Jornal de Negócios

24 fevereiro 2007

Revolta na Suécia


«Durante décadas a elite sueca tentou fazer com que as mulheres esqueçam que também são mães.
São os estereotipos do costume: não nos dão liberdade de escolher [ser mães] porque escolhemos mal. Por isso impoêm-nos cortes fiscais pesados, quer nas receitas dos pais, quer das mães, que nos devolvem em pequenos bocadinhos, em subsídios. Assim nos mantêm sob controle.»


Quem assim escreve é Elise Claeson, jornalista, num dos principais jornais suecos, o Svenska Dagbladet. Foi em Setembro passado. A campanha eleitoral sueca estava no seu auge. A maioria das mulheres, na Suécia, têm uma profissão remunerada fora de casa, mas não se revêem em políticas que as excluem da maternidade. "Se escolhemos os filhos", continua, "dizem que é uma má escolha, um engano feminino". "Mas quando são os homens a dizer que querem dedicar-se aos filhos, aparecem como herois nacionais".

Esta jornalista acaba de publicar em livro - mamma@home - a sua visão de um feminismo que pretende a valorização da maternidade. "Já basta da visão paternalista que pretende que a mulheres são livres por se sujeitarem a um patrão, mas escravizadas se decidirem serem esposas".

21 fevereiro 2007

Tal como previsto ...

«Aconselhar, escolher, o mal e a caramunha»
Editorial no jornal Público de 18.02.2007, José Manuel Fernandes


«Quando escrevi sobre as prioridades do dia seguinte à vitória do "sim", parti do princípio que o que se tinha dito durante a campanha era para valer e que, de uma forma geral, todos consideravam o aborto um mal a combater. A nova fórmula legal não traduziria, pois, nem a velha versão "mulheres para a prisão", nem o radicalismo expresso em palavras de ordem como "a barriga é minha". Ter-se-ia em conta os direitos diferentes em confronto: o direito da mulher à liberdade de escolha, o direito da vida em gestação a um futuro. A síntese traduzir-se-ia na fórmula da maternidade consciente (que não é exactamente a da maternidade planeada ou mesmo desejada). Haveria, pois, a preocupação em chegar, na AR, a fórmulas legais que, nos termos do votado no referendo, permitissem que a mulher escolhesse, mas estando na posse de toda a informação (efeitos sobre a saúde, alternativas possíveis, por aí adiante). Ou seja, que escolhesse de forma consciente, e também aconselhada, tanto mais que é sabido que a legislação terá, por exemplo, de definir se se tem ou não o direito de abortar aos 13, 14 ou 15 anos sem autorização, ou mesmo sem o conhecimento dos encarregados de educação.
Não por acaso defensores do "sim", como Vital Moreira, escreveram, e neste jornal, que haveria "menos abortos e mais nascimentos porque, com o "sim", vai haver aconselhamento médico para todas as mulheres, incluindo as pobres e pouco informadas" (23 de Janeiro) ou que "a despenalização e legalização proporcionarão condições para um aconselhamento prévio, que a lei deve, aliás, tornar obrigatório, como parece ser consenso dos defensores da despenalização" (30 de Janeiro). O mesmo tipo de posições foi defendido por figuras de proa que foram o rosto do PS na campanha, como Maria de Belém.
É por isso algo surpreendente o que se passou nos últimos dias quando, de repente, a palavra "aconselhamento" foi proscrita pela direcção do PS e da sua bancada parlamentar, ao mesmo tempo que, por entre declarações contraditórias e alguma trapalhada, surgiam informações diferenciadas a propósito do que pretendem fazer os socialistas, havendo agora indicações que procurarão um acordo à esquerda, isto é, com os que nunca consideraram a necessidade de aconselhamento.
Na verdade, o PS, neste domínio, está, e vai continuar a estar, dividido e basta olhar para as propostas que já fez desde que ganhou as eleições para o comprovar. Ainda com Sampaio na Presidência, quando tentou precipitar um referendo no Verão que Belém vetaria, o PS avançou com um projecto de lei, o 19/X, onde se escrevia que "deve ser desenvolvida na rede pública de cuidados de saúde a valência de aconselhamento familiar, a qual deve ser composta por, pelo menos, um Centro de Aconselhamento Familiar (CAF) por distrito", (artigo 3º); que estes centros "devem ser de fácil acesso a todas as mulheres grávidas que pretendam realizar uma interrupção voluntária de gravidez ou que já a tenham praticado" (artigo 5º); e que deveriam aconselhar a mulher grávida "com objectivo da superação de problemas relacionados com a gravidez, contribuindo para uma decisão responsável e consciente", podendo suscitar "a intervenção dos serviços sociais (...), analisando-se a possibilidade de essa intervenção resolver os problemas de ordem social decorrentes da maternidade" e devendo informá-la "dos direitos consagrados na legislação laboral no que respeita à maternidade, bem como quanto aos direitos relativos a prestações médico-sociais" (artigo 5º). Nestes centros, se a mulher não se opusesse, poderia ser ouvido "o outro responsável da concepção", isto é, o pai.
Mais tarde, o PS faria entrar um documento em que alterava o seu projecto e fazia desaparecer os artigos 3º, 4º e 5º. Na campanha, não explicou porquê, mas pediu aos eleitores que confiassem no seu bom senso.
O que temos hoje? Nada. Não sabemos se e como haverá aconselhamento; se este será exclusivo do Estado (o que desagrada a qualquer liberal), das clínicas (interessadas no negócio) ou de outras instituições (que são acusadas de pressionar a mulher). Só sabemos que, como em 2005, se acelera a fundo no meio do nevoeiro e com muito pouco estudo e nenhum esclarecimento transparente das alternativas em jogo.»
José Manuel Fernandes

19 fevereiro 2007

A linguagem de Deus e a genética


Francis Collins é médico. Trabalha em Genética. No seu livro "The Language of God" descreve como é pouco racional a oposição entre ciência e fé. "Os cientistas que fazem alarde do seu ateísmo dão-nos uma visão muito empobrecida da realidade"," alheiam-se das perguntas que os seres humanos fazem a si próprios, todos os dias". "A ciência é necessária para entendermos melhor o mundo e melhorarmos as condições de vida das pessoas, mas a ciência nada sabe das questões espirituais."

"A sociedade precisa tanto de religião como de ciência. A ciência investiga o mundo natural, mas Deus pertence a outra esfera, está fora do mundo da natureza. Usar as ferramentas da ciência para discutir religião é uma atitude pouco científica e errada."

Durante a entrevista Collins é confrontado com o facto de que em nome de Deus se têm cometido barbaridades ao longo da história. Mas Collins responde que o problema é que " a água transparente da fé religiosa circula em veias humanas defeituosas e oxidadas. Por isso fica turva. Isso não significa que os seus princípios estejam errados, embora haja pessoas que manipulam esses princípios de forma a justificar as suas acções. A religião é um veículo para a fé. A fé é imprescindível, por si mesma, para a humanidade".

Collins não é partidário da teoria do "desenho inteligente": segundo ele, os mecanismos complexos que observamos na natureza (como por exemplo o flagelo que permite o movimento a algumas bactérias) são o resultado de mecanismos que se foram formando lentamente, ao longo do tempo, mediante o processo de que Darwin teve um vislumbre, a evolução".

O que acontece, continua, é que a evolução não explica tudo. Por exemplo, não explica aquilo que resulta da liberdade humana, como o altruísmo. Podemos estudar muito bem as bases genéticas do comportamento humano, mas se ao caminhar junto ao rio vejo alguém em perigo e me atiro à água para o salvar , colocando-me a mim próprio em risco, de que gene me vem este impulso? "Nada na teoria da evolução pode explicar a noção de bem e de mal, aquilo a que chamamos moral, e que é exclusivo da espécie humana".


14 fevereiro 2007

Escuta a Minha Voz

Para os que ainda se lembram de "Vai onde te leva o coração" (1993), Susana Tamaro retoma o tema. É a continuação da história, agora na perspectiva da neta. Marta, a neta, regressa a casa da avó, depois de vários anos nos EUA.

Uma escrita feminista e feminina, com referências ao universo paterno.

Escuta a minha voz, a história oculta do primeiro livro de Susana Tamaro.

04 fevereiro 2007

"Pai" do bebé proveta português teme banalização do aborto se o "sim" ganhar


No dia 2 de Fevereiro realizou-se na Ordem dos Médicos , em Lisboa, um colóquio subordinado ao tema «Quando começa a vida humana». O especialista em infertilidade António Pereira Coelho, também especialista em ginecologia e obstetrícia, que exerce na área da procriação medicamente assistida (PMA), deu conta da sua experiência pessoal e profissional de várias décadas para revelar as condições em que tomou decisões sobre a prática da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) e as dúvidas que cada uma delas lhe suscitou.

O especialista concluiu que existem «situações limite que podem levar a circunstâncias em que a solidariedade e a justiça» sejam princípios que acabem por levar o médico a efectuar um aborto e que «não justificam a penalização» do profissional de saúde ou da mulher.

Por isso «sou pelo sim, mas receio que a despenalização leve à banalização do aborto. E nesse sentido sou pelo não».


Curiosamente as "situações limite" já estão contempladas na lei actual: então o referendo serve para quê?

26 janeiro 2007

Paris, séc XXI: Já chega!


No Domingo passado milhares de manifestantes desfilaram em Paris contra a prática continuada do aborto a pedido. Todos os anos esta manifestação se repete. Este ano o slogan era: "30 anos, já basta!", aludindo aos 30 anos da lei Veil.

Os manifestantes, cerca de 15.000 segundo os organizadores e entre os quais se contavam várias famílias com crianças, observaram cinco minutos de silêncio «em homenagem às crianças que não têm a oportunidade de viver».

Desfilando pelas ruas de Paris atrás de uma longa faixa onde se lia «Pelo respeito pela vida», vários manifestantes brandiram cartazes brancos com as inscrições: «salvemos os bebés por nascer», «não os matem» e «sem crianças não há reformas».

Paul Ginoux Defermont, membro do colectivo que organiza a manifestação, disse à Agência Lusa que «vários portugueses» participaram no protesto, entre os quais o presidente da Associação Mais Família, José Pedro Assunção, e a mulher.

11 janeiro 2007

Pois é ...

Joseph Ratzinger, a Igreja e o mundo
José Pacheco Pereira, Publico 11 Janeiro 2006
(...)
«Ao envolver a Igreja nesse debate em termos que podemos considerar, para além da fé, como fazendo parte da nossa linguagem civilizacional comum, Ratzinger dá uma contribuição intelectual, mesmo quando a faz como um testemunho de fé. E é exactamente porque é entendida como um testemunho da fé - alguns dos seus mais interessantes textos são análises do Credo - que nos comunicam alguma coisa, porque se fundam na convicção da Igreja como uma construção divina. Ao ajudar a dar solidez à "pedra" de Pedro, Ratzinger reforça também um dos nossos alicerces civilizacionais, porque essa "pedra" não sustenta apenas o Vaticano, nem a Cúria, nem a Igreja, mas também o nosso mundo.
Por tudo isto não nos são indiferentes as suas posições e polémicas sobre o papel da Igreja, porque também delas depende o modo como o corpo da Igreja, do Papa aos fiéis, entende a instituição de que faz parte e o corpo de "saberes" que transporta. Se colocarmos em confronto dois teólogos católicos de relevo no século XX, Ratzinger e Hans Kung, verificamos como as respostas que dão ao posicionamento da Igreja têm efeitos no "mundo" muito distintos. Se a Igreja Católica, em nome de um reforço do seu sucesso temporal se tornasse numa instituição multicultural e "inter-religiosa", com fronteiras indefinidas, como aconteceria se as propostas de Hans Kung e de outros teólogos "liberais" e anti-Papado fossem para a frente, rapidamente se dissolveria no "mundo" como mais uma entidade religiosa, sem centro e direcção e certamente sem magisterium reconhecido. Um dos aspectos que mais fragilizam o islão e mais o impedem de se modernizar é a ausência de vozes interpretativas autorizadas. Num certo sentido, e com excepção do xiismo, no islão não há nem Igreja, nem magisterium, e isso contribui para fixar uma interpretação literal do Alcorão, e das suas componentes jurídicas e societais, como a sharia, nos tempos medievais. A Igreja Católica foi capaz de manter um equilíbrio entre o que considera "revelação" e o "mundo" que lhe permitiu sobreviver como instituição global num mundo fortemente laicizado, porque tinha uma autoridade central que interpretava e uma hierarquia que levava a autoridade dessa interpretação aos fiéis.
Como laico, eu valorizo o magisterium da Igreja, mesmo quando dele discordo na sociedade e na política. Prefiro uma Igreja institucional e conservadora a mais um "movimento" com fronteiras indefinidas, mesmo que fundado numa fé genuína dos seus crentes. Penso que sem magisterium a Igreja verdadeiramente nunca seria capaz de mudar e que é pelo magisterium que muda. Um retorno à Igreja comunitária primitiva, a negação do papel do Papa e uma recusa da Igreja hierarquizada trariam ainda mais confusão e um maior deslaçamento da sociedade. A oposição de Ratzinger a estas teses e a Igreja que agora como Papa tem autoridade para ajudar a construir pode não chegar para evitar o velho fantasma que nos ronda as casas, o da "decadência do Ocidente", mas ajuda a esconjurá-lo.
Compreendo que dentro da Igreja, muita da resistência ao "século" pareça empobrecedora para os católicos - por exemplo, a recusa da ordenação das mulheres, ou as posições da Humanae Vitae sobre a contracepção - mas, para "fora", uma Igreja que mude só com solidez e prudência, que afirme um sistema de valores que comunica com outros valores sociais e os reforça é fundamental. Nos dias de hoje, os aspectos mais socialmente negativos das posições da Igreja (sobre moral sexual, por exemplo) parecem-me de todo circunstanciais e, a prazo, acabarão por mudar, mas é essencial que essa mudança se faça sem pôr em causa a autoridade da Igreja enquanto presença moral e espiritual. Pode parecer contraditório desejar ao mesmo tempo mudanças e prudência, mas não é.
Sem a Igreja cristã, seja a "apostólica romana", sejam as igrejas ortodoxas, luteranas, protestantes e a anglicana, o teor do debate "moral" na nossa sociedade seria certamente muito menor. Como tudo puxa para que ele seja pouco e tenda ainda a ser mais escasso, precisamos dessa face da nossa identidade, mesmo que para muitos essa seja uma identidade nostálgica e perdida. Perdida ou actual, ela está lá. Para o "mundo", faz mais falta uma Igreja sólida, lenta e prudente, ou seja conservadora, do que uma Igreja "progressista". Para "progressismo" e "politicamente correcto", já temos que chegue. Para além disso, marxistas e "progressistas" fazem muito melhor "progressismo" do que faz a Igreja. Este é também o sentido da obra teórica de Ratzinger

08 janeiro 2007

Treinador Fernando Santos: sou sempre pela vida!



«Ninguém quer penalizar as mulheres. O que defendemos é a vida e esta começa no momento da concepção. Fundamental é resolver a questão social subjacente ao crime.»

(A Bola, 2 Jan 2007)

03 janeiro 2007

Coisas velhas ...

(...)
«Há poucos meses, numa visita oficial, passei à porta de uma empresa que tinha um cartaz que dizia: "Determinamos o sexo do nascituro às oito semanas de gravidez"... aos dois meses, portanto. Fiquei a pensar no anúncio. A que propósito seria comercialmente interessante um exame para determinar o sexo do bebé às oito semanas de gravidez? Exame que, para mais, comporta riscos para a própria gravidez. (...)

«Desde o dia em que percebi que é tecnicamente possível determinar o sexo do filho que se vai ter às oito semanas, mais me questiono com a possibilidade de o aborto vir a ser livre, e feito nos hospitais simplesmente a pedido da mulher, até às dez semanas de gravidez, como pretende o PS com o seu referendo. Ora, a questão que se vai votar é essa mesma. Desde o dia em que vi aquele cartaz cujo folheto promocional conservei , não posso deixar de pensar nas pressões sobre uma mulher grávida, do segundo ou do terceiro filho, para que obtenha o almejado "casalinho", e aborte ou não consoante o resultado da análise...»

(...)

«Custa-me ver que, vinte anos depois, continuamos a falar do aborto e a legislar como se as alternativas fossem as mesmas. E, pior, que continuemos a fingir que o recurso a um aborto é uma coisa comum, banal e mesmo um direito. A verdade é que todo este fingimento nunca retirará de mulher alguma a dor do sentimento de culpa. Mulher nenhuma consegue interromper uma gravidez sem sentir, física e psicologicamente, que interrompeu o ciclo normal de uma vida, daquele que seria um seu filho.» (...)

(Zita Seabra, in Publico, 19-Set.-2006)

20 dezembro 2006

As novas feministas


















Eva Herman é uma figura conhecidíssima na Alemanha.

Pivot
do telejornal da ARD, bonita, independente, atingindo o topo da carreira aos 30 anos, foi uma espécie de ídolo para muitas mulheres que, como ela, queriam realizar-se profissionalmente.

Acaba de lançar um livro - O princípio de Eva, Por um novo feminismo - que lançou uma enorme polémica na Alemanha.

O que diz esta mulher de sucesso, ao fim de quatro casamentos, um filho e um lugar de topo nos media?

"Se pudesse voltar a começar, escolheria um marido com um emprego, e ficaria em casa até ter criado cinco filhos!"


O debate corre na Alemanha: um inquérito recente diz que 3/4 dos entrevistados considera esta atitude como ultrapassada. O paradoxo é que os seus livros são um best-seller. Quem será que os compra?

Ela mantém a sua posição: " Não é uma questão de regressarmos todas à cozinha."; "O que não quero é ser uma imitação do homem, para pior".




09 dezembro 2006

Os velhos erros e os mitos do "progresso"

O Primeiro-Ministro britânico, Tony Blair, falando na preparação dos 200 anos de abolição da escravatura, considerou-a uma oportunidade de afirmar "a escravatura, [como]profundamente vergonhosa " e de "exprimir uma profunda mágoa por tal ter sido possível, de tal poder ser possível, e de exprimir a alegria por vivermos actualmente em tempos melhores".

Isto de falar da escravatura como coisa do passado tem os seus riscos. É que, pouco tempo antes, o antigo porta-voz do Vaticano na ONU, e actual responsável pelas populações migrantes da Santa Sé, tinha denunciado que actualmente a escravatura assume proporções nunca vistas, sobretudo no que concerne às crianças-soldado, à exploração do trabalho infantil e ao tráfico de mulheres em redes de prostituição organizadas.

Antes de pregar direitos humanos aos outros, convém que a UE olhe por si mesma.

04 dezembro 2006

Aborto: um negócio americano comprado pela europa

É o que parece segundo

«O célebre relatório Kissinger e a política internacional maltusiana»

Mário Pinto

(No Público do dia 23 de Outubro, segunda-feira; sublinhado e links da minha autoria)

«1.No meu último artigo, interroguei-me acerca das razões pelas quais um crime tão repugnante como o aborto, condenado pela consciência da nossa cultura civilizacional desde há dois milénios, sem discordâncias a não ser por parte das grandes ideologias totalitárias do século XX (nazismo e comunismo), se tornou, de repente, e sem novas razões doutrinais nem científicas, como algo de, não apenas lícito, mas até pretendidamente direito fundamental da mulher (só da mulher), decorrente da propriedade do seu corpo.

2. E cheguei à conclusão de que haveria, sem dúvida, uma explicação na mudança de cultura e das mentalidades. Mas, visto que as mudanças culturais, mesmo no nosso tempo acelerado, são mais lentas do que tem sido a reviravolta (ou revolução) do aborto, procurei o concurso de algum factor catalisador. E achei que esse factor foi e é a política maltusiana do ocidente próspero e egoísta, relançada pelo célebre relatório Kissinger
(...)