Jornal de Negócios

13 outubro 2006

Comissão Europeia avisa Portugal acerca da baixa natalidade



A Comissão Europeia fez mais um aviso sério sobre a insustentabilidade das finanças públicas de Portugal, caso este continue distraído relativamente à baixíssima taxa de natalidade.


Num país em que ter filhos é fortemente penalizado na fiscalidade, na educação, na habitação e, em breve, também na saúde, é duvidoso que o aviso surta efeito.

09 outubro 2006

bebedeira infantil

Pediatra holandês abre clínica para menores com problemas de alcoolismo

Na cidade de Delft, abre a primeira clínica dedicada a menores de 16 anos com problemas de alcoolismo. O objectivo é, não só o tratamento integrado, mas a investigação do aumento crescente do abuso do álcool entre os menores holandeses.

Em cada ano, na Holanda, são internadas entre 500 a mil crianças por alcoolismo. Nestes casos é frequente que menores de 11 anos tenham uma média de 1,7 g/ L de álcool no sangue. 60% são raparigas e, em dois terços dos casos, o álcool foi obtido em casa. Além disto, os internamentos tendem a repetir-se na mesma criança.

Existe entre os médicos uma grande preocupação pelos danos cerebrais a longo prazo, bem como pelas alterações comportamentais, como a violência, e os acidentes, que este consumo acarreta.

No reino Unido também existem problemas semelhantes

05 outubro 2006

O atestado (parte II)


Atendendo aos pedidos dos milhares de fãs do post inicial, sobre o assunto, incluindo os comentários menos elogiosos, (o insulto, como se sabe, é uma forma tímida de elogio, uma espécie de fóbico social disfarçado de penetra), aqui segue a saga, em dia muito apropriado:

«O atestado
José Manuel Silva *

Estranha e inesperadamente, o Governo decidiu que os funcionários públicos deixam de poder justificar as suas faltas por doença com um atestado médico, pois este meio de prova passará a ser insuficiente para garantir o pagamento do subsídio de doença substitutivo da retribuição perdida por motivo de doença.
O Governo desconfia dos atestados passados por outros médicos que não os do Serviço Nacional de Saúde?! Acha que são eles a causa do absentismo na função pública?! É um verdadeiro paradoxo; o sistema político que inventou atestados médicos para tudo e mais alguma coisa, agora, desconfia desses atestados. Vivemos num país esquizofrénico em que o atestado pode justificar tudo e que não aceita a palavra de honra de um cidadão para justificar uma simples gripe ou uma falta por motivo de força maior. Vivemos num país ridículo, em que para dar um mergulho de lazer numa piscina é necessário um atestado médico (o que não faz qualquer sentido!) e em que só falta um dos nossos espertos políticos lembrar-se de tornar obrigatórios atestados médicos para ir à praia tomar banho! Vivemos num país louco, em que já chegaram a ser exigidos atestados médicos para familiares visitarem a campa dos defuntos! Vivemos num país absurdo, em que os doentes com doenças congénitas todos os anos têm de apresentar prova da sua deficiência, como se fosse possível apagar administrativamente uma doença congénita! Etc., etc!
Com esta iniciativa legislativa, o Governo vai atirar com 700 mil funcionários públicos para os centros de saúde, que já estão a rebentar pelas costuras com o actual nível de solicitações, e aumentar a sobrecarga de trabalho clínico e burocrático dos médicos de família. Vai esticar ainda mais o lençol, destapando ainda mais os pés do sistema. Os utentes habituais dos centros de saúde também vão sofrer as consequências, pois vai aumentar a concorrência na procura dos médicos de família, agravando as disfuncionalidades já existentes.
Naturalmente, e visto que é uma imposição burocrática legal, nenhum médico de família recusará a passagem da competente declaração de incapacidade temporária a um utente que apresente um atestado passado por um colega, já que essa eventual recusa até poderia dar origem a uma queixa para a Ordem dos Médicos. Por outro lado, o médico de família, que não é um escrivão de outrem, pode, zelosa e eticamente, entender solicitar exames complementares de diagnóstico, eventualmente redundantes, pois não conhece convenientemente o doente, e marcar nova consulta de avaliação (aumentando os gastos respectivos e o tempo de "baixa").
Na verdade, qualquer médico deve passar um atestado ou uma "baixa" apenas na sequência de um acto médico criterioso e é livre de entender se a situação clínica justifica ou não o referido documento. Não havendo concordância por parte do médico de família, o que é perfeitamente legítimo, até porque a observação é feita numa fase posterior à do primeiro colega, podem levantar-se situações complexas de conflitos potencialmente graves e escusável litigância.
Ademais, eticamente é incompreensível e inaceitável que um médico possa observar e medicar um doente mas não possa atestar validamente essa mesma doença! Se o argumento aduzido pelo Governo é equiparar as regras dos funcionários públicos às vigentes para o regime geral, porque não faz exactamente o inverso?
Lamentavelmente, o Governo nem se apercebe de que não resolve nada com esta medida (a não ser que a agenda oculta seja a de acabar progressivamente com a ADSE...) e que corre sérios riscos de incrementar o absentismo e complicar a burocracia. Quantos dias terá o utente de tentar o acesso ao médico de família para conseguir a tal declaração?! Quantos dias o funcionário público irá passar no centro de saúde até obter o milagroso papelinho da "baixa"? Claro que esses dias terão de ser incluídos na "baixa", pois não são da responsabilidade do doente.
Para além disso, o médico de família, como nem conhece bem o caso clínico do doente (nem tem essa obrigação, pois não o observou na fase aguda da doença), poderá ser tentado a passar desde logo a "baixa" standard, que é de 12 dias. Assim, sem grande dificuldade, o Governo corre o risco de transformar ausências que seriam de dois ou três dias em "baixas" de 12 dias! Mas ninguém explicou isto ao primeiro-ministro?
Então o Governo não sabe como resolver o problema do absentismo da função pública (que não sei se é muito ou pouco) e dos atestados alegadamente menos verdadeiros? Mesmo sem me terem perguntado nada, permitam-me uma sugestão:
1.º - Acabe-se com os atestados e demais impressos para justificar ausências de curta duração por motivo de doença;
2.º - Obrigue-se o doente a comunicar (pessoalmente ou por interposta pessoa) a justificação da ausência logo no período correspondente às primeiras horas de falta ao trabalho. De preferência por meio que possa constituir prova, como o e-mail, fax ou outro;
3.º - Transforme-se em justificação para não ressarcimento económico da falta o não cumprimento da alínea anterior, a não ser que se apresente relatório comprovativa do total impedimento dessa comunicação;
4.º - Crie-se legislação e organização que permitam ao Estado e instituições públicas desencadear de imediato mecanismos de verificação de doença (aleatória, dirigida ou sistematicamente), recorrendo a médicos avençados ou com outro tipo de metodologias contratuais;
5.º - A reincidência em falsas justificações de doença deverá constituir justificação legal suficiente para despedimento com justa causa.
É tempo de os cidadãos serem responsabilizados pelos seus actos e de retirar de cima dos médicos a enorme pressão para a passagem de atestados médicos.
É tempo de se estimular a cultura do cumprimento do dever e não a cultura do desenrasca. Quem é tratado como irresponsável tem tendência a comportar-se como tal.
É tempo de o Estado deixar de tentar corrigir alegadas deficiências com erros ainda mais graves.
É tempo de dignificar o papel do atestado médico.
É tempo de sermos um país civilizado.»

* Presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos


02 outubro 2006

uhururu na kazi


Em queniano, quer dizer "liberdade e trabalho": uma ideia que empurrou este país para a independencia.

É também a história de uma europeia, irlandesa, Olga Marlin, que resolveu fazer uma coisa pouco sensata: ir para o Quénia trabalhar.

Foi responsável, juntamente com outras "loucas", pelo início de uma escola de secretariado em que se apostava na promoção das mulheres. Foi "apenas" a primeira escola multirracial da África de Leste ...

Contado em
To Africa with a Dream,
traduzido em espanhol pela Rialp, "Un Sueño en Africa".




07 setembro 2006

Triagem de







O Senhor Doutor Protoc
olo
Artigo do Prof. José Manuel Silva, Presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos,
publicado no jornal
Tempo Medicina

«Finalmente, o Senhor Doutor Protocolo, doutorado lá para os lados de Manchester, começou a trabalhar na triagem e orientação dos doentes que recorrem à urgência dos HUC. Impressionado pela forma como é apresentado na comunicação social, parece que vinha resolver todos os problemas das urgências em Portugal (!…), estava extraordinariamente curioso para o conhecer pessoalmente!
Hélas, de imediato fui confrontado com alguns desvios que, em boa verdade, não se podem imputar ao Doutor Protocolo mas a quem ainda não o conhece bem, como aquela obesa que, porque há dois meses não conseguiria aceder ao seu médico de família, veio à urgência queixar-se que se sentia inchada (…) e me apareceu com o diagnóstico de ascite no local onde deveria ter sido colocado o número do fluxograma. É claro que não tinha ascite nenhuma…
A maioria das situações, porém, tem mesmo a ver com os conhecimentos britânicos do Doutor Protocolo!...

[...]
Claro que as «faltas de ar», os tremeliques, os choros fáceis e as ansiedades, basta um singelo «peso» no coração, foram todas promovidas a dor pré-cordeal! Tunga, laranja! [...]
E os desgraçados que têm pequenas feridas a necessitar de sutura na pequena cirurgia mas têm um coração mais estóico? Ou aprendem depressa a dizer que a dor é, pelo menos, moderada, e são amarelados, ou chupam com um verde e têm de esperar horas até que todos os falsos amarelos sejam observados! Pelo menos, à frente de medrosos e mariquinhas ninguém passará!...
Podíamos continuar nesta senda, mas não vale a pena. Todos os que já foram apresentados ao colega de Manchester terão as suas histórias para contar. Como aquele doente com icterícia que foi parar à Oftalmologia com «problemas oftalmológicos».

Pecar por excesso

O problema da triagem de Manchester, como há muitos anos afirmei, é que, ao tentar reduzir milhares de doentes a poucas dezenas de protocolos mais ou menos rígidos, tem forçosamente de colocar situações díspares no mesmo saco e pecar por excesso. Dois exemplos são suficientemente paradigmáticos:
— Síndroma gripal com dois dias de evolução e 38,5° C de temperatura timpânica, que, recorde-se, pode ser até 1,0° C mais alta que a temperatura axilar. É evidente que deveria ir ao médico de família, mas como não o conseguiu e foi triado pelo Senhor Doutro Protocolo, é imediatamente obsequiado com uma fita amarela. Uma gripe com um ou dois dias que apenas necessita de um antipirético qualquer, é classificado como situação urgente! Ridículo.
— Para o Doutor Manchester, o limiar da hipoglicemia são os 80 mg/dl! Todavia, segundo o Current Medical Diagnosis & Treatment, 2005, os sintomas de hipoglicemia apenas surgem por volta do 60 mg/dl e a perturbação da função cerebral pelos 50 mg/dl! Com o ritmo de trabalho que lhes é imposto, não duvido que se fizéssemos glicemias ocasionais às nossas enfermeiras do serviço de urgência, a maioria passaria num ápice para a sala de emergência, com um soro glicosado a 5% e enfeitadas com uma pulseirinha vermelha novinha em folha… Não é muito difícil, bastava terem algumas alteraçõezitas do comportamento. É evidente que, depois disso, teriam seguramente direito a 15 dias de baixa para repouso e recuperação (ao fim e ao cabo tinham sido doentes emergentes!)!

Os habitantes de Manchester devem ser diferentes dos outros [...]

Sistema diferente

Mais grave é o facto da Triagem de Manchester ter sido aferida num sistema de saúde completamente diferente do nosso, numa cultura diferente da nossa e, provavelmente, com um acesso mais simples de cada doente ao seu GP [Médico de Família].
Outro exemplo: não têm neurologistas de serviço à urgência nem a principal causa de morte são os AVC, demasiado desvalorizados pelo sistema, o que pode ter implicações na janela terapêutica para intervenção aguda nos AVC isquémicos. Paradoxalmente, num país que está a criar uma via verde dos AVC, os sinais neurológicos focais estão em terceira linha e apenas conseguem um amarelito!
Depois de lidar de perto com o Senhor Doutor Protocolo, fiquei mais descrente dos doutoramentos protocolizados em Manchester e um mais consistente defensor da verdadeira Triagem Médica (informatizada, treinada e com condições). Mas era preciso vir alguém de Manchester dizer-nos que o compromisso da via aérea, a respiração ineficaz, a hemorragia exsanguinante e o choque são situações de emergência? E não bastaria a mão de um jovem médico para distinguir os quadros abdominais médicos dos cirúrgicos e orientar correctamente os doentes? Etc., etc. Depois desta experiência posso garantir que nunca ninguém me ouvirá dizer que um protocolo é melhor que um médico. Por alguma razão, a seguir à triagem de Manchester, o Hospital de Viseu colocou uma triagem médica, uma experiência que se revelou extraordinariamente positiva.

Não há a menor dúvida que a triagem de Manchester devia sofrer algumas adaptações. A primeira coisa que proporia era que a escala de dor fosse retirada do sistema. Para os latinos portugueses, decididamente não serve! Orientar doentes com base na dor percebida é um erro crasso que apenas prioriza os mais histriónicos. É a total subversão do único objectivo da Triagem de Manchester, a definição de prioridades reais! Além do mais, os doentes facilmente apreendem que, queixando-se com convicção, passam à frente dos outros (basta ligarem a intensidade das dores com a cor da pulseirinha!)…

Algumas vantagens

De qualquer forma, a Triagem de Manchester trouxe algumas vantagens. Desde logo a informatização e organização da triagem em alguns hospitais (já existia nos HUC). Depois, pela primeira vez, há que reconhecê-lo, a triagem de doentes é feita num espaço físico condigno e reservado (o que não acontecia nos HUC). Por último, agora a culpa de doentes mal triados não é de ninguém, é do sistema (o que é excelente para todos), e o sistema não pode ser condenado! Sem esquecer o marketing; funcionar bem, não é notícia, mas contratar o Doutor Manchester dá direito a comunicação social (como se alguma coisa se resolvesse por milagre)!! No entanto, quando as condições físicas não são as ideais, até parece que o funcionamento piora, a avaliar pela notícia publicada no Expresso de 22/07/06 sobre o Hospital de Fafe.
[...] não se esqueça de dizer que a sua dor torácica é mesmo pré-cordeal ou muito severa, caso contrário corre o risco de ser apenas amarelado e morrer antes de ser observado… É que os suores frios, a palidez, a sensação de morte iminente, o sentido clínico (que só os médicos podem ter), não contam para nada… Mesmo que tenha vómitos evite dizer que a dor é ligeira, ou vai parar aos verdes e aventura-se a esperar horas por um ECG (o que já aconteceu…). Quanto aos doentes com enfarte que apenas tenham dor no membro superior esquerdo, vão para a Ortopedia…»
[...]

01 setembro 2006

Mentir resulta, nas campanhas de saúde pública?




Eduardo Cintra Torres
Jornal de Negócios on-line, 1 de Setembro 2006, opinião
Ministério da Administração Interna e Galp Energia
[...]
«O anúncio televisivo está bem realizado, mas o seu tiro acertou totalmente ao lado. A agência jogou na metáfora – morrem tantas crianças por ano que daria para encher um avião – mas a metáfora está errada, triplamente, quadruplamente errada. Morrem menos crianças do que as que dariam para encher um avião, segundo a PRP; a aviação é o meio mais seguro de viajar; e da falta de qualidade dos textos dos desdobráveis distribuídos nos postos Galp e lido no spot televisivo resultam erros aflitivos.»
[...]


Mário Cordeiro, Pediatra
Jornal de Notícias, 11 de Agosto de 2006

[...]
« É portanto com pasmo que vejo a actual campanha com "um avião cheio de crianças". Alguém apanhou a frase mas ignorou o seu real significado e a ideia com a qual foi proferida há uma década. Misturar um meio de transporte seguro e com enormes exigências de rigor, com acidentes que se dão nas estradas, nas ruas, nas passadeiras e à volta das escolas parece-me extremamente infeliz.

Os números actuais nem sequer "valem" um avião cheio. E a alusão ao avião, além de injusta para a aeronáutica e para as companhias aéreas e todos os que lá trabalham, designadamente na manutenção, retira os portugueses do verdadeiro "local do crime". E retira-lhes a responsabilidade porque são eles quem pode (ou não) transportar uma criança em segurança, parar numa passadeira, respeitar os limites de velocidade nos meios urbanos e à porta das escolas, comprar capacete de bicicleta para o filho e exigir o seu uso.

Assim se esgotam os milhões do erário público. Muito ao contrário do que fez um Engenheiro chamado Sócrates, quando liderou a legislação sobre os parques infantis e a sua aplicação.»

João Borges de Assunção,
Publicidade Enganosa
Jornal de Negócios on-line, 14 de Agosto de 2006

«Há uma frase antiga em publicidade que diz que "metade do dinheiro gasto em publicidade é mal gasto, o problema é que ninguém sabe qual a metade que é mal gasta." O anúncio da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), que foi para o ar este Verão, é a excepção a esta regra ao assegurar que todo o dinheiro está a ser mal gasto.Como é possível que tal anúncio se mantenha no ar?»
[...]
«as pessoas não vão perceber o anúncio de forma benévola. Primeiro, não se percebe do anúncio que a mensagem é sobre estradas, automóveis ou condução pouco cuidadosa. O que é feito do eficaz "se conduzir não beba"? Segundo, as pessoas que vêem o anúncio de forma casual ficam a pensar que cai mesmo um avião cheio de crianças em Portugal. Porquê disseminar uma mentira tão óbvia? Em terceiro lugar, o suporte institucional dado pela Galp e pelo Ministério da Administração Interna (MAI) no final do anúncio reforça a ideia do que tudo o que é dito no anúncio é verdade, e não apenas uma metáfora ou forma criativa de comunicação. Ainda veremos o MAI, ou outra agência do Estado, a desmentir em comunicado aquilo que está a pagar para comunicar na publicidade.»
[...]
«a obsessão com a comunicação só para aparecer na televisão; ou a dificuldade em impor restrições financeiras ao Estado (esta despesa não está no orçamento de Estado, mas é de facto uma despesa do Estado). Mas acima de tudo este episódio ilustra que é demasiado fácil em Portugal fazer despesas que não criam valor quando o Estado participa no processo.

Para as universidades sobra um caso que pode ser usado pedagogicamente em disciplinas de marketing. Quer sobre o conteúdo da mensagem publicitária quer sobre a importância da velocidade de decisão no cancelamento de campanhas que correm mal.»

Paula Sá,
Diário de Notícias - 4 Ago 06

«Governo mantém 'spot' considerado "abusivo"»

«O Ministério da Administração Interna (MAI) vai manter a campanha publicitária que tem como tema "todos os anos a velocidade nas estradas vitima um avião cheio de crianças", apesar da celeuma que ela está a causar. A Prevenção Rodoviária Portuguesa e a TAP consideraram-na "abusiva" e "chocante".

"O que me choca é o número de vítimas na estrada, o número de crianças que são vítimas", disse ontem o titular da Administração Interna, António Costa, interpelado em Viseu sobre a polémica. O ministro escusou-se a comentar o teor dos spots de rádio e televisão e dos outdoors. "Não sou técnico publicitário", argumentou.

O spot televisivo, que começou a ser divulgado a 28 de Julho, numa parceria MAI/Galp Energia, retrata a entrada de uma série de crianças num avião, a porta fecha-se, um rosto infantil surge na janela oval e o aparelho levanta voo. E a mensagem é lida: "Todos os anos a velocidade nas estradas vitima um avião cheio de crianças."

José Manuel Trigoso, director da Prevenção Rodoviária Portuguesa, insurgiu-se ontem contra o anúncio e considerou a ideia "muito infeliz", já que "não faz sentido comparar o transporte aéreo, o mais seguro do mundo, com o sistema rodoviário". O número de crianças evocado também lhe causou perplexidade. Segundo José Manuel Trigoso, "em 2004 morreram 42 crianças (dos zero aos 14 anos) vítimas de acidentes de viação, enquanto que em 2005 o valor baixou para as 25 vítimas mortais".
[...]

"Sensibilizar é tempo perdido, pois o importante é o desenvolvimento de actividades que levam a acções concretas". Como a formação escolar, comunicação pedagógica e formação técnica.»



29 agosto 2006

O diabo é conservador



É o título deste livro: "O diabo é conservador porque não acredita no futuro, nem na esperança, porque não consegue sequer imaginar que o velho Adão se possa transformar, que a humanidade possa regenerar-se. Este conservadorismo obtuso e cínico é a causa de muitos males, porque induz a aceitá-los como se fossem inevitáveis e, portanto, a permiti-los."
(Alejandro Llano,

Eunsa. 2001,
ISBN: 8431318651 / 84-313-1865-1, EAN: 9788431318659)




«Há três elementos na estrutura do chamado “tecnossistema”, o Estado, o mercado e os meios de comunicacção social, que têm vindo a excluir, pouco a pouco, as pessoas para dar lugar às estruturas anónimas que conforman a fria rede da sociedade burocrática e sistémica. O “tecnosistema” caracteriza-se pela sua visível desconfiança na capacidade dos cidadãos para intervir, de modo acertado, nas decisões públicas, coartando assim o mis genuíno sentido da liberdade democrática.

Contra este modo de não-fazer política levanta-se o humanismo cívico, que se apoia nas premissas seguintes:

  • Recuperar o papel pessoal e inovador de cada cidadão na vida política.
  • Uma clara defesa da dignidade da pessoa, com o consequente respeito pelas suas iniciativas, também na esfera pública.
  • Reconhecer à esfera pública todo o seu valor como espaço privilegiado para o desenvolvimento da liberdade social e como baluarte contra ingerencias indevidas da parte daqueles “três poderes”.»

(Humanismo Cívico,comentado por Liliana Beatriz Irizar, Comunidad Virtual de Gobernabilidad y Liderazgo)

27 agosto 2006

piada gasta (mas não resisto!)

Para encontrar um político honesto:
Clique aqui.


As células estaminais embrionárias nunca foram usadas para tratar ninguém, nem existem planos para o fazer



«Embryonic Stem Cells Have Never Been Used to Treat Anyone and no Plans Exist to do so

Quem o diz é Peter Hollands, especialista em investigação sobre células estaminais. Trabalha em reprodução medicamente assistida, foi Director Científico da
Cells for Life, actualmente é gestor da Unidade de Fertilização do BMI Chelsfield Park Hospital.

É o responsável pelo banco de células estaminais do Reino Unido: "No Reino Unido gastámos milhões num banco de células embrionárias que contém cerca de seis linhas celulares diferentes, e nenhuma delas serve para transplante".

O futuro das células estaminais, segundo ele, está na sua obtenção a partir do cordão umbilical. Mas isto só será possível se houver investimento nesta área. Para isso, tanto os cientistas como os media precisam de saber divulgar para a opinião pública a utilidade demonstrada destas células.

"Actualmente, muitas pessoas comuns julgam que as células embrionárias são a única opção possível, o que é completamente incorrecto", explica. "Se o grande público soubesse que existe uma fonte de células estaminais, disponível desde que nasce uma criança, e que não acarreta riscos para ninguém, então teríamos a pressão suficiente para que houvesse apoio a esta investigação".


23 agosto 2006

Sem stress!


Duas leituras descontraídissimas, divertidas e com bastante conteúdo. Sem procurar muito, que o calor não ajuda, era o que estava à mão.

Único inconveniente: se forem como eu, acabam a rir sózinhos, o que pode provocar algum espanto daqueles que, para rir, precisam dos malucos do riso (ou de uma bebedeira...).

Cartas de um diabo ao seu aprendiz, de C. S. Lewis
A visão do mundo das pessoas, na perspectiva da "empresa" infernal: os conselhos de "marketing" do demónio Screwtape ao seu sobrinho ...
Extractos no blog de John Santos, Lendo Lewis.

O clube dos negócios estranhos, G. K. Chesterton, na "velha" colecção policial Vampiro.
O humor paradoxal de G. K., num enredo policial. E até se compra em alfarrabistas on-line.

Boas férias! :-)




10 agosto 2006

Obsessões glandulares


Público, 10 de Agosto de 2006

«Obsessões glandulares
Carla Machado (
Professora universitária

«Há uns anos atrás, uma nova marca a querer lançar-se no mercado anunciava que "Maria Elisabete é uma lasca. Dá vontade de comer". Referia-se - obviamente (?!) - a uma lata de atum. Hoje, após a remoção do vergonhoso spot em que um jovem recém-casado devolvia a mulher ao pai, queixando-se de que a devia ter experimentado antes, assistimos à inundação dos ecrãs televisivos e espaços públicos de publicidade por anúncios e cartazes de análogo bom gosto, desde o wonder beer, à playbock, passando pelo inenarrável spot dos melões, publicidade de uma dada marca de água. A quem desenvolve este tipo de estratégias publicitárias apetece fazer algumas perguntas: - se já pensaram que mais de 50 por cento das consumidoras são mulheres, que talvez não achem piada a ser descritas na publicidade como objecto consumível e descartável, ou redutível a um par de... glândulas; - se ponderaram que talvez a piadinha de caserna e a boçalidade sejam apanágio de parte da população, mas dificilmente representam o ideal estético a que a publicidade - que pode atingir uma dimensão artística ou, pelo menos, criativa - procura aludir; - se lhes ocorreu que a Maria Elisabete pode perfeitamente ser a colega, mulher, patroa, mãe, filha, médica ou juíza com quem um dia vão ter que lidar; - se o Verão tem mesmo que ser apanágio de esvaziamento mental e de desertificação da imaginação no campo da publicidade; - se a representação da sexualidade no campo publicitário tem necessariamente que ser alarve e sexista e situar-se nos antípodas do pensamento inteligente; - se a obsessão mamária dos autores poderá sinalizar alguma perturbação precoce, daquelas que trata a classe "psi", quem sabe - com alguma sorte - até alguma coisa curável... Não, não acordei de mau humor e estou bem longe de ser uma feminista radical, daquelas que provocam alergias a quem não se incomoda com o tipo de coisas de que estou a falar. Mas ofende-me, como pessoa e mulher, a continuada degradação e objectificação com que se persiste em tratar mais de metade da humanidade. Como ser pensante, objecto sobretudo à falta de imaginação e ao persistente mau gosto. Como consumidora, tenho pena, porque até consumia alguns dos produtos de que falei. Consumia, sublinho... »

......................

A questão não é nova, começa logo nos infantários e na pré-escola, com os profissionais a quererem forçar os "casalinhos". Os miúdos que não têm "namorada" para exibir perante os adultos - educadores, pais, vizinhos - são coitadinhos ... Depois temos o velho probema dos balneários, na maioria das escolas: todos são coagidos a uma exposição de intimidade que geralmente não desejam, e violenta o que sabe da biologia, da psicologia e da afectividade destes grupos etários. Mais uma vez se impõe a violação da intimidade, a exibição forçada ...
Se alguém protesta, é "retrógrado". A sexualidade corporal tem que ser exibida, porque "é assim que se usa", é moda. O grau de violência interior e exterior que tudo isto constrói, ano após ano, é ignorado.
Acontece que muitos dos que não estão de acordo com isto são ridicularizados; os intelectuais e bem-pensantes, têm medo de serem considerados "obscurantistas"; a elite cultural tem medo de ser "castradora".
E quase todos têm vergonha de intervir, não vá alguém acusá-los de "intolerância".
Tal como nos acidentes na estrada, criticam-se as vítimas, pelo seu comportamento, mas não se actua perante os (múltiplos) promotores da agressividade rodoviária.
Vejam-se, por exemplo, alguns dos materiais que circularam em algumas escolas no âmbito da "educação" sexual e que foram recolhidos pos alguns pais.

«
A nossa geração não lamenta tanto os crimes dos perversos, quanto o estarrecedor silêncio dos bondosos.»
Martin Luther King




08 agosto 2006

Contra a discriminação invisível


No JN

(Mário Contumélias,
docente universitário)

«Os leitores que me desculpem, mas hoje resolvi assumir-me. Confesso, sou um cota. Já passei o cabo dos cinquenta, o que significa que não tenho valor de mercado, nem sou "papel" em que se aposte na bolsa de emprego.

Teoricamente, em termos físicos sou uma ruína; no plano mental, uma nulidade. Represento, como qualquer homem ou mulher da minha idade para cima, uma incomodidade para o sistema capitalista alguém que está vivo para além do prazo de validade, "incapaz" de produzir valor, de gerar mais valias como deve ser.

Sou, caros leitores, uma perversão incómoda. Se tivesse decência, educação, boas maneiras, já teria desaparecido. Desamparado a loja. Parado de chatear. Encostado discretamente a um canto.

É certo que cotas há muitos. O presidente da República tem 67 anos, o primeiro-ministro vai fazer 50, o presidente da Assembleia já tem 59; até Belmiro de Azevedo anda nas 68 primaveras.

Como é verdade que Bill Gates soma 53 anos de vida, George Bush, 60, Tony Blair, 53. Ou que Rupert Murdoch já fez 75 e Balsemão está à beira dos 70, sem que fraqueje a sua pujança como imperadores dos Media. Mas estes, e muitos mais nas mesmas condições que poderia citar, não significam nada. São todos "senadores"; excepções que confirmam a regra. Super-homens insensíveis ao factor idade, vulgo PDI.

Os outros, a esmagadora maioria dos acima dos 50, no chamado "mundo civilizado", são vistos como imprestáveis excrescências, que andam a empatar a vida dos jovens activos e dos respeitáveis empreendedores, em busca de sucesso.

Esforçamo-nos por abolir preconceitos instalados. Pregamos a multiculturalidade, repudiamos o racismo, temos leis contra as atitudes sexistas, queremos que se deixe de avaliar alguém em função da sua orientação sexual. Tudo formas de discriminação que a sociedade moderna quer erradicar e muito bem. Mas ninguém, ou quase ninguém, fala da mais letal das formas de discriminação, a discriminação etária. A única invisível.

E sabemos hoje que, para além da força física, o que não conta numa economia de Serviços, os mais velhos são tão capazes como os mais novos. Cometem, até, menos erros. Mas faz de conta que não. Sobretudo, porque os mais jovens reivindicam menos e são mais baratos.

No pé em que estamos, e com a Segurança Social no estado em que está, o aumento da esperança de vida é um paradoxo, uma calamidade. Vive-se mais, para experimentar a discriminação, a insolvência, o drama. E não adianta aumentar a idade da reforma, se não houver trabalho para os mais velhos...

Eu não quero reformar-me, quero a minha parte na divisão do trabalho social, enquanto tiver lucidez e forças. E tenho-as. Uso-as, desta vez, para clamar contra a mais abjecta das discriminações - a discriminação em função da idade.»

07 agosto 2006

Primeiro país do mundo no ranking do bem estar, segundo na Europa, nos suicídios.


Há quem se dedique a estudar a "felicidade" (happiness) dos países. Curioso trabalho que, logo à partida, pressupõe que os países (e não as pessoas, seja qual for o país ...) são felizes, e que é possível medir esta felicidade.
A nova lista, elaborada na Universidade de Leicester, pretende corrigir algumas das disfunções dos critérios dos outros anos, que colocaram no topo países com economias frágeis, como a Venezuela, em detrimento de economias fortes, como o Reino Unido ou os EUA.

Assim o explica Adrian White, professor nesta Universidade. A "felicidade" que ele estuda, e tenta quantificar, resulta de variáveis como a saúde, a educação, e a sensação de bem-estar: "No Ocidente, temos tendencia a sermos gente saudável, mas hiperpreocupada", o que estraga a estatística. Neste novo ranking tenta ultrapassar esta questão.
O novo Mapa Mundial da Felicidade, resulta dos dados de cerca de uma centena de estudos, em todo o mundo, com elementos como a esperança de vida, calculadada pela OMS, e resultados de inquéritos nacionais sobre a satisfação.
Nesta tabela, Portugal aparece em 92ºlugar, e Cabo-Verde em 100º.

Boas notícias para um grupo de estudantes universitárias que, neste Verão, decidiram ir para Cabo-Verde trabalhar em voluntariado... Afinal, é só uma questão de oito pontos ;-)
Fooooorça!
Um pouco mais sério (ou será menos?). Voluntariado? Em Cabo-Verde? Nas férias?Ainda há gente assim?
Pois há! Muitíssima. Garanto. Eu conheço! Talvez não apareçam nos ecrans, no horário nobre, nem tenham grande tempo para ver TV, nem dissertem sobre o multiculturalismo. Claro que isso lhes reduz imenso as possibilidades de serem colunáveis ...

Mas regressando à felicidade, sabiam que a pátria de Sören Kierkegaard, o precursor do existencialismo, autor do "Tratado do Desespero", é o país mais feliz do planeta?
É o que dizem.
Pelos vistos a Dinamarca ficou no topo do Mapa Mundi da "felicidade". Têm uma esperança de vida de 80 anos, gostam do seu sistema de saúde (eu também "gosto" do meu, porque não tenho outro...) e disfrutam de um elevado índice de vida.
Mas há dinamarqueses que discordam. Um deles é o jornalista dinamarquês Benjamin Holst. Segundo ele, conforme disse ao jornal Times, "na Europa estamos [a Dinamarca] em segundo num outro ranking: o dos suicídios. Será que não aguentamos tanta felicidade e acabamos oor nos suicidar?"

O jornalista do jornal ABC que escreveu o artigo, termina comentando que, "aparentemente, Kierkegaard não é o único dinamarquês angustiado perante a condição do ser humano moderno.
"

03 agosto 2006

Já teve o seu susto hoje?

Público, Segunda, 31 de Julho de 2006, CARTAS AO DIRECTOR de
Fernando Gomes da Costa (médico), Coimbra

O alarmismo sempre foi das armas das mais poderosas, lucrativas, e eficazes, valendo-se da ignorância, ingenuidade e atracção pelo fantástico da maioria do público para lhe incutir os mais absurdos conceitos, normalmente com o fito de, por exemplo, dirigir consumos, obter votos, vender movimentos políticos ditos humanitários, arregimentar marchas de protesto, publicar lucrativos artigos noticiosos e conquistar tempos de antena.
A saúde (...) presta-se de especial modo a esse tipo de manipulação. (...) Se houvesse o hábito de reflectir um pouco sobre os conceitos "pronto a pensar" que nos tentam impingir diariamente, teríamos todos a ganhar (...).
Dou dois exemplos recentes: diziam alguns jornais no passado fim-de-semana que "o paracetamol (medicamento para a febre e dores) provocou, nos últimos três anos, meia centena de reacções adversas em Portugal, segundo o Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed) e foi recentemente associado à destruição do fígado, mesmo quando tomado em doses recomendadas... Para o estudo foram utilizados 106 participantes, divididos por três grupos: dois tomaram diariamente quatro gramas de paracetamol ao longo de duas semanas, e o terceiro tomou apenas placebo... Entre quem tomou o "remédio falso" não houve problemas de fígado, mas cerca de 40 por cento dos restantes participantes revelaram indícios de danificação daquele órgão."
Comentário: quatro gramas de paracetamol são oito Benurons por dia; vezes duas semanas dá a módica quantia de 112 comprimidos. O facto de só haver "indícios" de lesão hepática (algo muito subjectivo de analisar em termos médicos, uma vez que existem muitas outras coisas, a começar pelo álcool e gorduras que o podem fazer) é antes de mais uma mostra da inocuidade do produto. Do mesmo modo, 50 reacções adversas em Portugal (...) (e nenhuma grave foi comunicada à classe médica) em três anos, e em cada dia são prescritas embalagens na ordem dos milhares (fora as adquiridas sem receita), mostra que as probabilidades de haver problemas são bem menores que as de ser, por exemplo, atropelado por um jornalista.
Nas recomendações de uso deste medicamento sempre constaram avisos sobre os cuidados a ter em caso de toma prolongada ou em altas doses, sobretudo em relação ao fígado e rins. Não se percebe bem o porquê desta notícia ou "estudo" sobre uma coisa que não é novidade nenhuma, mas que pode ser alguma preparação para um novo produto a chegar ao mercado...

Segundo exemplo: um conhecido jornal on-line na sua edição de ontem, e em relação a um dos grandes pânicos regularmente cultivados nesta época estival - o cancro da pele e o hábito obviamente suicidário que as sociedades (ocidentais, claro) têm em se expor ao sol -, o presidente da Associação Portuguesa do Cancro Cutâneo terá afirmado, sobre a necessidade de protecção solar, que a quantidade ideal de creme a aplicar é, nada mais, nada menos do que um grama por centímetro quadrado. (...)
Na sequência de um hábito, também saudável, que é o de fazer contas aos números com que, com tanto gosto como displicência, muitos senhores jornalistas gostam de nos alarmar: a superfície média do corpo humano anda por volta dos 1,80 metros quadrados para uma pessoa de 70 quilos e 1,70 metros.
São portanto 18.000 (dezoito mil) centímetros quadrados. A um grama cada, são dezoito quilos de creme (a aplicar de duas em duas horas, se também seguirmos as regras)! Mesmo descontando as partes não expostas (poucas, como sabemos), convenhamos que é uma bela besuntadela e um excelente negócio para as farmácias e fabricantes. Pode mesmo criar novos postos de trabalho para "carregadores balneares", uma vez que uma família de quatro indivíduos precisará de transportar, para cada duas horas de praia, qualquer coisa como 60 a 80 quilos de cremes. Não imagino com que aspecto ficará uma pessoa depois de aplicar o creme recomendado, mas calculo que não lhe ficaria mal colocar por cima meia dúzia de azeitonas e um raminho de salsa.»