Jornal de Negócios

05 julho 2007

Violências

Segundo o Público em 2006 morreram 39 mulheres às mãos dos seus "maridos ou companheiros". O jornal cita um estudo apresentado pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.

Quando a realidade não é bonita, vale a pena o estudo e a reflexão sobre os dados: conhecer
melhor um problema talvez não nos dê a solução, mas pelo menos evita as respostas inúteis.

Encontrei estes dados, de 2003, resultantes do cruzamento das estatísticas de violência doméstica da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Há concerteza várias leituras possíveis. Uma delas, é que talvez fosse boa ideia não somar os "maridos" aos "companheiros" e aos "ex-maridos": estatísticamente falando (porque as pessoas, sempre serão pessoas) ajuda a perceber melhor a questão.

04 julho 2007

Preconceitos x pragmatismo


No país vizinho vão-se mexendo para tentar travar o deserto demográfico, isto é, para evitar que o país desapareça por falta de nascimentos. Tal como também o estão a fazer os países do norte da europa, há já algum tempo, tal como a Alemanha, ou a França.

O primeiro-ministro espanhol anunciou ontem a instituição de um subsídio de nascimento de 2500 Euros.O facto é que, em Espanha, a taxa de natalidade já é crescente, mas mesmo assim o governo espanhol optou por aumentar os apoios às famílias com filhos, por considerar que ainda não atingiu os valores desejados. A Comissão Europeia tem, aliás, insistido que esta é uma prioridade vital para a europa.

Por cá ... Bem... Portugal é neste momento dos raros países europeus com taxa de natalidade decrescente!


Continuamos à espera que chova ... Para já, sabe-se que se projecta a introdução de taxas moderadoras para consultas de crianças (isentas até agora); mantém-se a discriminação fiscal que penaliza os casais com filhos (e penaliza tanto mais, quanto mais filhos tiverem); paga-se o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) sem levar em conta o número de pessoas a cargo; idem para os escalões de consumo da água ...


Só falta começar a multar quem tem filhos!


27 junho 2007

Albert Camus e Deus


Uma livro biográfico escrito por um amigo íntimo de Camus - El existencialista hastiado.
Relato de questões humanas comuns, pela voz de alguém que não desisitiu de se questionar e de procurar.

Sugestão para férias... (não encontrei tradução portuguesa, mas também não procurei muito)


O Irão é o país que mais executa crianças



Notícia do Publico, hoje: «É mais do que tempo de as autoridades iranianas acabaram com esta prática vergonhosa, de uma vez por todas, e alinharem com o resto da comunidade internacional que há muito tempo reconheceu a obscenidade de executar aqueles que cometem crimes quando são crianças.» diz a Amnistia Internacional.


No Ocidente somos mais "civilizados": executamo-los in utero. Assim seguramente que não poderão vir a ser notícia, por nenhum motivo (bom ou mau) ... A dificuldade será explicar aos "bárbaros" porque é que a nossa prática é mais civilizada.
A própria Amnistia Internacional (AI) que, durante muito tempo, manteve uma política de neutralidade em relação à questão, decidiu recentemente passar a apoiar a descriminilização do aborto, isto é, torná-lo legal perante a lei, o que tem levado muitas organizações a demarcarem-se da AI. A defesa dos direitos humanos deixou de ser prioridade para a Amnistia, que passou a defender direitos "selectivos" para alguns humanos: ou seja, imita a praxis dos países que ela própria critica, eles também defensores de "direitos" apenas para aqueles que as autoridades escolherem.
Quem entender, que explique.

18 junho 2007

Projecto Cabo Verde


No meio de tanta coisa menos boa, ou até mesmo negativa, não falta quem não se importe de passar as férias a trabalhar pelos outros.

É apenas um (de muitos) exemplos que me vão chegando.





É possível ter uma TV humana?


Artigo de Marco Antonio Batta, L.C.

«Quando se diz que "cada povo tem o governo que merece", pretende demonstrar-se que quanto mais passivo e conformista é um país, mais atropelos sofre da parte dos governantes.

Uma coisa semelhante acontece com a televisão: "cada país tem a tv que merece". A televisão exerece um poderosíssimo influxo nas sociedades. Esta influência pode ser positiva ou negativa. No pequeno ecrã pode ver-se desde um documentário sobre o Padre Pio, até cenas de enorme violência e imoralidade agressiva.

No México, há vários anos que existe uma associação, chamada A favor do melhor, que promove a produção de programas com conteúdo valorativo.

Devido ao trabalho desta associação, as companhias patrocinadoras dos programas escolhem com sentido mais crítico os programas em que anunciam. (...) A segunda maior rede televisiva do país, a TV Azteca, promoveu um concurso para telenovelas que promovam valores humanos positivos.

Entre as empresas que integram este projecto e o apoiam contam-se:

Bimbo, BBVA, Cemex, Coca-Cola, Johnson & Johnson, Kimberly Clark, Kraft, Aeroméxico, Mexicana de Aviación, Nestlé, Procter & Gamble, Sears, Telmex, Unilever, entre outros.

Estas companhias condicionam a compra de espaço publicitário à qualidade dos programas.

Por exemplo, se uma telenovela promove antivalores, como a dissolução da família, ou o sexo irresponsável, estas empresas não compram os anúncios. Desejam apresentar-se como sendo socialmente responsáveis ou, pelo menos, têm a preocupação de não ferir a sensibilidade dos seus clientes.

O consumidor, na hora de comprar, tem um certo poder sobre as compras e, de modo indirecto, sobre o tipo de publicidade que sustenta a TV. » (...)

Às vezes basta um email a protestar. Claro que sempre haverá quem fale em "censura" e "progresso", mas de facto que progresso existe em promover a violencia sexista ou a exploração dos impulsos?


15 junho 2007

Pelo menos, saibam fazer contas (já que a ética ...)


No Diário de Notícias: resposta ao editorial de 9 de Junho

«"Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva." (Sec.V a.C.)

Estas são palavras do juramento de Hipócrates, considerado um património da humanidade pelo seu elevado sentido moral, durante séculos repetidas como um compromisso solene dos médicos ao ingressarem na profissão.

Será de estranhar que 80% dos médicos portugueses sejam objectores de consciência, recusando-se a fazer abortos por simples vontade da mulher? Estranho é que não sejam 100%.


É repugnante e ultrajante o editorial do DN de 9 de Junho, que na minha opinião merece um processo legal por difamação ao insinuar que os médicos são objectores de consciência por tencionarem fazer abortos na clínica privada.


Além disso, dizer que há "uma estranha e clara dessintonia entre a classe médica e a sociedade como um todo" quando numa população de
10,5 milhões de pessoas, só 2,2 milhões (ou seja, cerca de 1/5 da população) votou a favor do aborto livre, é no mínimo desonestidade intelectual e prova de inaceitável má-fé. Dado que 1,5 milhões votaram Não, o autor não saberá fazer contas ou decidiu por si o que pensam os restantes 6,8 milhões de portugueses que não se pronunciaram?

O mesmo autor insta o Governo a tomar medidas urgentes devido a esta "estranha" objecção de consciência duma "qualquer classe profissional" (a dos médicos).

Apavora-me um mundo que se diz democrático mas onde há quem se atreva a atacar a mais íntima e inviolável de todas as
liberdades: a liberdade de consciência de cada um.»
Thereza Ameal

11 junho 2007

No Publico de hoje:

«Gondomar: marcha a favor de criança com paralisia cerebral rendeu mais de 3600 euros
A marcha de solidariedade hoje realizada em Gondomar a favor de Martim, uma criança de um ano e meio que sofre de paralisia cerebral, reuniu mais de mil pessoas e permitiu angariar cerca de 3600 euros. "Correu tudo muito bem, as pessoas foram fantásticas", disse fonte da organização desta iniciativa, que se destinava a recolher fundos para ajudar a pagar as sessões de fisioterapia de Martim, que custam 30 euros cada. » (...)

País espantoso este: a uma mãe que queira matar o filho saudável in utero, paga-se o negócio às clínicas multinacionais do aborto, e dá-se subsídio "de doença" à mãe. Aos pais com um filho gravemente doente, deixa-se entregue à solidariedade pública. Estes nossos "direitos", começam a ficar muito parecidos com a ferocidade das ditaduras do passado.

Entretanto, o governo prepara-se para que as despesas de saúde deixem de ser dedutíveis no IRS, ou seja, os pais destas crianças vão ter ainda maiores dificuldades.

08 junho 2007

Ali Babá y los 40 maricones: educação para a cidadania em Espanha


Trata-se de um libro publicado em 1993, pela editora La Cupula, da autoria de Nazario. Faz parte da lista recomendada, pelo Ministério da Educação do país vizinho, para a cadeira de Educação para a Cidadania em Espanha. Esta matéria está incluída nos recursos didáticos da educação para os valores, promovidos pelo Ministério espanhol.

A lista, por si só, é bastante sugestiva da "neutralidade" ideológica do programa. Algumas imagens do referido manual podem ser vistas aqui.

São bastante violentas, mas este é um dos manuais "educativos" do país ao lado.

No guia do ministério o livro é apresentado como "uma banda desenhada divertida descrevendo as peripécias da vida diária de um grupo de vizinhos de um bairro, na maioria gays, na Barcelona actual. Um dos melhores livros de um desenhador famoso."

Já vai sendo altura de deixarmos de ser ingénuos! A familiofobia e a heterofobia estão em alta e não se conhecem programas de "tolerância" para combater esta epidemia.


06 junho 2007

Agnes

Neste momento, tem 26 anos. Foi raptada, na sua escola, no Uganda, aos 14 anos, juntamente com cerca de centena e meia de outras colegas, pelo "Exército de Libertação". Foi obrigada a empunhar uma arma e a juntar-se às outras crianças-soldado.


Actualmente em Espanha, trabalha numa ONG (CESAL, Centro de Estudios y Solidaridad con América Latina) exercendo em campos de refugiados, nos quais a sua experiência é de enorme valor.


«Fui sequestrada juntamente com mais 139 raparigas. Nas negociações que se seguiram, conseguiram libertar 190, mas ficámos cerca de 30. Consegui escapar, ao fim de três meses, juntamente com mais 24. Das restantes, quatro estão mortas, e duas continuam retidas», contou numa entrevista.

Diz que perdoa, mas que entende que nem todos o consigam. O maior trauma das crinaças-soldado é que os obrigam a matar os seus próprios familiares, ou os da sua tribo. Assim os desvinculam da sua vida anterior e garantem que não queiram fugir.

No seu caso, foi recebida pelos seus pais e irmãos de braços abertos, mas muitos não podem regressar porque a sua família ou tribo jamais lhes perdoará as mortes.

«O amor dos meus pais, o sentir-me querida, foi o que me sustentou e decidiu a não desistir de tentar fugir». Diz também que a sua experiência anterior no Colégio a ajudou a querer escapar da pior das prisões: aquela em que se é obrigado a matar.

02 junho 2007

Brecht citado a propósito da porno-educação


É um tema que nos envolve a todos, queiramos ou não. O filme lá passou, a questão é saber qual a mensagem...


«Primeiro, eles vieram buscar os comunistas.
Não disse nada, pois não era comunista;
Depois, vieram buscar os judeus. Nada disse, pois não era judeu;
Em seguida, foi a vez dos operários. Continuei em silêncio, pois não era sindicalizado;
Mais tarde, levaram os católicos. Nem uma palavra pronunciei, pois não sou católico.
Agora, eles vieram-me buscar a mim,
e quando isso aconteceu, não havia mais ninguém para protestar.”

(Escuta Zé Ninguém, Bertold Brecht)


senhoritos ...


O forum Justiça e Paz e a Caritas, da Venezuela, pronunciaram-se publicamente contra as tentativas do governo de Hugo Chavez em criminalizar as manifestações públicas de desagrado.

Recordam ao Presidente que os tratados internacionais que a Venezuela assinou, e a própria Constituição Venezuelana, obrigam ao respeito pelos direitos humanos, tal como a liberdade de expressão, sem discriminação.

Várias organizações defensoras dos direitos humanos denunciaram que o governo deteve pelo menos uma centena de pessoas que protestavam contra o encerramento, por parte do governo, da cadeia de televisão RCTV, encerramento alegadamente motivado pela sua atitude demasiado crítica perante a política governamental.

14 maio 2007

morrer divertido?


Nos EUA, entre 1997 e 2004, foram tratadas em serviços de urgência cerca de 60 mil pessoas por lesões provocadas em parques de diversões.

Algumas das lesões mais graves, são idênticas entre idades tão diversas como 7 ou 77 anos e consistem em tromboses cerebrais e hemorragias no cérebro, ou lesões nas carótidas e outras artérias que comunicam com a cabeça.

A questão são os efeitos de aceleração / desaceleração que expoem a massa encefálica e as suas estruturas a danos provocados por forças superiores às da gravidade (que podem ir até a um efeito de multiplicação de 5 vezes).

Embora o risco seja baixo, as consequências (morte, cegueira, paralisia) são pouco animadoras.

O estudo foi publicado na versão student do British Medical Journal. O artigo aqui, é assinado por dois jovens investigadores portugueses, um médico e um engenheiro, ambos da Universidade de Lisboa.

Obviamente, os números publicados reflectem países em que há alguma fiscalização sobre a situação. Neste país em que caem pontes, por falta de manutenção, e se constroem estádios de futebol (para ficarem vazios ...) a situação poderá ser diferente.

Como diferentes são as
contra-ordenações da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), que desde o ano passado, já instaurou mais de 3800 processos por infracções. (Público, 14 de Maio de 2007)

No entanto, até agora nenhum dos infractores foi obrigado a pagar as respectivas multas. Só os que pagaram voluntariamente as coimas foram sancionados.