Jornal de Negócios

16 novembro 2007

O medo politicamente correcto


No Público de hoje:


«A hipocrisia estupidificante de um discurso
16.11.2007,


Manuel Pinto Coelho *



Em memória do Dr. Fausto Correia, saudoso vice-presidente da Associação para um Portugal Livre de Drogas



Publicou a revista Pública uma crónica do médico psiquiatra Daniel Sampaio (DS) em que diz: "A intervenção preventiva não vai bem em Portugal. E, no entanto, políticos de diversos quadrantes passam a vida a reclamá-la, como se fosse a solução para os diversos comportamentos de risco que desejam minorar". E, mais adiante: "Basta citar as críticas recorrentes aos programas de trocas de seringas nas prisões ou de criação de salas de injecção assistida, sempre adiados porque "a prevenção é que interessa"".



1 - É importante que se saiba que o meu colega integrou em 1999 o grupo de "sábios" que, sob a batuta do então ministro com a pasta da Toxicodependência, José Sócrates, elaborou a Estratégia Nacional de Luta contra a Droga (ENLCD) 1999-2004, responsável pelo "desesperante agravamento da situação no que concerne à procura, à oferta e à reinserção social" da situação da toxicodependência no nosso país durante esse período (conforme o atestou o INA, que, em Dezembro de 2004, avaliou a estratégia).



Aliás, como poderia o consumo não aumentar, se a estratégia utilizada (que teve como resultado "um aumento de 44% de prevalência no consumo de drogas em alunos de 16 anos"), entre outras originalidades, consente que qualquer pessoa, através da descriminalização do consumo, da posse e da aquisição para o consumo, em vigor desde Julho de 2001 (operada à revelia dos restantes países europeus, contrariando arrogantemente as recomendações da ONU e o espírito de todas as convenções internacionais de que Portugal é signatário...), possa andar com droga, seja ela haxixe, heroína ou crack, até dez dias, no bolso, que o pior que lhe pode acontecer é sofrer uma sanção pecuniária?!...



Espanta muito que não considere que a prevenção, sem ser a solução mágica que logicamente não existe, foi, é e será sempre a principal ferramenta quando importa enfrentar e minorar comportamentos de risco como os que podem levar à toxicodependência!


A redução do dano é importante? Claro que é. Mas não parece que não lhe deverá ser dada a primazia? Que será sempre mais importante prevenir do que remediar?


Quando o organismo responsável pela política da droga - o IDT - diz que "a mensagem da diabolização da droga e que a droga mata já está ultrapassada", "não sou fundamentalista em relação ao uso das drogas desde que as pessoas consigam viver em equilíbrio com elas", "a sociedade livre de drogas é uma utopia.


O novo paradigma, se calhar, passa pela legalização e regulamentação da venda e consumo das drogas", que interroga os jovens sobre a vida sexual dos pais, que diz "alterna a narina que utilizas" ou que responde "não há respostas" à mãe aflita que não sabe o que fazer e que pede ajuda para que o seu filho não entre na droga, o que é que se esperaria depois que acontecesse aos nossos jovens?


Que dessem tempo a si próprios para tentar (re)iden-tificar valores para depois procurar utilizá-los? Que procurassem "valorizar-se a si próprios e a fazer escolhas de vida saudáveis" (slogan da ONU em 2005), que se virassem para o exercício físico como forma de reencontrarem uma identidade corporal porventura perdida?


Não, isso seguramente daria muito trabalho, tanto mais que depois as recompensas para tanto esforço só iriam aparecer mais tarde!...2 - Quanto à implementação das trocas de seringas dentro das prisões que DS preconiza, importa considerar que é suposto que a estadia num estabelecimento prisional seja uma privação da liberdade, não só para proteger a sociedade do criminoso, como para tentar corrigir e promover uma mudança de comportamento na pessoa que cometeu o crime.Sendo assim, pergunto como é que será possível promover essa mudança, criando condições de manutenção do mesmo padrão de comportamento?


E vamos aceitar que dentro de um espaço público, gerido pelo poder público e por autoridades de segurança, se possam cometer infracções e, mais do que isso, se facultem as condições ideais para que essa infracção seja cometida, estando a assumir e a oficializar a nossa impossibilidade de controlar a entrada de droga dentro das cadeias?


Por último, e mais grave ainda, o é que se está a pensar fazer em relação às drogas?É que esta atitude pressupõe um apelo, que é "organizem-se os mercados do tráfico de drogas, que, de hoje em diante, as autoridades e o poder público tê-los--ão como colaboradores nesta nova fase que se iniciará agora em Portugal"!!!E o Estado? Como bem diz o deputado Nuno Melo, ele não estará obrigado à ressocialização do preso?


Porque não utilizar o factor tempo - mais importante do que o modelo de tratamento, como se sabe, é a extensão do mesmo que constitui o factor mais importante - e tratar o recluso dependente de drogas, utilizando uma equipa de técnicos pluridisciplinar, gastando de uma forma finalmente inteligente o dinheiro dos nossos impostos? É espantoso que Portugal persista em seguir o exemplo espanhol.


A este propósito, recordo-lhe o que diz o Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência no Relatório Anual de 2006 sobre a Evolução do Fenómeno da Droga na Europa. Diz, e cito, que "a Espanha é o único país da UE em que a troca de agulhas e seringas está normalmente disponível nas prisões"!!!


Um apelo faço aos nossos governantes: abandonem o discurso hipocritamente estupidificante que se preparam para adoptar, que diz "por favor não morram com sida, matem-se com droga", e olhem, de uma vez por todas, para o recluso toxicodependente como uma pessoa tão normal (ou anormal) como qualquer outra, que se pode tratar e com o qual se pode voltar a contar.



*Médico




13 novembro 2007

Ao serviço da nação



O Ministro da Saúde intimou a Ordem dos Médicos a alterar o seu Código Deontológico para o tornar compatível com a liberalização do aborto.

Há médicos que pensam o contrário e já o fizeram sentir ao actual bastonário.


Petição on-line aqui.

12 novembro 2007

Lavar as mãos de quem?


«Foi mais uma frase forte, demagógica e populista, com a qual, como noutras ocasiões, o ministro procurou atirar exclusivamente para os profissionais de saúde a culpa pelos problemas da Saúde em Portugal, neste caso específico pelas infecções hospitalares.


Os médicos não necessitam de lições de assepsia de um ministro que confunde Saúde com estatísticas manipuladas, desconhecendo talvez que, no século XIX, foi precisamente um perspicaz médico húngaro, Ignaz Semmelweis, quem, pela primeira vez, chamou a atenção para a importância de lavar as mãos na prevenção da febre puerperal.


Não vou enjeitar liminarmente que possa haver alguma responsabilidade dos profissionais de saúde na alta incidência de infecções hospitalares em alguns hospitais. Porém, é fundamental denunciar a incrível falta de condições para uma mais efectiva prevenção destas infecções, situação agravada pela cega determinação em colocar os hospitais a dar lucro, sem que se perceba muito bem o que isso quer dizer, não obstante os impressionantes cortes orçamentais.

É por isso que se torna obrigatório denunciar algumas das consequências desses cortes, nomeadamente no que concerne ao risco de infecções hospitalares.

Frequentemente, até o papel descartável para limpar as mãos já falta nos hospitais, o que obriga os profissionais de saúde a secar as mãos a toalhas que ficam rapidamente encharcadas e se transformam em verdadeiros meios de cultura e reprodução de bactérias, o que pode tornar ainda mais perigoso para os doentes o acto de lavar as mãos dos profissionais de saúde! Esta é a indesmentível realidade actual.

Para prevenir as infecções deveria existir um lavatório adequado à entrada de cada enfermaria e quarto de hospital, mas não existe.

Seria necessário existir uma embalagem com spray antisséptico acoplado à cama de cada doente, mas não existe. Seria necessário aprimorar a higiene e limpeza hospitalares, mas o ministro propõe-se despedir milhares de funcionários.

Seria necessário restringir, controlar e educar os visitantes dos doentes, que também deveriam lavar as mãos, mas à hora das visitas os hospitais parecem verdadeiras feiras.

Seria necessário que o papel descartável nunca acabasse, mas ele esgota! Etc., etc., etc.

Isto para já não falar das instalações envelhecidas, desadequadas e degradadas e da sobrelotação de camas (onde há três deveria haver apenas duas, onde há seis deveria haver apenas quatro…).

Para além das questões relacionadas com a temática das infecções, as consequências das restrições orçamentais, que nunca se estendem aos carros, motoristas, obras nos gabinetes e contratação nepótica de uma galáctica plêiade de comissários políticos administrativos, têm consequências mais alargadas. Falta de material Efectivamente, para que fique devidamente registado o alerta, é um imperativo ético afirmar publicamente que há cada vez mais actos médicos necessários e essenciais que são adiados por falta do material ou condições adequadas.

O material falta porque não são feitas as encomendas respectivas.

As encomendas não são feitas para que os hospitais possam cumprir o orçamento.

O ministro rejubila com os orçamentos, lavando as mãos, qual Pôncio Pilatos, das consequências que daí advêm para os doentes.

Mão amiga fez-me chegar a impressão de um relatório clínico do internamento de um doente numa instituição hospitalar, no ano de 2007, no qual os médicos registaram que o doente seria chamado posteriormente para efectuar um medulograma, pois não havia agulhas de medulograma no serviço de Hematologia desse hospital!

E que dizer da televisiva promessa de disponibilizar anticoncepcionais orais para seis meses, a cada senhora que os solicitasse, quando actualmente eles nem sequer chegam para uma pequena percentagem das utilizadoras a quem apenas se dá, quando há, um único blister?

As «poupanças» também se traduzem a outros níveis, como aquele hospital que, para reduzir artificialmente os custos, ordenou em circular normativa de 10/08/07 que «cabe aos doentes diabéticos e às suas famílias o dever de se fazer acompanhar dos dispositivos: canetas e da respectiva insulina necessária ao período em que se encontram internados».

Ou ainda aquele outro que começou a retirar especialistas do serviço de Urgência e a substituí-los por jovens internos da especialidade porque as suas horas ficam mais baratas à instituição, assim sobrecarregando os internos com pesadas escalas de Urgência, prejudicando a formação destes nas respectivas especialidades, e colocando desnecessariamente os doentes a serem observados por médicos menos qualificados e experientes, aumentando o risco de erros médicos.

Mas nada disto preocupa o sr. ministro, que não consegue descortinar vidas humanas para além da rígida obsessão orçamental.

Quando se demitiu de presidente do conselho de administração dos HUC, o prof. Agostinho Almeida Santos não teve qualquer receio em afirmar o óbvio, que outros calam com medo de serem saneados por «deslealdade», declarando que é impossível gerir com qualidade um hospital que sofre cortes indiscriminados de muitos milhões de euros. Não posso deixar de subscrever estas palavras, que ninguém consegue contestar, porque as consequências estão à vista de todos. As falhas do ALERT Curiosamente, parece não faltar dinheiro para a informatização de alguns hospitais. A informatização é inexorável, desejável e um progresso quando feita de forma devidamente programada e com qualidade.

Todavia, recentemente ouvimos o presidente do conselho de administração do Hospital de Santo António afirmar que o ALERT para marcação de consultas veio complicar mais do que facilitar, triste realidade confirmada por vários médicos de família, se bem que pareça estar em desenvolvimento um novo software.

A Ordem dispõe de testemunhos sobre algumas graves insuficiências dos programas ALERT, que tardam a ser corrigidas. Os HUC pagaram uma fortuna para informatizar a Urgência com o programa ALERT, que tem sérias limitações, insuficiências, dificuldades, complexidades e falhas frequentes, para além de um escassíssimo número de terminais, que o transformam em mais um factor de permanente perturbação e complicação adicional, sobretudo nos dias de maior movimento.

Vêm estas referências aos controversos programas ALERT, no contexto deste artigo, porque a utilização do programa exige repetidamente o reconhecimento da impressão digital do utilizador, o que obriga a que, no mesmo aparelho, todos os profissionais coloquem frequentemente o dedo indicador enquanto trabalham, tornando-o em mais um importante meio de disseminação bacteriana!

Se querem o reconhecimento individualizado, façam-no através da íris. Assobiar para o lado Já que estamos a falar de gastos na Saúde e gestão rigorosa, porque é que o sr. ministro, apesar de ser do seu conhecimento, não tomou nenhuma atitude sobre o hospital do Centro do País que, num inqualificável acto de gestão, dividiu uma pequena enfermaria a meio para arranjar um cargo de chefia para uma sr.ª enfermeira, que assim ficou a chefiar a imensidão de oito camas, com uma taxa de ocupação inferior a 50%, sem sequer possuir o grau competente, obrigando a aumentar de forma correspondente o respectivo staff de enfermeiros e auxiliares?

Preferiu lavar as mãos e assobiar para o lado, como a célebre figura histórica romana? Será que é porque a sr.ª enfermeira é mãe de um promissor deputado? Para isto já há dinheiro, sr. ministro?...

Infelizmente, como no resto do País, instala-se insidiosamente na Saúde um clima de medo e incompetência que se pensava enterrado com o 25 de Abril, o que tem reflexos a múltiplos níveis.

Numa estranha coincidência temporal, pouco depois de ter emitido uma opinião técnica crítica sobre a organização do trabalho, que, repare-se, lhe foi solicitada exactamente numa reunião de trabalho (!), a médica responsável pelo Departamento de Farmacovigilância do Infarmed foi destituída, com graves consequências funcionais. Terão sido descobertos, mais de 30 anos depois da revolução de Abril, os delitos de opinião técnica?!

Para onde caminham Portugal e o Infarmed? Perante a realidade que hoje se vive na Saúde, com um desinvestimento e um emagrecimento forçado e artificial do Serviço Nacional de Saúde, com uma continuada má gestão, com o nepotismo incompetente, com a imposição pelo medo da lei do silêncio e da obediência cega, sem uma estratégia clara e sistemática de aposta na qualidade e com a indisponibilidade de meios técnicos indispensáveis, é impossível combater eficientemente as infecções hospitalares e muitas das actuais ineficiências do sistema de Saúde.

Depois não venham desculpar-se que são «os outros» que não lavam as mãos!»

*Presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos Subtítulos e destaques da responsabilidade da Redacção Jornal Tempo Medicina, 1.º CADERNO de 2007.11.12

31 outubro 2007

Planeamento fiscal


O Forum da Família divulga, - utilizando simplesmente o simulador do Minsitério das Finanças - QUANTO POUPAM EM PORTUGAL OS CASAIS QUE SE DECLAREM SEPARADOS ...

«estudo que mostra os enormes ganhos que um casal obterá se se separar!

Não é necessário sequer divorciarem-se. Basta declararem que, em 31 de Dezembro, estavam na situação de "separados de facto"!


Neste estudo, calculou-se o IRS que casais com 1 a 3 filhos, rendimentos totais entre 18.000 e 48.000 EUR, e na situação de 1 e 2 titulares, pagariam no estado de casados e na situação de separados, usando o simulador do Ministério das Finanças, conforme explicado em detalhe em http://www.forumdafamilia.com/peticao/simulacao.asp.

No caso de separação, cada um fará a sua declaração em separado, obtendo o resultado total mostrado.

Os cálculos detalhados são mostrados na folha "Cálculos" e mostrados sob a forma gráfica na folha "Gráficos".

Neste estudo, considerou-se apenas os benefícios resultantes da pensão de alimentos, não se entrando em linha de conta com outras deduções, que aumentarão ainda mais o lucro resultante da separação.

Como se poderá ver, separando-se:

  • Muitos casais deixarão de pagar IRS, recuperando a totalidade dos valores descontados ao longo do ano;
  • O seu rendimento poderá aumentar em mais de 10%, num valor médio superior a 2.000 EUR, e que pode ultrapassar os 5.000 EUR.

É esta a proposta bem tentadora que o Estado, há anos, faz a todos os pais casados!

Não é este o caminho que recomendamos, razão pela qual lançámos a petição http://www.forumdafamilia.com/peticao. »


19 outubro 2007

"A ética e a moral dos médicos não dependem dos ministros"


Quem o diz é médico, e não tem papas na língua. Aqui.

Mais: "impor uma mudança ético-deontológica a uma profissão é fascismo puro".

Executores oficiais?


Depois do ataque feroz do Ministro ao código deontológico da Ordem dos Médicos já só falta alargar o leque também à eutanásia.

Ao fim e ao cabo são os doentes incuráveis e os idosos, os que mais custam ao Serviço Nacional de Saúde...

Dentro em breve teremos uma sociedade "perfeita": sem crianças a gritar, sem doentes (a gastar), sem idosos (a sustentar).

E como os médicos farão o favor de os despachar (sem dor e discretamente) está tudo resolvido!! Nem se nota.

O III Reich era bastante assim! Quem os apoia que os aguente.

Se quer protestar, diga ao ministro o que pensa.
Se acha que os médicos não devem ser os carrascos da nação, diga-o à Ordem dos Médicos.

15 outubro 2007

Democracia directa


Dezenas de milhares de cidadãos subscrevem na internet uma petição
para que termine de uma vez por todas a discriminação fiscal contra as famílias em que os conjugues são casados.

Caso se separem (coisa que alguns já fizeram apenas "no papel" e apenas para efeitos fiscais ...) estes casais poderiam deduzir 6500 € de despesas por cada filho, coisa que as finanças não permitem caso se declarem casados ou viúvos!!!

O Minsitro já reconheceu a injustiça, mas tudo continua na mesma. Será que o Estado português tem interesse em apelar à instabilidade familiar como forma de "planeamento fiscal"?

Assine a petição:
«Petição contra a discriminação dos pais casados ou viúvos em sede de IRS" por via electrónica ao Presidente da Assembleia da República, usando a funcionalidade em boa-hora criada no site do Parlamento, e Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças por correio electrónico.

Desta forma, pela primeira vez, as famílias podem participar directamente
no debate do OE 2008, continuando a subscrever a petição
em http://www.forumdafamilia.com/peticao, agora na posse da Assembleia da República, num inédito exercício de democracia directa


10 outubro 2007

conhecer realidades


Conferência em Lisboa (8 de Novembro):


Encontro de Lisboa de Estudos Médicos sobre a Vida Humana



Painel convidado


Dr. Byron Calhoun (Virginia, EUA)

Membro do Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia (FACOG - Fellow of the American College of Obstetricians and Gynecologists), Membro do Colégio Americano de Cirurgiões (FACS - Fellow of the American College of Surgeons ), possui Mestrado, é Professor Convidado e Vice-Presidente do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Escola de Medicina de West Virginia (Charleston, Virgínia Ocidental, EUA). Pertence ao quadro diplomático certificado pelo Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia, com especialidade em Obstetrícia e Ginecologia, e sub-especialidade em Medicina Materno-Fetal.

É autor de mais de 60 resenhas no âmbito da literatura obstetrícia e ginecológica, já apresentou mais de 100 artigos científicos e participou em mais de 40 projectos de investigação.
O Dr. Calhoun e a sua esposa, Kathryn, residem em Charleston, Virgínia Ocidental, e têm 5 filhos —Paul, Daniel, Joshua, Faith, e Mercy.


Prof. Dr.ª Jerónima Teixeira (Londres, Reino Unido)

Professora de Obstetrícia e Ginecologia na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. Médica ginecologista e obstetra, possui prática clínica nos melhores centros de Medicina Fetal do Mundo: Queen Charlotte's e Chelsea and Westminster Hospitals. Membro activo da Associação de Doutorados e Cientistas do Imperial College of London - Instituto Clínico de Obstetrícia e Ginecologia (onde obteve o Mestrado e o Doutoramento). Tem vários trabalhos científicos publicados nas mais prestigiadas revistas médicas internacionais (British Medical Journal, Lancet, American Journal of Obstetrics and Gynecology, entre muitas outras).

Prof. Dr. Joel Brind (Nova Iorque, EUA)

Bioquímico, especializado em hormonas reprodutivas esteróides e a sua ligação a doenças humanas desde 1972. Licenciado pela Universidade de Yale em 1971, doutorou-se em Ciência Médica Básica, em 1981, pela Universidade de Nova Iorque. Desde 1986, é Professor Catedrático de Biologia Humana e Endocrinologia na Faculdade de Baruch, da City University em Nova Iorque. A descoberta da relação entre o aborto e o cancro da mama, em 1992, levou o Prof. Dr. Joel Brind a dedicar grande parte da sua investigação ao estudo e à sensibilização daquilo que tem vindo a designar-se como o 'ABC link'. Em 1996, juntamente com os seus colegas de profissão da Faculdade Estatal de Medicina da Pensilvânia, publica "um estudo e uma meta-análise" sobre o 'ABC link' na Revista da Associação Britânica de Medicina Epidemiológica. Em 1999, juntamente com três colegas físicos, cria uma fundação sem fins lucrativos, o Breast Cancer Prevention Institute (Instituto de Prevenção do Cancro da Mama), em Poughkeepsie, Nova Iorque. Em 2003, foi indigitado para um cargo de três anos na comissão de aconselhamento pública dos Centros para o Controle de Doenças e Prevenção (CDC) para a detecção precoce e controlo do cancro do ovário e do cancro da mama. O seu mais recente artigo, o qual analisa criticamente a investigação publicada na última década sobre o 'ABC-link' surge em finais de 2005, na edição da Revista Americana de Físicos e Cirurgiões.

Prof. Dr.ª Margarida Castel-Branco (Coimbra, Portugal)

Licenciada em Ciências Farmacêuticas e doutorada em Farmácia, especialidade de Farmacologia, pela Universidade de Coimbra, Portugal. Membro da Sociedade Portuguesa de Farmacologia, é docente na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, onde lecciona disciplinas de Farmacologia. Tem vários trabalhos científicos publicados em revistas internacionais. Recentemente tem dedicado-se ao tema da "contracepção", tendo já algum trabalho publicado, a nível nacional, na área, nomeadamente referente à "contracepção oral de emergência".

Prof. Dr.ª Priscilla Coleman (Virginia, EUA)


Doutora em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade de West Virginia, nos EUA. Membro da Sociedade Americana de Psicologia, da Associação Americana de Psicologia e da Sociedade para a Investigação no desenvolvimento da Criança, lecciona como Professora Associada a disciplina de Desenvolvimento Humano e Estudos da Família no Instituto da Família e das Ciências do Consumidor, na Bowling Green State University, em Ohio. Dos seus principais interesses de pesquisa, destacam-se "as sequelas emocionais pós-aborto". Num vasto universo de projectos de investigação encontramos "A opção de abortar em mães que vivem em condições de carência: previsões e consequências" e "A opção de abortar versus a opção de ter o bebé durante a adolescência: previsões e consequências pessoais e sociais". É autora de inúmeras obras e de artigos científicos na temática do aborto provocado e saúde mental.

Prof. Dr. Vincent M. Rue (Florida, EUA)

Co-Director do Institute for Pregnancy Loss, uma instituição independente e sem fins lucrativos de investigação e tratamento em Jacksonville, na Florida (EUA). Exerce estas funções juntamente com a sua mulher, a Dr.ª Susan Standford-Rue.

Em 1975, doutorou-se em Desenvolvimento Infantil e Relações Familiares pela University of North Carolina. Desde há já 30 anos que pratica Psicoterapia na Faculty of California State University em Los Angeles e na United States International University em San Diego. Em 1981, o Prof. Dr. Rue contribuiu com a primeira evidência clínica do trauma pós-aborto, identificando esta condição psicológica como "Síndroma Pós-aborto" e declarando-a perante o Congresso Americano. Membro da Academia Americana de Peritos em Stress Pós-Traumático, já fez conferências nos EUA, na América do Norte e do Sul, na Europa e na Ásia. Autor de um livro e de inúmeros artigos científicos na temática do trauma pós-aborto, é o principal investigador do Projecto International Pregnancy Loss Research Project.



08 outubro 2007

Será que Portugal tem alguma coisa a aprender com a Polónia?



Será que Portugal tem alguma coisa a aprender com a Polónia?
08.10.2007, José Manuel Fernandes
Fala-se da Polónia e surgem-
nos as imagens, indestrinçáveis, dos gémeos Kaczynski. Os desmancha-prazeres da reforma institucional da União Europeia. Só que a Polónia nem começa nem acaba nos irmãos que partilham o poder em Varsóvia, um Presidente da República, o outro primeiro-ministro.
Há dois anos, quando visitei o país um mês antes das eleições que os levariam ao poder, regressei com a sensação de que o maior e mais poderoso dos novos membros da UE estava a ganhar velocidade e dava sinais de uma vitalidade que poderia fazer dele um "tigre" europeu.

E não apenas devido aos atributos do "canalizador polaco" ou da "menina do gás", os rostos das célebres campanhas de publicidade. O que me impressionara em Varsóvia, em Gdansk ou em Cracóvia haviam sido os sinais de que, por ali, se tinha uma enorme vontade de trabalhar e ter sucesso. Mais: apesar de ter assistido a uma conferência em que era indisfarçável a nostalgia dos heróis da transição democrática, retivera sobretudo palavras de esperança. Ralf Dahrendorf, por exemplo, recordara que se a Polónia tivera de atravessar o seu "vale de lágrimas" nos anos da transição do socialismo para o capitalismo, ao fazê-lo tornara--se num exemplo de "coragem e esperança".
E eis que, de regresso a uma Varsóvia em rápida transfiguração, ouvi um empresário português, Augusto Soares dos Santos, presidente do Grupo Jerónimo Martins, referir-se de novo à Polónia como um exemplo a seguir. Agora por Portugal. Na véspera, um outro português com investimentos na Polónia contara-me como, na última década, vira o país mudar e, sempre que vinha a Portugal, encontrava um país parado, acomodado e queixoso. Não apenas por causa dos governos, nossos e deles, que afinal vão e vêm, mas do dinamismo social.
O partido dos gémeos Kaczynski, que pode voltar a ganhar as eleições marcadas para o fim do mês, criou muitos problemas políticos, reabriu feridas dolorosas e tem sido incapaz de aproveitar o bom ambiente económico para reestruturar a administração pública. Só teve a virtude de romper com a corrupção endémica. O apoio de que beneficia, muito forte nas zonas rurais e entre os mais pobres, só se entende se compreendermos o peso que o passado teve e tem no imaginário dos polacos e que as duas principais referências dos gémeos - um catolicismo conservador e um nacionalismo radical - são as mesmas duas referências que permitiram à Polónia ser inúmeras vezes ocupada e retalhada mantendo a sua identidade e unidade.
Como eles não são tudo, nem são o país, a verdade é que basta um passeio sem destino pelas ruas de Varsóvia para verificar como o país não parou de evoluir nestes dois últimos anos e como Soares dos Santos tem razão ao referir-se a um clima de crescente abertura aos estrangeiros. Em contrapartida, estes têm aprendido a investir na Polónia, país que hoje atrai muitas empresas portuguesas - para além da Jerónimo Martins, há presenças fortes do BCP, da Martifer e da Mota Engil, por exemplo -, os grandes grupos europeus e até o capital chinês. Até a chinesa Lenovo, que tomou a divisão de computadores da IBM, a escolheu para construir a sua fábrica europeia.
Naturalmente nem tudo evolui à mesma velocidade, e se uma empregada de caixa das lojas Biedronka, a rede da Jerónimo Martins, ainda ganha pouco se tomarmos como ponto de referência Portugal (de 400 a 500 euros), ganha também pouco menos do que um médico dos serviços estatais. Ao mesmo tempo, um quadro superior é mais bem pago do que no nosso país. Mais: o crescimento económico e a emigração quase acabaram com o desemprego e, para construir as auto-estradas que a UE financia, há empresas a recorrer a imigrantes asiáticos.
Como é isto possível? Talvez porque poucos povos sofreram como os polacos nos últimos dois séculos, e nenhum sofreu tanto na II Guerra, que dizimou um quinto da população. Só que também poucos se reergueram tantas vezes, e nenhum o fez de forma a abrir a brecha que faria ruir o mundo comunista. Terem atravessado tantos "vales de lágrimas" e de novo estarem a mostrar que estão vivos, inquietos e determinados, fazendo com que vozes tão distintas os vejam como exemplo a seguir, permite aos polacos terem, pelo menos, direito a que lhes concedamos o direito de tratar dos seus problemas políticos, sem pressões externas. E que se acrescente algum granum salis às sentenças definitivas sobre o significado e as consequências da emergência dos gémeos Kaczynski. Olhemos antes para como mais este país nos pode ultrapassar.

20 setembro 2007

Paradoxos? (Ou distracção fatal)


No Público de ontem, na coluna do "sobe e desce" sai a noticia de que o Presidente polaco e o Primeiro -Ministro (os "gémeos Kaczynski") vetaram a iniciativa da União Europeia de instituir um dia contra a pena de morte, propondo em alternativa um dia a favor da vida.

Diz o articulista que isso quereria dizer "a condenação da eutanásia e do aborto".

Pois é. E então?



Preferiam

"um dia contra a pena de morte excepto se for doente, idoso ou embrião de xx semanas" (preencher xx com o número aleatório da legislação de cada estado).


14 agosto 2007

Poesia de uma jovem do bairro da Calabaceira, Cabo Verde




Procuro uma frase entre as vozes
Um olhar nos sorrisos,
Um jeito nos abraços;
Procuro uma vida no Tempo
Eu mesma esquecida
De uma Saudade perdida.

(No fim de uma sessão do Clube de Leitura do Projecto Cabo Verde.)

10 agosto 2007

Recado aos abstencionistas portugueses


«Activista chinês de Tiananmen libertado
após 18 anos de prisão»


(No Público hoje)

Não posso deixar de me lembrar dos milhões de portugueses que não costumam votar... 18 anos na prisão por simplesmente defender e querer a liberdade no seu país,
simplesmente por se ter manifestado em público ...

E há quem não vote por simples comodismo! Ou vote de olhos fechados.



31 julho 2007

Termina o mito da guerra "religiosa" na Irlanda


"Ao fim de 38 anos, o Exército britânico conclui missão na Irlanda do Norte", diz o Publico hoje.


Blair pode ser recordado por algumas coisas mais (i)mediáticas, mas esta é seguramente uma que fica na história: o sucesso da negociação para terminar com o horror da guerra civil.

29 julho 2007

Voluntariado

Estudantes universitárias e jovens profissionais, em regime de voluntariado, integradas num projecto de cooperação na ilha de Santiago, Cabo Verde.

Pormenores do Projecto na entrevista televisiva (SIC) aqui;
ou no Semanário Sol, aqui.