
Foi isto que foi prometido pelo Primeiro Ministro na campanha?
Foi isto que desejaram muitos dos que votaram sim?
Há quem encolha os ombros; há quem continue a lutar pela liberdade de escolher os filhos.



Zanussi começou sua carreira na Televisão, e radicou-se na Alemanha, no início dos anos 80. Foi entrevistado recentemente, a propósito do X prémio Luka Brajnovic, que lhe foi atribuído pela sua defesa dos direitos e da dignidade humana.
"P- É conhecido por defender o predomínio do pensamento e arte europeus face ao norte americano. Que leitura faz da sua posição, no momento em que assisitimos ao império quase absoluto dos EUA?
R - Não é bem assim. Pode parecer isso, se o olhamos na perspectiva de uma certa crise do cinema europeu. É verdade que há 20 ou 30 anos atrás, os oscares tinham uma importância mais restrita. Hoje em dia, com a debilidade do cinema e da cultura europeias, o cinema americano parece mais forte. Mas isto não é um facto imutável. A prova é que o cinema indiano e chinês multiplicam as suas produções.
— Mas afinal o que se passa com a cultura europeia?
— Se a Europa fosse uma pessoa, eu levá-la-ia ao psicólogo. Não ao psiquiatra, ao psicólogo. Não me parece que a debilidade europeia seja um caso clínico. Mas o seu estado de ânimo apresenta sintomas muito objectivos de desequilíbrio: não tem entusiasmo, nem confiança em si mesma. Já disse algumas vezes que a Europa padece de melancolia. Para a ultrapassar precisa de confiar em si própria e na sua missão no mundo. Tal como uma equipa que quer ganhar, precisa de determinação, abnegação e educação. Todo o mundo tem beneficiado das ideias da Europa, e continuarão a beneficiar. Mas ninguém virá salvá-la de si mesma: só a Europa pode curar-se a ela própria. Para isso é preciso que reconehça o seu próprio valor"
«Julgo que poucos terão dúvidas que o último referendo teve subjacente uma vontade legítima de tentar dar resposta a
problemas muito sérios e reais da nossa sociedade, sendo certo, também, que da solução encontrada emergem novas questões de difícil resolução. para melhor se perceber o que se demonstrar, nada melhor do que recorrer a uma situação ficcionada:
- António diz-se vítima da obsessão de uma amiga que, aproveitando-se do seu estado de embriaguez decorrente de uma festa em que ambos estavam, o induziu a com ela manter relações sexuais;
- Sendo certo que, caso não estivesse nesse estado nunca teria tido relações com a dita amiga, a qual, segundo me afirma, sempre teve por ele uma enorme obcecação tendo sido sempre rejeitada;
- Dessa situação resultou uma gravidez e o nascimento de uma criança;
- O António só em estado muito avançado da gravidez é que dela teve conhecimento;
- Nunca aceitou que a criança fosse sua filha, ainda que biologicamente assim viesse a ser decretado, o que veio a suceder após o decurso de uma acção de investigação da paternidade;
- A verdade é que sempre se sentiu traído e vítima de uma manobra pouco leal e transparente perpetrada pela mãe da criança; sempre aceitou que a filha não tinha qualquer culpa pela situação, não sendo essa razão, no entanto, suficiente para o levar a agir como Pai e, consequentemente, a aceitar o vínculo da paternidade, apesar de existir uma sentença judicial que o obrigue formalmente a tal;
- Não quer ser pai, nunca desejou tal condição, nem sente essa criança como sua filha.
E agora? Será que perante o resultado deste último referendo, pode este cidadão (homem), vir a exigir, à sombra do princípio constitucional da igualdade de tratamento entre homens e mulheres, que a lei não o obrigue a ser pai?
Dito de outra forma: podendo a mãe, por sua exclusiva vontade e por razões da sua estrita conveniência desejar, nas condições da lei, não ser mãe, não poderá o pai reivindicar um direito similar, com a vantagem, em caso de colisão de direitos, de não existir necessidade, sequer, de se fazer terminar com o processo biológico que, caso a natureza não seja contrariada, terminará no nascimento de um ser humano? Não deverá o Estado ter de respeitar esta sua decisão, substituindo-o naquilo que seriam os seus deveres, nomeadamente, o de ali alimentos, quanto à menor?
A questão que agora me suscita algumas dúvidas é, pois, a da (in)constitucionalidade de todas as normas que impõe a um pai que o seja, isto face ao dito princípio constitucional da igualdade de tratamento entre mulheres e homens e a possibilidade que agora é aberta à mulher pelo resultado do referendo de, por sua exclusiva vontade e atendendo, tão só, a razões de sua conveniência (as quais nem necessitará de explicitar), não querer ser mãe. O pai não terá um direito similar?
Será que o António não poderá ter alguma razão quando reivindica o direito, malgré o odioso que a situação sempre suscita nas consciências dos outros, de não querer ser pai, de nunca ter sido tido nem achado na questão da interrupção, ou não, da gravidez, de só ter contribuído de forma totalmente inconsciente para que a filha nascesse, não se sentindo pai, nem o querendo ser.
As mães, agora, vão passar a ter do direito de dispor, sem constrangimentos de espécie alguma, sobre o fruto de uma relação sexual, e o pai não tem, no que a isso diz respeito, direito rigorosamente a nada? Só lhe cabe o dever de arcar com as consequências e responsabilidades do seu acto?
Qual a razão que leva as mulheres a abortar? Não é uma questão de (in)conveniência (seja ela qual for, ninguém terá nada com isso), de direito a entenderem, pelas razões que só a si dizem respeito, que não querem aquele filho? O que é que isto verdadeiramente tem a ver com o facto de a natureza ter escolhido a mulher para ser nela que se desenvolva e dê o milagre do nascimento, ainda por cima agora que o Homem, em Portugal, decidiu que lhe é possível interferir e fazer terminar esse processo? O homem tem de aceitar e resignar-se com aquilo que a natureza lhe impõe, ao invés da mulher que a pode contrariar?
É tudo isto mera tolice ou poderá ser esta "provocação" entendida como singelo contributo destinado a mexer as águas e tentar dar ainda mais expressão ao princípio da igualdade entre homens e mulheres, seja através do redesenhar do conteúdo dos direitos emergentes desse princípio, seja através do reequacionar de toda a problemática subjacente a estas questões, obrigando o Estado, de uma forma ou de outra, a comportar-se como tal e a não se demitir, nunca, das suas responsabilidades sociais?
Será que estamos a abrir a caixa de Pandora?
Ou, ao invés, teremos a serenidade e lucidez suficientes para, através de uma justa e adequada ponderação de tudo o que está em causa darmos expressão a um quadro valorativo que defenda, acima de tudo, o Homem em todas as suas dimensões? »

De facto, o que acabou de fazer, é uma verdadeira profissão de fé: fé no valor (absoluto) do relativismo; fé no monopólio (absoluto) do valor moral da sua posição; fé, no valor (absoluto) de que as posições contrárias, serão intolerantes. Ora se tudo é relativo, por que é que a tolerância seria melhor do que a intolerância? No máximo, deveríamos dizer, "não sei se é melhor ser tolerante do que intolerante" ...
Para se ser um bom relativista, é preciso auto-atribuir-se o monopólio moral da tolerância e negá-lo (de modo absoluto) a todos os que discordam. Não conseguem tolerar que outros possam ser tolerantes, sem serem relativistas.
A verdade é que eles também não conseguem sequer ser relativistas, porque ao afirmar que tudo é relativo, estão a afirmar uma verdade absoluta, negando o seu próprio relativismo.

As empresas querem que, mesmo em áreas técnicas, os funcionários não se limitem a saber manejar ferramentas. É preciso saber falar com clientes, redigir notas e informações, organizar e participar em reuniões, ler e entender um contrato de trabalho ...
Em 2005, em França, foi aplicado a 2767 alunos, entre os 12 e os 15 anos, um teste que consisitia em ditar uma curta passagem de Fenelon (83 palavras). Este teste já tinha sido aplicado, palavra por palavra, em 1987 a um grupo semelhante. Em 1987, o número dos que cometeram menos de 6 erros foi cerca de 50%; em 2005, desceu para 22%. (Le Monde)
«Quando as crianças se tornam pequenos ditadores»


"A sociedade precisa tanto de religião como de ciência. A ciência investiga o mundo natural, mas Deus pertence a outra esfera, está fora do mundo da natureza. Usar as ferramentas da ciência para discutir religião é uma atitude pouco científica e errada."
Durante a entrevista Collins é confrontado com o facto de que em nome de Deus se têm cometido barbaridades ao longo da história. Mas Collins responde que o problema é que " a água transparente da fé religiosa circula em veias humanas defeituosas e oxidadas. Por isso fica turva. Isso não significa que os seus princípios estejam errados, embora haja pessoas que manipulam esses princípios de forma a justificar as suas acções. A religião é um veículo para a fé. A fé é imprescindível, por si mesma, para a humanidade".
Collins não é partidário da teoria do "desenho inteligente": segundo ele, os mecanismos complexos que observamos na natureza (como por exemplo o flagelo que permite o movimento a algumas bactérias) são o resultado de mecanismos que se foram formando lentamente, ao longo do tempo, mediante o processo de que Darwin teve um vislumbre, a evolução".
O que acontece, continua, é que a evolução não explica tudo. Por exemplo, não explica aquilo que resulta da liberdade humana, como o altruísmo. Podemos estudar muito bem as bases genéticas do comportamento humano, mas se ao caminhar junto ao rio vejo alguém em perigo e me atiro à água para o salvar , colocando-me a mim próprio em risco, de que gene me vem este impulso? "Nada na teoria da evolução pode explicar a noção de bem e de mal, aquilo a que chamamos moral, e que é exclusivo da espécie humana".

O especialista concluiu que existem «situações limite que podem levar a circunstâncias em que a solidariedade e a justiça» sejam princípios que acabem por levar o médico a efectuar um aborto e que «não justificam a penalização» do profissional de saúde ou da mulher.
Por isso «sou pelo sim, mas receio que a despenalização leve à banalização do aborto. E nesse sentido sou pelo não».
Curiosamente as "situações limite" já estão contempladas na lei actual: então o referendo serve para quê?
