Jornal de Negócios

18 dezembro 2007

O 11 de Setembro sempre deu (algum) resultado



No dia 12 de dezembro passado o Congresso dos EUA votou contra uma resolução do Senado destinada a recordar o conteúdo histórico da época natalícia. Votaram contra os mesmos deputados (com excepção de um) que tinham aprovado uma resolução similar, em Outubro passado, para honrar o início do período do Ramadão. (N Y Times, 18 Dez 2007)

(Não será medo, é mais receio...)

17 dezembro 2007

É possível a educação neutra?



Artigo de Camilla Cavendish, no The Times:

Esta senhora inglesa que foi uma das militantes da educação "neutra" explica porque é que mudou de ideias (Times online, 22 Nov 2007):

(...) «
A análise do estudo Millennium Cohort Study, que envolveu 18 500 bebés nascidos entre 2000 e 2001, diz-nos que o nível de educação, de rendimentos e de idade (quanto maiores, melhor) são factores que pesam na previsão da estabilidade do casal. Mas a variável que é o maior preditor de se o casal vai permanecer unido, ou não, é o facto de estarem efectivamente casados. Metade das uniões de facto (metade), estão dissolvidas antes do 5º aniversário do filho.

Os casais que estão nos 20% mais ricos dentre as uniões de facto têm uma taxa de separação equivalente à dos casados que estão nos 20% mais pobres. Embora a pobreza seja um factor muito forte de desgaste, o casamento, por si só, apresenta uma percentagem de estabilização muito forte.»

Pois é, a realidade é bastante impertinente. Até as empresas já começam a levar isto em consideração.

14 dezembro 2007

O processo de domesticação dos médicos começa cedo


De um comentário no blogue 'culpa do médico', acerca do exame de entrada na especialidade dos jovens recém-licenciados:
(...) « Foi inacreditável o que se passou! Sinto-me revoltada... melhor... furiosa com a trafulhice que foi este exame! Eu estive no anfiteatro 2, em Campo de Santana e nem consigo descrever o que se passou! Era um anfiteatro com capacidade para 140 e foi preenchido com pouco menos do que 130 pessoas (isto porque faltaram alguns). Ainda o exame não tinha começado já estava um fulano do concurso B de barbas brancas a perguntar à colega que estava ao meu lado se podia copiar por ela dizendo que não havia problema algum porque, como ele era doutro concurso não ia tirar nenhuma vaga à colega!!! Depois... Quando começámos o exame, foi um circo! Até uma das próprias vigilantes pediu para que não fossem todos "tão" indiscretos! Como se não bastasse... HOUVE UMA FULANA QUE PASSOU O EXAME TODO A CONSULTAR O HARRISON DE BOLSO... FOI APANHADA E APENAS REPREENDIDA!!!!!!!!!!!!!!!!! "- O EXAME NÃO É COM CONSULTA" SEM QUE MAIS NADA FOSSE FEITO!!! isto é verídico!!!!!!!!!!!!!!! como é possível?!?!!?!!!!!?!!!!?!!!? No fim do exame as folhas de resposta demoraram uns bons 10 minutos a chegar à mãos dos vigilantes porque iam literalmente descendo em molhos de mão em mão, ao longo de cada coluna, e amíude paravam nas mãos de pessoas que se punham a confirmar as suas próprias respostas!!!!!!!!!!!!!»
(...)




10 dezembro 2007

Comichão (no ouvido)


[...]
«Perante a desolação no distrito da Guarda, em que é cada vez mais rara a presença de crianças e jovens, o Presidente da República questionou o país porque é que os casais portugueses têm cada vez menos filhos referindo que «Eu não acredito que tenha desaparecido dos portugueses o entusiasmo de trazer vidas novas ao mundo». [...]

A resposta aqui e aqui.

Mais uma reportagem (DN) aqui.

07 dezembro 2007

Já se percebeu qual vai ser o próximo referendo ...


Carta aberta ao Ministro das finanças

«Exmo. Senhor Ministro das Finanças
Victor Lopes da Gama Cerqueira, cidadão eleitor e contribuinte deste País, com o número de B.I . 8388517, do Arquivo de identificação de Lisboa, contribuinte n.º152115870 vem por este meio junto de V.Ex.a para lhe fazer uma proposta:


A minha Esposa, Maria Amélia Pereira Gonçalves Sampaio Cerqueira, foi vítima de CANCRO DE MAMA em 2004, foi operada em 6 Janeiro com a extracção radical da mesma.

Por esta "coisinha" sem qualquer importância foi-lhe atribuída uma incapacidade de 80%, imagine, que deu origem a que a minha Esposa tenha usufruído de alguns benefícios fiscais.

Assim, e tendo em conta as suas orientações, nomeadamente para a CGA,
que confirmam que para si o CANCRO é uma questão de somenos importância.

Considerando ainda, o facto de V. Ex.ª, coerentemente, querer que para o ano seja retirado os benefícios fiscais, a qualquer um que ganhe um pouco mais do que o salário mínimo, venho propor a V. Ex.ª o seguinte:

a) a devolução do CANCRO de MAMA da minha mulher a V. Ex.ª que, com os meus cumprimentos o dará à sua Esposa ou Filha.

b) Concomitantemente com esta oferta gostaria que aceitasse para a sua
Esposa ou Filha ainda:

c) os seis (6) tratamentos de quimioterapia.

d) os vinte e oito (28) tratamentos de radioterapia.
e) a angustia e a ansiedade que nós sofremos antes, durante e depois.

f) os exames semestrais (que desperdício Senhor Ministro, terá que
orientar o seu colega da saúde para acabar com este escândalo).

g) ansiedade com que são acompanhados estes exames.

h) A angústia em que vivemos permanentemente.


Em troca de V. Ex.ª ficar para si e para os seus com a doença da minha
Esposa e os nossos sofrimentos eu DEVOLVEREI todos os benefícios fiscais de que a minha Esposa terá beneficiado, pedindo um empréstimo para o fazer.

Penso sinceramente que é uma proposta justa e com a qual, estou certo,
a sua Esposa ou filha também estarão de acordo.

Grato pela atenção que possa dar a esta proposta, informo V.Ex.a que
darei conhecimento da mesma a Sua Ex.ª o Presidente da República, agradecendo fervorosamente o apoio que tem dispensado ao seu Governo e a medidas como esta e também o aumento de impostos aos reformados e outras...

Reservo-me ainda o direito (será que tenho direitos?) de divulgar esta
carta como muito bem entender.

Como V. Ex.ª não acreditará em Deus (por se considerar como tal...) e
por isso dorme em paz, abraçando e beijando os seus, só lhe posso desejar que Deus lhe perdoe, porque eu não posso (jamais) perdoar-lhe. » Atentamente 19/Outubro/2007 Victor Lopes da Gama Cerqueira


Os "códigos" do Opus Dei (again ...)


A Sábado publicou (mais) uma reportagem sobre o Opus Dei. Como não traz nada de novo (no fundo parece que o "problema" é mais o desconhecimento do que seja a doutrina católica), anexo apenas o link e o comunicado dos serviços de informação do Opus Dei em Portugal.

http://www.opusdei.pt/art.php?p=25732

A greve


(...)
«há mais dignidade cívica nos grevistas do que naqueles que se queixam por tudo o que é recanto discreto ou anónimo dos males da governação Sócrates e não têm coragem para alto e bom som dizer o que pensam e sofrer as consequências.»

Pacheco Pereira, Publico, 01 Dez 2007
(...)
«Muitos milhares de portugueses vão perder um dia do seu magro salário para protestar, por uma multiplicidade de motivos, e mesmo que os cínicos digam que na realidade estão apenas a comprar mais um dia de fim-de-semana, é absurdo e arrogante tratá-los com o desprezo que circula pelos discursos sobre a greve e que se tornaram habituais nos nossos dias.»
(...)
«A arrogância e o desprezo pelas greves está muito para além da discordância com os seus objectivos, é uma manifestação antidemocrática e mais uma, entre muitas, manifestações do tardo-salazarismo inscrito no nosso espaço público e que abomina o conflito como se fosse um mal, e que deseja um mundo sem ondas e sem confrontos, onde os negócios prosperem sem complicações, em que uma mediocridade remediada seja a regra para todos e onde a ausência de escrutínio e vigilância democrática decorrem do peso abafador dos consensos. Um pouco como já acontece com a "Europa".»
(...)
«Mas, a realidade que mobiliza os grevistas é incontornável e tem a ver com o empobrecimento dos portugueses. Com a excepção de muito poucos, a maioria dos portugueses estão mais pobres e não tem qualquer esperança sobre o seu futuro. Cada vez mais ameaçados pelo desemprego, pela perda de poder de compra, pelo peso esmagador do fisco, o sentimento e a realidade do empobrecimento atinge as pessoas, as famílias e as empresas. Todas as estatísticas revelam esta crise, e todos os dias saem novas estatísticas mostrando o mesmo caminho: menos "desenvolvimento humano" (um agregado da ONU de vários indicadores), mais desemprego, aumento da inflação, quebra de poder de compra dos salários, menos confiança dos consumidores e dos empresários, mais penhoras, falências, dívidas incobráveis, e os sinais de perturbação social no aumento da criminalidade.»
(...)
«Quando tudo isto é recebido por manobras comunicacionais e spin do Governo e dos seus apoiantes, transformando sinais de empobrecimento e estagnação em sinais de que se vai no "rumo certo"; quando a oposição do PSD continua muda e calada quando não ao lado do Governo, às claras ou às escondidas, a negociar tudo e todos, com meio mundo; quando mesmo os cínicos habituais do jornalismo ficam estranhamente apáticos e complacentes; quando numa sociedade em que as dependências e a precariedade são tantas que poucas vozes são efectivamente livres, apoucar os grevistas de hoje é ser parte da pasmaceira colaboracionista em que nos atolamos.» (...)

Mário Soares e as mulheres ...



«Ao que dizem, presidiu o dr. Mário Soares esta semana a um curioso colóquio sobre "A mulher nas religiões".

Não que o assunto em si mereça a mais remota crítica. Toda a gente tem o direito de falar do que lhe apetecer. Mas, pelo jornais, parece que tanto o dr. Mário Soares como, por assim dizer, os "coloquiantes", penetrados pelo justo e meritório princípio da igualdade de género, criticaram duramente o papel da mulher no cristianismo e no judaísmo (no islamismo, pelo menos directamente, ninguém tocou).

O dr. Mário Soares, por exemplo, citando a Bíblia em seu apoio (a notícia não especifica a passagem), lamentou que a mulher fosse considerada propriedade do homem. E a sra. dra. Manuela Augusta, do PS, declarou que, ao "discriminar a mulher", "um grande número de religiões pregou em vão, agiu de má-fé" e "desrespeitou o sagrado e o divino".

É sem dúvida lamentável que a gente que escreveu o Antigo Testamento entre o século X e o século II a.C. não conhecesse e privasse com o dra. Augusta e o dr. Mário Soares, para vantagem da humanidade e da correcção política.

Sobretudo, como hoje se constata, a ausência da dra. Augusta (e do PS) foi trágica. Nem Jesus se conseguiu salvar da catástrofe, embora o dr. Soares, tentando apaziguar as coisas, admitisse que o Novo Testamento "adoçou um pouco a imagem da mulher" e a dra. Vilaça, socióloga, simpaticamente observasse que, no catolicismo, o "culto mariano e a importância" da figura da mãe compensavam "de certa forma" a notória perversidade de Roma. Estas consolações não comoveram a audiência.


Em desespero de causa, o teólogo Bento Domingues, deste jornal, resolveu garantir que, na tradição da sua Igreja, "o cristianismo é uma invenção de mulheres, seduzidas por um Cristo feminista".

Por abjecta ignorância (e reverência), não me atrevo a discutir com frei Bento uma tese tão inquietante. Só sei que nem esta ideia radical abalou a dra. Augusta. A dra. Augusta "não fica descansada" lá porque a mulher "é enaltecida" em "textos religiosos". De maneira nenhuma. Como presidente do Departamento das Mulheres Socialistas, uma seita temível, não descansa enquanto não corrigir em pessoa, e em assembleia geral, os "textos religiosos" que por aí andam a pregar, com insídia, a supremacia do homem.

Para terminar o colóquio numa nota alegre, o dr. Mário Soares confessou que se Deus de facto existir lhe dirá, como Mitterrand: "Afinal existes." Gostaria de prevenir o dr. Mário Soares que, se Deus de facto existir, Mitterrand tratou provavelmente com outra Entidade.» In Publico, 30-11-2007

AFRICA (aqui tão perto)


A pobreza de África e os limites do altruísmo

Público, 07.12.2007, José Manuel Fernandes

Mais, muito mais do que ajudar África a não morrer de fome, há que dar a África a oportunidade de "aprender a pescar", isto é, a criar riqueza.

Para abrir um negócio na Serra Leoa é necessário gastar o equivalente a 13 vezes o produto nacional per capita. Ou seja, só para tratar da burocracia (e da corrupção) é necessário gastar o equivalente a 13 anos de rendimento médio. Isto num país onde a esperança de vida é inferior a 40 anos. E que é um dos mais pobres do mundo.


Mas se olharmos para Singapura, ou para Hong Kong, ou Taiwan, ou a Coreia do Sul, encontramos, em contrapartida, sociedades e economias que experimentaram, como a Serra Leoa e a maior parte dos países da África subsariana, regimes coloniais, guerras devastadoras e, teoricamente, relações de troca desfavoráveis com a Europa (o continente das antigas potências coloniais) ou com o resto do mundo desenvolvido, como os Estados Unidos ou a Austrália, duas ex-colónias que, no pós-guerra, se bateram pelo princípio da autodeterminação dos povos.

Há seis décadas, a riqueza média por habitante desses países era idêntica. Hoje, um habitante de Singapura ou Hong Kong (onde não há minas de diamantes) beneficia de um rendimento médio cerca de 50 vezes maior do que o de um cidadão da Serra Leoa, ou de Moçambique, ou do Zimbabwe. (...)

27 novembro 2007

É preciso fazer um desenho?


O Presidente da República espantou-se com o deserto demográfico que encontrou na Guarda e, aparentemente, não percebe as causas do problema. Diz S. Ex.a que não acredita que "tenha desaparecido dos portugueses o entusiasmo de trazer vidas novas ao mundo".

Eu, com todo o respeito que me merece o Presidente da República e a sua inteligência, diria que sua Ex.a continua com o mau hábito de não ler os jornais (coisa que ele próprio confessou aqui há uns anos atrás).

Se não, saberia que em Portugal se pode deduzir no IRS um computador pessoal ou uma set-top box para acesso á internet, mas não as despesas básicas com a criação e educação dos filhos. Ou seja, os portugueses não têm filhos porque o Estado os impede - pela via fiscal - de ter filhos.

Ter filhos em Portugal é considerado um sinal exterior de luxo e, como tal, castigado (nos impostos, nas taxas do IMI, nas tarifas da água, etc.)

O Senhor Presidente já terá por acaso assinado a petição contra a discriminação dos pais casados ou viúvos? Ainda está a tempo de acordar!

Como é um homem de grande pragmatismo económico, venho respeitosamente sugerir-lhe que use o site da Direcção Geral das Contribuições e Impostos para perceber do que estou a falar. Ou que ouça o próprio Ministro das Finanças que foi obrigado a reconhecer a clara situação de injustiça e discriminação a que os casais (casados) portugueses com filhos estão submetidos.

O preconceito é tão forte que nem por verem a Segurança Social afundar-se reagem. No entanto a OCDE já avisou há muito: sem gente, não há desenvolvimento. E o que pode vir aí, para conseguir o controlo orçamental, pode ser ainda pior.

22 novembro 2007

O HIV não é uma das (cerca de 30) infecções de transmissão sexual?




Do Público de 20-11-2007:

(...)
«No topo da lista, com 8925 novas infecções de VIH detectadas no ano passado, surge o Reino Unido, que se mantém como um dos países da Europa Central e Ocidental onde o HIV/sida tem mais prevalência, tendo os novos casos da doença duplicado de 2001 para 2006. Este aumento deve-se essencialmente às novas infecções entre os homens com relações homossexuais e a um aumento do diagnóstico de mulheres e homens heterossexuais que contraíram o vírus em países com elevados níveis de prevalência da doença, sobretudo na África sub-saariana e nas Caraíbas. Portugal, com 2162 novas infecções por HIV, surge nesta lista em quarto lugar, depois do Reino Unido, França e Alemanha. Em todos os outros países da Europa Ocidental o número de novos diagnósticos é menor e as novas infecções apenas excedem as mil na Holanda.»
(...)

21 novembro 2007

Portugal tem a mais baixa taxa de natalidade da UE


Conseguiram!!


«A taxa de natalidade passou de 28% em 1935 para 10% em 2006.

Ou seja, praticamente três vezes menos, o que significa que não está a ser feita a renovação de gerações, o que só é possível com 2,1 crianças por mulher.


Para Mariano Ayala, médico de saúde pública do Hospital de Faro, uma média de 1,36 filhos por mulher em idade fértil é "sintoma de uma sociedade doente", considerando que "a sociedade portuguesa um comportamento suicida generalizado".


Mariano Ayala justifica a quebra de natalidade com a falta de apoio para os pais e crianças. E a consequência é que "Portugal, com os portugueses de hoje, vai ter tendência a desaparecer", disse à agência Lusa.»
(no DN de 19 de Nov de 2007)