Jornal de Negócios

30 julho 2006

Outras guerras (igualmente mortíferas)



Espanha: o consumo da "pílula" do dia seguinte triplicou, e o número de abortos, em menores de 19 anos, aumentou
(El País, 20 Jul. 2006)


Entre 2001 e 2005 o número de pílulas com efeito anti-implantatório ("pílula do dia seguinte) distribuidas subiu de 160 mil a 506 mil. No mesmo período a taxa de abortamentos provocados subiu 20%, dos quais, 13,7%, peretencem ao grupo de raparigas menores de 19 anos.
Os casos de sífilis declarada, uma infecção de transmissão sexual fácil de diagnosticar e barata de tratar, pasaram de 700 em 2001 para 1255 en 2005, e os de gonorreia de 805 a 1.174 no mesmo periodo. O curioso é que a sífilis é uma infecção cujo período de contágio, mesmo quando não tratada, é muito curto.

Nada disto é novo no mundo dos médicos e dos estudos epidemiológicos - mas a sociedade teima em fehar os olhos à evidência.

27 julho 2006

E os reféns libaneses?


Os Reféns Libaneses
artigo de ,

Ignacio Aréchaga (aceprensa, 26-07-2006)

«É suficiente ter sofrido uma agressão, injusta, para que o uso da força esteja legitimado? Esta é uma questão clássica da legítima defesa que foi dramaticamente actualizada quando a máquina de guerra de Israel se dedicou a massacrar o Líbano, em resposta ao ataque do Hezbolá que provocou a morte de seis soldados e a captura de dois. Perante a acusação do "uso desproporcionado da força", a Ministra dos Negócios Estrangeiros de Israel, Tzipi Livni, responde: "A proporcionalidade deve ser medida, não em relação ao que aconteceu, mas em relação à ameaça, e a ameaça é muito maior, e mais ampla, do que os soldados capturados."
A ameaça seria o risco, permanente, da existência do Hezbolá que quer aniquilar Israel.
No entanto a magnitude do desastre provocado pelos bombardeamentos israelitas ultrapassa muito a luta contra o Hezbolá: só nos primeiros dias foram centenas de mortos e milhares de feridos, na maioria civis, meio milhão de deslocados, destruição sistemática de infra-estruturas (estradas, pontes, aeroportos, centrais eléctricas ...), para não falar dos mísseis disparados contra bairros de casas.
Esta fúria destruidora, que não é cega mas muito bem planeada, não transformará o agredido em agressor, injusto, da população civil?
A ideia de que a resposta deve ser proporcional, não à agressão sofrida, mas à ameaça potencial, pode levar a justificar uma escalada crescente de horrores: destroem-se as estradas, as pontes e os aeroportos porque assim se impede que a guerrilha se possa abastecer de armas, ou que desloque os soldados capturados; pode bombardear-se os bairros civis porque se supõe que aí estão mísseis que podem ser disparados contra Israel; pode destruir-se as centrais eléctricas e telefónicas porque assim se dificultam as comunicações da milícia islâmica ...
A Ministra dos Negócios Estrangeiros de Israel quis marcar a diferença entre as acções dos seus inimigos e as do exército israelita: "Não é a mesma coisa o facto de os terroristas quererem matar civis, do que isso acontecer por erro ou acidente" numa acção militar. "A nossa intenção não é atingir civis", embora isso possa ser inevitável se os milicianos se esconderem entre eles.

Não há dúvida de que o terrorismo suicida e os milicianos do Hezbolá manifestam um desprezo evidente pela vida de civis inocentes, ao lançar bombas sobre a população de Israel. Isto deve ser combatido.
Mas antes de proclamar a sua superioridade moral, o governo de Israel deveria compreender que a comunidade internacional não o julga pelas suas ideclarações de intenções, mas pelas suas acções.

Se para eliminar um dirigente do Hamás é preciso lançar um míssil que liquida os residentes, ou os que andam em viagem nas imediações, fica demostrado que a vida de civis inocentes se tornou irrelevante.
Se se bombardeia sistematicamente zonas densamente povoadas, como Gaza ou os bairros de Beirute, as vítimas civis serão inevitáveis, sejam quais forem as intenções de quem dispara. Se se destrói metodicamente as infra-estruturas civis, não se pode dizer que não se pretende causar danos à população, uma vez que ficam privados de meios de transporte, de fornecimento de alimentos e de medicamentos.
Para demonstrar que não pretende causar vítimas civis, o exército israelita lança papeis com avisos pedindo à população que abandone os bairros que vão ser atacados. Mas também não ficaria mal se alguém lançasse sobre o exército de Israel alguns folhetos com o texto da Convenção de Genebra.
Para proteger os civis, esta Convenção proibe, seja qual for o tempo e o lugar, "os atentados contra a vida e a integridade corporal", "os castigos colectivos", "a destruição de bens, (...) que não seja absolutamente necessária", "a tomada de reféns"...

Tanto o Hezbolá como Israel, tomaram como reféns o povo libanês para conseguir os seus fins. Os rockets do Hezbolá podem semear a morte entre a população civil de Israel. A sistemática destruição a que se dedica o exército israelita no Líbano corrresponde indubitavelmente a um castigo colectivo, para passar a a mensagem de que convém ao Líbano desfazer-se do Hezbolá. Mas as acções contra reféns inocentes, como represália contra a agressão de terceiros, sempre foi considerada eticamente inaceitável.

A destruição das infraestruturas e da capacidade de governação da Palestina e do Líbano só pode contribuir para mais caos. Ora isto é o que menos facilita que algum dia possa surgir aquele governo responsável, capaz de travar os radicais, que Israel diz desejar.»

18 julho 2006

"Mulheres portuguesas devem prevenir-se contra tráfico sexual "


Notícia no Público:
“Não há muita consciência da parte das mulheres portuguesas de que, ao deslocarem-se para outros países para trabalhar, estudar ou até [apenas] para viajar, têm de tomar certas medidas de prevenção, porque não estão imunes à situação de tráfico para exploração sexual”.

Prevenir:
«Deixar os contactos do local para onde se vai a alguém de confiança, confirmar a informação sobre o país de destino, andar sempre com os documentos pessoais e, quando pedidos, fornecer apenas cópias, são alguns dos cuidados que as portuguesas que vão para outras nações devem adoptar.

“Há inúmeros programas de intercâmbio e mobilidade de jovens. As mulheres têm de estar alerta para estas situações”»


17 julho 2006

Palavras



«Com as grandes palavras é preciso ter cuidado, sobretudo se são de uso frequente. À medida que passam de boca em boca, de mente em mente, confundem-se, perdem as suas ligações à realidade e flutuam no mundo das ideias, à deriva. Acabam por significar demasiadas coisas ao mesmo tempo. Para trabalhar com as grandes palavras é preciso cravá-las na realidade: penetrar nos lugares originais donde procede o seu sentido».
(Juan Luis Lorda)

"Tutela quer ensinar profissionais de saúde a desinfectar as mãos"



Notícia deste domingo:
(...) "formação da esmagadora maioria (90 por cento) dos profissionais de saúde em lavagem de mãos"
(...) "Até ao próximo ano prevê-se ainda que 70 por cento dos serviços disponham de soluções de base alcoólica para desinfecção das mãos"

Deixa ver se entendi: vão demorar um ano para fornecer o desinfectante, mas entretanto a malta lá vai treinando a lavagem "a seco".

Como sou ignorante na matéria, não consigo perceber muito mais, mas suspeito que os micróbios não costumam ler os jornais, e se transmitem quer o ministério actue com lógica, ou sem ela. Já agora, os locais em que não há lavatórios (ou em que falta a água) vão fechar como as maternidades?

16 junho 2006

Lila, lila: mentiras (pós) modernas...


Um livro que se lê de um fôlego (para quem lê espanhol, porque ainda não existe tradução portuguesa).
Uma paixão assolapada à mistura com uma mentira romântica: um empregado de bar apaixona-se por uma cliente e resolve ganhar a admiração da amada entregando-lhe um livro plagiado, como se fosse escrito por si.
O livro, uma novela, acaba por confundir-se com a realidade e os personagens do livro, com os nossos apaixonados, como que re-escrevendo o romance plagiado na vida real.

13 junho 2006

American Dreamz

Uma fita de Paul Weitz.
Fita mesmo - o "z" é, segundo o próprio diz, da sonolência de uma sociedade entorpecida pela TV. Um país em que a malta se esforça mais por votar numa pop star do que nas eleições . Mais ou menos o que irá acontecer à velha - e gorda - Europa ...

19 maio 2006

Vítimas da Moda





Livro de Guillaume Erner.
Editor : La Découverte


Porque seguimos a moda? Como é criada a moda?
Este sociólogo, propõe-se espreitar a máquina que nos obriga a comprar as mesmas peças de roupa, que apenas variam na largura e nas cores, ano após ano. Com duas gerações de familiares ligados ao vestuário, mostra-nos como as escolhas da moda seguem um percurso desenhado pelo marketing que usa (é o termo certo) personagens que funcionam como modelo.
Estes "profetas da moda"são omnipresentes: vão a festas, aparecem em exposições, dão entrevistas.
"Basta que um objecto seja decretado 'tendência' por um destes personagens qualificados, para que se converta em tal". Os que dominam a produção não querem correr riscos - se alguém deste grupo afirma uma tendência, seguem-no para optimizar as vendas.

Os gostos do consumidor não são, portanto, irracionais. São o resultado de uma oferta limitada e de uma imposição - muito bem manuseada - de "tendências".

A moda é cada vez mais uma questão empresarial. Não só na roupa, como nos carros, na comida e ... nas ideias?

Traduzido em brasilês pela editora Senac, e em castelhano pela Ed. Gustavo Gilli.

17 abril 2006

Hollywood necessita carne fresca, feminina, constantemente


Quem o diz é António Banderas - Hollywood trata com grande crueldade as mulheres, sobretudo se forem actrizes com mais de 40 anos. "Repare em Jessica Lange e na Michelle Pfeiffer: são actrizes excelentes mas não trabalham com os grandes estúdios já há algum tempo. Embora sejam talentos espantosos, não as chamam." Já os homens, duram um pouco mais (mesmo gordos e carecas...) Hollywood segue a moda.

"O sexo inspira. Karolina Kurkova é a modelo mais desejada. Descubra com ela as tendências mais quentes da temporada que começa", é esta a proposta de um conhecido jornal internacional.

"A erotização da moda demonstra que a dimensão sexual da sociedade está bastante adoentada e desorientada. Seria preciso levá-la aos Cuidados Intensivos da racionalidade, a ver se conseguimos que nela volte a brilhar a dignidade da espécie humana" (Luis Olivera, jornalista) Fugir da "manada" de que fala Luis Buñuel, a propósito da moda.

13 abril 2006

"os fetos têm direito a reclamar indemnização por actos ilegais"


Em 1999, na Prefeitura de Toyama, no Japão, um carro embateu contra outro veículo, conduzido por uma mulher grávida, por não ter respeitado a prioridade num cruzamento.
A mulher foi conduzida ao hospital, e teve o parto algum tempo depois. Mas a criança tinha ficado privada de oxigénio, como consequência do acidente, e nasceu com várias dificuldades motoras e mentais.

A Seguradora -
a Mitsui Sumitomo - foi condenada ao pagamento da indemnização, não só da mãe, como dos danos da criança, uma vez que a apólice abrangia os familiares transportados.

A companhia de seguros recorreu, argumentando que a apólice não cobria "fetos", mas o Supremo Tribunal confirmou a sentença, afirmando que o feto é um membro da família e, portanto, também sujeito do direito de indemnização.

03 abril 2006

Sarah Peck

Sarah e Chris esperavam o nascimento da sua terceira filha. Vivem no Reino Unido. Juntamente com a confirmação da gravidez, Sarah recebeu a notícia de que tinha leucemia. Foi informada das alternativas: abortar e iniciar o tratamento da leucemia, ou adiar o tratamento - permitindo a gravidez - correndo o risco do agravamento da doença.
Com o apoio do médico hematologista, Simon Rule, do Plymouth's Derrifor Hopsital, decidiu apostar em conseguir chegar à 30ª semana de gravidez (o limite previsto para conseguir um nascimento viável).
Teve um parto normal: às 37 semanas de gravidez, no dia 19 de Março de 2005, nasceu Charlotte.
Iniciou tratamento com células estaminais adultas (a dadora foi a sua irmã, Vichy) - um procedimento que tem demonstrado uma eficácia superior a 70%.
Sarah festejou, no mês passado, o primeiro aniversário da sua filha, teve alta da consulta de hematologia e regressou ao seu trabalho de assistente social.


16 março 2006

Colette Kitoga Habanawema


É um nome quase impronunciável para um europeu, mas foi premiada pela UNICEF italiana pelo seu trabalho junto das crianças vítimas da guerra civil no Congo. É médica, formou-se na Europa, mas regressou à sua terra natal onde pôs em marcha um método de reabilitação psicosocial adapatado à realidade que encontrou: uma população traumatizada pela guerra.
A Unicef premeia o seu trabalho em favor das meninas e do meninos, da República Democrática do Congo, especialmente "a intensa obra orientada para a recuperação das crianças-soldado que viveram a dolorosa experiência das sangrentas guerras dessa terra africana".

10 março 2006

O petróleo (que nós consumimos)

Syriana

Mudar governos, trocar de aliados, fazer dos inimigos, amigos (e vice-versa), usar as pessoas como se fossem guardanapos...
O mundo da engenharia financeira ligada ao negócio do petróleo, inspirado no livro de Robert Baer, um ex-agente da CIA, See No Evil. Um filme de
Stephen Gaghan, com nomeação para Melhor Guião Original e Melhor Actor Secundário(George Clooney).
O filme segue o estilo trepidante de Traffic (2000), tentando mostrar o que de pior têm os sistemas capitalistas.

Realizador e guião: Stephen Gaghan. Intérpretes: Matt Damon e George Clooney (de novo juntos), Amanda Peet, Chis Cooper, Jeffrey Right.
140 min.
Classificado para jovens-adultos.

08 março 2006

injecção letal


Os 4 países onde se executam 97% das penas capitais são a China, os EUA, o Irão e o Vietname.
Nos Estados Unidos, a recusa dos médicos em participar nas execuções por injecção letal, levou à intervenção do Supremo Tribunal - sob a égide do juiz "conservador" Jeremy Fogel - que considerou a execução por injecção letal uma violação da Constituição.
A revista médica, The Lancet, de cariz liberal, ecoa as palavras deste juiz que considera que a 5ª emenda da Constituição Americana proibe as punições que sejam "incompatíveis com os padrões evoluídos de decência que marcam o progresso das sociedades maduras".

Pergunta o editor da revista: "qual destes países maduros irá abolir a atrocidade das execuções capitais?"

Um debate a seguir com atenção, sobretudo pelas repercussões no debate sobre a execução sumária dos doentes incuráveis e dos bebés antes do parto.