Jornal de Negócios

08 junho 2007

Ali Babá y los 40 maricones: educação para a cidadania em Espanha


Trata-se de um libro publicado em 1993, pela editora La Cupula, da autoria de Nazario. Faz parte da lista recomendada, pelo Ministério da Educação do país vizinho, para a cadeira de Educação para a Cidadania em Espanha. Esta matéria está incluída nos recursos didáticos da educação para os valores, promovidos pelo Ministério espanhol.

A lista, por si só, é bastante sugestiva da "neutralidade" ideológica do programa. Algumas imagens do referido manual podem ser vistas aqui.

São bastante violentas, mas este é um dos manuais "educativos" do país ao lado.

No guia do ministério o livro é apresentado como "uma banda desenhada divertida descrevendo as peripécias da vida diária de um grupo de vizinhos de um bairro, na maioria gays, na Barcelona actual. Um dos melhores livros de um desenhador famoso."

Já vai sendo altura de deixarmos de ser ingénuos! A familiofobia e a heterofobia estão em alta e não se conhecem programas de "tolerância" para combater esta epidemia.


06 junho 2007

Agnes

Neste momento, tem 26 anos. Foi raptada, na sua escola, no Uganda, aos 14 anos, juntamente com cerca de centena e meia de outras colegas, pelo "Exército de Libertação". Foi obrigada a empunhar uma arma e a juntar-se às outras crianças-soldado.


Actualmente em Espanha, trabalha numa ONG (CESAL, Centro de Estudios y Solidaridad con América Latina) exercendo em campos de refugiados, nos quais a sua experiência é de enorme valor.


«Fui sequestrada juntamente com mais 139 raparigas. Nas negociações que se seguiram, conseguiram libertar 190, mas ficámos cerca de 30. Consegui escapar, ao fim de três meses, juntamente com mais 24. Das restantes, quatro estão mortas, e duas continuam retidas», contou numa entrevista.

Diz que perdoa, mas que entende que nem todos o consigam. O maior trauma das crinaças-soldado é que os obrigam a matar os seus próprios familiares, ou os da sua tribo. Assim os desvinculam da sua vida anterior e garantem que não queiram fugir.

No seu caso, foi recebida pelos seus pais e irmãos de braços abertos, mas muitos não podem regressar porque a sua família ou tribo jamais lhes perdoará as mortes.

«O amor dos meus pais, o sentir-me querida, foi o que me sustentou e decidiu a não desistir de tentar fugir». Diz também que a sua experiência anterior no Colégio a ajudou a querer escapar da pior das prisões: aquela em que se é obrigado a matar.

02 junho 2007

Brecht citado a propósito da porno-educação


É um tema que nos envolve a todos, queiramos ou não. O filme lá passou, a questão é saber qual a mensagem...


«Primeiro, eles vieram buscar os comunistas.
Não disse nada, pois não era comunista;
Depois, vieram buscar os judeus. Nada disse, pois não era judeu;
Em seguida, foi a vez dos operários. Continuei em silêncio, pois não era sindicalizado;
Mais tarde, levaram os católicos. Nem uma palavra pronunciei, pois não sou católico.
Agora, eles vieram-me buscar a mim,
e quando isso aconteceu, não havia mais ninguém para protestar.”

(Escuta Zé Ninguém, Bertold Brecht)


senhoritos ...


O forum Justiça e Paz e a Caritas, da Venezuela, pronunciaram-se publicamente contra as tentativas do governo de Hugo Chavez em criminalizar as manifestações públicas de desagrado.

Recordam ao Presidente que os tratados internacionais que a Venezuela assinou, e a própria Constituição Venezuelana, obrigam ao respeito pelos direitos humanos, tal como a liberdade de expressão, sem discriminação.

Várias organizações defensoras dos direitos humanos denunciaram que o governo deteve pelo menos uma centena de pessoas que protestavam contra o encerramento, por parte do governo, da cadeia de televisão RCTV, encerramento alegadamente motivado pela sua atitude demasiado crítica perante a política governamental.

14 maio 2007

morrer divertido?


Nos EUA, entre 1997 e 2004, foram tratadas em serviços de urgência cerca de 60 mil pessoas por lesões provocadas em parques de diversões.

Algumas das lesões mais graves, são idênticas entre idades tão diversas como 7 ou 77 anos e consistem em tromboses cerebrais e hemorragias no cérebro, ou lesões nas carótidas e outras artérias que comunicam com a cabeça.

A questão são os efeitos de aceleração / desaceleração que expoem a massa encefálica e as suas estruturas a danos provocados por forças superiores às da gravidade (que podem ir até a um efeito de multiplicação de 5 vezes).

Embora o risco seja baixo, as consequências (morte, cegueira, paralisia) são pouco animadoras.

O estudo foi publicado na versão student do British Medical Journal. O artigo aqui, é assinado por dois jovens investigadores portugueses, um médico e um engenheiro, ambos da Universidade de Lisboa.

Obviamente, os números publicados reflectem países em que há alguma fiscalização sobre a situação. Neste país em que caem pontes, por falta de manutenção, e se constroem estádios de futebol (para ficarem vazios ...) a situação poderá ser diferente.

Como diferentes são as
contra-ordenações da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), que desde o ano passado, já instaurou mais de 3800 processos por infracções. (Público, 14 de Maio de 2007)

No entanto, até agora nenhum dos infractores foi obrigado a pagar as respectivas multas. Só os que pagaram voluntariamente as coimas foram sancionados.

11 maio 2007

Despedida por se negar a abortar



A UGT espanhola denunciou um caso em Gerona (Catalunha) de uma funcionária de um hotel que foi despedida depois de ter sofrido pressões -por parte da entidade patronal - para abortar. A queixa foi entregue no Departamento de Assuntos Internos da Província autónoma (Departamento de Interior, Relaciones Institucionales y Participación da Generalitat de Catalunya).

Apesar da queixa levantar a suspeita de que o proprietário do restaurante incorreu no delito de coacção, e incitação a delinquir, uma vez que o abortamento nesta situação não está contemplado na lei, não houve qualquer investigação sobre o assunto.

Idêntico silêncio teve a denuncia perante a Fiscalía (Ministério Público) de la Audiencia Provincial de Gerona.

Por seu turno, o Secretário do Ministério do Interior considera que a questão é do "foro laboral".

A E-Cristians, uma ONG que também se interessou pela situação considera que " não se trata de um caso excepcional. Lamentavelmente são muito numerosos os casos de despedimento de mulheres grávidas. A novidade é ter sido noticiado que um empresário incitasse directamente uma funcionária a abortar, como condição para manter o emprego."

04 maio 2007

mais cadáver, menos cadáver ...

Dá a sensação de que depois do cozinhar da negociata com os seres humanos abortados, a porta se vai escancarando.

Segundo lemos no site do
Sindicato Independente dos Médicos, a questão do atendimento de doentes urgentes nos Centros de Saúde, segue o modelo habitual: tudo a molho, e ao desenrasca, e se houver bronca, a culpa é do médico, embora ele não possa fazer nada para mudar a situação. Ou seja, depois de tanta aldrabice, já tanto faz. O governo sairá sempre por cima, e o povo ... Bem o povo está, como diziam os anarquistas no pós 25 de Abril: "A arma é o voto do Povo, mas depois de votar, o Povo fica desarmado."

«Michael Porter e Correia de Campos»
Artigo do Prof. José Manuel Silva* no Tempo Medicina

«Não, não se preocupem que não confundo as duas personalidades!
Michael Porter é um reconhecido e laureado economista, especialista em estratégia competitiva e profundo conhecedor da Saúde; em co-autoria com Elisabeth Teisberg escreveu um livro notável -- Redefining Health Care. Creating Value-Based Competition on Results.
Um pequeno resumo das ideias veiculadas nessa magnífica obra, cuja leitura recomendo vivamente, em particular aos responsáveis nacionais e locais da Saúde, foi agora publicado (JAMA, 2007; 297: 1103-11). Vale a pena salientar algumas frases:
-- Embora as propostas de reforma da Saúde difiram, têm isto em comum: todas examinam o sistema actual e perguntam que modificações, impostas de fora, podem efectivamente controlar os custos, que são elevados e aumentam continuamente. Esta abordagem do problema falhará, porque começa com uma falsa premissa. O objectivo do sistema de Saúde não é minimizar os custos mas fornecer valor aos doentes, ou seja, mais saúde por cada dólar gasto.
-- É necessária uma maior liderança dos médicos, agora. A única solução real para o problema nacional da Saúde é aumentar dramaticamente o valor dos cuidados de saúde prestados com o dinheiro que está a ser gasto. Isso nunca será conseguido do exterior, remendando esquemas de pagamento e incentivos. Aumentar o valor dos cuidados é algo que apenas pode ser conseguido pelos médicos.
-- A competição na Saúde é disfuncional quando cada interveniente no sistema ganha não porque aumenta o valor para os doentes mas porque rouba valor de outros (diminuir tempos de consulta, esmagar salários, restringir serviços, transferir custos, etc.). Nenhuma destas medidas melhora os resultados da Saúde por cada dólar gasto -- de facto, muitas vezes tem o efeito inverso.
-- A competição pelos resultados (melhor saúde por dólar gasto) produziria múltiplos vencedores: os doentes, que receberiam melhores cuidados, os médicos, que seriam recompensados pela excelência, e os custos, que seriam contidos.
-- Um sistema baseado em valor fundar-se-ia em três princípios simples: 1) o objectivo é o valor para os doentes; 2) os cuidados de saúde devem ser organizados em redor de condições médicas e dos seus ciclos de cuidados, não em serviços de especialidades que obrigam o doente a percorrer múltiplos departamentos; 3) os resultados são medidos e divulgados (na cirurgia de by-pass coronário, a mortalidade em New York diminuiu 41% nos primeiros quatro anos de comunicação de resultados).

Tudo ao contrário

Basta olhar para a política de Correia de Campos para percebermos que tudo está a ser feito ao contrário. Os objectivos são exactamente os de esmagar salários, restringir serviços, transferir custos para os doentes, asfixiar instituições, substituir recursos públicos por privados… Nada que um qualquer coveiro de um qualquer cemitério deste país não conseguisse fazer. É o caminho mais fácil e o que exige menos conhecimento, experiência e inteligência.
Nestes dois anos de mandato do actual ministro da Saúde, apenas duas medidas são, de facto, de elogiar: a diminuição do preço dos medicamentos e o tímido início da criação de economia de escala com centrais de compras. Há muitos anos que defendo uma moderna e funcional central de compras do Ministério da Saúde para consumíveis, incluindo medicamentos; a poupança seria de milhares de milhões de euros! Mas talvez afectasse alguns interesses…
Todas as restantes medidas visam o racionamento cego, as pseudo-grandes reformas estão encalhadas, as nomeações continuam a ser maioritariamente de carácter nepótico e os «pequenos poderes» exercem-se de forma discricionária, liquidando totalmente a microeconomia do SNS (será esse o objectivo oculto?...).
A reforma dos cuidados de saúde familiares, a mais importante e determinante reforma da Saúde (cujo êxito se deseja e se exige!), caminha a passo de lesma e prenhe de problemas e indefinições. O que tem reflexos graves para todo o sistema de Saúde, nomeadamente para as Urgências hospitalares. Começando com uma excelente ideia, a filosofia das USF, colocou-se o carro à frente dos bois. Pela admirável generosidade e idealismo de muitos, interesses particulares de alguns e pressões sobre outros, constituiu-se pouco mais de meia centena de USF, claramente aquém das expectativas e das necessidades, e sem o devido enquadramento jurídico. Entretanto, induziram-se mais elevados níveis de organização e responsabilidade, o aumento das listas de utentes e maiores cargas de trabalho, mantendo o mesmo acanhado vencimento base dos médicos e com alguns colegas, inclusivamente, a perder dinheiro (o sonho de qualquer ministro! Por isso, o ministro quer mais USF modelo A, sem definir as respectivas regras e compensações…)!

Reforma subvertida

A reforma das Urgências está a ser totalmente subvertida pelas sucessivas decisões ministeriais. Até se inventa a sandice da «valência peculiar» da «Ortopedia a quente» para justificar o não cumprimento do relatório da CTRAPU no que respeito ao Curry Cabral (como é que alguém pode produzir estas atoardas e continuar ministro da Saúde?!).
Confirma-se aquilo de que já se suspeitava, o ministro apenas queria um relatório descartável, que pudesse usar a seu bel-prazer e lhe permitisse fechar SAP indiscriminadamente. Assim, poupa nos anéis e corta os dedos! Nada faz para cumprir o relatório da comissão pela positiva, mas vai fechando toda a assistência médica de proximidade em situações de urgência, ainda antes da implementação das imprescindíveis alternativas.
O que se passa no distrito de Bragança é vergonhoso e perigoso, mas traduz fielmente os objectivos do actual Governo: encerrar progressivamente o Interior do País. A rede de Urgências ainda não está implementada, a rede e o equipamento de emergência pré-hospitalar são uma miragem, a VMER de Bragança está frequentemente INOP, não há um regulamento das consultas abertas, mas os SAP já vão ser encerrados. Porém, como o ministro até reconhece a necessidade de «qualquer coisa», porque as populações ficam demasiado desprotegidas, transforma os SAP em SEP, ou seja, serviços de enfermagem permanente (ao aceitar esta caricata situação, a Ordem dos Enfermeiros evidencia a sua visão distorcida da equipa de saúde e que a sua prioridade não é a qualidade dos cuidados prestados aos cidadãos)!
O mesmo ministro que teve o despudor de dizer que um médico com estetoscópio num SAP não oferecia confiança (não obstante a presença de enfermeiro e auxiliar e os recursos técnicos e físicos existentes), agora já acha que um enfermeiro oferece confiança e segurança às populações?! Não representa esta medida uma profunda hipocrisia? O senhor ministro, quando está gravemente doente, recorre a um enfermeiro e depois pede-lhe para chamar um médico que pode estar até meia hora de distância? O ministro da Saúde está a insultar a inteligência e a brincar com a vida dos portugueses! E pretender que uma linha telefónica ineficiente (24 Horas, 30/04/07), milionária, espartilhada e burocratizada, independentemente das informações úteis que dispense, pode substituir o atendimento médico urgente presencial é raiar a insanidade e o cinismo!

Até quando?

Vai morrer gente no distrito de Bragança em situações de urgência/emergência por falta de assistência médica, é inexorável. Mas claro, lá iremos ter o INEM a lavar as mãos e o senhor ministro a orgulhar-se de não abrir inquéritos. Mas deve estar todo contente porque vai poupar mais uns euros em horas extraordinárias… Até quando?...
Alguns médicos, mesmo não sendo sequer obrigados a concordar com o regime de chamada, vão aceitá-lo, inclusive permanecendo em presença física durante a noite. Por consideração para com os doentes. Mas o ministro não merece essa consideração. Parece-me chegada a altura de os sindicatos dos médicos pegarem frontalmente na questão dos vencimentos base dos médicos, que são inaceitavelmente baixos, como até este ministro já reconheceu. Vamos dignificar o preço/hora dos médicos, lutando pela sua duplicação (no mínimo!), e aceitar a diminuição do valor das horas extraordinárias para metade. Os benefícios para os médicos e para as suas reformas são evidentes.
Quanto ao senhor ministro, finalmente deixará de andar obcecado com as horas extraordinárias dos médicos, deixará de agitar publicamente recibos de horas extraordinárias, deixará de condicionar a política de Saúde e a assistência aos doentes em função das mesmas, e deixará de as poder usar como arma de arremesso quando lhe convém (basta recordar o elucidativo e cirúrgico título de primeira página do JN de 23/04/07, com óbvia origem ministerial: «Médicos travam mudança dos centros de saúde para manter horas extras»…).
Fica este forte e sério desafio aos sindicatos; curiosamente, era um favor que faziam aos médicos, aos doentes e às obsessões do senhor ministro da Saúde…»

*Presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos

24 abril 2007

Licenciados em aldrabice (com título válido)


Segundo o Diário de Notícias, a prática de abortamento - para além das 10 semanas - vai deixar de ser punida com prisão.

Esta reforma já estava em estudo - como foi amplamente salientado pelos defensores do "não" durante o referendo - e, a ser tomada a sério nessa altura, tornaria o referendo inútil ...


Neste momento, com a despenalização até às 10 semanas, mais a não punição (na prática), mesmo que fora dos prazos legais, as clínicas têm o caminho aberto para um negócio como não há outro nos nossos congéneres europeus: na prática podem induzir o aborto em qualquer altura, aumentando muito a sua "quota de mercado", inclusive com "clientes" doutros países da União que têm leis menos agressivas.

Se a isto juntarmos que, em breve, o uso e manipulação de embriões abortados também estará legalizado, o círculo fechou-se. O negócio está completo.

Como o aconselhamento das mulheres também está bloqueado, este passou a ser um mercado livre: entrámos no século XXI como um dos países mais liberais no uso, manipulação e poder sobre os embriões humanos. Pior do que nós, só os EUA!

Cada vez tenho mais orgulho em ter votado não!

17 abril 2007

sindrome de Pinóquio

Ainda não será epidémico, mas vai-nos engolindo a pouco e pouco. Lembrei-me disto ao ler o comentário de António Barreto sobre a decisão do Tribunal Constitucional de punir um jornal por ter revelado a verdade sobre a dívida de um Clube de Futebol ao Fisco! (Publico, "A Justiça ao Ataque", 15 de Abril de 2007). Claro que foi este mesmo Tribunal que aprovou uma pergunta (inconstitucional) para o referendo, violando o princípio (constitucional) da defesa da vida humana. Portanto, espera-se o quê deste Tribunal?

«A justiça ao ataque15.04.2007,

António Barreto, Retrato da Semana


Nunca a definição de interesse público, de qualquer modo complexa, esteve colocada num campo tão errático e incerto

Má semana para a liberdade! Chegaram a público duas notícias arrepiantes. Numa, a vara cível de Lisboa condenou a revista Notícias Magazine (do Diário de Notícias) por ter divulgado notícias verdadeiras mas consideradas como atentados contra o bom nome de alguém que desempenhava funções públicas. Noutra, o Supremo Tribunal de Justiça afirma que a verdade pode não ser relevante e condena um jornal (PÚBLICO) por ter publicado um artigo no qual se dizia que um clube de futebol (o Sporting) devia dinheiro ao Estado.
O primeiro caso é aberrante. A revista tinha publicado uma notícia sobre um processo de adopção de uma criança. O tribunal considerou que os artigos tinham veiculado opiniões "que davam uma imagem negativa do juiz". Os factos são considerados verdadeiros e provados, assim como de interesse público, mas entende-se que "foi violado o princípio da proporcionalidade". A revista é condenada a pagar uma indemnização de 15.000? ao magistrado. Acontece que este juiz terá tratado a directora e a jornalista de "estúpidos, mentecaptos, tristes, inúteis, imbecis e indignos". Os termos foram de tal modo violentos que o Conselho Superior da Magistratura sancionou o magistrado com vinte dias de multa por ter usado de "qualificativos impróprios". Além disso, este Conselho entendeu "que a reportagem feita pela revista Notícias Magazine constitui legítimo direito de informação" e se enquadra dentro dos "limites da liberdade de imprensa". Tal não foi o entendimento do tribunal que ficou chocado com a "imagem particularmente negativa" do magistrado.


No segundo caso, o jornal tinha ganho, por unanimidade, os processos na 1.ª instância e na Relação. Ambos estes tribunais deram como provados os factos alegados no jornal. Na primeira instância, foi acrescentada ao processo cópia de documento oficial em que era confirmada a existência de um dívida, que aliás chegou a ser notificada ao clube de futebol.
(...)

O acórdão não se esquece de recordar que o clube joga na primeira divisão, tenta competir para o título, ganhou o campeonato nacional de 1999/2000 e criou uma empresa cotada em bolsa. Porque, aparentemente, o clube necessita de tranquilidade e de um clima de confiança para negociar investimentos e desenvolvimentos, o Supremo entende que aquelas notícias afectam a confiança, o crédito e a credibilidade que o clube espera merecer.

O acórdão vai ao ponto de afirmar, a certo passo, que "é irrelevante que o facto divulgado seja ou não seja verídico"! (...)
Por isso o jornal é multado em 75.000. Esta é a maior pena jamais decretada em Portugal num processo relativo ao uso da liberdade de expressão.

(...)

Raramente uma decisão judicial se elevou, como esta, tão alto nos píncaros do absurdo. Poder-se-ia, como já fizeram vários jornalistas, recear a censura. Pode ver-se neste acórdão um atentado à liberdade de expressão. É natural concluir que esta decisão terá efeitos nefastos para a imprensa e para as liberdades públicas, pois acaba por assumir o carácter de intimidação. Nunca, como agora, a definição de interesse público, de qualquer modo complexa, esteve colocada num campo tão errático e incerto. É mesmo possível que um cidadão se interrogue sobre os fundamentos e a génese da decisão do Supremo.

(...)

Quer isto dizer que, para o Supremo, a verdade pode ser ocultada, mesmo por uma entidade de utilidade pública. Quer isto dizer também que a mentira pode ser irrelevante. É triste viver num país em que o Supremo Tribunal de Justiça, repito, o Supremo Tribunal de Justiça, pensa assim.»

12 abril 2007

serenity



A revista SFX, acaba de publicar o top-ten dos filme de ficção científica: e no topo aparece Serenity. Em 2º lugar está Star Wars ...

Serenity
é uma espécie de filme de cowboys, passado 500 anos no futuro. Diz quem o viu que "prende" o espectador com grande eficácia. Além disso tem um especial sentido de humor, temperado com uma ironia social mordaz.

A batalha continua contra a Aliança que controla toda a Galáxia com o seu poder ditatorial.

Curiosamente a série de tv que lhe serviu de inspiração (Firefly) não teve grande sucesso na altura.

Pessoalmente continuo a preferir a Guerra das Estrelas ;-)

09 abril 2007

El sendero


É uma pena, mas não encontro tradução em português. No país ao lado já traduziram este livro de Naguib Mahfuz. Ganhou o Prémio Nobel em 1988.

El sendero, é uma novela dramática, passada nos anos 60, no Egipto, que se lê como um policial: de um fôlego.

Um menino-da-mamã, habituado à boa vida, fica em apuros quando esta morre. A "mamã", por sua vez, vivia da prostituição, de modo que não sobra grande coisa a que este jovem se agarre, a não ser encontrar o pai ...