
Artigo de Marco Antonio Batta, L.C. «Quando se diz que "cada povo tem o governo que merece", pretende demonstrar-se que quanto mais passivo e conformista é um país, mais atropelos sofre da parte dos governantes.
Uma coisa semelhante acontece com a televisão: "cada país tem a tv que merece". A televisão exerece um poderosíssimo influxo nas sociedades. Esta influência pode ser positiva ou negativa. No pequeno ecrã pode ver-se desde um documentário sobre o Padre Pio, até cenas de enorme violência e imoralidade agressiva.
No México, há vários anos que existe uma associação, chamada A favor do melhor, que promove a produção de programas com conteúdo valorativo.
Devido ao trabalho desta associação, as companhias patrocinadoras dos programas escolhem com sentido mais crítico os programas em que anunciam. (...) A segunda maior rede televisiva do país, a TV Azteca, promoveu um concurso para telenovelas que promovam valores humanos positivos.
Entre as empresas que integram este projecto e o apoiam contam-se:
Bimbo, BBVA, Cemex, Coca-Cola, Johnson & Johnson, Kimberly Clark, Kraft, Aeroméxico, Mexicana de Aviación, Nestlé, Procter & Gamble, Sears, Telmex, Unilever, entre outros.
Estas companhias condicionam a compra de espaço publicitário à qualidade dos programas.
Por exemplo, se uma telenovela promove antivalores, como a dissolução da família, ou o sexo irresponsável, estas empresas não compram os anúncios. Desejam apresentar-se como sendo socialmente responsáveis ou, pelo menos, têm a preocupação de não ferir a sensibilidade dos seus clientes.
O consumidor, na hora de comprar, tem um certo poder sobre as compras e, de modo indirecto, sobre o tipo de publicidade que sustenta a TV. » (...)
Às vezes basta um email a protestar. Claro que sempre haverá quem fale em "censura" e "progresso", mas de facto que progresso existe em promover a violencia sexista ou a exploração dos impulsos?