Jornal de Negócios

25 novembro 2008

Novos desafios (o day after das eleições americanas)




(...) «Fazer da fronteira dos interesses da Rússia uma fronteira amiga dos europeus e dos ocidentais, e tecer com a fronteira dos interesses da China uma rede de acordos que dê crédito e viabilidade aos anúncios chineses de uma nova ordem pacífica, é tão exigente como anular as ameaças que a Administração republicana abrangeu num indefinido eixo do mal.» (...)

Adriano Moreira, no DN de 25 de Novembro

19 novembro 2008

Células adultas funcionam


...

"A história, a voz e o rosto de Cláudia Castillo correram mundo após a divulgação da notícia publicada ontem no The Lancet. Afinal, esta columbiana bonita de 30 anos e com dois filhos (um rapaz de quinze e uma menina de quatro anos e meio) é a figura central do primeiro transplante de traqueia conseguido com recurso às suas células estaminais." ... (no Público)

Em todo o mundo continuam a tratar-se doentes com recurso às células estaminais adultas. Mas nos media só se fala do mundo virtual das células embrionárias.

Curiosamente esta linha celular foi cultivada com tecnologia inglesa, o país onde existe um banco de células ,obtidas por morte de embriões humanos, que segundo o seu próprio director
"gastámos milhões num banco de células embrionárias que contém cerca de seis linhas celulares diferentes, e nenhuma delas serve para transplante".

Mas a saga da publicidade às células embrionárias, mantém-se tão certinha como o sub-prime americano antes do crash. As empresas que apostaram nesta estratégia não querem perder o seu dinheirito, Até percebo, mas em tempo de crise é curioso como sempre se arranja dinheiro para continuar a apoiar o que nunca funcionou ...

18 novembro 2008

E por falar em pedagogia


Pedagogias do modernismo: extractos de um único dia nas páginas de um jornal (Sol, 18 Nov).

1) "O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, garantiu hoje em Lisboa que a cooperação é a chave para a segurança na Europa, à saída de um encontro com o primeiro-ministro português, José Sócrates" (...)

2) "A PSP justificou não ter agido contra as pessoas [adeptos dos No Name Boys] que agrediram jornalistas e causaram distúrbios hoje junto ao Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa alegando que ninguém apresentou queixa" (...)

3) "Os actos violentos realizados no fim-de-semana pelos elementos do grupo apoiante do Benfica - No Name Boys - foram «muito bem programados» e não foram meras acções pontuais, disse hoje um oficial da PSP, em conferência de imprensa" (...)

Não admira que os cidadãos andem baralhados. Com estímulos destes ...

E continua ...


No semanário Sol, hoje:


"A directora-regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, mandou uma equipa à Escola do Freixo, em Ponte de Lima, para perceber por que é que as crianças a quem Sócrates entregou computadores não os levaram para casa. Moreira concluiu que se tratou de uma «opção pedagógica» e que nos próximos dias os alunos poderão levar os Magalhães."
(...)

17 novembro 2008

Filhos de alguém


«Não conhecia o meu pai, nunca ouvira falar dele, nem tinha visto nunca uma fotografia sua. A minha mãe nunca me falou dele, porque não tinha qualquer pista que a levasse ao pai da sua filha»

É o relato na primeira pessoa de Katrina Clark, que passou grande parte dos seus actuais 18 anos, sem saber quem era, como ela própria diz.

Escreveu a sua história no Washington Post revoltada com o facto de as leis sobre fecundação artificial terem sido feitas pensando, apenas, nos desejos dos adultos, sem levar em conta os direitos, e os sentimentos, das pessoas concebidas desse modo.

Katrina luta para que seja reconhecido o direito de todos a saber quem são os seus pais.

«Não pedimos para nascer deste modo, com as limitações e as confusões que isso implica. É de uma hipocrisia muito grande que tanto os pais, como os médicos, pensem que os «produtos» dos bancos de sémen não se vão preocupar em querer conhecer as suas raízes biológicas; (...) o que faz com que os clientes recorram à inseminação artificial é, exactamente, o seu veemente desejo de ter descendentes biológicos."

Do ponto de vista emocional muitas das pessoas que nasceram desta maneira sofrem com a sua situação.
(...) «Dei-me conta que, em certo sentido, era rara. Na verdade eu nunca iria ter um pai. Finalmente interiorizei o que é ser concebida por um doador e odiei-o».

A história aqui, em Aceprensa.

circunavegação



«José Sócrates esteve na Escola do Freixo, em Ponte de Lima, a entregar computadores aos alunos do 1.º ciclo. Mas, depois de o primeiro-ministro ir embora, as crianças tiveram de devolver os Magalhães» (...) (No semanário Sol)



Já nem é tanto a navegação à roda (circum) do mundo, mas o mundo à roda do circo.

10 novembro 2008

É perigoso envelhecer na Holanda

O Lar Sint Pieters, em Amersfoort, na Holanda, foi objecto de uma investigação policial, depois de uma denuncia de que teriam decidido que os seus residentes assinariam um compromisso escrito de que não seriam reanimados caso tivessem uma paragem cardíaca depois dos 70 anos.

Houve reacções no Parlamento holandês e as autoridades de saúde informaram que iriam proceder a uma investigação.


Por fim, a residência geriátrica retirou a sua proposta, não sem afirmar que, num futuro próximo, a iria repor.

Em 2000, o Parlamento holandês aprovou a despenalização da morte provocada em doentes terminais adultos, tendo estendido esta lei também às crianças, em 2002.


Na Holanda existem casas para idosos, com diferentes propostas de assistência, conforme o nível de dependência, e também lares exclusivamente para idosos muito doentes. Nestes já funciona, há quatro anos, com a aprovação da Secretaria Geral da Saúde, a medida do «não desejo ser reanimado, a não ser que...», embora não associada à idade.


Contudo, na intenção manifestada recentemente pela Casa Sint Pieters em Blokland Gasthuis, trata-se de idosos em princípio, saudáveis.


O médico cardiologista Ruud Koster, membro do Conselho Europeu de Reanimação, descarta qualquer base científica para esta estratégia: «A política de não reanimar os idosos a partir dos 70 anos é um equívoco. Pessoas idosas vivem, normalmente, depois de serem reanimadas»

"doenças de pobreza"


Decorreu em Lisboa, no passado fim-de-semana, o I Congresso internacional da Associação Portuguesa Mãos Unidas, dedicado às novas formas de rastreio e cura da lepra no mundo e o aumento das situações de pobreza em Portugal. (noticia no semanário SOL, aqui)

Se em Portugal a doença está controlada, estimando-se que haja apenas entre 30 a 40 casos, relacionados com pessoas provenientes doutros países, a situação é ainda endémica em países como a Índia e o Brasil, os dois países com mais casos. No total, em todo o mundo estima-se a existência de 5 a 6 milhões leprosos.

Enquanto o Ocidente rico vive na ilusão da imortalidade, procurando cirurgias estéticas para "tratar" o normal processo de envelhecimento e "tratamentos" para os excessos de comida ou de bebida, os doentes com lepra vivem na «triste realidade do abandono e segregação que sofrem aqueles que têm a infelicidade de contrair a doença (...) São homens que vivem em extrema pobreza, devorados pela fome e em condições insalubres. Atingidos por uma doença que, ironicamente, só ataca os seres humanos, arrastam e suportam o peso de uma tradição milenária que os rotula de amaldiçoados, cúmplices e merecedores de castigo, pelo que são repelidos da convivência social.»

É uma doença tratável, mas é preciso que haja quem identifique os doentes, e lhes faça chegar os tratamentos.


27 outubro 2008

Ali ao lado


O Presidente do Parlamento da Catalunha, Ernest Benach, pediu desculpas públicas pelas modificações do do Audi 8 que lhe foi atribuído e que custou cerca de 83 mil euros, prometendo que vai retirar os "extras".

O sistema de aluguer dos carros foi aprovado pela Mesa da Câmara catalâ, onde têm assento todos os partidos excepto Ciutadans (partido não-nacionalista).



(noticia El Pais, 27-Out-2008)


O Estado "social"


(...)«Devo dizer que uma das coisas que me irrita um bocado é que o dinheiro dos contribuintes tenha ido para a Caixa, para esta o meter no BCP a perder dinheiro. Mas isso é uma coisa que em Portugal ninguém discute.

Em qualquer outro país dava artigos por todo o lado. Os contribuintes estão fartos de meter dinheiro na Caixa, para ela fazer operações financeiras que ninguém sabe bem o que são, nem para que servem.» (...)

Do economista e ex-ministro das Finanças, Silva Lopes, em entrevista ao Expresso.

26 outubro 2008

O fundo do bolso


(...) «O inferno tem fila à porta de financeiros americanos, mas ainda lá há espaço para as boas intenções dos portugueses.» Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios.

«Pegue num papel e escreva: "Eu estava aflito, não conseguia pagar a prestação de 500 euros ao banco. Mas agora vendi a minha casa a um fundo e tudo se resolveu: eu e o banco estamos radiantes por nos vermos livres um do outro, pago menos 100 euros por mês e os donos do fundo garantem que ainda vão lucrar."

Agora releia o que escreveu e pergunte-se: "Acredito?"

Acredite que é verdade, mas não é toda a verdade. Para explicar esta quadratura do círculo, pode já tirar daqui a compaixão. Não há caridade dos investidores para curar a carência dos aflitos: você deve, você paga. De uma forma ou de outra.

Chamam-se FIIAH mas não fiam nada. Os Fundos de Investimento Imobiliário para Arrendamento Habitacional compram-lhe a casa, livre de impostos, voltam a arrendar-lha e, no final, vendem-lha de novo, se você quiser. Ninguém cozeu aqui um ovo para pô-lo de pé, nem se inventaram alquimias financeiras. São contas simples que, quando houver informação, será fácil fazer: bastará comparar, a preços de hoje, tudo o que vai pagar em cada uma das situações, o empréstimo ao banco ou a renda ao fundo.»
(...)

«Poderão as famílias recusar? Dificilmente. Se estão aflitas, não estão em condições de negociar, têm de optar entre verem o património executado pelo banco ou aceitar a proposta do fundo.

Os fundos dão lucros aos investidores, limpam os balanços dos bancos e aliviam os bolsos dos aflitos. Mas é preciso garantir que a vulnerabilidade dos aflitos ou a indiferença dos contribuintes não esteja a ser explorada. Faça as contas antes de fechar negócio.» (...)

24 outubro 2008

Sem flores


Sem coroas, nem flores, relato de uma sobrevivente de Auschwitz. Odette Elina, nasceu París (1910). Filha de pai judeu e mãe católica, militante do Partido Comunista Francês, trabalhou para a Resistencia durante a ocupação nazi.


Os seus pais são mortos, após denúncia, pela Gestapo. Odette fica viva, com a ajuda do pároco da sua freguesia, mas é detida e deportada para Auschwitz em Abril de 1944.

Este livro, traduzido agora para espanhol, com desenhos seus que ajudam ao realismo da história, são as suas memórias imediatas ao chegar ao campo.

Um livro muito realista, escrito com sensibilidade.

Odette Elina sobreviveu até à libertação em 1945. Dedicou-se à pintura. Morreu em 1991.

23 outubro 2008

Continua a haver milagres

1) A Autoridade Europeia do Medicamento mandou suspender a comercialização do medicamento para emagrecer "Acomplia" (rimonabant), devido ao aumento do risco de doença mental e suicídio entre os doentes que o tomam. O medicamento em causa agia sobre os receptores canabinoides (pois ... os tais da marijuana e do haxe ...) e permitia grandiosas perdas de peso. (Tantas que algum perdiam peso ... de vez).

2) Os Gun N' Roses (aquilo que sobra deles) vão lançar (finalmente) um novo álbum. Chama-se (o álbum) "Chinese Democracy".

3) O. Stone vai lançar um filme sobre Bush, que não é muito crítico, segundo dizem os ... críticos.


para pior já basta assim ...


(...)

«há muito tempo que a Psiquiatria reconhece a importância da família no desenvolvimento do indivíduo e a sua ligação à psicopatologia.

Qualquer alteração legislativa radical - democraticamente legítima - no regime jurídico do casamento tem fortes implicações individuais, familiares e sociais, cujas consequências são imprevisíveis.

Porém, não se tem observado, por parte do legislador, a necessária prudência e o espírito dialogante que deveria acompanhar uma matéria tão sensível como esta. Resta esperar que a nova concepção de família não seja uma obsessão política invencível » (...)

(No Público, Pedro Afonso, Psiquiatra, artigo de opinião, A família volátil e a imaturidade.)

Depois da volatilidade dos mercados e do crash mundial, há quem queira repetir a receita com as questões da família.