Jornal de Negócios

09 novembro 2005

Coisas simples (e que funcionam)


Carta de um médico britânico ao British Medical Journal a propósito da gripe das aves:

(...)«Tal como a maioria dos colegas que conheço, sigo com atenção as notícias sobre gripe aviária. Se, mais tarde ou mais cedo, se desenvolverá uma pandemia de gripe é irrelevante porque pandemias sempre existirão.

O que eu não me lembro de ter visto, quer nos media generalistas, quer naqueles que são dirigidos aos médicos, é o tipo de conselhos que o Centro para o Controle de Doenças (CDC) americano divulga (em http://www.cdc.gov/flu) em relação a, por exemplo, o lavar frequente das mãos como forma de prevenção da epidemia, ou da pandemia, de gripe.

Embora não esteja completamente seguro sobre o grau de evidência científica em relação a esta questão, parece-me intuitivo uma vez que as partículas que contêm o vírus não estão confinadas apenas ao que se inala do espirro de alguém.

De resto, a evidência [sobre a eficácia destas medidas simples] não é pior do que aquela que temos sobre a efectividade do Tamiflu!

Não acham que seria adequada a divulgação de conselhos simples, quer para os médicos, quer para os não-médicos, de medidas praticáveis que as pessoas podem aplicar? Não seria isso também uma boa medida para o medo que se sente em certos sectores?»
(...)

Tradução livre, minha.

08 novembro 2005

Livros mágicos

Uma história de magia e amizade, de Susanna Clarke, em que se mistura o real e o imaginário, num enredo de tipo policial... na europa napoleónica. Lê-se de um fôlego!

07 novembro 2005

Bono e o Karma


Entrevistado para uma revista de hip rock, Bono comenta o que lhe diz o jornalista (Michka Assayas) de que a religião pode ser assustadora ("apalling"):
(...)
«
- É um conceito chocante a ideia de que o Deus criador do Universo poderia andar à procura de companhia, de uma relação verdadeira com pessoas, mas o que verdadeiramente me mantém de joelhos é a diferença entre a Graça e o Karma.»

«-E o que vem a ser isso?

-No centro de todas as religiões está a noção de Karma. Estás a ver? Aquilo que fazes retorna para ti: olho por olho, dente por dente? Ou, se quiseres, nas leis da física, cada acção desencadeia uma reacção, igual ou oposta. Entretanto surge esta ideia chamada a Graça que acaba com tudo isto... Se quiseres, o amor interrompe as consequencias das tuas acções, o que no meu caso realmente é uma boa notícia porque fiz muitos disparates.

-Que disparates?

-Essa é uma questão entre mim e Deus. Mas digo-te que teria sérios problemas se o meu juiz fosse o tal Karma. Não estou a fugir dos erros que cometi, simplesmente acolho-me à Graça. Refugio-me em Jesus que carregou com os meus pecados sobre a Cruz porque sei quem sou e, portanto, não espero depender da minha própria religiosidade.

-O Filho de Deus que lava os pecados do mundo ... Gostava muito de poder acreditar nisso (comenta Assayas).

-O sentido da morte de Cristo é que Cristo assumiu todos os pecados do mundo, de forma que aquilo que fazemos não regressa contra nós de ricochete. A nossa natureza pecadora já não acarreta a morte de modo inevitável: não são as nossas boas obras o que nos abre as portas do Céu.

-Não se pode negar que essa é uma ideia grandiosa. Uma esperança assim é maravilhosa, mas está perto da loucura na minha opinião (diz Assayas). Cristo tem certamente o seu lugar entre os grandes homens, pensadores do mundo, mas ... Filho de Deus... não é excessivamente difícil de crer?

-Repara que isso foi sempre, mais ou menos, o que responderam os laicistas à história de Cristo... "Era um grande profeta, um tipo muito interessante, disse umas coisas com conteúdo tal como outros profetas desde Isaías a Maomé, Buda ou Confúcio".
Mas a realidade é que é o próprio Cristo que te desautoriza nisto, não consegues safar-te assim. Ele diz: não, Eu não digo que sou um Mestre, não me chameis Mestre. Não estou a dizer que sou um profeta. Digo: "sou o Messias". Digo: "Eu sou o Deus Encarnado". De modo que ficas nesta situação: ou Cristo era quem dizia ser, ou era completamente chalado. A ideia de que o curso da civilização de metade do planeta mudou, deu uma reviravolta total, por causa de um chalado... Para mim isso é que é difícil de crer.» (...)



Um azar nunca vem só


Não é tanto a lucidez de JPP que me impressiona, mas a persistência da ignorância manipulativa da tv-que-temos.

04 novembro 2005

"O imenso falhanço" (Paris "laico" séc. XXI)

Público, 4 Nov. 2005, Editorial (José Manuel Fernandes)
(...) «Na mesma noite em que dois jovens morreram electrocutados em circunstâncias que permanecem nebulosas (mas de que logo se responsabilizou a polícia), um homem de 50 anos era morto ao pontapé por delinquentes perante a passividade de dezenas de pessoas. O presidente da câmara local entendeu dever acorrer ao funeral dos jovens, mas ignorou o da vítima do banditismo. Este gesto contém uma clara mensagem política que valoriza a suspeição, não provada, sobre um eventual exagero da polícia, e desvaloriza o vandalismo mais bárbaro.
O imenso falhanço da "integração" reside exactamente nestes tipo de equívocos, nesta total confusão de valores. Se se aceita e justifica os que vivem desafiando a lei, acaba-se no caos. E se não se promovem os valores da tolerância e do trabalho, acaba-se na segregação.» (...)

Se não entendem a figura que escolhi, precisam de ler o editorial todo ;-)

03 novembro 2005

Infantário Portugal (só para adultos)


Á falta dos infantes de outrora, de espada na mão, o país vai vivendo de infantilismos. Razão tem o Eng. Bernardo Motta no seu olhar sobre o "dia do halloween"...

18 outubro 2005

alteridade(s)



A conversa vai rolando no Guia dos Perplexos. Saber quem somos é uma questão antiga. O mundo é composto por mulheres e homens, não mulheres ou homens. Não existe um andrógino, tipo plasticina universal, que se diferencia depois em homem ou mulher. Na primeira célula já sou feminino ou masculino e, a partir daí, começa o longo caminho da construção das identidades. Se tudo correr bem, talvez acabe a descobrir o outro(a). Com azar, fico em mim, à procura de mim, do outro igual que é (como) eu...

Não é uma abordagem tão profunda como a do Tim ou do josé, mas são os meus cinco cêntimos... Os meus tamancos não dão para maiores alturas.

11 outubro 2005

SA´s , EPE´s, Portugal séc. XXI (Sempre a acelerar!)


Do Público (Cartas ao Director) :
«(...)
Sou um dador benévolo de sangue (diplomado e medalhado) e fui informado que estaria isento do pagamento de taxas nos hospitais. Um familiar meu necessitou de ser internado e ser sujeito a uma cirurgia no Hospital de Santa Maria. Na altura do internamento foi informado que teria que pagar a referida taxa. Sendo também dador referiu o facto, mas informaram-no que teria que pagar na mesma, pois para estar isento teria que ter um documento de isenção passado pelo respectivo centro de saúde, etc. Não se entende como é necessária toda esta burocracia, quando deveria bastar a apresentação do cartão de dador passado pelo Instituto Português de Sangue e eventualmente confirmar a identidade com o BI. É inacreditável que uma instituição do Sistema Nacional de Saúde não reconheça a documentação de outra do mesmo sistema, tendo que se sobrecarregar este sistema com esta burocracia, fazendo perder tempo a funcionários e aos cidadãos. (...)»

É o mesmo país do post anterior: a saúde é um dos pretextos mais usados para nos manterem em completa indigência mental. E viv'ó choque tecnológico!

05 outubro 2005

Implantação da República




O meu país festeja a Implantação da República (1910, não é?). O país em que a matrícula na maioria das escolas apenas é "autorizada" a quem for portador de atestado "de robustez", "não sofrer de doenças infecto-contagiosas", etc.
Claro que a escola é "inclusiva", e não discrimina ninguém...
Em compensação nos bares de alterne não se pede atestado, nem vacinas, a ninguém.
A escola é realmente um local perigoso, a ser abordado com todas as cautelas.
Viva a escola republicana, viva!