
Tradução livre (muuuuito livre e com links da minha responsabilidade ...) de «Momentos en el freezer», do arquitecto argentino Gabriel Mario Castagneto.
Ainda não nos esquecemos do que sentiram e viveram as pessoas (tantas ...) que foram detidas em campos de concentração nazis. Fica-se preso ao que nos conta, em primeira pessoa, o psiquiatra e médico neurologista vienense Victor Frankl, o preso número 119.104 de Auschwitz.
Mas não é disto que quero falar. Reparem no seguinte: aquelas pessoas, passaram grande parte da sua vida à espera. À espera da libertação, que é o que todo o preso espera, como se sabe, por exemplo, dos relatos do vietnamita-francês, François Nguyen van Thuan, que nos deixou a sua experiência de 13 anos em cadeias da Coreia do Norte. Treze anos preso, dos quais 9 na solitária, onde escreveu aquele livro espantoso de optimismo (O Caminho da Esperança) em pequenas folhas de calendário, trazidas às escondidas.
Mas retomemos a nossa questão. Pensem no seguinte: no momento em que a Guerra acabou, com a fuga dos nazis dos campos de concentração, todas aquelas pessoas passaram, de repente, a poder mover-se. A poder sair, ir para fora do campo, ir-se embora, recomeçar a sua vida.
Quiseram reencontrar a sua terra, a casa, os parentes, os amigos. No momento da sua detenção, todas as imagens importantes das suas vidas, os seus afectos, os seus sonhos, tinham ficado como que congeladas, no coração e na mente, até que chegou a libertação. Mas a verdade é que ... quase não encontraram nada. Muitas das pessoas relevantes da sua vida, já tinham morrido, ou mudado de sítio, ou simplesmente tinham-nos considerado mortos e ausentaram-se para parte desconhecida. As circunstancias do mundo tinham mudado tanto, que esses momentos congelados na memória, esfumavam-se no cinzento do passado.
A frustração era imensa. Toda a força das recordações, que os tinha mantido vivos durante a prisão e a tortura, desaparecia agora que estavam em liberdade.»
(continua no proximo post...)
Ainda não nos esquecemos do que sentiram e viveram as pessoas (tantas ...) que foram detidas em campos de concentração nazis. Fica-se preso ao que nos conta, em primeira pessoa, o psiquiatra e médico neurologista vienense Victor Frankl, o preso número 119.104 de Auschwitz.
Mas não é disto que quero falar. Reparem no seguinte: aquelas pessoas, passaram grande parte da sua vida à espera. À espera da libertação, que é o que todo o preso espera, como se sabe, por exemplo, dos relatos do vietnamita-francês, François Nguyen van Thuan, que nos deixou a sua experiência de 13 anos em cadeias da Coreia do Norte. Treze anos preso, dos quais 9 na solitária, onde escreveu aquele livro espantoso de optimismo (O Caminho da Esperança) em pequenas folhas de calendário, trazidas às escondidas.

Mas retomemos a nossa questão. Pensem no seguinte: no momento em que a Guerra acabou, com a fuga dos nazis dos campos de concentração, todas aquelas pessoas passaram, de repente, a poder mover-se. A poder sair, ir para fora do campo, ir-se embora, recomeçar a sua vida.
Quiseram reencontrar a sua terra, a casa, os parentes, os amigos. No momento da sua detenção, todas as imagens importantes das suas vidas, os seus afectos, os seus sonhos, tinham ficado como que congeladas, no coração e na mente, até que chegou a libertação. Mas a verdade é que ... quase não encontraram nada. Muitas das pessoas relevantes da sua vida, já tinham morrido, ou mudado de sítio, ou simplesmente tinham-nos considerado mortos e ausentaram-se para parte desconhecida. As circunstancias do mundo tinham mudado tanto, que esses momentos congelados na memória, esfumavam-se no cinzento do passado.
A frustração era imensa. Toda a força das recordações, que os tinha mantido vivos durante a prisão e a tortura, desaparecia agora que estavam em liberdade.»
(continua no proximo post...)







