Jornal de Negócios

14 agosto 2007

Poesia de uma jovem do bairro da Calabaceira, Cabo Verde




Procuro uma frase entre as vozes
Um olhar nos sorrisos,
Um jeito nos abraços;
Procuro uma vida no Tempo
Eu mesma esquecida
De uma Saudade perdida.

(No fim de uma sessão do Clube de Leitura do Projecto Cabo Verde.)

10 agosto 2007

Recado aos abstencionistas portugueses


«Activista chinês de Tiananmen libertado
após 18 anos de prisão»


(No Público hoje)

Não posso deixar de me lembrar dos milhões de portugueses que não costumam votar... 18 anos na prisão por simplesmente defender e querer a liberdade no seu país,
simplesmente por se ter manifestado em público ...

E há quem não vote por simples comodismo! Ou vote de olhos fechados.



31 julho 2007

Termina o mito da guerra "religiosa" na Irlanda


"Ao fim de 38 anos, o Exército britânico conclui missão na Irlanda do Norte", diz o Publico hoje.


Blair pode ser recordado por algumas coisas mais (i)mediáticas, mas esta é seguramente uma que fica na história: o sucesso da negociação para terminar com o horror da guerra civil.

29 julho 2007

Voluntariado

Estudantes universitárias e jovens profissionais, em regime de voluntariado, integradas num projecto de cooperação na ilha de Santiago, Cabo Verde.

Pormenores do Projecto na entrevista televisiva (SIC) aqui;
ou no Semanário Sol, aqui.

24 julho 2007

Carta do Professor Artur José Vieira da Silva


Exmo Sr. Director
da Caixa Geral de Aposentações


Excelência


Artur José Vieira da Silva, Professor Efectivo da Escola Secundária Alberto Sampaio - Braga, vem solicitar a V. Excia se digne atender ao seguinte:


1.
Por despacho de 09 de Maio de 2006, recebeu a minha Escola o oficio n° SAC122FA.93722l/00 da Caixa Geral de Aposentações a informar ter sido indeferido o meu pedido de aposentação em virtude de não me encontrar absoluta e permanentemente incapaz para o exercício das minhas funções.

Base de sustentação: o parecer de uma Junta Médica realizada em 18 de Abril, a que não fui presente. Todavia não duvido que ela se tenha realizado. Do que duvido é da Junta, da sua competência, responsabilidade, sensibilidade, profissionalismo, e por fim autoridade para categoricamente sentenciar que não me encontro absoluta e permanentemente incapaz para o exercício das minhas funções! Assim:


3.
Como pode uma Junta Médica fazer tábua rasa da Tabela Nacional de Incapacidades Capítulo IV, ponto 5 alínea e) que me atribui uma incapacidade de 85%? (Como pode ler-se Relatório Clínico, Anexo 1)

4. Como pode uma Junta Médica fechar os olhos àquilo a que me submeti ( e cito de novo o Anexo 1) "amigdalectomia esquerda e laringectomia total com esvaziamento ganglionar cervical funcional bilateral e traqueostomia permanente", o que para o comum dos mortais significa tão simplesmente ausência total e irrecuperável da voz?

5.
Como pode uma Junta Médica dizer a um Professor de Filosofia que a afonia total e incurável não o impede absoluta e permanentemente de exercer as suas funções?

Mais grave ainda, como pode tal Junta passar por cima da Tabela Nacional de Incapacidades, e em vez de verificar se a doença pode ser tida como profissional ou, pela especificidade da profissão, ser de justiça propor um aumento à percentagem de incapacidade referida na Tabela, resolve irresponsavelmente passar uma esponja sobre tudo e declarar categoricamente que nada me impede de exercer as minhas funções?


Excelência,


Penso tenha percebido que a base de sustentação do despacho acima referido é, ou um equívoco, ou uma irresponsabilidade, mas sobretudo é uma injustiça. E, porque não dizê-Io, uma impiedosa e cruel forma de julgar a incapacidade alheia.


Penso também que V. Excia não tem de forma alguma responsabilidade directa por tamanha barbaridade. Por isso:


- peço que não esperemos pelos nove meses ( a que o ofício acima referido alude) para requisitar de novo a reforma;


- peço que, mesmo que não haja mecanismos para que tal se supere, ao menos se procurem os necessários para que se destrua tão grandes injustiça e crueldade.

- Peço que, se alguma dúvida houver sobre o exposto, me convoque para o que V.Excia muito bem entenda, uma audiência, uma Junta.


- Mas deveras ferido e por isso peço a máxima compreensão para o desejo de nunca mais ser presente à Junta Médica que em 18 de Abril, sem a minha presença, me sentenciou induzindo V.Excia em erro.


Esperando de V. Excia sensibilidade para o meu problema, sou

Braga, 27 de Setembro de 2006


Atentamente

(Artur José Vieira da Silva)


19 julho 2007

"Incentivos à natalidade"? (Será que ouvi bem?)


Quando ouço a expressão "incentivos à natalidade", fico sempre na dúvida se estão a referir-se à baleia branca, aos caprinos da Serra da Estrela, ou à gente ...

Num país que não tem - nem nunca teve - política de família consistente, que castiga os casais com filhos, ou que considera a gravidez um "descuido" ou uma doença a erradicar, a natalidade que (não) temos reflecte apenas o "sucesso" das políticas anti-natalidade e anti-família que temos tido.

Não me espanta a linguagem dura que a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas usa no seu mais recente comunicado ("a marca de Sócrates").

Esta Associação sabe do que fala. Há muitos anos, que vem alertando para o que agora sentimos na pele (nas reformas, nas escolas e maternidades que fecham, na falta de empregos ...).

Está lá tudo: os números, as projecções ... Como podemos ser tão cegos? (E tão passivos?)


05 julho 2007

Violências

Segundo o Público em 2006 morreram 39 mulheres às mãos dos seus "maridos ou companheiros". O jornal cita um estudo apresentado pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.

Quando a realidade não é bonita, vale a pena o estudo e a reflexão sobre os dados: conhecer
melhor um problema talvez não nos dê a solução, mas pelo menos evita as respostas inúteis.

Encontrei estes dados, de 2003, resultantes do cruzamento das estatísticas de violência doméstica da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Há concerteza várias leituras possíveis. Uma delas, é que talvez fosse boa ideia não somar os "maridos" aos "companheiros" e aos "ex-maridos": estatísticamente falando (porque as pessoas, sempre serão pessoas) ajuda a perceber melhor a questão.

04 julho 2007

Preconceitos x pragmatismo


No país vizinho vão-se mexendo para tentar travar o deserto demográfico, isto é, para evitar que o país desapareça por falta de nascimentos. Tal como também o estão a fazer os países do norte da europa, há já algum tempo, tal como a Alemanha, ou a França.

O primeiro-ministro espanhol anunciou ontem a instituição de um subsídio de nascimento de 2500 Euros.O facto é que, em Espanha, a taxa de natalidade já é crescente, mas mesmo assim o governo espanhol optou por aumentar os apoios às famílias com filhos, por considerar que ainda não atingiu os valores desejados. A Comissão Europeia tem, aliás, insistido que esta é uma prioridade vital para a europa.

Por cá ... Bem... Portugal é neste momento dos raros países europeus com taxa de natalidade decrescente!


Continuamos à espera que chova ... Para já, sabe-se que se projecta a introdução de taxas moderadoras para consultas de crianças (isentas até agora); mantém-se a discriminação fiscal que penaliza os casais com filhos (e penaliza tanto mais, quanto mais filhos tiverem); paga-se o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) sem levar em conta o número de pessoas a cargo; idem para os escalões de consumo da água ...


Só falta começar a multar quem tem filhos!


27 junho 2007

Albert Camus e Deus


Uma livro biográfico escrito por um amigo íntimo de Camus - El existencialista hastiado.
Relato de questões humanas comuns, pela voz de alguém que não desisitiu de se questionar e de procurar.

Sugestão para férias... (não encontrei tradução portuguesa, mas também não procurei muito)


O Irão é o país que mais executa crianças



Notícia do Publico, hoje: «É mais do que tempo de as autoridades iranianas acabaram com esta prática vergonhosa, de uma vez por todas, e alinharem com o resto da comunidade internacional que há muito tempo reconheceu a obscenidade de executar aqueles que cometem crimes quando são crianças.» diz a Amnistia Internacional.


No Ocidente somos mais "civilizados": executamo-los in utero. Assim seguramente que não poderão vir a ser notícia, por nenhum motivo (bom ou mau) ... A dificuldade será explicar aos "bárbaros" porque é que a nossa prática é mais civilizada.
A própria Amnistia Internacional (AI) que, durante muito tempo, manteve uma política de neutralidade em relação à questão, decidiu recentemente passar a apoiar a descriminilização do aborto, isto é, torná-lo legal perante a lei, o que tem levado muitas organizações a demarcarem-se da AI. A defesa dos direitos humanos deixou de ser prioridade para a Amnistia, que passou a defender direitos "selectivos" para alguns humanos: ou seja, imita a praxis dos países que ela própria critica, eles também defensores de "direitos" apenas para aqueles que as autoridades escolherem.
Quem entender, que explique.

18 junho 2007

Projecto Cabo Verde


No meio de tanta coisa menos boa, ou até mesmo negativa, não falta quem não se importe de passar as férias a trabalhar pelos outros.

É apenas um (de muitos) exemplos que me vão chegando.





É possível ter uma TV humana?


Artigo de Marco Antonio Batta, L.C.

«Quando se diz que "cada povo tem o governo que merece", pretende demonstrar-se que quanto mais passivo e conformista é um país, mais atropelos sofre da parte dos governantes.

Uma coisa semelhante acontece com a televisão: "cada país tem a tv que merece". A televisão exerece um poderosíssimo influxo nas sociedades. Esta influência pode ser positiva ou negativa. No pequeno ecrã pode ver-se desde um documentário sobre o Padre Pio, até cenas de enorme violência e imoralidade agressiva.

No México, há vários anos que existe uma associação, chamada A favor do melhor, que promove a produção de programas com conteúdo valorativo.

Devido ao trabalho desta associação, as companhias patrocinadoras dos programas escolhem com sentido mais crítico os programas em que anunciam. (...) A segunda maior rede televisiva do país, a TV Azteca, promoveu um concurso para telenovelas que promovam valores humanos positivos.

Entre as empresas que integram este projecto e o apoiam contam-se:

Bimbo, BBVA, Cemex, Coca-Cola, Johnson & Johnson, Kimberly Clark, Kraft, Aeroméxico, Mexicana de Aviación, Nestlé, Procter & Gamble, Sears, Telmex, Unilever, entre outros.

Estas companhias condicionam a compra de espaço publicitário à qualidade dos programas.

Por exemplo, se uma telenovela promove antivalores, como a dissolução da família, ou o sexo irresponsável, estas empresas não compram os anúncios. Desejam apresentar-se como sendo socialmente responsáveis ou, pelo menos, têm a preocupação de não ferir a sensibilidade dos seus clientes.

O consumidor, na hora de comprar, tem um certo poder sobre as compras e, de modo indirecto, sobre o tipo de publicidade que sustenta a TV. » (...)

Às vezes basta um email a protestar. Claro que sempre haverá quem fale em "censura" e "progresso", mas de facto que progresso existe em promover a violencia sexista ou a exploração dos impulsos?


15 junho 2007

Pelo menos, saibam fazer contas (já que a ética ...)


No Diário de Notícias: resposta ao editorial de 9 de Junho

«"Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva." (Sec.V a.C.)

Estas são palavras do juramento de Hipócrates, considerado um património da humanidade pelo seu elevado sentido moral, durante séculos repetidas como um compromisso solene dos médicos ao ingressarem na profissão.

Será de estranhar que 80% dos médicos portugueses sejam objectores de consciência, recusando-se a fazer abortos por simples vontade da mulher? Estranho é que não sejam 100%.


É repugnante e ultrajante o editorial do DN de 9 de Junho, que na minha opinião merece um processo legal por difamação ao insinuar que os médicos são objectores de consciência por tencionarem fazer abortos na clínica privada.


Além disso, dizer que há "uma estranha e clara dessintonia entre a classe médica e a sociedade como um todo" quando numa população de
10,5 milhões de pessoas, só 2,2 milhões (ou seja, cerca de 1/5 da população) votou a favor do aborto livre, é no mínimo desonestidade intelectual e prova de inaceitável má-fé. Dado que 1,5 milhões votaram Não, o autor não saberá fazer contas ou decidiu por si o que pensam os restantes 6,8 milhões de portugueses que não se pronunciaram?

O mesmo autor insta o Governo a tomar medidas urgentes devido a esta "estranha" objecção de consciência duma "qualquer classe profissional" (a dos médicos).

Apavora-me um mundo que se diz democrático mas onde há quem se atreva a atacar a mais íntima e inviolável de todas as
liberdades: a liberdade de consciência de cada um.»
Thereza Ameal

11 junho 2007

No Publico de hoje:

«Gondomar: marcha a favor de criança com paralisia cerebral rendeu mais de 3600 euros
A marcha de solidariedade hoje realizada em Gondomar a favor de Martim, uma criança de um ano e meio que sofre de paralisia cerebral, reuniu mais de mil pessoas e permitiu angariar cerca de 3600 euros. "Correu tudo muito bem, as pessoas foram fantásticas", disse fonte da organização desta iniciativa, que se destinava a recolher fundos para ajudar a pagar as sessões de fisioterapia de Martim, que custam 30 euros cada. » (...)

País espantoso este: a uma mãe que queira matar o filho saudável in utero, paga-se o negócio às clínicas multinacionais do aborto, e dá-se subsídio "de doença" à mãe. Aos pais com um filho gravemente doente, deixa-se entregue à solidariedade pública. Estes nossos "direitos", começam a ficar muito parecidos com a ferocidade das ditaduras do passado.

Entretanto, o governo prepara-se para que as despesas de saúde deixem de ser dedutíveis no IRS, ou seja, os pais destas crianças vão ter ainda maiores dificuldades.