chegar a pensar que a investigação com células estaminais embrionárias deixou de ter interesse ou já não é prioritária, se se pode dispor de células adultas ou das adultas reprogramadas.

Em qualquer caso, a experiência destas clínicas é que, apesar de que, entre 5 % e 10 % dos casais estariam dispostos a doar os seus embriões para investigar, não há um interesse correspondente entre os cientistas.

06 fevereiro 2011

Uma esquerda que defende a vida

Entrevista a Paola Binetti, do Partido Democrático (centro-esquerda) italiano:

(..) «- A experiência dos teodem é muito parecida com a dos Democrats for Life nos Estados Unidos: crentes que iniciaram um movimento em defesa da vida dentro de um partido de esquerda. A que corresponde a esta tendência?

Nestes momentos em que o Ocidente está amarrado a um bipolarismo simplista, é difícil encontrar um partido que represente todos os nossos valores. Por isso é tão importante que cada parlamentar, seja de que partido for, possa actuar em consciência. A Constituição italiana prevê que nenhum parlamentar seja submetido à disciplina de voto; com isso garante que cada um decida, em primeiro lugar, de acordo com a sua consciência, e depois segundo a posição concertada por todos os da coligação ou do partido a que pertence.

A verdadeira batalha em democracia está em defender a liberdade de consciência de cada deputado. Que todos possam decidir livremente o que, em consciência, crêem que é o melhor para o seu país. E que todos possam exprimir e promover os seus valores no seio do partido, e fora dele através de políticas transversais. Um país tem de ter a garantia de que cada deputado vota em consciência.

Este é o contexto em que nasceu o nosso grupo: queríamos defender a vida com absoluta clareza. Por isso insistimos na ideia de que há valores que não pertencem nem à direita nem à esquerda, mas sim à natureza humana e que se podem defender sem problemas num Estado laico.  

- Dá a impressão que esse "bipolarismo simplista" esquerda-direita, de que fala, tem muito peso no debate sobre o aborto.

Parece-me que o problema está mal formulado. A esquerda não se inclina para o aborto, mas sim para os direitos individuais. E aqui há uma deformação: é um erro colocar o debate sobre o aborto na perspectiva exclusiva do direito da mulher a decidir. Há outra parte implicada e, por isso, o debate deve colocar-se tendo em conta o direito à vida de todos. Como o filho é tão pequeno, a sociedade deve protegê-lo e conservar o seu direito à vida.

A esquerda enganou-se ao apresentar o aborto como um símbolo dos direitos humanos. Não podemos limitar-nos a defender o direito à vida do mais forte (a mulher), enquanto anulamos o do mais fraco (o filho).
 
 
Por este caminho, a esquerda acabará por se converter num movimento radical que nada tem a ver com os ideais de inclusão e protecção dos mais débeis.

Nestes momentos em que o Ocidente está amarrado a um bipolarismo simplista, é difícil encontrar um partido que represente todos os nossos valores. Por isso é tão importante que cada parlamentar, seja de que partido for, possa actuar em consciência. A Constituição italiana prevê que nenhum parlamentar seja submetido à disciplina de voto; com isso garante que cada um decida, em primeiro lugar, de acordo com a sua consciência, e depois segundo a posição concertada por todos os da coligação ou do partido a que pertence.

A verdadeira batalha em democracia está em defender a liberdade de consciência de cada deputado. Que todos possam decidir livremente o que, em consciência, crêem que é o melhor para o seu país. E que todos possam exprimir e promover os seus valores no seio do partido, e fora dele através de políticas transversais. Um país tem de ter a garantia de que cada deputado vota em consciência.

Este é o contexto em que nasceu o nosso grupo: queríamos defender a vida com absoluta clareza. Por isso insistimos na ideia de que há valores que não pertencem nem à direita nem à esquerda, mas sim à natureza humana e que se podem defender sem problemas num Estado laico.

- Dá a impressão que esse "bipolarismo simplista" esquerda-direita, de que fala, tem muito peso no debate sobre o aborto.

Parece-me que o problema está mal formulado. A esquerda não se inclina para o aborto, mas sim para os direitos individuais. E aqui há uma deformação: é um erro colocar o debate sobre o aborto na perspectiva exclusiva do direito da mulher a decidir. Há outra parte implicada e, por isso, o debate deve colocar-se tendo em conta o direito à vida de todos. Como o filho é tão pequeno, a sociedade deve protegê-lo e conservar o seu direito à vida.

A esquerda enganou-se ao apresentar o aborto como um símbolo dos direitos humanos. Não podemos limitar-nos a defender o direito à vida do mais forte (a mulher), enquanto anulamos o do mais fraco (o filho). Se se continua por este caminho, a esquerda acabará por se converter num movimento radical que não tem nada a ver com os ideais de inclusão, protecção do mais débil, luta contra a pobreza, promoção social... Esta contradição interna já está a passar a factura: não é por acaso que a esquerda perdeu eleições em toda a Europa.


- Amiúde diz-se que o debate sobre o aborto se trava nos parlamentos. Pelo contrário, a senhora propõe levá-lo para o terreno da cultura.

Na origem dos debates políticos sempre há uma ideia. Nestes momentos, a ideia que está a marcar grande parte da vida social é a concepção dos direitos individuais. Durante os últimos anos, tem-se exaltado tanto a autonomia individual que estamos prestes a transformar os desejos em direitos. É a lógica que leva a querer que se faça lei de tudo o que se deseja.

Esta ideia tem sido admitida noutros âmbitos como o direito, a economia, a política ou a ciência. É curioso: quando as pessoas simples vêem a mulher grávida em seguida reconhecem que aí há outra vida humana, a do filho. Pelo contrário, alguns cientistas envolvem-se em raciocínios retorcidos e introduzem a possibilidade de que essa vida não seja humana.

A essa distinção acrescentam outra perigosíssima: a diferença entre vida e "vida saudável". Enganam-se. O direito à vida não pode depender da saúde. Temos de aprender a defender a vida com capacidade técnica e científica, com solidariedade social e criativa.

- E que propõe para mudar essa concepção dos direitos?

É certo que durante muito tempo se desvalorizaram os direitos individuais. Mas agora caímos no extremo oposto. Devemos voltar a uma posição de maior equilíbrio, onde o direito individual se confronte sempre com a responsabilidade social.

Paradoxalmente, o homem que coloca os direitos individuais no centro da sua existência acaba mergulhado numa enorme solidão, em conflito permanente entre os seus direitos e os dos outros.

Nós propomos uma visão antropológica e social do homem como sujeito de relações. A autonomia é só uma parte da nossa vida; no princípio e fim dela, dependemos sempre do cuidado dos outros. O que nos faz humanos não é a autodeterminação, mas sim a capacidade de dar e receber. A vida é sempre relacional.» (publicado em aceprensa.pt)

26 novembro 2010

Estar vivo

«Tenho um amigo que já passou há muito a barreira da idade a que se convencionou chamar “a terceira” e que sempre me responde, quando lhe pergunto como está, “Estou vivo”. Este facto, evidente e por isso não merecedor de ser posto em destaque, é, para ele (e para os seus amigos) motivo de júbilo; é com muita alegria que afirma “Estou vivo!”.
 
Vem isto a propósito de um banal conhecimento, ou seja, o de que a vida é o valor mais alto que existe, por ser o primeiro e a condição necessária para a existência dos outros valores. De facto, a felicidade, a dignidade, a liberdade, a verdade, a coragem, a justiça e tantos outros valores universalmente reconhecidos como fontes de uma vida moral – não poderiam existir se não servissem de luz e farol a quem está vivo. A vida é, reconhecidamente, o primeiro e o mais importante valor e bem. Poucas verdades terão tão ampla, e universal concordância: todos aceitamos esta evidência e quer o ordenamento político das nações, através das respectivas Constituições, quer as instâncias supranacionais (tais como as Nações Unidas, a União Europeia e o Conselho da Europa) reconhecem expressamente o valor único da vida, ao preceituarem o direito à vida (como lapidarmente afirma a Constituição da República Portuguesa, no artigo 25, “a vida humana é inviolável”).
 
Infelizmente, e contra toda a lógica, esta formidável fortaleza da protecção e do respeito pela vida humana, abriu fendas consideráveis nos últimos anos. Em Portugal, como em outros países, a lei autorizou o abortamento em determinadas e restritivas condições, assistindo-se ao estranho malabarismo jurídico – intelectual de um Tribunal Constitucional chegar à conclusão (por maioria de um voto) de que a legalização do abortamento não ofendia a norma constitucional. A teoria do plano inclinado, segundo a qual o que se permite excepcionalmente rapidamente se torna usual, aplica-se claramente ao abortamento: inicialmente tolerado em situações especiais, tornou-se acessível a qualquer mulher nas primeiras dez semanas (e já há quem clame por um alongamento deste período) e viu alargados os prazos nas chamadas indicações.
 
No outro extremo da vida humana, na velhice, há sinais que levam a admitir como provável a proposta de leis que legalizem a eutanásia e o suicídio assistido (que para já apenas são tolerados em 2 países e 1 estado americano). O testamento vital, já em discussão na Assembleia da República, pode ser o cavalo de Tróia que permita a disfarçada introdução da eutanásia por omissão na nossa realidade nacional.
 
Assim, a vida, supremo valor, como tal reconhecida por todos, começa a ser ofendida, desprestigiada, negada. É indispensável, é necessário que todas as pessoas de boa vontade examinem estes problemas e se proclamem defensoras da vida, independentemente das suas convicções políticas ou da presença ou ausência de um credo religioso. Só assim podemos garantir a vida, a saúde, a dignidade, o bem das nossas crianças e dos nossos velhos. Para que possamos afirmar, em plena alegria, que estamos vivos.»
 
(Prof. Dr. Walter Osswald, médico)

22 maio 2010

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É excelente que os media nos vão dando notícias, em linguagem acessível, sobre os avanços da ciência. É pena que, por vezes, nos confundam, em vez de esclarecer, mas suponho que faz parte dos efeitos laterais da comunicação :-)

Esta semana fartaram-se de nos lavar os ouvidos com a "criação" de uma célula. Ora o que Craig Venter fez foi transplantar para uma célula hospedeira (que já estava obviamente "viva") um genoma sintetizado em laboratório. Não é impossível, para um cidadão comum,entender o que realmente foi feito (e que é muitíssimo interessante).

É um feito notável, merecedor de atenção e, por isso mesmo, igualmente merecedor do rigor da verdade científica.

Partir daqui para acrobacias filosóficas ou, pior, para tentar reanimar o fóssil do pseudo antagonismo entre ciência e fé, não ajuda a divulgação científica, nem os cientistas.

Aqui, uma entrevista do Prof. Francis Collin, Director do Projecto Genoma Humano, à CNN. E aqui, o livro que escreveu a propósito do genoma.