Jornal de Negócios

03 abril 2006

Sarah Peck

Sarah e Chris esperavam o nascimento da sua terceira filha. Vivem no Reino Unido. Juntamente com a confirmação da gravidez, Sarah recebeu a notícia de que tinha leucemia. Foi informada das alternativas: abortar e iniciar o tratamento da leucemia, ou adiar o tratamento - permitindo a gravidez - correndo o risco do agravamento da doença.
Com o apoio do médico hematologista, Simon Rule, do Plymouth's Derrifor Hopsital, decidiu apostar em conseguir chegar à 30ª semana de gravidez (o limite previsto para conseguir um nascimento viável).
Teve um parto normal: às 37 semanas de gravidez, no dia 19 de Março de 2005, nasceu Charlotte.
Iniciou tratamento com células estaminais adultas (a dadora foi a sua irmã, Vichy) - um procedimento que tem demonstrado uma eficácia superior a 70%.
Sarah festejou, no mês passado, o primeiro aniversário da sua filha, teve alta da consulta de hematologia e regressou ao seu trabalho de assistente social.


16 março 2006

Colette Kitoga Habanawema


É um nome quase impronunciável para um europeu, mas foi premiada pela UNICEF italiana pelo seu trabalho junto das crianças vítimas da guerra civil no Congo. É médica, formou-se na Europa, mas regressou à sua terra natal onde pôs em marcha um método de reabilitação psicosocial adapatado à realidade que encontrou: uma população traumatizada pela guerra.
A Unicef premeia o seu trabalho em favor das meninas e do meninos, da República Democrática do Congo, especialmente "a intensa obra orientada para a recuperação das crianças-soldado que viveram a dolorosa experiência das sangrentas guerras dessa terra africana".

10 março 2006

O petróleo (que nós consumimos)

Syriana

Mudar governos, trocar de aliados, fazer dos inimigos, amigos (e vice-versa), usar as pessoas como se fossem guardanapos...
O mundo da engenharia financeira ligada ao negócio do petróleo, inspirado no livro de Robert Baer, um ex-agente da CIA, See No Evil. Um filme de
Stephen Gaghan, com nomeação para Melhor Guião Original e Melhor Actor Secundário(George Clooney).
O filme segue o estilo trepidante de Traffic (2000), tentando mostrar o que de pior têm os sistemas capitalistas.

Realizador e guião: Stephen Gaghan. Intérpretes: Matt Damon e George Clooney (de novo juntos), Amanda Peet, Chis Cooper, Jeffrey Right.
140 min.
Classificado para jovens-adultos.

08 março 2006

injecção letal


Os 4 países onde se executam 97% das penas capitais são a China, os EUA, o Irão e o Vietname.
Nos Estados Unidos, a recusa dos médicos em participar nas execuções por injecção letal, levou à intervenção do Supremo Tribunal - sob a égide do juiz "conservador" Jeremy Fogel - que considerou a execução por injecção letal uma violação da Constituição.
A revista médica, The Lancet, de cariz liberal, ecoa as palavras deste juiz que considera que a 5ª emenda da Constituição Americana proibe as punições que sejam "incompatíveis com os padrões evoluídos de decência que marcam o progresso das sociedades maduras".

Pergunta o editor da revista: "qual destes países maduros irá abolir a atrocidade das execuções capitais?"

Um debate a seguir com atenção, sobretudo pelas repercussões no debate sobre a execução sumária dos doentes incuráveis e dos bebés antes do parto.

24 fevereiro 2006

Truman Capote enfrenta Truman Capote


A prova de que é possível fazer arte em torno da (homo)sexualidade sem enxurradas de melaço. Um filme forte, glosando o autor de "A Sangue Frio". Um olhar sóbrio sobre a biografia de Capote: a infância torturada, a ascensão social, os seus devaneios hollywoodianos... Philip Seymour Hoffman evita os estereotipos e interpreta as mil e uma facetas do personagem.


Realizador: Bennett Miller.
Guião: Dan Futterman, baseado no livro de Gerald Clarke.
Intérpretes: Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Clifton Collins, Chris Cooper, Bruce Greenwood.
114 min.
Classificado para Jovens e adultos. Filme com alguma violência.

amizade

Esta casca de ovo foi esculpida com laser:



"A true friend is someone who knows you're a good egg even if you're a little cracked."

17 fevereiro 2006

Referendo sobre Reprodução Artificial?


Um grupo de cidadãos pede que se discuta a procriação medicamente assistida (PMA).
As questões estão assim enunciadas:

"1) Concorda que a lei permita a criação de embriões humanos em número superior àquele que deva ser transferido para a mãe imediatamente e de uma só vez?

2) Concorda que a lei permita a geração de um filho sem um pai e uma mãe biológicos unidos entre si por uma relação estável?

3) Concorda que a lei admita o recurso à maternidade de substituição permitindo a gestação no útero de uma mulher de um filho que não é biologicamente seu?"

A lei anterior foi vetada pelo Presidente da República, por ter sido escassamente discutida. É uma questão que diz respeito a todos.


13 fevereiro 2006

O novo "modelo social" europeu dos jovens franceses


Há algum tempo atrás os casais sem filhos eram olhados com alguma compunção; presumia-se que teriam tido dificuldades insuperáveis, de carácter orgânico. Eram tratados com aquela deferencia que geralmente reservamos para os familiares de um defunto, com o objectivo de os confortar.

Actualmente sucede o contrário: aos casais com filhos atribuem-se comportamentos pouco responsáveis, sendo olhados com um misto de apreensão e desconfiança. Quanto aos pares sem descendencia são objecto de curiosidade fascinada e, até, de inveja. Tornaram-se um modelo social digno de imitação e credor de modernidade. Até beneficiam de um acrónimo risonho e "cool": "dinkies" (derivado de DINK: "Double Income, No Kids", dois ordenados, nenhum filho).

Demitem-se voluntariamente da procreação, acolchoados na sua cápsula de amor sem descendencia, tal como Narciso inclinado sobre o espelho da água. Não necessitam sequer de se justificar, mas caso alguém pergunte, respondem de forma previsível e com ar superior: querem "gozar a vida", prolongar a sua juventude; aguardam estabilidade no emprego; querem desfrutar dos momentos de pausa, dos tempos livres, das férias e do dinheiro. Dificilmente se apercebem de que a forma mais rápida de envelhecer é a compulsão pela maquilhagem "juvenil", ou que uma vez alcançado o lugar da carreira profissional, outro objectivo se lhe seguirá (até à exaustão final ...).

Há com certeza razões de indole económica, social, psicológica e até ideológica por trás dos hábitos ensimesmados de alguns dos nossos europeus de hoje. Mas a questão de fundo é o fastio existencial.

O amor que não extravasa, afoga-se na sua própria esterilidade. Este amor que consiste numa mera transacção fechada, acaba por se revelar como um intercambio de egocentrismos recíprocos. Sem talvez o pretenderem, estes "dinkies" são um emblema da Europa. Um continente que atravessa a fase mais próspera da história: dispõe de meios nunca sonhados para combater a doença, prolongar a vida, evitar as guerras, combater as catástrofes naturais e as epidemias, que noutros tempos a dizimaram. No entanto apresenta uma taxa de renovação da população abaixo do nível de substituição, apenas mitigada pela imigração.

Alguma coisa muito grave se passa quando os europeus se recusam a prolongarse no tempo. É aquilo a que Solzhenitsyn chamava "impulso de auto-mutilação". O suicídio demográfico, denuncia a crise de civilização:os europeus perderam a fé no futuro e a esperança de que a vida tenha sentido.


Por trás do desprezo sobre a família e seus laços, do alheamento da ecologia humana, paira o umbiguismo existencial, modelo de novas gerações que declinam a responsabilidade de transmitirem a vida e a cultura europeias. A Europa não carece de recursos para manter os seus valores: não tem é argumentos para manter a sua civilização, nem para prolongar a sua existência.

A este fastio vital que mata a imaginação, entorpece o desejo e nega o futuro, concede-se o lugar de modelo "moderno" a imitar.

Está a chegar o momento de fechar a loja e esperar a chegada dos bárbaros.

(in: Artigo de Juan Manuel Prada, no ABC, 23 de Janeiro

10 fevereiro 2006

Olhar para fora

Retirado do Daily Star, edição em Beirute, artigo do editor, Rami Khouri.

(...)
«Isto não é um mero choque cultural. É uma forma nova da luta colonial que dominou as relações entre a Europa e a Ásia / Arábia, durante o século 19. A diferença, agora, é que já não estamos perante nativos, indefesos e apáticos, frente aos canhões do Ocidente, à sua retórica paternalista ou à troça insultuosa. Muçulmanos, árabes, asiáticos e outros têm, hoje em dia, uma grande consciencialização do que são as políticas do ocidente, estão empenhados nos seus próprios objectivos, zangados com as "políticas de dois pesos e duas medidas", e são capazes de resistir através do uso dos meios de comunicação, dos canais políticos, ou outros; têm vontade de resistir e retaliar por aquilo que julgam ser o seu direito a viver em liberdade e dignidade. A mensagem que chega do coração da terra árabe - islâmica é que o século 19 terminou.» (...)

07 fevereiro 2006

A Alemanha, o Tráfico de Mulheres e o Futebol


A Coligação Contra o Tráfico de Mulheres para a Europa (CATW) lança uma petição internacional contra a organização da prostituição por ocasião do Campeonato do Mundo de Futebol em Junho e Julho de 2006.

Esta preocupação já tinha sido expressada, mas agora, o Parlamento Europeu pediu, em Janeiro, à Alemanha que tome medidas em relação à prostituição durante o Mundial de Futebol próximo. A Resolução foi aprovada por 622 votos, 12 contra e 19 abstenções.

A iniciativa partiu de Christa Prets, socialista austríaca, com base num relatório americano sobre o tráfico de seres humanos.

Vai sendo aceite que a prostituição aparece como mais uma forma de exploração das mulheres, com ramificações no tráfico e exploração sexual de menores.

A Resolução aprovada propõe que o dia 25 de Março seja declarado Dia Contra o Tráfico de Seres Humanos. O Parlamento estima que na UE 100 mil mulheres são vítimas desta prática.

Na Alemanha, a prática da prostituição está legalizada o que, por exemplo, pode levar uma mulher a perder o subsídio de desemprego por não querer prostituir-se, conforme revelou Clare Chapman, uma activista do movimento Sísifo.

No Brasil, as campanhas da Unicef contra o abuso sexual de menores anunciam-se como: "Quem cala, consente!". Parece óbvio, mas não para todos.

"Geração precária"

Em França existe, há algum tempo, uma "nova profissão": estagiário. Em média, um jovem diplomado demora cerca de 8 a 11 anos a encontrar um emprego estável. As empresas multiplicam os estágios, os empregos temporários e os contratos a termo. Alguns voltam à escola, não para melhorar a sua formação, mas apenas como expediente para manter o estatuto de "aprendiz", o único que lhe permite ser aceite pelas empresas de trabalho temporário. É caro e difícil alugar uma casa. Os filhos adultos eternizam-se em casa dos pais. No dizer de uma deputada, a juventude francesa é uma promessa sem futuro, e toda a França é, ela própria, uma dúvida.
Cerca de um ano depois de concluída a formação profissional, 1 em cada 5 jovens continua desempregado. Os jovens organizam-se em torno de uma associação a que chamaram "geração precária" para denunciar os abusos do mercado de trabalho, sobretudo no que respeita ao eternizar dos "estágios" gratuítos, ou pagos simbolicamente, como forma de reduzir os custos de mão-de-obra.

Vem-me à memória aquela frase popular que fala em "pôr as nossas barbas de molho, quando o vizinho tem as dele a arder"; ou em economês, "empresas socialmente responsáveis" precisam-se (se o governo permitir, e os políticos não se distraírem...)

05 fevereiro 2006

PACS (contrato civil de solidariedade)


A comissão parlamentar francesa encarregada de fazer propostas para actualizar o Direito de Família e a Protecção de Menores, propõe aumentar os direitos dos signatários do Contrato Civil de Solidariedade (PACS). Este contrato regula a vida em comum de pares não casados, do mesmo ou de sexo diferente. É proposto um contrato intermedio, entre o casamento e as uniões de facto. No que toca ao regime de bens, direitos sociais, sucessões e deveres de ajuda mútua, este contrato é semelhante ao do casamento. A pensão de viuvez é reconhecida a quem tenha vivido nesta situação durante, pelo menos, 5 anos.

O contrato apenas pode ser assinado em tribunais de primeira instância.

Esta comissão elaborou cerca de uma centena de propostas, das quais metade dizem respeito à protecção de menores e cerca de 40 ao direito de família. Há 7 propostas sobre a questão dos casamentos forçados.

É criada a figura da "responsabilidade parental delegada", que recai sobre um parente da criança que a acompanhe regularmente, permitindo-lhe facilidades em questões do dia-a-dia: visitas em hospitais, falar com a escola, autorizar saídas, etc.

Em materia de inseminação artificial, ou no caso de doação de óvulos, requer-se que a criança possa vir a conhecer a sua origem, em certos casos e se o desejar. Também é proposto que a criança possa ser ouvida em todas as questões judiciais que lhe digam respeito.


02 fevereiro 2006

Igualdade e diversidade


No Público (Quarta, 1 de Fevereiro de 2006), espaço público, artigo de Alexandra Teté (Associação Mulheres em Acção)

(...)
«A heterossexualidade é uma nota essencial do casamento, que se funda na conjugabilidade homem-mulher e na fecundidade potencial dessa união. O casamento é uma instituição reconhecida pela sociedade como fundamental por ser o lugar natural da geração, formação da personalidade e educação das crianças. É a fonte primária do capital social. É por serem socialmente valiosos que o Estado regula e protege o casamento e a família (heterossexual monogâmica): a função do direito não é dar cobertura jurídica a todas as relações afectivas (sexuadas ou não) que possam dar-se, mas só àquelas que são socialmente relevantes. E só a relação homem-mulher está nos alicerces da sociedade. "Eu amo quem quiser!", dizem. É verdade. Mas o Estado não tem nada a ver com isso.
De resto, qualquer pessoa pode casar, independentemente da sua orientação sexual. O Código Civil não proíbe o casamento dos homossexuais, mas sim o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Como disse Jospin, a este propósito, "a humanidade não se divide entre homossexuais e heterossexuais, mas entre homens e mulheres". Aliás, a lei estabelece outras restrições: exclui o casamento poligâmico, exige uma determinada idade, proíbe o casamento entre pessoas com laços de consanguinidade de certo grau, etc. Serão também discriminações inconstitucionais, uma vez que contrariam algumas orientações sexuais?»
(...)

Por outro lado,
o presidente da Federación Española de Entidades Religiosas Islámicas, Mansur Escudero, manifestou o seu apoio à atitude do Governo Espanhol sobre o "casamento homossexual", mas pediu que também seja legalizada a "opção matrimonial" da poligamia. Segundo ele, "a poligamia é mais praticada em Espanha, do que nos países muçulmanos", pelo que lhe parece coerente que tal realidade social seja reconhecido pela lei espanhola. Coisa em que, aliás, tem o apoio de juristas que dizem que, depois da lei reconhecer que o casamento pode não ser heterossexual, deve abrir a porta a todas as outras formas de convivência sexual, sob pena de se criarem bolsas de discriminação.