Jornal de Negócios

06 agosto 2008

Fugir do congelador (leituras vadias para férias)


Tradução livre (muuuuito livre e com links da minha responsabilidade ...) de «Momentos en el freezer», do arquitecto argentino Gabriel Mario Castagneto.


Ainda não nos esquecemos do que sentiram e viveram as pessoas (tantas ...) que foram detidas em campos de concentração nazis. Fica-se preso ao que nos conta, em primeira pessoa, o psiquiatra e médico neurologista vienense Victor Frankl, o preso número 119.104 de Auschwitz.

Mas não é disto que quero falar. Reparem no seguinte: aquelas pessoas, passaram grande parte da sua vida à espera. À espera da libertação, que é o que todo o preso espera, como se sabe, por exemplo, dos relatos do vietnamita-francês, François Nguyen van Thuan, que nos deixou a sua experiência de 13 anos em cadeias da Coreia do Norte. Treze anos preso, dos quais 9 na solitária, onde escreveu aquele livro espantoso de optimismo (O Caminho da Esperança) em pequenas folhas de calendário, trazidas às escondidas.




Mas retomemos a nossa questão. Pensem no seguinte: no momento em que a Guerra acabou, com a fuga dos nazis dos campos de concentração, todas aquelas pessoas passaram, de repente, a poder mover-se. A poder sair, ir para fora do campo, ir-se embora, recomeçar a sua vida.

Quiseram reencontrar a sua terra, a casa, os parentes, os amigos. No momento da sua detenção, todas as imagens importantes das suas vidas, os seus afectos, os seus sonhos, tinham ficado como que congeladas, no coração e na mente, até que chegou a libertação. Mas a verdade é que ... quase não encontraram nada. Muitas das pessoas relevantes da sua vida, já tinham morrido, ou mudado de sítio, ou simplesmente tinham-nos considerado mortos e ausentaram-se para parte desconhecida. As circunstancias do mundo tinham mudado tanto, que esses momentos congelados na memória, esfumavam-se no cinzento do passado.

A frustração era imensa. Toda a força das recordações, que os tinha mantido vivos durante a prisão e a tortura, desaparecia agora que estavam em liberdade.»

(continua no proximo post...)

31 julho 2008

aumento dos litígios nos Tribunais de Família




«Agentes da justiça alarmados com aumento previsível da litigância com nova legislação



«Em muito tribunais teme-se o aumento da litigância com a entrada em vigor da nova lei do divórcio. O diploma foi para as mãos do presidente da República na semana passada e muitos defendem que Cavaco deve vetá-lo.


Segundo apurou o JN, são muitos os juízes de tribunais de Norte a Sul do país, nomeadamente de Família e Menores, bem como procuradores, advogados e professores de Direito que se preparam para, em conjunto, solicitar ao Presidente que devolva a lei ao Parlamento.


O argumento central é que o novo regime vai aumentar substancialmente a litigância nos tribunais, com prejuízo para as partes mais desprotegidas.» (...)

28 julho 2008

A vida é feita de contrastes


Um estudo publicado na revista científica Cancer conclui que as mulheres que têm melhor massa óssea (isto é, menor risco de vir a ter osteoporose) têm mais risco de vir a sofrer de cancro da mama.
Os autores sublinham que é necessário estudar melhor estes dados e confirmar os achados.

19 julho 2008

industria do luxo marca pontos


O Sexo e a Cidade

(...)
«Estas personagens não se interessam pela política, nem perdem minutos de sono a pensar em direitos e deveres. Nunca aparecem a ler um livro (quando muito, a folhear revistas) e embora se imagine que trabalham, nunca falam de assuntos profissionais (realmente só falam de roupa e de homens, e destes, como se fossem carroceiros...talvez devido à igualdade). A única libertação que desejam chega-lhes pela via do consumo: quando têm qualquer contratempo, doença ou dificuldade, vão às compras! E o próprio filme chega a converter-se num enorme catálogo de publicidade: carros, roupa, móveis de design, sapatos, acessórios, viagens e hotéis. Uma revista monumental de 140 minutos, com centenas de anúncios inseridos em fotogramas com tudo o que parece necessário para uma pessoa ser feliz, ou pelo menos, para não pensar (sinónimos, no filme). Em resumo: frivolidade elevada à máxima potência! E o paradoxo: converter a mais feroz e evidente tirania, a do consumismo compulsivo, num símbolo de libertação!» (...)

13 julho 2008

Harmonia entre vida (familia) e trabalho

Para conseguir que a conciliação trabalho-família seja realmente possível é necessária a implicação dos governantes e dos legisladores, a flexibilidade a as boas práticas dos empresários e o esforço das famílias. Mas acima de tudo, a nossa própria vontade de melhorar a realidade em que vivemos; sermos donos do nosso destino, conseguindo um equilíbrio harmónico entre o que damos e o que recebemos da sociedade.

Dito por uma das mulheres que está no top-ten do mundo dos estudos sobre empresas e empreendedorismo. Speaker na conferencia do Trinity College (esse mesmo, onde esteve S. Beckett) sobre Mulheres e Ambição. Esteve em Portugal, na Universidade do Minho, durante a 1ª Convenção Nacional sobre Família.

Dentre as suas múltiplas publicações, o livro "Dueños de nuestro destino" resume de uma forma prática, acessível a não profissionais de gestão, as questões básicas da harmonia trabalho-vida (termo que a autora diz preferir a "trabalho-família").

07 julho 2008

Verso e reverso



Amy Wynehouse tem uma doença pulmonar grave, como consequencia do consumo de drogas e tabaco. O pai de Amy refere que a doença não só a poderá matar, como acabará por lhe limitar a voz: "Rezamos para que Amy queira realmente preservar a sua voz".

Após um período de tratamento, Amy parece estar decidida a não regressar ao mundo das drogas. A questão parece ser os amigos de que anda rodeada.

04 julho 2008

O carro electrico (no DN)


O CARRO ELÉCTRICO, João Miranda, investigador em biotecnologia, (No DN, sábado 21 de Junho de 2008)


«José Sócrates encontrou a solução política para a crise petrolífera. Promete-nos o carro eléctrico. Sócrates já nos tinha dado a energia eólica (subsidiada), a energia solar (subsidiada), a energia das ondas (subsidiada) e os biocombustíveis (subsidiados). Como é evidente, o carro eléctrico de Sócrates será subsidiado. Os portugueses vão pagar a crise petrolífera através de petróleo mais caro e impostos mais elevados. Sócrates sonha com o carro eléctrico, como sonhou com as eólicas. O sonho será pago pelo contribuinte.

O carro eléctrico utilitário é, por enquanto, uma utopia. Não é um problema político. É essencialmente um problema técnico e económico. Os carros a bateria e as células combustíveis são tecnologias experimentais reservadas a modelos de luxo. Têm custos de desenvolvimento e de produção elevados. Mais importante, o carro eléctrico não acaba com a dependência dos combustíveis fósseis. A energia acumulada em baterias tem de ser obtida através dos processos tradicionais de produção de electricidade, como as centrais de ciclo combinado. O hidrogénio usado nas células combustíveis é produzido a partir de gás natural. Em última análise, os carros eléctricos requerem maior produção de energia a partir de fontes primárias e, actualmente, os combustíveis fósseis encontram-se entre as fontes primárias de energia mais competitivas.

O episódio do carro eléctrico ilustra bem a forma como os políticos vêem a economia e a inovação. José Sócrates não sabe, ninguém sabe, qual é a tecnologia mais adequada para substituir o petróleo. Pode ser o carro eléctrico, o etanol celulósico ou o biopetróleo. Este é um problema típico de empreendedorismo. Mas Sócrates apresenta-se como oráculo do futuro. Pretende substituir-se aos empreendedores ditando à partida qual será o resultado da competição entre tecnologias. José Sócrates já decidiu. É o carro eléctrico. Os empreendedores não percam tempo a experimentar. Sócrates acredita que a sua visão pode substituir o mercado e os empreendedores na descoberta de inovações. Não pode.|
«José Sócrates encontrou a solução política para a crise petrolífera. Promete-nos o carro eléctrico. Sócrates já nos tinha dado a energia eólica (subsidiada), a energia solar (subsidiada), a energia das ondas (subsidiada) e os biocombustíveis (subsidiados). Como é evidente, o carro eléctrico de Sócrates será subsidiado. Os portugueses vão pagar a crise petrolífera através de petróleo mais caro e impostos mais elevados. Sócrates sonha com o carro eléctrico, como sonhou com as eólicas. O sonho será pago pelo contribuinte.

O carro eléctrico utilitário é, por enquanto, uma utopia. Não é um problema político. É essencialmente um problema técnico e económico. Os carros a bateria e as células combustíveis são tecnologias experimentais reservadas a modelos de luxo. Têm custos de desenvolvimento e de produção elevados. Mais importante, o carro eléctrico não acaba com a dependência dos combustíveis fósseis. A energia acumulada em baterias tem de ser obtida através dos processos tradicionais de produção de electricidade, como as centrais de ciclo combinado. O hidrogénio usado nas células combustíveis é produzido a partir de gás natural. Em última análise, os carros eléctricos requerem maior produção de energia a partir de fontes primárias e, actualmente, os combustíveis fósseis encontram-se entre as fontes primárias de energia mais competitivas.

O episódio do carro eléctrico ilustra bem a forma como os políticos vêem a economia e a inovação.

José Sócrates não sabe, ninguém sabe, qual é a tecnologia mais adequada para substituir o petróleo. Pode ser o carro eléctrico, o etanol celulósico ou o biopetróleo.

Este é um problema típico de empreendedorismo. Mas Sócrates apresenta-se como oráculo do futuro. Pretende substituir-se aos empreendedores ditando à partida qual será o resultado da competição entre tecnologias.

José Sócrates já decidiu. É o carro eléctrico.

Os empreendedores não percam tempo a experimentar. Sócrates acredita que a sua visão pode substituir o mercado e os empreendedores na descoberta de inovações. Não pode.»

seismic shift (células primordiais)


Foi com esta designação - convulsão sísmica - que a revista Science deu conta da mudança de linha na investigação sobre células primordiais.

Os cientistas S. Yamanaka e James Thompson descobriram que a inclusão de três ou quatro genes promotores das características do estado embrionário, em qualquer célula madura do organismo humano adulto, dá lugar à sua transformação em célula embrionária, ou muito semelhante à embrionária natural.

Isto é, descobriram como reprogramar uma célula adulta, fazendo-a regridir às origens mais indiferenciadas da sua estirpe.

Os genes que mantêm na célula embrionária natural a sua «plasticidade» (isto é, a capacidade de se transformar em qualquer tipo de célula do organismo, do fígado, cérebro, pele, etc.) e a sua «imortalidade» (ou seja, uma ininterrupta capacidade de se multiplicar no tempo) são capazes - introduzidos numa célula adulta - de a fazer regredir ou devolvê-la ao estado embrionário.

Entrevistado pelo New York Times (11-12-2007), Yamanaka afirmou decididamente o propósito ético das suas investigações:

«Quando vi o embrião [ao microscópio], rapidamente me dei conta que havia pouca diferença entre ele e as minhas filhas» e «então pensei que não podia permitir-me destruir embriões para investigar. Tinha que haver outra possibilidade».

(noticia completa aqui e aqui)





01 julho 2008

Nobel da Economia: a familia como motor de desenvolvimento


Gary Stanley Becker, prémio Nobel da Economia (1992): a família é a base da economia.

Becker parte de três conceitos básicos da economia:

  1. Os agentes económicos: pessoas e organizações que procuram trocar entre si bens e serviços;
  2. O mercado: lugar onde se realizam as trocas entre os agentes;
  3. Os factores de produção (terra, trabalho e capital): aquilo com que se produzem os bens.
E por que é que se produzem bens e se trocam? Porque as pessoas sentem necessidades e procuram satisfazê-las obtendo esses bens. O facto de valorizarem esses bens, cria a "riqueza", o valor.

Mas como os recursos são limitados (ao contrário das necessidades que não têm limite), a sociedade procura tornar mais eficiente o processo de produção e troca de bens e serviços.
É aqui que a família, como organização humana básica e fundamental, pode contribuir para que essa eficiencia se torne operativa.

De facto, há ainda um outro factor de produção, importantíssimo, o capital humano, isto é, as pessoas e a sua capacidade de inovar e agir.

  1. A família faz um grande investimento em capital humano. É feito pelos pais quando, por exemplo, investem nos filhos em áreas como a saúde e a educação. É um enorme investimento, com um retorno muito pequeno se considerarmos apenas a dimensão económica. De facto, para este nível de "rentabilidade" só mesmo os pais têm coragem para investir. Nem os governos, nem as empresas se atreveriam. Este investimento é tão pesado que geralmente implica o desinvestimento noutras áreas: turismo, automóveis, lazer, etc. Segundo Becker, os pais conseguem investir neste "capital de risco" porque são "altruístas", isto é, para eles o altruismo é um valor superior.
  2. A sociedade não cresce nem se desenvolve se não investe em capital humano. Se os pais não se interessassem pelo bem-estar dos filhos, não teria havido - por exemplo - a entrada em massa de jovens na Universidade. Do ponto de vista estritamente financeiro e imediato, teria sido mais "rentável" pô-los a trabalhar ...
A partir deste tipo de observações, Becker sustenta o carácter essencial da família para as economias saudáveis e sustentáveis. É este nexo positivo família-economia que também requer o casamento, como instituição de estabilidade que permite o crescimento saudável dos filhos.

Porque sem filhos, não há pessoas, ou seja sem capital humano, não se gera riqueza. O Brasil , por exemplo, tem algumas iniciativas nesta área.
Sem familias numerosas não é possível combater a pobreza, atreve-se a sustentar este Nobel.

20 junho 2008

fatal com' ò destino

«Centro de saúde afirma que o 112 foi chamado por três vezes
Criança atropelada em Beja foi para hospital em carro de médico por falta de ambulância »
20.06.2008 - 16h39 Lusa,
aqui no
Publico
(...)

«o Centro de Saúde de Beja "não falou directamente com o CODU" porque tal "não faz parte do protocolo". "Tal como está protocolado, ligámos para o 112, que é a entidade que estabelece a ligação com o CODU", à qual, "por sua vez, compete accionar os meios de socorro e emergência necessários", sublinhou Edite Spencer, que disse já ter dado conhecimento do caso, "oralmente e através de ofício escrito", à Administração Regional de Saúde do Alentejo»

E o comentário de uma leitora:

20.06.2008 - 17h33 - Rosa Ferro, Porto
«Ninguém quer assumir que um Centro de Saúde não é o local próprio para ter doentes urgentes. O INEM (tal como noutros pontos do país), faz de conta que o doente já está encaminhado e o Centro de Saúde que se desenrasque. É pena, é lamentável, mas é quase como a praxe: todos os anos morre gente na praxe, mas a praxe continua. Pois é ...»

"Coerencias"


A Ministra da Igualdade do governo espanhol dá uma entrevista ao diário "El País", onde entre outras coisas diz que "a prostituição rebaixa a mulher até ao último extremo". O referido diário tem nas suas páginas contactos explícitos para prostituição.


Possivelmente também publicarão notícias sobre a "violência de género".

Algo assim como os dealers da droga terem pena dos toxicodependentes.

Pois.

18 junho 2008

Realismo

Em Maio de 2008, 9 meses depois de lhe ter sido identificada uma doença mortal, e 3 meses depois do prazo provável de morte, o Professor Randy Pausch discursa na cerimónia de graduação dos alunos da Universidade onde trabalhou.






«Não é o que se faz na vida que importa, é o que se deixou de fazer. Descubram qual a vossa paixão na vida e sigam-na. Mas não a procurem nas coisas, nem no dinheiro. Uma aritmética elementar dir-vos-á que sempre haverá alguém que tem mais do que vós. Procurem a vossa paixão nas pessoas.» «Os muros não existem para nos conter. Os muros existem para conter as pessoas pouco interessadas. Para os empenhados, o muro é o sinal do seu empenho.»


"Beber a vida como se fosse água, encarar a morte como se fosse vinho"



04 junho 2008

pensar, é preciso



«O que a pandemia do VIH/Sida tem de diferente é a circunstância de se espalhar numa altura em que o conceito de direitos humanos está bem presente e quando já não é politicamente possível decidir pela simples exclusão das pessoas infectadas, como aconteceu historicamente com outras epidemias»

Tese publicada pela professora de direito, Maria do Céu Rueff Negrão, segundo a noticia do semanário SOL.

O segredo médico como garantia de não discriminação. Estudo de caso HIV/SIDA: a infecção pelo VIH é «uma condição necessária mas não suficiente de transmissão da doença, a qual só acontecerá em face de comportamentos não seguros, envolvendo portadores de vírus».

Lembram-se do cozinheiro despedido por ser seropositivo? A verdade é que é uma atitude inútil.

«Não há grupos de risco, mas sim comportamentos de risco». É inútil discriminar as pessoas por se saber que são seropositivas. Além de inútil, cria uma falsa segurança que apenas facilita a disseminação da doença.

Se a discriminação existir e disso os doentes tiverem consciência, estes fugirão do sistema de saúde, permitindo à infecção crescer sem limites.

Se cabe ao doente escolher se revela ou não que está infectado aos familiares, amigos, colegas ou simples conhecidos, o mesmo não acontece com o médico que o assiste e acompanha na doença.

Por esta razão, é tão especial a relação médico-doente com VIH. Para Maria do Céu Rueff, o médico deve conduzir o doente a uma atitude responsável, a qual passa por avisar os parceiros da sua doença.

Na sua tese, a professora de direito afirma que «o doente confia a sua verdade ao médico porque acredita que isso é fundamental para o diagnóstico da sua doença».

«Trair essa confiança e utilizar tal verdade para outros fins, revelando-a, sem o consentimento do próprio doente, é trair a base em que assenta a própria relação médica», lê-se no documento.