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...) «O inferno tem fila à porta de financeiros americanos, mas ainda lá há espaço para as boas intenções dos portugueses.»
Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios.«Pegue num papel e escreva: "Eu estava aflito, não conseguia pagar a prestação de 500 euros ao banco. Mas agora vendi a minha casa a um fundo e tudo se resolveu: eu e o banco estamos radiantes por nos vermos livres um do outro, pago menos 100 euros por mês e os donos do fundo garantem que ainda vão lucrar."
Agora releia o que escreveu e pergunte-se: "Acredito?"
Acredite que é verdade, mas não é toda a verdade. Para explicar esta quadratura do círculo, pode já tirar daqui a compaixão. Não há caridade dos investidores para curar a carência dos aflitos: você deve, você paga. De uma forma ou de outra.
Chamam-se FIIAH mas não fiam nada. Os Fundos de Investimento Imobiliário para Arrendamento Habitacional compram-lhe a casa, livre de impostos, voltam a arrendar-lha e, no final, vendem-lha de novo, se você quiser. Ninguém cozeu aqui um ovo para pô-lo de pé, nem se inventaram alquimias financeiras. São contas simples que, quando houver informação, será fácil fazer: bastará comparar, a preços de hoje, tudo o que vai pagar em cada uma das situações, o empréstimo ao banco ou a renda ao fundo.»
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«Poderão as famílias recusar? Dificilmente. Se estão aflitas, não estão em condições de negociar, têm de optar entre verem o património executado pelo banco ou aceitar a proposta do fundo.
Os fundos dão lucros aos investidores, limpam os balanços dos bancos e aliviam os bolsos dos aflitos. Mas é preciso garantir que a vulnerabilidade dos aflitos ou a indiferença dos contribuintes não esteja a ser explorada. Faça as contas antes de fechar negócio.» (
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