Jornal de Negócios

22 setembro 2008

again?!

«O presidente da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico de Lisboa, Jean Barroca, considera "precipitada" a decisão do reitor Carlos Matos Ferreira de proibir as praxes académicas dentro dos recintos daquela instituição de ensino» (...) Publico, ultima hora

Para quem não sabe, a praxe é uma coisa velha, mas que tem piorado com o tempo (ao contrário do vinho bom ...) e nos tem tornado "famosos" até fora de portas.

hospitais estendem passadeira a médicos para sairem


«Lisboa, 21 Set (Lusa) - João é obstetra há nove anos num hospital público, com o qual acaba de rescindir o contrato por estar "farto das passadeiras vermelhas" que o Estado "estende aos médicos" para abandonarem o Serviço Nacional de Saúde. (...)

A Lusa tentou apurar junto do Ministério da Saúde quantos médicos deixaram o SNS nos últimos tempos, mas essa contabilidade ainda não está feita. Segundo as contas de António Correia de Campos, ex-ministro da Saúde e antecessor da actual ministra, Ana Jorge, só no ano passado foram mais de mil os clínicos que deixaram o serviço público, metade dos quais directamente para o sector privado.

Em 2007, o Ministério da Saúde tinha avançado à Lusa que, entre o início de 2006 e Abril de 2007, 943 médicos tinham deixado o SNS, entre reformas e rescisões. Sobre as medidas que a tutela conta levar a cabo para resolver a carência de médicos nos serviços públicos de saúde, fonte do gabinete de Ana Jorge remeteu o anúncio das mesmas para quando for "oportuno".

João, obstetra do Hospital S. Francisco Xavier, onde ajudou a nascer mais de mil crianças, já não acredita. Está desiludido. E decidiu que a sua vida "tem de mudar" e pediu a rescisão do Contrato de Provimento Administrativo que vem renovando há nove anos.


Este vínculo precário, que lhe tem fechado as portas a uma carreira médica, vem funcionando como garantia da presença de muitos médicos nos serviços, sem que efectivamente pertençam ao Estado ou às instituições que servem, acusa. Sem hipóteses de progressão na carreira, a ganhar cerca de 2.000 euros mensais por 47 horas semanais, João tem assistido à saída massiva dos clínicos do seu serviço neste hospital, que inclusive encerrou as portas no final do mês passado por falta de profissionais. (...)


A culpa? Para João, nem os directores de serviço nem os próprios administradores são os grandes responsáveis pela situação, mas sim as tutelas que, sucessivamente, têm como grande objectivo "a diminuição dos gastos com a Função Pública". E este nem é, para o médico, um mau propósito, mas desde que assumido com transparência e não "à custa de engenharias financeiras".


Na prática, os hospitais apresentam menos despesas com pessoal, mas depois gastam mais "ao contratarem outros (ou os mesmos) a preços mais elevados", desde que pagos através de outras rubricas. "Todos sabem o que se passa", disse, mas "ninguém faz nada", até porque, "bem ou mal, as coisas vão-se fazendo e os números até demonstram que se fazem mais consultas, mais partos, etc.", explicou.


Sobre o "assédio" das empresas de médicos e dos hospitais privados, este clínico alerta: "Com a falta de médicos, não é difícil estes encaixarem-se em qualquer lado" e a ganharem mais. O mais triste, disse, é que "as portas estão permanentemente abertas para os médicos saírem". Alguns aceitam o convite. João sai no fim do mês.»
*** Sandra Moutinho, da Agência Lusa ***

18 setembro 2008

Se a moda pega ...


A Junta da Andaluzia, no país vizinho, através do seu departamento de Meio Ambiente, decidiu atribuir 300 mil euros a cada uma de duas centrais sindicais - UGT e Comissiones Obreras (CC.OO) - para projectos de Informação e Sensibilização sobre água. Estas organizações representam, no seu todo, 10% dos trabalhadores.

É sabido que a referida Junta paga as despesas correntes a estas Centrais sindicais, desde 2007, conforme publicita o Departamento de Justiça e Adminstração Pública desta Provincia Autónoma de Espanha.


17 setembro 2008

Lei do divorcio desprotege mulheres


A Associação Portuguesa de Mulheres Juristas considera que a nova lei do divórcio deixa desprotegidas as mulheres vítimas de violência doméstica.

(No Expresso, 17 de Setembro)

... «um sistema que suprima o divórcio litigioso por violação culposa dos deveres conjugais "não pode deixar de prever expressamente a violência doméstica contra as mulheres e os maus-tratos às crianças, como causas de divórcio sem o consentimento do outro cônjuge". "Caso contrário, a lei está a contribuir para a invisibilidade do fenómeno da violência e para a perpetuação da discriminação das mulheres e das crianças, continuando o Código Civil a reflectir a concepção tradicional de família como santuário e a imunidade do agressor", explica.» ...

«Segundo as mulheres juristas, a experiência de outros países em que foram introduzidos regimes semelhantes ao do diploma em causa, revelou-se negativa para um largo conjunto da população feminina, colocando as famílias monoparentais numa situação de pobreza ou abaixo do limiar da pobreza.

Ainda relativamente à violência doméstica, a associação refere que no preâmbulo do projecto de lei era afirmado que esta estava prevista como fundamento para requerer o divórcio. Contudo, acrescenta, em artigo algum do decreto ou do projecto é encontrada qualquer referência expressa à violência doméstica.» ...

(De notar que o projecto de lei sobre a violência de género já tinha merecido desta Associação um parecer bastante negativo)

16 setembro 2008

"O rastreio do cancro do colo do útero é mais eficaz que a vacina"


Entrevista no Le Monde, do professor Claude Béraud, membro do Conselho Médico da Mutualité Française.

(...)«Paradoxalmente, o rastreio do cancro do colo do útero está dependente de iniciativas individuais, apesar de se saber que o rastreio generalizado permitiria evitar 90% dos casos e das mortes.»

(...)«Sabe-se que [a vacina do HPV] só é eficaz contra as infecções provocadas pelos dois tipos mais perigosos do HPV, dentro dos doze tipos que induzem risco elevado, mas não se sabe se esta protecção reduz efectivamente o cancro.»

(...) «a vacinação de toda a população adolescente levaria, em 2060, a uma redução de 10% na mortalidade deste cancro»

(...) Quanto à duração do efeito da vacina «é provavelmente superior a seis anos mas, se não houver doses posteriores de reforço, talvez seja insuficiente para que a vacina conserve a sua eficácia potencial durante toda a vida.»

(...) O rastreio [Papanicolao, citologia] evita «pelo menos 80% dos cancros do colo do útero, enquanto a vacina, mesmo que a sua eficácia seja aquela que os laboratórios esperam, o que é improvável, não poderá prevenir mais do que 70% dos cancros, e só dos que são provocados pelos tipos que estão presentes na vacina».

(...) Na população adolescente, «o risco de vir a ter um cancro do colo do útero até aos 74 anos de idade é de 0,6%». A vacinação não dispensa o ter que fazer o rastreio por citologia [Papanicolao]
(...)

* Mais informação:

- Sobre o cancro do colo do útero, o HPV, as vacinas e a prevenção:
National Cancer Institute (página em espanhol)

- "Devemos vacinar as nossas filhas?" Artigo, em espanhol, do Prof. Dr. Jokin Irala e Prof. Dra. Silvia Chilleron, Departamento de Medicina Preventiva e Saúde Pública, Faculdade de Medicina da Universidade de Navarra. (formato pdf, 19,1 Kb)

Importa-se de repetir?

No JN de hoje:


«Primeira ruga pode levar à depressão» (não, não é rusga, é ruga ...)

(...)

«os jovens, com idades entre os 18 e os 24 anos, são os que mais receiam o envelhecimento da pele, com 42 por cento a manifestar-se "preocupado" ou "muito preocupado" com esta situação.»

(...)

«As "rugas" e a "flacidez" foram apontadas por mais de metade dos inquiridos, face a apenas 13 por cento que nomearam os "cabelos brancos". Só um por cento referiu a "gordura" como o factor que mais teme com o avanço da idade.»

E eu a julgar que o problema era o desemprego!

O menino do pijama às riscas


"The boy in the striped pyjamas", dirigido por Mark Herman.

Um filme que vale pela história e pelos actores. Adaptado do romance de John Boyne.Uma história humana que prende.


Vera Farmiga desempenha o papel da mulher de um oficial nazi que é destacado para um campo de concentração. Ela desconhece o trabalho do marido. Neste campo está presa uma criança (Jack Scanlon) que se torna amiga do filho do casal.

Elenco:
David Thewlis, Asa Faringer, Jack H Wiener, Sheila Hancock, Vera Farmiga 94 minutos, Class > 12 anos.

11 setembro 2008

Trapalhadas


No Sol, de 09 Set. 2008

(...)


«O Governo pôs centenas de presos na rua com a revisão penal e processual penal porque havia presos a mais – e agora prepara-se para abrir as portas das prisões para lá meter o maior número possível das pessoas que pôs na rua e mais outras que não poderiam ser sequer presas à luz da lei anterior a Agosto de 2007. Esta é uma modificação profundíssima do regime de prisão preventiva, que contraria as opções do próprio Governo feitas no CPP [Codigo de Processo Penal]. Mas esta não é a única contradição.

Este Governo proibiu a prisão preventiva nos crimes de furto mais frequentes, como o furto com introdução em casa alheia ou de furto como modo de vida. Este Governo acabou com o recurso das decisões sobre prisão preventiva quando elas sejam favoráveis ao recluso, proibindo o MP de recorrer do despacho de soltura. Este Governo esqueceu as vítimas de crimes e acantonou o MP, impedindo-o de reagir com eficácia à criminalidade grave.


A insegurança não é uma fatalidade. O crime não é uma fatalidade. Portugal precisa de uma outra política de segurança, que saiba atacar eficazmente a criminalidade, respeitando o padrão europeu dos direitos das vítimas e dos arguidos.
» (Paulo Pinto de Albuquerque, Professor da Faculdade de Direito da Universidade Católica)

10 setembro 2008

Angola

No Público de 3ª feira, 9 de Setembro, Vital Moreira: "Poucas eleições africanas terão sido disputadas com tanta liberdade, pluralismo e transparência como estas".Público, quarta-feira, 10 de Setembro: «José Eduardo Agualusa defendeu hoje que os resultados das eleições legislativas de sexta-feira em Angola são "assustadores para a democracia", com o espectro de um "pensamento político único" nos próximos anos.

Parlamento brasileiro recusa projecto para salvar recém-nascidos

A Câmara de Deputados brasileira recusou o projecto de lei apresentado pelo congressista Eduardo Valverde, do Partido dos Trabalhadores, que propunha legalizar o chamado "parto anónimo" através do qual as mulheres que não desejem, ou não possam, criar o filho que esperam, dariam a luz sem precisar de se identificar e enviando o recém-nascido para adopção.

O projecto tinha por objectivo reduzir os casos de aborto e abandono infantil,
permitindo à mulher a opção de ficar imune de responsabilidade penal ou civil em relação ao filho.

O deputado Valverde do Partido dos Trabalhadores assegurou que seu objectivo era criar uma alternativa legal para as mães que não pretendem criar a seus filhos.


O projecto, propunha agilizar a adopção da criança para que possa ser entregue a uma família depois de oito semanas de nascido. Todo o processo de adopção correria por conta dos hospitais.

08 setembro 2008

Pobreza em Espanha

«Uma em cada quatro crianças, em Espanha, é pobre. A Taxa mais alta da União Europeia» (No ABC, 8 Set)

No relatório "Informe de exclusión social en España 2008":

«
A Espanha não soube aproveitar o ciclo de expansão [económica] para proteger a população mais vulnerável, como fizeram outros países como o Reino Unido, cujas iniciativas políticas conseguiram reduzir as taxas de pobreza de 30% em 1999, para 24% em 2006.» «A Espanha é o único país em que piorou a capacidade de reduzir a pobreza infantil, e a pobreza dos mais velhos» «As políticas protectoras fixaram-se nas formas mais graves de pobreza, esquecendo a restante população, sobretudo as crianças e os idosos»
As crianças mais atingidas são sobretudo imigrantes (La Vanguardia, 8 Set)

Entretanto, na província da Andaluzia, a Lei da "Morte Digna" prevê multas aos médicos que adoptem medidas "inúteis de prolongamento de vida" a doentes terminais sem possibilidade de recuperação.
Poderão ser punidos com multas até um milhão de euros, mediante um projecto-lei em estudo na região espanhola da Andaluzia.


Em casos em que os representantes ou familiares do paciente discordem da retirada das medidas de suporte vital, o médico pode pedir um parecer não vinculativo, cabendo-lhe depois a decisão final, inclusive contra a vontade da família
.
(JN, 03 Set)

O bastonário da Ordem dos Médicos portuguesa, Pedro Nunes, vê com preocupação a existência deste tipo de legislação. "É absolutamente perturbador", porque "o que se pretende é ameaçar os médicos para que não gastem dinheiro".

Na base destas discussões, considera, está muitas vezes "a noção de que é nos últimos 15 dias de vida que se gasta mais dinheiro com uma pessoa". Por isso, aconselha prudência.
(DN, 4 Set)


07 setembro 2008

realidades incómodas


(...) «Os maiores desastres do século XX foram gerados por pessoas e grupos autonomeados progressistas e donos do futuro. Quando alguém, iluminado pelas forças da modernidade, despreza a realidade que o rodeia como obsoleta e tacanha, impõe sem contemplações as suas opiniões.» (...)

(J. Cesar das Neves, no Diário de Notícias, 01 de Setembro de 2008)

04 setembro 2008

o mistério das certidões de óbito falsas


«A religião é a realidade viva com o maior número de certidões de óbito…falsas.»


Livro de Allister McGrath, (outro) professor de Oxford, “The Dawkins Delusion”, traduzido em português como “O Deus de Dawkins” .


Só em 2006, ano em que apareceu The God Delusion, três investigadores de primeira linha publicaram livros em que concediam um espaço para o divino no universo: Owen Gingerich, (God’s Universe), Francis Collins, (The Language of God), e Paul Davies, (The Goldilocks Enigma).

“Dawkins vê-se forçado”, conclui McGrath, “a estar perante um facto que vai muito contra ele próprio: a maior parte dos cientistas, independentemente da posição religiosa que mantenham, refuta a sua tese de que as ciências naturais são uma auto-estrada intelectual que conduz ao ateísmo”.


as velas ardem até ao fim



SÁNDOR MÁRAI, nascido na cidade de Kassa, que então pertencia à Hungria e hoje está na Eslováquia.

Exilado para os EUA após a sua obra ter sido proibida.
As Velas Ardem Até ao Fim é a história de dois amigos que se encontram ao fim de muitos anos e revêem os seus ... desencontros, políticos e não só...

Romance forte e questionador.
"A GYERTYÁK CSONKIG EGREK", Ed. Dom Quixote, Lisboa 2007 (13ª edição), 153 págs